Designer baiana troca carreira acadêmica por papelaria artesanal e aposta em afeto feito à mão; conheça a De Papel e Papelão
Entre papéis, texturas e o cuidado de quem escreve cada detalhe à mão, a marca baiana De Papel e Papelão nasceu como um convite à pausa. À frente do projeto está a designer baiana Suzana Salgado, que deixou a rotina da vida acadêmica e de uma agência de comunicação para se dedicar ao trabalho manual, transformando papel e papelão em peças que valorizam memória e conexão.
“Eu sempre gostei muito de criar, tanto no trabalho quanto na vida pessoal. O processo criativo sempre esteve muito conectado comigo. O trabalho manual também sempre foi muito terapêutico, mas antes da pandemia era apenas um hobby”, contou Suzana em entrevista ao BN Hall. Foi durante esse período que a designer decidiu redirecionar a carreira. “Na pandemia, a gente precisou rever muita coisa. Tudo foi suspenso e, nesse contexto de incertezas, o trabalho manual ganhou um novo significado”, afirmou.
Antes da mudança, Suzana atuava como professora universitária nos cursos de Design e Publicidade e Propaganda, além de comandar uma agência de comunicação em sociedade com um jornalista, atendendo clientes institucionais. A virada veio com a aproximação da cartonagem, técnica que utiliza papelão para criar objetos estruturados e que passou a fazer parte da sua rotina. Assim surgiu a De Papel e Papelão, nome que traduz a essência do trabalho artesanal desenvolvido pela marca.

A produção reúne itens de papelaria feitos manualmente, como cartões sociais escritos à mão, além de produtos voltados à maternidade, como livro do bebê e cadernetas de vacinação. Também há peças sazonais, pensadas para datas comemorativas. Para Suzana, o objetivo vai além do produto final. “Eu queria muito retomar o conceito do escrito à mão. A grafia da pessoa, o cheiro do papel, a tinta da caneta… tudo isso traz calor humano. Em vez de mensagens prontas enviadas pelo celular, a ideia é que as pessoas voltem a dedicar tempo para escrever e demonstrar afeto”, explicou.
A escolha por um processo artesanal também define o ritmo de crescimento da marca. “Se eu fizer em grande escala, perco o carinho. Passo a produzir mecanicamente, e as pessoas percebem isso”, disse. Hoje, Suzana se dedica integralmente à criação das peças e ao atendimento dos clientes.
Entre os próximos passos estão o lançamento de um site e a abertura de um ateliê físico no bairro do Horto Florestal, em Salvador, previsto para abril. Para a designer, o trabalho segue guiado por um propósito simples. “A marca convida a ser um pouco mais analógico e a cuidar das relações com mais afeto. O amor é o pilar da construção humana, e eu tento levar isso para tudo o que faço”, concluiu.

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