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Crocheteiras da Ilha de Bom Jesus dos Passos transformam saber ancestral em renda e reconhecimento

Por Nathalí Brasileiro

Crocheteiras da Ilha de Bom Jesus dos Passos transformam saber ancestral em renda e reconhecimento
Fotos: Acervo Pessoal | Reprodução / Instagram

Entre fios coloridos, pontos minuciosos e olhares atentos, um grupo de mulheres transforma o silêncio das tardes na Ilha de Bom Jesus dos Passos, na Baía de Todos-os-Santos, em poesia tecida à mão. No vai e vem das agulhas, pulsa um saber antigo — passado de geração em geração — que hoje se reinventa em peças autorais de crochê que cruzam o mar rumo a feiras e lojas.


 

A iniciativa é apoiada pela Fundação Baía Viva, que atua no fomento ao turismo como vetor de desenvolvimento socioeconômico. De acordo com Dulce Mello, responsável pela produção e pela coordenação dos trabalhos com a fundação, o crochê, antes de virar negócio no mundo da moda, era algo restrito ao uso doméstico. “A gente percebeu que ali havia um saber potente, adormecido, e resolvemos apostar nisso como vetor de desenvolvimento”, explicou em entrevista ao BN Hall.

 

 

A motivação, segundo ela, sempre foi clara: “Queremos transformar vidas por meio de um trabalho digno, autônomo e autoral. Nosso objetivo é oferecer ferramentas para que essas mulheres se tornem, inicialmente, microempreendedoras, garantindo dignidade a elas e suas famílias, sem que precisem abandonar sua terra natal, onde seus laços afetivos e identitários estão profundamente enraizados”, afirmou.

 

 

Foi então iniciado um mapeamento das vocações locais ligadas ao fazer manual no entorno da Baía de Todos-os-Santos. “Descobrimos que, na comunidade de Bom Jesus dos Passos, havia um saber consolidado na técnica do crochê. A partir disso, iniciamos um processo de capacitação e atualização das técnicas, alinhando-as às demandas do mercado atual”, destacou.

 

O projeto reúne atualmente oito crocheteiras em seu núcleo, mas a rede está em expansão. As criações abastecem duas lojas físicas: uma no Casarão das Artes, na Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe, na Ilha dos Frades, e outra na própria Ilha de Bom Jesus dos Passos. “São espaços importantes para dar visibilidade às criações e ampliar o alcance das vendas. Essa mudança permitiu o aumento da renda e trouxe mais reconhecimento ao trabalho das crocheteiras”, afirmou Dulce.

 

Hoje, as peças são comercializadas tanto para turistas quanto para lojistas e parceiros do setor da moda. O destaque entre os produtos é a bolsa com base de cestinha de palha e acabamento em crochê. “No começo, muita gente achou que não ia dar certo. Era uma combinação ousada. Mas aí Celina, uma das crocheteiras, se arriscou e criou o primeiro modelo. Foi um sucesso imediato”, relembrou Dulce.

Para o futuro, a expectativa é ampliar os horizontes da iniciativa, com novas parcerias e acesso a mercados mais amplos, inclusive fora do Brasil. “Nossa meta é sonhar cada vez mais alto, mesmo os sonhos que parecem impossíveis, e realizar tudo aquilo que nos é possível. Queremos consolidar o projeto como uma referência em artesanato autoral, ampliar o alcance das vendas para além do território turístico e fortalecer ainda mais as parcerias com empresas, estilistas e instituições. Com o apoio contínuo da Fundação, seguimos confiantes de que estamos trilhando uma estrada longa, mas promissora — uma jornada onde os limites se expandem a cada passo”, concluiu.

 

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