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Artigos

Bruna Santana
Eleições 2026 e Violência Política de Gênero

Eleições 2026 e Violência Política de Gênero

Este texto nasce de uma inquietação — e também de um dever moral e cívico de falar sobre um tema urgente: a violência política de gênero, antes mesmo do início oficial da campanha eleitoral de 2026.

Multimídia

Olívia Santana critica indicação de Jorge Messias e defende ministra negra no STF

Olívia Santana critica indicação de Jorge Messias e defende ministra negra no STF
A deputada estadual Olívia Santana (PCdoB) criticou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de indicar novamente o advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita durante entrevista ao Projeto Prisma, com Fernando Duarte

Entrevistas

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto
Foto: Divulgação / Agência AL-BA
De volta à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) desde janeiro, após assumir a vaga aberta com a morte do deputado Alan Sanches, Luciano Ribeiro (União) concedeu entrevista ao Bahia Notícias na última semana e falou sobre a produtividade do Legislativo para 2026, ano que será marcado pela disputa eleitoral, e o cenário político para a corrida ao governo da Bahia. O deputado também tratou da formação da chapa de oposição e afirmou que, neste momento, descarta disputar a reeleição. Desde o seu retorno, Luciano passou a ocupar a vice-liderança da oposição e a vice-presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

zaire

BN na Copa: Entenda o protesto por trás do lance que pareceu "piada" em Brasil x Zaire na Copa de 74
Foto: Masahide Tomikoshi / Tomikoshi Photography

Em 22 de junho de 1974, no Parkstadion, em Gelsenkirchen, na Alemanha Ocidental, Brasil e Zaire entraram em campo para disputar uma partida que, à primeira vista, parecia apenas mais um confronto da fase de grupos da Copa do Mundo. O Brasil era o atual campeão mundial e ainda carregava parte da geração que encantou o planeta em 1970. O Zaire, por sua vez, fazia sua estreia no torneio e representava um marco histórico: era a primeira seleção da África Subsaariana a disputar uma Copa do Mundo. O que aconteceria naquela tarde, porém, transformaria um lance de poucos segundos em uma das imagens mais conhecidas da história do futebol. Durante décadas, ela seria interpretada de forma equivocada. Para compreender aquele momento, é preciso voltar alguns meses.

 

O Zaire chegava à Copa cercado de expectativas. O país, atualmente chamado República Democrática do Congo, era governado desde 1965 por Mobutu Sese Seko, líder de um regime autoritário que buscava utilizar o esporte como instrumento de prestígio nacional. O futebol ocupava papel central nesse projeto. O governo investiu recursos significativos na seleção nacional, conhecida como Os Leopardos, e os resultados apareceram. O Zaire conquistou a Copa Africana de Nações em 1968 e novamente em 1974, além de garantir vaga para o Mundial ao superar o Marrocos nas eliminatórias. Para muitos observadores da época, tratava-se da seleção africana mais forte já vista até então.

 

A classificação para a Copa foi celebrada como um feito político e esportivo. O governo transformou os jogadores em símbolos nacionais. A participação no Mundial era vista como uma oportunidade de projetar internacionalmente a imagem de um país moderno e forte. As expectativas internas, contudo, rapidamente se transformaram em uma fonte de pressão.

 

A campanha começou com uma derrota relativamente honrosa por 2 a 0 para a Escócia. O resultado não foi considerado desastroso, mas os problemas nos bastidores já haviam começado. Segundo diversos relatos posteriores dos próprios jogadores, eles descobriram durante a competição que os bônus prometidos pela classificação e pela participação na Copa não chegariam às suas mãos. Os atletas afirmaram que dirigentes e intermediários ligados ao regime haviam se apropriado dos valores. A indignação foi imediata.

 

O clima piorou antes da segunda partida. Anos depois, o capitão Raoul Kidumu e o defensor Mwepu Ilunga relataram que os jogadores cogitaram não entrar em campo contra a Iugoslávia como forma de protesto. Segundo Ilunga, houve ameaças para que a equipe jogasse. O resultado foi uma atuação desastrosa e uma derrota por 9 a 0, até hoje uma das maiores goleadas da história das Copas do Mundo.

 

O impacto daquela derrota foi enorme. O time que havia chegado à Alemanha como campeão africano tornou-se alvo de críticas internacionais. Dentro do Zaire, a situação era ainda mais delicada. A humilhação esportiva era interpretada como um constrangimento para um governo que havia apostado sua projeção internacional na equipe. Segundo relatos dos próprios jogadores, após o desastre diante da Iugoslávia, representantes do regime transmitiram uma mensagem clara: uma nova goleada contra o Brasil poderia trazer consequências graves. Diferentes versões mencionam limites distintos, três ou quatro gols de diferença, mas todas convergem para a existência de ameaças e intimidação.

 

Foi nesse contexto que o Zaire entrou em campo para enfrentar a Seleção Brasileira. O placar final de 3 a 0 sugere um jogo relativamente controlado, mas a partida foi marcada pela tensão. O Brasil precisava vencer para manter vivas as chances de avançar. O Zaire, por sua vez, jogava sob o peso da derrota anterior e das notícias que circulavam dentro da delegação.

 

Aos 33 minutos do segundo tempo, ocorreu o episódio que entraria para a história. O Brasil preparava uma cobrança de falta próxima à área africana. Enquanto a barreira se organizava e os brasileiros discutiam a cobrança, o defensor Joseph Mwepu Ilunga saiu correndo da formação defensiva e chutou a bola para longe antes que a falta fosse cobrada. O árbitro mostrou cartão amarelo.

 

Durante décadas, a cena foi repetida em programas esportivos e documentários como exemplo de desconhecimento das regras. Em muitos países, consolidou-se a narrativa de que Ilunga não sabia como funcionava uma cobrança de falta. A imagem reforçou estereótipos sobre a participação africana naquele Mundial.

 

A verdadeira explicação só ganharia ampla divulgação muitos anos depois. Em entrevista ao jornal francês L'Équipe, reproduzida pela ESPN em 2014, Ilunga rejeitou a ideia de que desconhecia as regras do futebol. Ele lembrou que era um jogador experiente e integrante de uma equipe campeã africana. Segundo seu relato, o gesto foi deliberado.

 

Sobre a situação da equipe durante o torneio, afirmou: “Duas horas antes do pontapé inicial, ainda não queríamos jogar. Depois vieram as ameaças. Disseram-nos para jogar, caso contrário, seríamos enviados para uma masmorra. Então fomos para o campo, mas sabotamos o jogo. Um pouco como uma greve. Foi por isso que perdemos por 9 a 0.”

 

Ao explicar especificamente o lance contra o Brasil, Ilunga declarou: “Ao mesmo tempo, também foi uma oportunidade que aproveitei para provocar o árbitro. Eu queria que ele me desse um cartão vermelho. Disse para mim mesmo: ‘Não vou jogar mais. Por que permanecer em campo e correr o risco de não voltar para casa, enquanto as pessoas que pegaram nosso dinheiro nos observam tranquilamente das arquibancadas?’”.

 

Em outras palavras, o chute na bola não foi fruto de ignorância. Segundo o próprio protagonista, tratou-se de um ato de protesto, desespero e tentativa de expulsão voluntária. Ele queria deixar o campo. Estava revoltado com a questão dos bônus, frustrado com a situação da equipe e assustado com as ameaças que os jogadores acreditavam sofrer. O árbitro, porém, aplicou apenas cartão amarelo, obrigando-o a continuar na partida.

 

O Brasil venceria por 3 a 0. O resultado ficou exatamente no limite mencionado em alguns dos relatos posteriores dos jogadores, evitando uma derrota ainda mais pesada. O Zaire foi eliminado sem marcar gols e com 14 sofridos em três partidas. A imagem do lance de Ilunga acabaria sobrevivendo por muito mais tempo do que qualquer análise sobre as circunstâncias que cercavam aquela seleção.

 

Nas décadas seguintes, muitos integrantes daquela equipe afirmaram sentir-se injustiçados pela forma como foram retratados. Para eles, a história do Zaire em 1974 não era a de um grupo de atletas despreparados, mas a de uma seleção campeã africana que chegou ao maior palco do futebol envolvida em disputas políticas, promessas financeiras não cumpridas e pressões incompatíveis com a normalidade esportiva.

 

Assim, o chute de Mwepu Ilunga permanece como uma das imagens mais famosas da história das Copas do Mundo. Porém, à luz dos relatos posteriores, o episódio deixa de parecer uma simples curiosidade folclórica. Ele se torna o retrato de um momento em que futebol, política, medo e protesto se encontraram dentro de campo, diante de milhões de espectadores que, durante muitos anos, acreditaram estar vendo apenas um erro grotesco de um jogador que não conhecia as regras do jogo. Na realidade, segundo o próprio Ilunga, era exatamente o contrário: ele sabia muito bem o que estava fazendo.

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
Na véspera do São João, tem político brincando com fogo. O problema é que a chance de se queimar na fogueira é alta. No fim das contas, melhor deixar os apelidos por minha conta. Até porque o povo não tá tendo boas ideias nem pra plataforma de campanha. Enquanto isso, o Soberano agradece o livramento. Fez até o Cacique resgatar algo cada vez mais raro na política. E algo que faltou até ao Tente Outra Vez. Mas, no caso dele, talvez eu até entenda... Saiba mais!

Pérolas do Dia

Luiz Inácio Lula da Silva

Luiz Inácio Lula da Silva
Foto: CanalGovBr

"Eu fiquei triste, porque ele não foi derrotado por incompetência jurídica, porque ele é um dos melhores advogados desse país, ele foi derrotado por uma questão simplesmente política. E o que vai acontecer? Eu vou mandar o Messias outra vez. Por respeito à função presidencial, sou eu que indico".

 

Disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao confirmar que vai enviar ao Senado o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga do Supremo Tribunal Federal (STF).  O AGU teve sua primeira indicação rejeitada no Senado no último dia 29 de abril.

Podcast

Projeto Prisma recebe o deputado federal Alex Santana nesta segunda

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Foto: Projeto Prisma
O deputado federal licenciado Alex Santana (Republicanos) é o entrevistado do Projeto Prisma desta segunda-feira (8). O podcast é transmitido ao vivo a partir das 16h no YouTube do Bahia Notícias.

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