Comandando agência, Piti Canella detalha trajetória como produtora cultural e enfatiza paixão pela Bahia: "Sou filha de Salvador"
A trajetória de Piti Canella é um retrato da cultura baiana pulsante, da música que ecoa nas ladeiras de Salvador e da produção cultural que transforma ideias em grandes espetáculos. Com mais de três décadas de experiência, a produtora cultural e fundadora da Agência Canella construiu uma carreira marcada por ousadia, parcerias históricas e compromisso com a arte brasileira.
A jornada de Piti, no entanto, não começou no universo artístico, ela veio da área de sistemas. A produtora iniciou sua carreira longe dos holofotes, mas a arte sempre esteve em sua essência. A grande virada em sua vida profissional aconteceu ao reencontrar Ivanna Souto, sua contemporânea na Escola Técnica Federal da Bahia, berço de importantes nomes da cultura. Na época, ela atuava na área de promoções do Banco Econômico, enquanto Ivanna estava na comunicação do então vereador Gilberto Gil. Esse reencontro marcou o início de uma amizade que transformaria a história da música e da cultura na Bahia.
Foi com a colaboração de Flora Gil que Piti e Ivanna conheceram Marília Gil, filha de Gilberto Gil. Marília, com sua conexão com a arte e a cultura, tornou-se uma parceira de peso, e o trio formou a base de um projeto ousado, criado com o propósito de inovar no mercado: um espaço para promover e dar visibilidade a artistas locais e à cultura da Bahia.
Depois de oito anos de parceria, Ivanna seguiu seu próprio caminho, chegando a empresariar o início da carreira de Carlinhos Brown, e se afastou da sociedade. Piti, por sua vez, continuou ao lado de Marília Gil, dando origem à Gil & Canella, agora com uma nova identidade. Mas a parceria foi além do ambiente de negócios. Ao longo dos anos, a amizade foi se estreitando de maneira orgânica e genuína. “Só de falar de Marília, eu já fico com vontade de chorar. Porque eu a acho uma mulher incrível. Eu a acho enorme, sabe? Como pessoa, como produtora. Potente”, descreveu a produtora em entrevista ao BN Hall.
A Agência Canella nasceu como CNPJ em 2016, a missão sempre foi evidente: mapear talentos e construir pontes para que eles alcancem grandes oportunidades. Ao longo dos anos, a produtora seguiu com a proposta de abrir portas para novos artistas, sempre com a visão de que a música autoral da Bahia merece destaque, independentemente do tamanho do palco.
Após Marília assumir a direção do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), a Gil & Canella entrou em pausa. Em seguida, o negócio foi retomado como Agência Canella, agora sob a gestão exclusiva de Piti. Apesar da mudança, a produtora manteve a missão de conectar talentos a oportunidades transformadoras, com o compromisso de "mapear talentos e construir pontes". A atuação da empresa abrange desde a descoberta e o desenvolvimento de novos artistas até a gestão e execução de grandes projetos culturais.
“Eu quero fazer projetos que ninguém nunca fez. Eu quero chegar em lugares, mas isso não significa que eles serão gigantes. Isso pode significar que eles sejam menores e em lugares importantes, em lugares que talvez precisem ser vistos, com pessoas que precisam ser conhecidas, que precisam ser vistas. Eu acho que é chegar nesse lugar de dar visibilidade a quem não tem e de, ainda mais, registro da cultura da Bahia. Porque eu me interesso muito pela cultura da minha terra, sabe? Eu sou filha de Salvador, nasci aqui e no mesmo dia da cidade”, evidenciou Piti na conversa.
Com a mudança, a agência foi reestruturada com força renovada representando atualmente artistas como Sulivã Bispo, Val Benvindo, Kika Maia e outros que estão chegando para somar.
TRAJETÓRIA DE PITI CANELLA
Com um extenso currículo, Piti Canella foi a responsável por produzir o documentário "Axé - Canto do Povo de Um Lugar", de Chico Kertész, um importante registro da revolução que o movimento Axé trouxe para a música brasileira. Além disso, atuou em projetos como o Museu das Telecomunicações no Rio de Janeiro, o Museu Casa do Carnaval e a Cidade da Música da Bahia.
A carreira de Piti é marcada por conquistas importantes, como sua atuação na organização da cerimônia de encerramento dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, no Maracanã, e sua participação no projeto Conexão Vivo, que levou artistas baianos a diversas cidades do estado e do país. Além disso, acumulou experiência na gestão de eventos da Arena Fonte Nova, desde a reinauguração até a Copa do Mundo. No setor público, foi assessora especial da secretária de Cultura, Arany Santana, durante a aplicação da Lei de Emergência da Cultura na pandemia — um trabalho que, três anos depois, a levou a dirigir a Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb).
Após sua passagem pela gestão pública, a executiva retomou sua vida como produtora, decidindo assumir o nome que havia sido parte de sua trajetória desde o início: Canella. A decisão de criar a Agência Canella foi natural, já que o sobrenome, que tanto marcou sua história, era, na visão dela, uma extensão de sua identidade.
Além de se dedicar à agência, ela também faz parte do projeto Tranquilo Salvador. “Eu me associei agora a um projeto lindo, também de música, que se chama Tranquilo Salvador. É um projeto que já estava sendo tocado por Ênio IXI, que é cantor, compositor e produtor musical, e Luan Boré, que é um cara multiartista ligado ao audiovisual, inteligentíssimo, que já tem com outros sócios algumas marcas, como o Salvador Meu Amor e outras”, completou Piti.
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