Startup baiana é destaque na Exame por promover economia circular e gerar renda para catadores e cooperativas
A startup baiana Solos foi reconhecida em uma publicação da Revista Exame por seu destaque na atuação com o modelo de economia circular inclusiva. Na matéria, publicada na última terça-feira (4), a empresa é citada como um exemplo de como transformar o problema do lixo no Brasil em uma oportunidade.
Com o Brasil ocupando o quarto lugar no ranking mundial de geração de lixo, produzindo cerca de 80 milhões de toneladas por ano, a reciclagem se apresenta como um desafio estrutural. De acordo com a reportagem, apenas 4% do lixo gerado no país é reciclado, e a ONU (Organização das Nações Unidas) projeta que, até 2030, o volume de resíduos pode ultrapassar 100 milhões de toneladas. Nesse cenário, a Solos adota um modelo inovador que integra sustentabilidade e inclusão social.
Fundada em 2017 na Bahia, a startup surgiu com o objetivo de tornar a gestão de resíduos um motor de inclusão social. Com foco no Nordeste, região que apresenta os piores índices de gestão de resíduos no Brasil, a empresa atua em oito estados e já gerou R$ 4,4 milhões em renda para cooperativas e catadores, além de coletar mais de 1,5 mil toneladas de resíduos, reintegrando-os à cadeia produtiva.
Durante o Réveillon de Salvador, a Solos implementou um sistema de reciclagem que, em parceria com a prefeitura, Heineken e Amstel, coletou 12 toneladas de resíduos e gerou mais de R$ 157 mil para os catadores. Outro projeto de destaque é o Re-Ciclo, um serviço de coleta seletiva com triciclos elétricos em Fortaleza, que foi premiado na Semana do Clima de Nova York em 2024.
Em Caraíva, no litoral baiano, a empresa lançou o Vidrado, projeto que transforma vidro coletado em fonte de renda para comunidades indígenas locais. Com 100% de adesão dos moradores, a iniciativa já está planejando sua expansão para outras regiões.
A TRAJETÓRIA DE SAVILLE ALVES E A CRIAÇÃO DA SOLOS
A fundadora da Solos, Saville Alves, teve sua visão de mundo influenciada pela educação de sua mãe e pela experiência adquirida em empresas como Braskem e em ONGs como a Teto. Foi nesse contexto de atuação na área de sustentabilidade que ela se sensibilizou para as questões de saneamento básico e coleta de resíduos em comunidades carentes.
O projeto que originou a startup nasceu no laboratório da Yunus Social Business e foi validado em programas de aceleração. Embora o início tenha sido desafiador, hoje a empresa comemora sua expansão e os prêmios conquistados, com planos de ampliar suas operações para todo o Brasil.
Apesar do avanço significativo, os problemas relacionados à gestão de resíduos no Brasil ainda são profundos. A Bahia, por exemplo, continua liderando o número de lixões a céu aberto, mesmo após a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010. Para Saville, além da educação ambiental, é fundamental a colaboração entre o setor público e iniciativas privadas para transformar o cenário da gestão de resíduos no país.
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