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Baiana cria marca com pigmentos naturais para estampar tecidos

Baiana cria marca com pigmentos naturais para estampar tecidos
Foto: Reprodução/Instagram

Tendência em várias épocas do ano, as roupas coloridas são usadas há cerca de dois mil anos, com a prática de tingir tecidos, porém, com o tempo, os pigmentos, que eram naturais, passaram a ser sintéticos, e esses corantes químicos fazem mal à saúde das pessoas e ao meio ambiente. 

 

Diante disso, a cantora soteropolitana Ludmila Singa, elaborou um projeto que utiliza pigmentos naturais para estampar tecidos sem agredir o biossistema. A também modelo revelou que o sonho de abrir uma estamparia vem de longa data, mas ao descobrir que o processo era tóxico para o ecossistema, buscou desenvolver uma estamparia natural.

 

"Eu identifiquei, por meio das minhas pesquisas, o quanto é poluente esse processo de coloração de estamparia na indústria têxtil. A partir disso, fiquei pensando que não queria fazer parte desse mercado dessa forma. Eu queria fazer estampas e lançar coleções de roupa com estampa autoral, mas sem fazer parte dessa cadeia produtiva", explicou.

 

Além de focar na natureza, Ludmila também visa realizar sua estamparia com uma coleção agênero, ou seja, inspirada na sexualidade como um todo. "A Sagrada Vulva também tem como propósito trazer a reflexão e autocuidado sobre a sexualidade como um todo. Buscamos mostrar ilustrações sobre as formas femininas com objetivo de trazer à tona o debate sobre a presença do feminino na construção do indivíduo social. Outro diferencial é que trabalhamos com o modelo de roupas agênero, ou seja, qualquer pessoa vai se sentir confortável para usar as peças", diz Singa.

 

Segundo a CEO, que é formada em Bacharelado Interdisciplinar em Artes pela UFBA, a coleção será dividida em subcoleções e cada uma receberá o nome de uma planta que auxilia no tratamento de doenças no útero. "Cada subcoleção terá o nome de ervas e raízes de plantas que se usam no trato do útero. Por exemplo, o barbatimão, que é uma raiz super poderosa para várias questões de cicatrização, vaporização uterina e banho de acento, vai ser utilizada como um dos pigmentos naturais que vai trazer uma das cores da coleção".

 

O projeto, que foi escolhido pelo Edital Inventiva, da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), vai iniciar a fase de testes e estruturação. "Vamos realizar testes de qualidade, de durabilidade e de fixação da cor. A partir disso, quando conseguirmos produzir as estampas, com a tintura que possa proporcionar uma durabilidade, uma qualidade e conforto, passaremos para o processo de produção", diz Ludmila.  

 

A empresa conta com a colaboração de Carolina Carvalho, Jamile Carvalho, Beatriz Almeida e Alberto Pita, e quer colocar em evidência a moda sustentável. "Temos o pilar da sustentabilidade e do autocuidado dentro da moda. Estamos levando esse pensamento para a sociedade. Para além da roupa, que a Sagrada Vulva represente uma ideia, represente um estilo de vida, represente uma ação", afirma.

 

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