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O mês de setembro registrou três chacinas e um total de 18 mortos em Salvador e na Região Metropolitana. Ao todo, a região contabilizou 88 ocorrências de disparos de arma de fogo, resultando em 77 pessoas baleadas, das quais 64 morreram e 13 ficaram feridas.
Segundo informações do Instituto Fogo Cruzado, mais de metade das ocorrências do período aconteceu durante operações policiais. As intervenções somaram 54 episódios e deixaram 44 pessoas atingidas, com saldo de 39 mortos e cinco feridos.
Entre os registros do mês, uma ação policial com perseguição terminou com 12 homens mortos a tiros na Rua Coronel Azevedo, em Cajazeiras II, no dia 15 de setembro. Outro caso ocorreu durante um evento de rua em São Cristóvão, no dia 7 de setembro, quando um homem foi morto a tiros e duas pessoas ficaram feridas.
O levantamento também apontou que três pessoas foram mortas dentro de residências no período, entre elas uma mulher no bairro de São Cristóvão, após ter o imóvel invadido por homens armados. Ao longo de setembro, cinco mulheres morreram atingidas por disparos de arma de fogo na capital e nos municípios vizinhos.
O relatório mensal da violência armada, divulgado pelo Fogo Cruzado nesta terça-feira (15), aponta que Salvador e a Região Metropolitana registraram ao menos 82 tiroteios em agosto de 2026. Ao todo, 75 pessoas foram baleadas, sendo que 60 morreram e 15 ficaram feridas. Do total de tiroteios, 42 aconteceram durante ações ou operações policiais.
O número, segundo a análise do instituto, aponta ainda para um “subtipo” da violência: as balas perdidas. Em agosto, 4 pessoas foram atingidas e todas sobreviveram. Esse é o maior número de vítimas de bala perdida em quase um ano. O último registro com o mesmo número havia sido em setembro de 2025. Entre as quatro vítimas de agosto, 3 foram baleadas durante ações ou operações policiais, o que representa 75% dos casos.
Um dos casos ocorreu no dia 8 de agosto, no bairro da Saramandaia, em Salvador, durante uma perseguição seguida de tiroteio. Um homem de 66 anos, conhecido como Zé Carlos, foi atingido na perna por uma bala perdida enquanto saía de casa para trabalhar.
A ocorrência também chama atenção para a frequência dos tiroteios em perseguições. Em agosto, foram registrados 12 tiroteios durante perseguições, sendo 11 deles durante ações ou operações policiais, o equivalente a 92% dos casos. A dinâmica dessas ocorrências amplia o risco de que pessoas que não estão envolvidas nos conflitos sejam atingidas.
Para Tailane Muniz, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado na Bahia, os dados mostram que a violência armada não fica restrita aos alvos dos confrontos e pode atingir pessoas que simplesmente estão seguindo suas rotinas.
“Uma pessoa ser atingida por uma bala perdida, a caminho do trabalho, durante uma perseguição mostra o quanto a violência armada se impõe ao cotidiano. Em agosto, três das quatro vítimas de balas perdidas foram atingidas durante ações ou operações policiais. Isso não é razoável. Quais são as estratégias para proteger os moradores? Não podemos naturalizar essas vítimas ditas colaterais”, avalia Tailane.
Além dos casos de bala perdida, agosto registrou um feminicídio e uma tentativa de feminicídio na região. No dia 7, a professora Camila Fernanda de Souza foi morta a tiros dentro do apartamento onde morava, no bairro do Doron, em Salvador. O autor dos disparos, que mantinha um relacionamento com a vítima, também tentou tirar a própria vida após o crime.
DADOS ATUALIZADOS:
Municípios:
Salvador: 65 tiroteios, 47 mortos e 10 feridos
Lauro de Freitas: 4 tiroteios e 4 mortos
Simões Filho: 4 tiroteios, 6 mortos e 1 ferido
Camaçari: 3 tiroteios, 1 morto e 1 ferido
Candeias: 2 tiroteios e 2 feridos
Dias d'Ávila: 2 tiroteios, 1 morto e 1 ferido
São Francisco do Conde: 1 tiroteio e 1 morto
São Sebastião do Passé: 1 tiroteio, sem vítimas
Bairros:
Jardim Nova Esperança (Salvador): 4 tiroteios e 4 mortos
Mata Escura (Salvador): 4 tiroteios e 2 mortos
Paripe (Salvador): 4 tiroteios e 3 mortos
São Cristóvão (Salvador): 4 tiroteios e 2 mortos
Areia Branca (Salvador): 3 tiroteios e 1 morto
IAPI (Salvador): 3 tiroteios e 1 morto
São Marcos (Salvador): 3 tiroteios e 1 morto
Um estudo divulgado pelo Instituto Fogo Cruzado e a Iniciativa Negra, nesta quinta-feira (13), revela que, em 2025, ao menos 133 escolas de Salvador tiveram paralisações de 10 a 20 dias do cronograma letivo em decorrência de conflitos armados nos bairros. O relatório “A Geografia da Exposição: Disparos de arma de fogo, território e escolas afetadas em Salvador” se propõe a analisar o impacto da violência armada nas escolas públicas da cidade soteropolitana entre 2023 e 2025.
A pesquisa é baseada na integração de dados de segurança pública do Instituto Fogo Cruzado, estatísticas educacionais do INEP e dados socioeconômicos e territoriais do Censo Demográfico 2022 do IBGE, tomando a escola como a unidade central de observação.
A partir de dados georreferenciados, o levantamento mapeou 3.748 disparos de armas de fogo na capital baiana, o que resultou em uma média diária de 3,4 ocorrências. Do total de conflitos armados contabilizados, 59% (2.206 eventos) foram registrados em dias letivos e 40% ocorreram à luz do dia. Segundo o estudo, a dinâmica prejudica de forma direta a mobilidade e a segurança da população, uma vez que coincide justamente com os horários de entrada, saída e recreio dos estudantes.
Além disso, o relatório demonstra que quase 70% dos incidentes registrados em dias de aula decorrem de intervenções policiais, que somam 37,4%, e de homicídios ou tentativas de homicídio, que representam 32%.
Para mensurar com precisão a dimensão desse impacto na comunidade escolar, os pesquisadores desenvolveram o Índice de Risco do Entorno Escolar (IREE), marcador que avalia a intensidade decorrente da proximidade dos tiros, a severidade pela letalidade dos episódios e a persistência medida pela quantidade de semanas afetadas em um raio de até um quilômetro de cada instituição.
A aplicação dessa ferramenta revelou uma acentuada assimetria na rede de ensino soteropolitana: embora a maioria das cerca de 600 unidades escolares públicas da cidade — estas que atendem 275 mil matrículas anuais — enfrente baixa exposição, um grupo restrito precisa suportar níveis críticos de violência territorial.
Entre 2023 e 2025, 120 escolas integraram as chamadas áreas críticas durante pelo menos um ano e 6 unidades permaneceram imersas nesse cenário de altíssimo risco durante todo o período analisado.
Em 2023, somente 10 escolas não registraram exposição a eventos de tiroteios, enquanto 283 acumularam entre 10 e 40 dias afetados e 81 escolas ultrapassaram 40 dias, chegando a 74 dias afetados.
No ano seguinte, em 2024, apenas 11 escolas não tiveram registros, 280 foram afetadas entre 10 e 40 dias letivos e 71 superaram 40 dias, chegando a até 80 dias. Já em 2025, 12 escolas não registraram nenhum dia afetado, 133 instituições tiveram entre 10 e 20 dias letivos interrompidos, 183 registraram entre 21 e 40 dias e 23 escolas ultrapassaram 40 dias de exposição no ano, com casos de até 55 dias afetados.
Tais resultados indicam que, para uma parcela significativa dos alunos, a violência não se trata de algo pontual, mas de uma condição permanente do território.
A análise ainda utiliza marcadores socioeconômicos e raciais da capital baiana: dos 163 bairros de Salvador, apenas oito concentraram quase 20% de todos os tiroteios mapeados no período: Beiru/Tancredo Neves, Pernambués, Fazenda Grande do Retiro, Lobato, Valéria, Federação, IAPI e Castelo Branco. Em todas essas localidades, a proporção de moradores não-brancos (pretos, pardos e indígenas) é superior a 83%, atingindo o pico de 92,8% no bairro do Lobato. Somado a isso, em seis desses oito distritos a renda média per capita é inferior a R$900.
A tese central do levantamento é que colégios situados em territórios de menor renda e maior presença de população não-branca apresentam índices IREE significativamente piores. Nas seis escolas em situação crítica persistente durante os três anos, por exemplo, a renda média do entorno variava entre R$ 594,10 e R$ 702,59, enquanto a população não-branca oscilava entre 87,4% e 91,2%.
Na conclusão do estudo, o estudo recomenda a incorporação do IREE e de dados georreferenciados no planejamento das secretarias municipais para a alocação de equipes, apoio psicossocial e gestão de crises. Além disso, defende a criação de sistemas de dados integrados e de protocolos intersetoriais de resposta rápida envolvendo Educação, Segurança Pública, Saúde e Assistência Social, garantindo uma atuação coordenada do governo municipal antes, durante e após os episódios de violência nos territórios prioritários.
Foram registrados seis casos de chacinas em Salvador e na região metropolitana (RMS) no mês de julho. O índice, divulgado pelo relatório do Instituto Fogo Cruzado nesta terça-feira (11), representou um aumento de 50% em relação ao mesmo período do ano anterior, em 2025, quando foram registradas quatro chacinas.
Os seis casos registrados em julho ocorreram nos bairros de Capelinha, Castelo Branco, Cosme de Farias, Barreiras, Nordeste de Amaralina e Beiru/Tancredo Neves, em Salvador.
Conforme o Fogo Cruzado, se configura como “chacina” uma ocorrência de violência com três ou mais civis mortos. A “chacina policial” é quando esse evento ocorre em decorrência de uma ação das forças de segurança. Nos registros de julho, todas as chacinas foram registradas durante ações ou operações policiais, que deixaram 16 pessoas mortas.
O número de mortos também cresceu em relação ao ano passado: o número de vítimas aumentou 14%, passando de 14 para 16 mortos, entre julho de 2025 e 2026. Apesar da alta registrada no mês, o acumulado do ano apresenta redução no número total de chacinas.
De janeiro a julho de 2026, foram registradas 20 chacinas, contra 24 no mesmo período de 2025, uma queda de 17%. A diferença, porém, aparece na participação das ações policiais: neste ano, 19 das 20 chacinas ocorreram durante ações ou operações policiais, o equivalente a 95% dos casos. Em 2025, foram 16 chacinas em ações policiais entre as 24 registradas, correspondendo a 67%.
Apesar da redução de 17% no número total de chacinas, o número de pessoas mortas em chacinas durante ações policiais permaneceu o mesmo: 65 vítimas nos dois períodos. Em 2026, 65 das 68 pessoas mortas em chacinas foram vítimas de casos ocorridos durante ações ou operações policiais, o equivalente a 96% das mortes. Em 2025, foram 65 das 89 vítimas, ou 73%.
“Esses dados refletem uma concentração da letalidade em determinadas dinâmicas e territórios, e isso precisa ser considerado. Não podemos tratar como mera coincidência eventos com múltiplas mortes sempre nos mesmos CEPs”, afirma Tailane Muniz, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado. Ainda segundo ela, a segurança pública precisa ser pensada a partir da proteção da vida e da redução da letalidade, e não da naturalização de mortes como resultado positivo.
O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.
DADOS GERAIS
Salvador e região metropolitana registraram ao menos 118 tiroteios em julho de 2026, segundo dados do Instituto Fogo Cruzado. Ao todo, 120 pessoas foram baleadas: 93 morreram e 27 ficaram feridas. Do total de ocorrências, 62 aconteceram durante ações e operações policiais, o equivalente a 52% dos tiroteios registrados no mês. Esses episódios deixaram 49 mortos e 12 feridos.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Sandro Filho
"Não é flerte, não é namoro, não é casamento. É só uma decisão de um cidadão e agora um deputado eleito acreditando que um candidato a presidente é melhor do que o outro para trazer investimentos tanto para o meu estado quanto para o meu país".
Disse o deputado federal eleito Sandro Filho (PP) rechaçou a caracterização de que sua movimentação política represente um "flerte", "namoro" ou "casamento" com o bolsonarismo.