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A busca pelo equilíbrio mental e emocional muitas vezes esbarra em um dilema comum: quando procurar auxílio médico e quando recorrer ao suporte espiritual? O tema foi debatido durante o podcast Voz Própria, em que especialistas e apresentadores destacaram que a medicina e as práticas religiosas não são excludentes, mas sim complementares.
Durante a conversa, o médico psiquiatra André Gordilho enfatizou que tratamentos médicos, psicoterapias e atividades de bem-estar — como ioga e dança — podem ajudar no cuidado com a saúde mental.
O psiquiatra ressaltou também a importância de distinguir o que faz parte do repertório cultural e religioso de um indivíduo do que pode sinalizar o início de um transtorno psiquiátrico.
Segundo o médico, manifestações como a incorporação possuem momentos e ambientes específicos dentro de tradições como o Candomblé, a Umbanda ou o Espiritismo. Por outro lado, a ocorrência repentina e descontextualizada de delírios, alucinações ou alterações de comportamento no cotidiano pode indicar um quadro de adoecimento mental.
"A própria religião percebe o que é adequado e o que não é. Ter uma manifestação dentro de um local apropriado é uma coisa. Outra é apresentar sintomas de forma abrupta, fora de contexto, o que exige uma avaliação clínica", explicou o especialista.
Ele destacou ainda a responsabilidade das lideranças religiosas no encaminhamento adequado de fiéis. Mães e pais de santo, médiuns e dirigentes de casas espirituais desempenham um papel crucial na identificação de casos que demandam intervenção médica.
O psiquiatra relatou, inclusive, que já recebeu pacientes encaminhados diretamente por líderes espirituais que perceberam que a demanda do frequentador ultrapassava a esfera espiritual e exigia acompanhamento psiquiátrico.
"E eu vejo que os centros espíritas, eles têm muito esse olhar, essa percepção. E já vi também terreiros com essa percepção, de perceber: 'Olha, você tem que ir no psiquiatra'. Já recebi pacientes encaminhados pela mãe de santo, pelo pai de santo, que percebeu que aquilo ali não estava adequado”, apontou.
Veja o vídeo:
O empresário Pablo Marçal afirmou durante uma entrevista ao canal BNTV, que "se macumba funcionasse, a Bahia era Dubai". A declaração, dada em resposta a um questionamento sobre ele ter medo de "macumbaria", gerou repercussão nas redes sociais.
Durante a mesma gravação, Marçal desqualificou os praticantes de religiões de matriz africana, atrelando a fé à falta de sucesso pessoal e financeiro, em trechos da entrevista que circulam nas redes, ele associa os praticantes ao fracasso e à inveja. "Todo macumbeiro é um derrotado na vida. É gente invejosa e que não prospera", declarou.
Na mesma ocasião, o empresário também criticou pessoas que, segundo a sua visão, recorrem a esse tipo de prática religiosa com a intenção exclusiva de prejudicar indivíduos que alcançaram a prosperidade financeira.
O governo estadual do Rio de Janeiro sancionou uma lei que reconhece oficialmente a validade de casamentos religiosos celebrados em centros de Umbanda e Candomblé. A medida está na Lei 11.058/25, de autoria do deputado estadual Átila Nunes (PSD), e com a legislação, a conversão dessas uniões em casamento com validade civil passa a seguir as regras do Código Civil (Lei 10.406/02) e da Lei dos Registros Públicos (Lei 6.015/73).
Segundo informações da Agência Brasil, para que a celebração religiosa possa produzir efeitos civis, será necessária uma declaração lavrada por autoridade religiosa da Umbanda ou do Candomblé.
O documento deverá conter nome completo, CPF, documento de identidade e endereço dos noivos; data, local e hora da cerimônia; identificação da autoridade religiosa celebrante; identificação do templo, terreiro ou casa religiosa; além das assinaturas do celebrante e de, pelo menos, duas testemunhas da comunidade.
A declaração do casamento poderá ser encaminhada ao Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais competente, acompanhada da documentação exigida pela legislação federal.
Segundo Átila Nunes, a iniciativa assegura princípios como liberdade religiosa, dignidade da pessoa humana, igualdade, liberdade de associação e proteção à diversidade cultural. Ele diz que o Rio de Janeiro é o primeiro estado do país a aprovar uma lei sobre o tema.
“É um processo de equidade. As igrejas católicas e evangélicas têm todos os direitos que as religiões de matrizes africanas não tinham. A grande vitória é que agora os casamentos nesses ritos poderão ter efeitos civis”, diz o parlamentar.
A lei também define quem pode ser reconhecido como autoridade religiosa habilitada: sacerdotes e sacerdotisas, babalorixás, ialorixás, pais e mães de santo, chefes de terreiro e outras lideranças espirituais tradicionalmente reconhecidas na Umbanda e no Candomblé. O objetivo é respeitar os critérios internos de cada tradições, e preservar a autonomia espiritual e organizacional das comunidades.
Apesar dos avanços, o governador Cláudio Castro vetou dois dispositivos da lei durante a sanção. Um deles previa punições a serventias extrajudiciais (cartórios) que se recusassem, de forma discriminatória, a receber ou processar documentos relacionados às celebrações religiosas. O segundo trecho vetado autorizava os Poderes Executivo e Judiciário a promover campanhas educativas, capacitação de agentes públicos e notariais e ações de valorização das expressões culturais e religiosas da Umbanda e do Candomblé.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
André Viana
"Quando você tem o monitoramento nos parlatórios, onde não é possível efetuar essa difusão de tratativas, determinações por parte da liderança para o mundo aqui fora, você traz o isolamento para o crime e nos ajuda por demais no enfrentamento à criminalidade".
Disse o delegado-geral da Polícia Civil da Bahia (PC-BA), André Viana ao defender a ampliação do monitoramento nos parlatórios dos presídios de segurança máxima do estado. Em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, nesta sexta-feira (18), o delegado afirmou que a medida ajudaria a bloquear a comunicação entre detentos e integrantes de organizações criminosas do lado de fora das unidades prisionais.