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O Jacuipense vive um início de temporada de incertezas dentro e fora de campo. Sem poder atuar em Riachão de Jacuípe, o clube estreou como mandante no Campeonato Baiano de 2026 na segunda rodada, utilizando o Estádio de Pituaçu, em Salvador, diante do Vitória. A situação, no entanto, vai além da logística pontual do Estadual e já provoca algumas estratégias mais profundas: a diretoria admite que pode reavaliar a participação na Série D do Campeonato Brasileiro caso não consiga voltar a jogar no Estádio Eliel Martins, o Valfredão.
Pituaçu, que também tem o Galícia entre os clubes que alugam o estádio, surge como alternativa provisória, mas distante do cenário ideal. Fontes ligadas ao Bahia Notícias confirmaram que jogar longe da torcida tem pesado no caixa e na rotina do Leão do Sisal, que enfrenta custos operacionais considerados altos para sua realidade financeira.
"A gente vai fazer uma avaliação no momento correto. Não gostaria de usar a palavra desistência, mas será uma análise muito racional. Não está sendo fácil jogar fora de Riachão, longe do nosso torcedor", afirmou uma fonte ligada à Prefeitura de Riachão de Jacuípe.
Segundo a mesma fonte, a falta de mando de campo afeta diretamente o equilíbrio financeiro do clube. Além do deslocamento, entram na conta despesas com aluguel de estádio, segurança privada, seguro, ambulância e maior efetivo policial — custos que não existiriam em Riachão.
"O distanciamento do torcedor pesa muito. Jogar fora gera custos sempre maiores e a falta de mando de campo nos deixa vulneráveis", explicou.
A comparação entre atuar em casa e fora evidencia o problema. Em Pituaçu, contra o Vitória, o Jacuipense teve público pouco superior a 1.300 torcedores, número abaixo do potencial estimado para uma partida em Riachão.
"Se fosse em Riachão, contra o Vitória, teríamos cerca de 3 mil torcedores, com um custo menor e um retorno financeiro maior."
A alternativa da Arena Cajueiro, em Feira de Santana, também é vista como inviável no momento. O BN apurou que o custo por jogo chega à casa dos R$ 50 mil, o que poderia gerar um impacto de mais de R$ 100 mil em apenas dois jogos disputados em menos de uma semana no mesmo local, por exemplo.
"Se a gente tivesse que jogar na Arena Cajueiro, o custo passaria de R$ 50 mil por partida. Em dois jogos, em menos de cinco dias, seriam mais de R$ 100 mil. Isso é inviável para o clube hoje."
PREOCUPAÇÕES PARA A SÉRIE D
O cenário se torna ainda mais delicado quando se projeta o calendário nacional. A Série D, organizada pela Confederação Brasileira de Fuebol (CBF) impõe exigências superiores às do Campeonato Baiano, tanto em estrutura quanto em capacidade mínima de público. Em Pituaçu, por exemplo, a liberação recente foi de apenas três mil torcedores, número que pode não atender às normas da entidade.
"A exigência da Série D é muito maior do que a do Campeonato Baiano. A CBF impõe regras que, hoje, não sei se conseguimos atender nem mesmo em Pituaçu. Se não pudermos jogar lá, vamos jogar onde? Só o aluguel da Arena Cajueiro gira em torno de R$ 30 mil, fora todo o operacional.
Diante desse quadro, a diretoria afirma que qualquer decisão será tomada com cautela.
"A gente precisa aguardar e fazer uma análise mais apurada para não sangrar demais o clube financeiramente."
SITUAÇÃO DO VALFREDÃO
Enquanto o clube busca alternativas, o retorno ao Valfredão segue como peça-chave para a continuidade do projeto esportivo. Responsável pela execução da obra, o administrador da Construtora Santa Izabel, Edmilson Pimenta, garantiu ao Bahia Notícias que os trabalhos caminham dentro do possível, apesar dos obstáculos enfrentados desde o início. Segundo ele, o principal entrave atual não é financeiro, mas estrutural e logístico.
"No que diz respeito à nossa empresa, está tudo indo bem. Houve alguns problemas no início por conta de emendas parlamentares, mas esses recursos foram liberados no fim do ano passado. Hoje, está tudo enquadrado no sistema da Caixa Econômica", contou.
"O que tem dificultado o andamento da obra é a falta de equipamentos. Na região, hoje, é muito difícil encontrar máquinas disponíveis. A prefeitura também está com as máquinas quebradas", continuou.
A fase atual da obra envolve o nivelamento do campo, etapa essencial para a implantação do novo gramado.
"Assim que a máquina fizer o nivelamento do campo, entraremos com a topografia. Estando tudo ok, partimos para a irrigação e o plantio da grama", explicou Pimenta.
No entanto, um fator externo tem pesado diretamente no cronograma: a crise hídrica enfrentada pelo município. De acordo com Edmilson, o reservatório do estádio comporta até 200 mil litros, mas o uso constante de carros-pipa tornaria a operação onerosa.
“Existe um problema sério de água. Riachão está passando por uma crise hídrica. Hoje, o município não tem água suficiente. Se eu plantar a grama sem água, ela vai morrer. E eu não vou comprar grama duas vezes. O contrato prevê a compra apenas uma vez", ressaltou Edmilson.
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Foto: Acervo Bahia Notícias
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Foto: Acervo Bahia Notícias
PRAZO E EXPECTATIVAS
Mesmo com as dificuldades, a construtora trabalha com um prazo relativamente curto para a conclusão da obra, desde que a questão hídrica, alé da modernização da iluminação do estádio, sejam solucionadas.
"Dentro da nossa previsão, não temos mais que 45 dias de obra para finalizar tudo, desde que tenhamos água. A iluminação será toda em LED. Vamos retirar os refletores antigos de HQI e substituir por LED. Isso é rápido, em dois ou três dias a gente faz", garantiu.
Apesar do possível avanço das obras, a volta do Jacuipense a Riachão durante o Campeonato Baiano já está descartada. A única possibilidade considerada, ainda que remota, seria a utilização do estádio a partir de competições futura como, por exemplo, a Copa do Nordeste.
"A hipótese é a Copa do Nordeste. Se começar no fim de março e o estádio estiver liberado, aí sim conseguiríamos cumprir o restante do calendário em Riachão."
Até lá, o Jacuipense segue dividido entre Pituaçu, custos elevados e a necessidade de decidir, com frieza, os próximos passos de sua temporada nacional. O próximo compromisso do clube será neste sábado (17) contra o Barcelona de Ilhéus, na Arena Cajueiro, em Feira de Santana. O Jacupa será o visitante e busca somar os seus primeiros três pontos no Baianão 2026, tendo em vista que perdeu na estreia, contra o Porto, e empatou com o Vitória na segunda rodada.
O Jacuipense volta a jogar em Salvador no dia 24 de janeiro, novamente no Estádio de Pituaçu, contra o Galícia. A equipe será mandante do confronto, que tem bola rolando às 16h.
O presidente do Jacuipense, Emanuel Carneiro, confirmou que o Estádio de Pituaçu, em Salvador, será o mando de campo do clube no início do Campeonato Baiano. A informação foi dada em entrevista coletiva durante evento realizado na última terça-feira (18), no Rancho do Cupim, em Pituaçu, que contou com a presença da cúpula diretiva do clube, incluindo o vice-presidente Gegê Magalhães.
Segundo Emanuel, a definição ocorre em razão das obras de reforma do Valfredão, em Riachão do Jacuípe, município que o dirigente destacou como prioridade para o retorno dos jogos do Jacupa. Vereador na cidade, ele explicou que a expectativa da diretoria e da torcida é de que o clube volte a mandar partidas no interior ainda durante a competição.
A confirmação oficial vai de encontro com a apuração da reportagem do Bahia Notícias, veículada no dia 13 de novembro, onde este movimento já era traçado por membros do clube e da prefeitura de Riachão.
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A requalificação do estádio de Riachão de Jacuípe inclui uma série de melhorias estruturais. Estão entre elas novos sanitários e bilheterias, novo gramado e drenagem, iluminação em LED, reforma dos vestiários, reparos estruturais e readequadação no setor de imprensa.
O investimento total do novo Valfredão é de cerca de R$ 1,2 milhão, sendo parte proveniente de recursos próprios da prefeitura e outra de uma emenda parlamentar do deputado federal Paulo Azi (União Brasil).
"A nossa luta é para que o Jacuipense volte a mandar seus jogos em Riachão. Essa é a expectativa da nossa torcida e de toda a região. No momento, estamos enfrentando dificuldades na execução da reforma do estádio, que já está em andamento. É uma luta constante", explicou Emanuel.
O dirigente também citou compromissos políticos relacionados à retomada do mando de campo no município e confirmou que Pituaçu será utilizado nas primeiras partidas do Estadual.
"Infelizmente, preciso citar a questão política, mas existe um compromisso do deputado Paulo Azevedo e do prefeito de Riachão de Jacuípe para que a cidade volte a sediar os jogos do Jacuipense. Está confirmado que, neste início, os jogos serão realizados em Pituaçu, mas torcemos para que a reforma avance cada vez mais, para que possamos retornar a Riachão pelo menos na segunda fase do Campeonato Baiano, fase em que acreditamos que estaremos classificados", contou.
Por fim, Emanuel reforçou a importância de atuar em Riachão do Jacuípe, destacando o apoio local como um fator relevante para o clube ao longo da temporada.
"Nosso objetivo é voltar a jogar lá, porque é onde temos o maior apoio da torcida. Esse é o foco do nosso trabalho", concluiu.
O Leão do Sisal já tem data marcada para realizar o seu primeiro jogo em casa. A estreia em Pituaçu ocorrerá no dia 13 de janeiro de 2026, pela segunda rodada do Campeonato Baiano. A equipe enfrentará o Vitória, às 19h15.
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