Ser By Ana: Marca aposta em moda autoral com elegância, leveza e versatilidade
Depois de mais de duas décadas entre processos, prazos e audiências, a paulista Ana De Vuono decidiu fazer um movimento que, para muitos, parece improvável: deixou para trás uma carreira sólida na advocacia para ingressar no universo da moda. A mudança, que amadureceu aos poucos, hoje se materializa na Ser By Ana, marca que une sofisticação, leveza e foco na durabilidade das peças e que ganhou sua primeira loja física no Shopping Paseo, inaugurada no início de novembro.
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Ser By Ana une sofisticação, leveza e durabilidade. Fotos: Divulgação
A relação com a moda, conta Ana, começou muito antes da carreira jurídica. Ainda criança, observava a mãe se arrumar para o trabalho com seus tailleurs, bolsas estruturadas e combinações sóbrias. “Usava muita roupa dela. Minhas irmãs até brincavam dizendo que eu me vestia como mulher mais velha, mas eu gostava da elegância, das cores, da forma como tudo se encaixava”, relembrou em conversa com o BN Hall.
Mesmo assim, a vida profissional seguiu outro rumo. Ana se formou em Direito, trabalhou dez anos em São Paulo e se mudou para Salvador após casar com um baiano. Aqui, reconstruiu a trajetória, abriu escritório, ingressou em uma sociedade e permaneceu na advocacia por mais de vinte anos. Com o tempo, porém, a rotina intensa da profissão começou a pesar.
“É uma atmosfera muito dura. A gente lida o tempo todo com problemas, com pressão. Eu estava acostumada, formei muitos advogados, coordenei equipes, mas chegou uma hora em que já não fazia sentido. Senti falta de expressar meu lado criativo”, contou. Ela relata que a chegada da inteligência artificial ao setor jurídico e a sensação de que o trabalho criativo já não tinha espaço contribuíram para a decisão.

Ana De Vuono trocou a advocacia pela moda. Foto: Divulgação
A moda voltou ao centro da vida quando ela se viu obrigada a adaptar o guarda-roupa ao clima de Salvador. Procurou uma consultoria de imagem, ampliou seu interesse por tecidos, cores e acabamento e começou a acompanhar o mercado com mais atenção. “Foi aí que passei a olhar para esse universo de outro jeito. Comecei a prestar atenção nos detalhes, nos materiais, nas possibilidades”, explicou.
A ideia inicial era revender peças. Mas, quanto mais pesquisava, mais implicava com detalhes que gostaria de ajustar. “Eu olhava uma roupa e pensava que queria o botão do outro lado, outra cor, outra gola. Até que percebi que queria fazer do meu jeito”, contou. A partir daí, veio o mergulho no processo produtivo: tipos de tecidos, desenho técnico, modelagem, corte, pilotagem e acabamento. “Nunca imaginei que fosse tão complexo. Mas aprendi muito e adorei todo o processo”.
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Foi desse percurso que nasceu a primeira coleção da marca, batizada de Identidade. As peças seguem uma linha elegante e leve, com tecidos de qualidade e uma paleta discreta, pensada para mulheres que conciliam trabalho, rotina familiar e busca por roupas duráveis. Ana destaca que a longevidade dos materiais, como linho e seda, é um dos pilares do projeto. “Uma peça de linho bem feita dura a vida inteira. Para mim, isso também é responsabilidade com o meio ambiente”.
A escolha do nome da marca surgiu após algumas tentativas. A primeira ideia era Chique Baiana, mas, após pesquisas e conversas com a equipe de branding, ela apostou no trocadilho Ser By Ana. “Ser baiana é o que eu quero ser. E também é o ser pelos olhos da Ana. No início fiquei receosa, mas hoje adoro”, disse.
A loja no Shopping Paseo não era o plano inicial. Ana imaginava um espaço maior e mais reservado, mas encontrou no Paseo o que buscava: um ambiente charmoso, tranquilo e alinhado ao público da marca. O projeto é assinado pela arquiteta Mila Liberá, que já havia trabalhado com Ana anteriormente. “Ficou uma loja linda, refinada. Todo mundo que chega elogia”, comentou.
Para complementar a coleção própria, Ana escolheu marcas parceiras que compartilham do mesmo cuidado com qualidade e caimento. Entre elas, Lenny Niemeyer, voltada à moda resort, e NV, de Nati Vozza. “Eu queria peças que conversassem com a Ser By Ana, que tivessem o mesmo olhar para tecido, acabamento e estilo”.
Com a loja recém-inaugurada, ela já trabalha nas próximas etapas: lançamentos de alto verão, peças especiais da marca e o desenvolvimento da coleção de outono-inverno, inspirada nas tendências europeias adaptadas ao clima da Bahia.
A transição, que para muitos pareceu drástica, hoje faz sentido. “Muita gente disse que eu era corajosa por largar tudo. Mas acho que é mais serenidade do que coragem. Sofri preconceito, ouvi críticas, duvidaram do projeto. Mas segui firme. Fui muito feliz como advogada, mas esse ciclo se encerrou. Hoje estou realizada. Trabalho com o que gosto, administro, crio. E espero que minha história ajude outras mulheres a refletirem sobre onde estão e onde querem chegar”, concluiu.
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