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Coluna

Desafio Ambiental: Pesquisa e inovação abrem caminho para o jeans mais sustentável

Por Lenilde Pacheco

Desafio Ambiental: Pesquisa e inovação abrem caminho para o jeans mais sustentável
Foto: Levi's/Divulgação

O avanço das varejistas asiáticas no mercado global é apenas um dos fatores a tirar o sono de lideranças da indústria têxtil brasileira. Como o mar calmo nunca fez bom marinheiro, marcas e fornecedores trabalham duro para colher resultados dos investimentos em inovação e sustentabilidade.

 

Muitas empresas do setor adotaram práticas sustentáveis ??genuínas e verificáveis, evitando os riscos do greenwashing, que transforma ações inconsistentes em marketing de venda. Graduais, as mudanças para um modo de produção mais limpo fazem parte de um processo em permanente construção.

 


Foto: CNI Senai Cetiqt

 

Os esforços até aqui realizados produzem bons resultados. Levantamento da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), divulgado em 2022, mostra que o faturamento da cadeia têxtil e confecção chegou a R$ 190 bilhões em 2021. O setor representa 5,7% do PIB industrial brasileiro, empregando mais de 1,5 milhão de pessoas.

 

O segmento ainda conta com o apoio do Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil – SENAI CETIQT, criado em 1949. Hoje reconhecido como um dos maiores centros latino-americanos de produção de conhecimento aplicado a essa cadeia produtiva. Em instalações recém-inauguradas, a nova sede foi transferida para a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, incluindo a infraestrutura de salas de aula da Faculdade SENAI CETIQT, do Instituto Senai de Tecnologia de Confecção e Têxtil.

 


Fotos: Levi's/Divulgação

 

De forma bem realista, no entanto, a indústria de jeans luta para se afastar do conceito de categoria mais poluente na fabricação de roupas. Com isso, o propósito de reduzir o impacto ambiental ganha a adesão de marcas consolidadas, transformando a relação com o público. A Levi's é um desses fabricantes que aposta em estudos, a fim de encontrar formas de produção mais sustentáveis e avança com o Projeto WellThread, uma ação para reduzir o impacto ambiental desde as fibras dos tecidos e tingimentos até o acabamento das peças. 

 

Os produtos WellThread são fabricados em instalações preparadas para o reuso da água, além das fórmulas de lavagem empregadas terem sido desenvolvidas expressamente para reduzir consequências químicas, energéticas e hídricas. A estratégia prevê mudanças a longo prazo, colocando pesquisa e inovação à frente do processo.

 

Para o outono/inverno, a marca utilizou o BioBlack TX by Nature Coatings na produção, um pigmento vegetal feito de resíduos de madeira e com o qual é possível obter a tonalidade preta. Já possui o selo de certificação do FSC® (Conselho de Gestão Florestal) por substituir o carbon black, derivado do petróleo e obtido a partir da queima de combustíveis fósseis. O BioBlack TX, ao contrário, é feito por um sistema de circuito fechado 100% biológico. Restos de madeira reciclada, antes queimados ou jogados em aterros, são a base do novo pigmento. 

 

"Nossa missão é desenvolver métodos mais sustentáveis para produzir roupas de alta qualidade e duráveis", resume Paul Dillinger, vice-presidente e head of Global Product Innovation da Levi Strauss & Co. É assim que o fabricante hoje cuida de ‘Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo’, para fortalecer a economia verde; proteger o meio ambiente; calibrar para o desenvolvimento e garantir a geração de empregos. Ao aliar inovação à preocupação com meio ambiente, ganha competitividade e procura manter-se alinhado com a nova geração de consumidores.