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Ao longo dos últimos meses, o historiador baiano André Carvalho tem realizado expedições por diversas propriedades rurais de Tucano, no território do Sisal, em busca de vestígios do passado da região. O trabalho revela oito locais com pinturas e gravuras rupestres, além da confirmação, por arqueólogos, pesquisadores e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), da relevância arqueológica do município.
Confira aqui todos os locais em um mapa:
Apesar da relevância dos achados, a Prefeitura de Tucano e o Governo da Bahia não informaram ao Bahia Notícias (BN) se existem estudos, investimentos ou projetos voltados à preservação e aproveitamento desse patrimônio. Em entrevista ao BN, o historiador revelou com exclusividade detalhes das descobertas.
Segundo ele, seis dos locais já passaram por avaliação técnica, enquanto dois ainda aguardam análise minuciosa. A descoberta mais recente ocorreu no último domingo (30). Mesmo assim, grande parte dos achados já teve a existência de registros arqueológicos confirmada por especialistas vinculados ao Iphan, primeiro passo fundamental para a mobilização em torno da preservação e do estudo histórico desses locais.
Registros das passagens, pinturas e gravuras. | Fotos: Reprodução / André Carvalho
Ao BN, o órgão confirmou que enviou um técnico qualificado e que, juntamente com o historiador tucanense, realizou uma visita técnica ao distrito de Tracupá, em julho deste ano, ampliando a identificação de seis sítios arqueológicos e reforçando a relevância histórica e cultural da região.
Todo esse processo ocorreu após uma mobilização local em busca de melhor atendimento e catalogação das descobertas. “É aquela coisa, eu sou professor e faço isso no meu tempo livre. Fico 40 horas [por semana] em sala de aula e gosto de fazer trilhas. Sempre consulto os proprietários e os órgãos locais para cobrar atenção às descobertas”, relata o historiador.
Vale destacar que a grande maioria dos registros está localizada em propriedades privadas, o historiador tem feito um trabalho de instrução com os donos de fazendas locais. “Sempre entro com a anuência do proprietário. No caso da Fazenda Caldeirão, por exemplo, foi o próprio dono quem me levou até o local. Em Poções [povoado local], um funcionário do povoado me acompanhou. Nunca entro sem o conhecimento e a autorização dos proprietários", argumenta.
O BN entrou em contato com parte dos proprietários dos terrenos onde foram identificados os registros arqueológicos. De maneira geral, os entrevistados demonstraram apoio às pesquisas e defenderam a preservação dos sítios, mas temem a falta de comunicação e projeto do poder público local.
Segundo os relatos, muitos dos murais rupestres eram conhecidos apenas por moradores mais antigos das terras, mas não possuíam qualquer tipo de conhecimento ou estudo aprofundado para entender a dimensão dos achados. Como no caso do produtor rural Gilmar Amorim, que afirma ao BN conhecer a região desde a sua infância.
“Eu encontrei essas marcas e gravuras quando tinha cerca de sete anos. Vi no paredão enquanto observava os animais. Fiquei curioso com as gravuras, mas nunca tive interesse em comunicar ninguém. Somente agora convidei as pessoas para conhecerem o local", conta.
Veja murais em vídeo:
TESOURO ARQUEOLÓGICO ???? Historiador descobre sítio de gravuras rupestres históricas em fazenda no interior da Bahia
— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) October 15, 2024
Confira ? pic.twitter.com/pEsnaQLiiP
O produtor rural herdou parte da propriedade e ampliou suas terras ao longo dos anos. Há mais de quatro décadas vivendo na região, ele defende que a Prefeitura de Tucano amplie ações de estruturação das trilhas e de valorização do patrimônio arqueológico local como uma parceria no turismo baiano.
“Não, o poder público local não teve nenhuma manifestação comigo. Quanto às gravuras rupestres, eu permitiria a entrada para fins turísticos, com um caminho por dentro da propriedade. Quem me orientou foi Alex, técnico do Iphan. Não tenho problemas com isso. Agora, a prefeitura não tem agilidade para desenvolver projetos em parceria. Acho que falta incentivo ao turismo rural em Tucano", desabafa em entrevista.
Segundo André Carvalho, a recepção inicial da população foi marcada por desconfiança e muito desrespeito aos registros mais acessíveis, com pessoas vandalizando os murais. “No começo, as pessoas ficaram incrédulas com as descobertas, achando que eram apenas atos de vandalismo e escreviam nas paredes. Depois que professores e o Iphan confirmaram os registros, a opinião das pessoas mudou”, relata.
Não é a primeira vez que o interior da Bahia chama atenção por novos achados arqueológicos. Em diferentes municípios do estado, estudantes e pesquisadores independentes têm contribuído para ampliar o conhecimento sobre a ocupação humana pré-histórica da região.
Casos recentes registrados em cidades como Xique-Xique demonstram que ainda existe um vasto patrimônio arqueológico pouco estudado no território baiano. Especialistas apontam que a combinação entre o conhecimento dos moradores locais e o trabalho de pesquisadores tem sido fundamental para localizar novos sítios e preservar áreas de interesse histórico.
CIENTISTAS IGNORADOS
A avaliação é compartilhada por pesquisadores que acompanham os estudos na região. O BN também ouviu o pesquisador Carlos Alberto Costa, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), que relatou já ter apresentado um plano de atividades e relatórios à administração municipal.
“Fizemos um pequeno plano de ação e apresentamos na Prefeitura, mas nunca tivemos retorno. Seria uma oportunidade singular, considerando que Tucano já possui vocação turística por causa das águas termais. Com apoio da prefeitura, seria possível desenvolver ações no local", desabafa.
Segundo ele, existe potencial para a criação futura de projetos permanentes de pesquisa, educação patrimonial e turismo ancorado pelo conhecimento científico. No entanto, isso depende de um mapeamento detalhado dos sítios arqueológicos e da participação de estudantes em levantamentos de campo.
“Com esse plano de atividade, poderíamos reunir informações históricas e arqueológicas para, posteriormente, preparar uma visitação turística responsável. Ficamos aguardando esse retorno, que nunca ocorreu”, lamenta.
Trecho do relatório apresentado | Fotos: Reprodução / Dr. Carlos Costa
O BN teve acesso aos dois documentos, tanto o plano de atividades quanto o relatório apresentados à Prefeitura de Tucano. Nesses papéis, os doutores Henry Fernandes e Carlos Costa fazem uma proposta prévia à disponibilização de um veículo e ao apoio a quatro estudantes locais para realizar o mapeamento dos sítios, formando um grupo orientado por um arqueólogo da UFRB.
“A ideia é reunir pessoas interessadas no local. A arqueologia é uma área interdisciplinar. Se conseguirmos estudantes de graduação de qualquer área, será positivo. Pode ser Pedagogia, Agronomia, História ou qualquer outro curso. O mais importante é o interesse pelo debate patrimonial”, argumenta.
Questionado sobre o papel das universidades no aprofundamento dos estudos, o pesquisador destacou que as instituições de ensino superior podem colaborar com pesquisas futuras, mas ressaltou que o primeiro passo é a documentação sistemática dos sítios já identificados.
“Sempre é melhor trabalhar com pessoas da própria localidade para que possamos treiná-las e fomentar o interesse em médio e longo prazo. Isso gera conhecimento e fortalece a formação local. A ideia era criar um potencial de pesquisa permanente em Tucano”, explica.
Trecho do plano de atividades ignorado pelo poder público | Fotos: Reprodução / Dr. Carlos Costa
De fato, o projeto não surgiu inicialmente dentro da universidade, foi necessário um morador de Tucano curioso para alertar os setores do estado. “Não estava em nosso horizonte trabalhar em Tucano, mas apareceu um parceiro muito solícito, que foi André. Trata-se de uma iniciativa genuína de alguém interessado em preservar a história local, e decidimos ajudar", afirma Costa.
POTÊNCIA ARQUEOLÓGICA
Tanto os pesquisadores da UFRB quanto o da Universidade Federal da Bahia (Ufba) ouvidos pelo BN alertam que os dados arqueológicos da região seguem escassos. Há potencial para estudos sobre ocupações anteriores à colonização portuguesa e também sobre períodos posteriores.
“O trabalho que André tem realizado é de altíssima relevância, e talvez o município ainda não tenha percebido isso. Tucano é conhecido pelas águas termais, mas não pode ser apenas isso. Existe uma oportunidade importante de valorizar outros patrimônios. A ideia de que o progresso só vem por meio da exploração econômica é ultrapassada", alerta o especialista.
Apesar das discussões sobre investimentos e políticas públicas, todos os entrevistados elogiaram o trabalho realizado por André Carvalho. Moradores, proprietários rurais e pesquisadores destacaram sua dedicação na localização, catalogação e divulgação dos registros arqueológicos encontrados em Tucano.
“Eu só quero facilitar o acesso para quem quiser estudar. Quem pretende desenvolver pesquisas ou até um doutorado na área de arqueologia pode contar com minha colaboração. Não sou especialista, mas valorizo a educação acima de tudo”, responde o historiador.
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- Tesouro arqueológico: historiador descobre sítio de gravuras rupestres históricas em fazenda no interior da Bahia;
- Após novas descobertas prefeitura de Tucano lança campanha de proteção e promete ações para preservação na cidade;
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AÇÕES E COBRANÇAS
As primeiras descobertas são resultado de visitas de campo iniciadas em agosto de 2024, aliadas ao levantamento de informações junto à população local. A partir de novembro do mesmo ano, os registros de pinturas e gravuras rupestres passaram a receber acompanhamento técnico dos órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio.
Exemplos de gravuras e pinturas já confirmadas pelo Iphan | Fotos: reprodução / André Carvalho
Apesar dos avanços na identificação e documentação dos sítios, pesquisadores e moradores avaliam que, após quase dois anos, poucas ações efetivas foram implementadas para a valorização, preservação e estudo desses espaços.
“Eu acho que a prefeitura tem uma postura muito distante desse debate. Isso movimenta o turismo do município. Se não houver apoio, todos perdem. André tem uma grande visão e os professores precisam de apoio. Acho que a Secretaria de Turismo carece de estrutura e recursos para desenvolver esse trabalho", acrescenta Gilmar Amorim.
O potencial turístico apontado pelos pesquisadores também encontra respaldo em documentos oficiais do próprio Governo da Bahia. Na publicação "Estratégia Turística da Bahia 4.0", divulgada em 2022, o Estado classifica Caldas do Jorro como uma “reconhecida estância hidromineral” e identifica Tucano como um destino prioritário para os segmentos de bem-estar, cultura, gastronomia e eventos.
Após a repercussão dos achados revelados por este portal, a Prefeitura de Tucano lançou em novembro de 2024 a campanha de proteção intitulada "Preservar nossa história é proteger quem somos", pedindo conscientização sobre a importância da preservação dos sítios arqueológicos e os riscos provocados por atos de vandalismo.
Relembre logo abaixo:
Segundo André Carvalho, a gestão municipal tem demonstrado preocupação com a preservação do patrimônio arqueológico local, todavia não tem tido atualizações após a campanha. “Quero construir um caminho para valorizar essas descobertas, seja por meio de editais ou de outras iniciativas. Mas ainda vejo pouca produção voltada para a história da Bahia”, reafirma.
Segundo o Iphan, os registros ampliam significativamente o conhecimento sobre o patrimônio arqueológico do município. Mesmo assim, André afirma que ainda aguarda novas visitas técnicas para análise dos locais recentemente identificados. A questão é a falta de apoio, que segue evidente. Todo o trabalho ignorado foi feito por cientistas de modo voluntário.
“Os professores da UFRB realizam esse trabalho por boa vontade. Ainda esperamos o retorno do Iphan sobre os novos locais, afinal o órgão atende toda a Bahia. Da mesma forma, os professores têm suas atividades acadêmicas e não posso cobrar algo que não é remunerado”, diz André.
Para esta reportagem, o Bahia Notícias procurou as secretarias municipais de Educação e Planejamento da prefeitura de Tucano, além da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti), para saber se existem projetos, estudos ou investimentos previstos em razão das novas descobertas arqueológicas no município. Até o fechamento desta matéria, essas pastas não haviam se manifestado. O espaço permanece aberto para posicionamentos.
Já o Iphan reconhece a relevância dos achados e já realizou visitas técnicas na região para avaliar os registros identificados por André Carvalho. Em nota enviada ao BN, o órgão confirmou a parceria com o pesquisador e destacou a importância das descobertas para a arqueologia baiana.
A autarquia federal informou que a identificação dos novos sítios arqueológicos é resultado de um trabalho colaborativo entre o historiador e a equipe técnica do instituto. Confira abaixo uma nota na íntegra do Iphan:
“O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informa que a descoberta do sítio arqueológico, em Tucano (BA), em janeiro deste ano, decorreu de parceria com o professor, historiador e servidor público estadual André Silva Carvalho,
O novo registro eleva para seis o número de sítios arqueológicos conhecidos no município. Desse total, quatro já foram cadastrados pelo Iphan.
O trabalho funciona de forma colaborativa: o professor realiza expedições de campo e coleta relatos de moradores locais sobre possíveis vestígios históricos, os quais são comunicados ao Iphan.
Em julho deste ano, a equipe técnica do Instituto realizou visita técnica no distrito de Tracupá, ampliando a descoberta de sítios arqueológicos já identificados e reforçando a relevância histórica e cultural da região.
Além do resgate histórico, a parceria desenvolve ações educativas nas escolas do município. Durante as visitas de reconhecimento, técnicos do Iphan ministram palestras sobre o Patrimônio Cultural Brasileiro e a importância da preservação arqueológica, estimulando o interesse da comunidade e o sentimento de cidadania.
A descoberta de bens arqueológicos deve ser comunicada imediatamente ao Iphan, órgão responsável pelo reconhecimento e registro do patrimônio arqueológico brasileiro.
O cadastramento de um local como sítio arqueológico ocorre a partir do atendimento aos critérios estabelecidos na Portaria Iphan nº 316/2019 e é formalizado por meio da homologação do cadastro no Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão (SICG), sob responsabilidade do Centro Nacional de Arqueologia (CNA/Iphan).
O cadastro é realizado mediante o envio da Ficha de Cadastro de Sítio Arqueológico (FCSA), que pode ser apresentada por arqueólogos, outros profissionais autorizados ou por qualquer cidadão que identifique bens arqueológicos, devendo informar sua descrição e localização à superintendência do Iphan no estado", termina em nota.
Após a repercussão da matéria na cidade de Tucano, a diretoria de Meio-Ambiente e Turismo da cidade respondeu ao BN e se comprometeu a atuar em um levantamento e realizar um trabalho em conjunto com as secretarias para atender à demanda na região.
Confira nota da Prefeitura:
"A Prefeitura de Tucano informa que está reunindo as secretarias responsáveis pelas áreas relacionadas aos questionamentos apresentados, com o objetivo de levantar e consolidar todas as informações necessárias para um posicionamento completo.
Uma reunião entre as secretarias já foi agendada para a próxima semana. Após esse alinhamento, a gestão pretende apresentar as respostas aos questionamentos de forma conjunta, garantindo que as informações sejam precisas e contemplem os diferentes aspectos envolvidos.
A Prefeitura reforça seu compromisso com a transparência e permanece à disposição para contribuir com o trabalho da imprensa", acrescenta o executivo local.
(Nota atualizada no dia 4 de setembro, às 14h31, para incluir manifestação da pasta de Meio Ambiente e garantir o espaço da prefeitura).
O mar de Salvador ganhará um novo atrativo subaquático para os turistas que planejarem realizar mergulhos. Últimos ajustes foram feitos para o afundamento de duas embarcações na Baía de Todos os Santos, para fomentar o turismo do estado.
Informações obtidas pelo Bahia Notícias dão conta que o antigo ferry-boat Juracy Magalhães e do casco do navio-varredor Anhatomirim, doado pela Marinha, devem ser afundados no mês de novembro. A empresa Engesub, especializada em naufrágios assistidos, venceu a licitação para executar o serviço, para realizar o serviço, que vai seguir um controle ambiental rigoroso. A ideia é dar origem a recifes artificiais.
Em 2020, a secretaria de Turismo da Bahia já havia realizado o afundamento do ferry Agenor Gordilho e do rebocador Vega, nas imediações do Yacht Clube da Bahia. O afundamento das embarcações estava primordialmente previsto para o ano passado, mas o naufrágio controlado acabou sendo adiado para um aprimoramento dos estudos. O secretário de Turismo da Bahia, Maurício Bacelar explicou que a medida exige cuidados ambientais, além de uma análise física para a embarcação continuar no fundo do mar.
Veja imagens:
A Azul Linhas Aéreas perdeu, ao menos temporariamente, o benefício fiscal que recebia do governo da Bahia de isenção de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre querosene de aviação. A decisão ocorreu após a companhia suspender parte das suas operações regionais, em cidades estratégicas como Porto Seguro, Ilhéus e Vitória da Conquista.
O decreto que permitia a bonificação foi assinado pelo então governador Rui Costa em 2017, visando exatamente a atração de mais voos que conectassem os aeroportos baianos. Além disso, outros critérios eram utilizados para definir a alíquota do imposto a ser cobrada, como a implantação de voos internacionais ou a divulgação da Bahia em revistas colocadas dentro das aeronaves.
O fim da isenção foi confirmado ao Bahia Notícias pelo secretário de Turismo da Bahia (Setur), Maurício Bacelar. Durante o evento de divulgação dos números do verão, organizado pelo Salvador Bahia Airport nesta terça-feira (9), o gestor admitiu que recebeu com surpresa a informação da redução drástica do número de viagens.
"Nós fomos surpreendidos por um anúncio da companhia aérea Azul falando da diminuição da conectividade de Salvador com Vitória da Conquista, Ilhéus e Porto Seguro. Imediatamente nós, liderados pelo governador Jerônimo Rodrigues, chamamos a direção da Azul e tivemos, do presidente da companhia, que por conta de uma rearrumação da malha deles, com a dificuldade de aeronaves, nós passaríamos 90 dias com a diminuição de voos para esses destinos. Mas que, logo após esse período, eles reestabeleceriam a conectividade anterior, que é o que nós estamos cobrando. Em paralelo a isso, nós estamos estimulando que a Gol e a Latam a, por exemplo, aumentarem o número de voos para esses destinos", compartilhou o gestor em entrevista exclusiva ao BN, admitindo que nesta época há uma alta demanda para estes destinos.
"Nós estamos agora com o benefício suspenso para a Azul, fazendo com eles um novo estudo para o restabelecimento de um novo acordo de voos", completou Bacelar.
O tamanho do benefício fiscal é proporcional ao número de voos e assentos que a companhia ofereça dentro do estado. "Por exemplo: a Gol, por conta de ter aqui um HUB de distribuição de voos nacionais, e pelos voos regionais que eles têm, e os voos internacionais, não paga ICMS da querosene de aviação. Ela é totalmente isenta. As outras companhias pagam algum percentual, pelo número de voos que oferecem", explicou o secretário.
Apesar da promessa da Azul ao governo da Bahia, a companhia, oficialmente, vem indicando que os voos podem não retornar tão rápido. Procurada pelo site para falar sobre a redução dos voos entre Salvador e Porto Seguro, dois dos destinos turísticos mais procurados do país, afirmou que as diminuições ocorreram de forma gradativa e que não tinham correlação direta com o final de ano. Já ao anunciar o fim das operações em Vitória da Conquista, indicou que a decisão fazia "parte de um processo normal de ajuste de capacidade à demanda".
PRESSÃO DE PARLAMENTARES
A interrupção dos voos virou tema da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), e até mesmo o presidente da Casa, o deputado Adolfo Menezes, questionou se não caberia a suspensão da isenção de ICMS. Em agosto de 2023, após o fim das operações da Azul para Vitória da Conquista, o deputado estadual Tiago Correia alertou que já havia “rumores que os voos para Ilhéus e Porto Seguro também podem ser remanejados através de escalas em outros estados”.
No fim de setembro, em uma reunião em Brasília com o governador Jerônimo Rodrigues, o presidente da Azul Linhas Aéreas, John Rodgerson, se comprometeu a disponibilizar mais voos no estado. "Assumimos aqui o compromisso para ampliar as opções para o estado. Já, já, anunciaremos novidades", prometeu Jerônimo após o encontro.
Em outubro, a companhia anunciou o aumento em cerca de 40%, em relação ao ano de 2022, no número de assentos para o aeroporto de Porto Seguro. No entanto, beneficiou apenas os turistas de outros estados, que chegam, principalmente, das novas origens de voos como Campinas, Belo Horizonte, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Goiânia.
Hoje, Salvador tem ligação com 8 cidades baianas:
AZUL
Porto Seguro
Ilhéus
Vitória da Conquista
GOL
Porto Seguro
LATAM/VOEPASS
Barreiras
Guanambi
Lençóis
ABAETÉ
Barra Grande (Maraú)
Morro de SP (Cairu)
Boipeba (Cairu)
As atividades de turismo na Bahia tiveram alta de 7,3% entre 2021 e 2022. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (19) pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais (SEI) e fazem parte do resultado preliminar para 2022.
Os números são relativos à participação das Atividades Características do Turismo (ACT) no Valor Adicionado do estado (VA) - variável que compõe o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) e representa a riqueza produzida por cada atividade econômica.
Conforme a SEI, o resultado mostra participação de 3,2% do turismo na economia baiana e valor total de R$ 11,2 bilhões, entre 2021 e 2022. Além dos dados de 2022, a SEI apresenta os resultados consolidados de 2021 para as regiões turísticas do estado.
Em 2022, a atividade de maior participação para o turismo baiano foi Alojamento e alimentação. O setor responde por 54,6% do valor adicionado das ACT. Em relação a 2021, a atividade perde participação na composição das ACT em função da menor dinâmica no segmento de alimentação.
A segunda atividade foi a de Transportes, armazenagem e correio. Ela aumentou a participação, passando de 29,8% em 2021 para 32,2% em 2022. O crescimento da movimentação de passageiros puxou o índice para cima. Artes, cultura, esporte e recreação (e outras atividades de serviços) também tiveram destaque. Em 2022, representou 6,8% do turismo baiano, enquanto no ano anterior, 5,7%.
REGIÕES TURÍSTICAS
Em relação às regiões do estado, a Costa do Descobrimento [Porto Seguro, Cabrália] foi a que teve dependência das atividades de turismo – 11,1% em 2020 e 16,9% em 2021. Quase 1/7 do valor adicionado da região é gerado a partir das ACT. Outra região com destaque desses serviços no Valor Adicionado é a Baía de Todos-os-Santos, a qual tem participação de 5,8%.
A região registrou aumento de 1,3 p.p entre 2020 e 2021. Na sequência das regiões com maior dependência da atividade turística aparecem Costa do Cacau [Ilhéus, Itacaré] que passa de 3,4% em 2020 para 5,4% em 2021 e Costa do Dendê [Morro de São Paulo, Valença] que sai de 3,2% em 2020 para 4,1% 2021.
No quesito participação de cada região turística no valor adicionado das ACT em 2021, o destaque ficou para a região da Baía de Todos-os-Santos. A região responde por 43% de todo valor adicionado das ACT, seguido das regiões turísticas de Costa dos Coqueiros [Litoral Norte] com 10,3%, Costa do Descobrimento com 7,2% e Caminhos do Sertão [Canudos, Euclides da Cunha] com 7,1%.
“Os números do turismo de 2021 corroboram a eficiência no Estado das políticas de preservação da saúde pública e vacinação como estratégias eficientes quando associadas a uma liberação paulatina e controlada das atividades. Os resultados preliminares de 2022 apontam ainda mais crescimento, evidenciando tanto o esforço dos empreendedores quanto a eficiência das políticas na área”, afirma Armando Castro, diretor de Indicadores e Estatística da SEI.
O trabalho é realizado pela equipe técnica da Coordenação de Contas Regionais e Finanças Públicas da SEI.
Unindo literatura e turismo, o projeto LiteraTur realizará uma nova edição neste ano em uma parceria inédita com a Academia de Letras da Bahia (ALB). Com foco na formação de novos leitores e incentivo da leitura entre os mais jovens, o evento literário vai promover quatro edições em escolas públicas estaduais. Detalhes acerca da data e local de realização serão divulgados em um evento para convidados na próxima quarta-feira (17), a partir das 17h, na sede da ALB, no bairro de Nazaré.
A cerimônia de lançamento vai contar com performances artísticas da poeta Mariana Guimara?es e do Slam das Minas. Já a partir de maio, marcando o início do evento, acontece o LiteraTur na Comunidade, com a realização de projetos de literatura em escolas públicas.
A jornalista e produtora cultural Camilla França e o escritor Edgard Abbehusen assinam, novamente, a curadoria do festival itinerante que, no ano passado, realizou edições em Salvador e em Itacaré. “O LiteraTur proporciona a visibilidade merecida aos autores e escritores da Bahia, em todos os gêneros literários, e promove uma verdadeira celebração da diversidade cultural do estado. Através desse projeto, a gente tem a chance de unir escritores e entusiastas da literatura, criando conexões e intercâmbios valiosos entre eles”, celebrou Edgard.
Também curadora do evento, Camila França destaca que a Academia de Letras da Bahia vem, há mais de um século, fomentando e promovendo a literatura no estado: “Estar neste espaço só fortalece e empodera os princípios e perspectivas do Literatur, que, no momento, quer fortalecer a sua atuação com o livro, a leitura e a escrita nos mais diversos campos do estado, muito ancorado no viés e no olhar do turismo, enquanto estruturante para a cadeia produtiva da literatura”.
Presidente da Academia de Letras da Bahia, o professor Ordep Serra aposta que a parceria une tradição e contemporaneidade e aproxima a ALB da sociedade: "É com muita alegria que recebemos em nossa casa o Literatur, evento que em sua 3ª edição demonstra o quão versátil o universo literário pode ser. Receber as pessoas mais jovens e realizar esta troca, entre a tradição e a contemporaneidade, é um dos propósitos da atual gestão da Academia de Letras da Bahia. Iniciativas como esta são bem-vindas por nos proporcionar maior aproximação com a sociedade".
No ano passado, o LiteraTur contou com nomes como Carla Akotirene, Malu Fontes, Aldri Anunciação, Elísio Lopes Júnior e Maíra Azevedo. O LiteraTur é realizado pela Mais Ações Integradas e patrocinado pelo Governo do Estado da Bahia através da Superintendência de Fomento ao Turismo.
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A Câmara de Vereadores de Porto Seguro, na Costa do Descobrimento, revogou uma lei municipal que considerava de utilidade pública a Associação Despertar Trancoso. A entidade é alvo de protesto de comerciantes que reivindicam a retomada de eventos no Quadrado de Trancoso, um dos destinos turísticos da cidade. A Despertar nega as acusações (saiba mais sobre o caso aqui).
Segundo o Radar News, parceiro do Bahia Notícias, o projeto que revogou a utilidade pública é de autoria do vereador Nido Alves (PSD). A iniciativa foi aprovada em segunda e última votação na sessão da última quinta-feira (11). A associação é autora de uma ação que conseguiu que a Justiça Federal limitasse a realização de eventos, especialmente casamentos, no Quadrado de Trancoso. A ordem exige a adequação dos equipamentos sonoros para a renovação de alvarás de festas no local. Na última terça-feira (9), um protesto, feito por prestadores de serviço, empresários e moradores, cobraram a suspensão da medida que proibiu a emissão de novos alvarás de licença ambiental para a realização de eventos.
Um grupo protesta na manhã desta terça-feira (9) pela retomada de eventos no Quadrado de Trancoso, um dos destinos turísticos de Porto Seguro, na Costa do Descobrimento. Os moradores se queixam de uma decisão judicial que restringiu a realização de festas, sobretudo de casamentos.
A autora da ação que culminou no controle dos eventos é a ONG Associação Despertar Trancoso, que seria aliada de um resort, o Uxua Casa Hotel e Spa. Eles acionaram a Justiça com o argumento de que outros produtores promoviam poluição sonora, o que afetaria o patrimônio histórico do local. Desde que as restrições foram determinadas, o número de eventos caiu em Trancoso (saiba mais aqui).
Uma produtora ouvida pelo Bahia Notícias chegou a dizer que o número de eventos passou de 100 a 2 por ano, acarretando perda de emprego e renda para os moradores do distrito. Nesta segunda (8), o prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal (PL), declarou que vai criar uma comissão que vai estudar a elaboração de regras para manter as festas no Quadrado de Trancoso.
O gestor disse ainda que a Procuradoria Geral do Município vai tratar do caso, “levantando os questionamentos que causaram a ação civil pública e a suspensão dos eventos, afetando de forma significativa a atividade econômica do distrito e sua população”. Jânio Natal afirmou que a situação deve beneficiar a todos e não a “uma minoria”.
O distrito de Trancoso, em Porto Seguro, pode perder o posto de um dos destinos mais procurados do Brasil – e do mundo – para a realização de casamentos. Um imbróglio judicial que envolve uma associação, um resort de luxo e diversos espaços de festas no Quadrado de Trancoso afastou dezenas de cerimônias e pode sepultar um crescimento rápido visto na região nos últimos anos.
O impasse começou após ações impetradas pela Associação Despertar Trancoso, que questionou eventos com som alto durante a madrugada. De acordo com representantes do setor, mesmo com tentativas de adequação, eventualmente foram proibidos eventos a qualquer horário do dia. Ao Bahia Notícias, a empresária Mannu Carvalho, que atua no setor de eventos e moradora de Trancoso, explicou como começou a disputa, que agora culminou com um movimento de diversos fornecedores para tentar derrubar a decisão judicial que atendeu aos pedidos da Despertar.
“A gente fazia mais de 100 casamentos por ano no Quadrado, porque as pessoas casavam na igreja e faziam comemorações naqueles restaurantes ali. Sempre foram casamentos menores, em que era mais fácil pagar com a estrutura menor”, narrou Carvalho.
Em 2017, a Associação Despertar entrou com a primeira ação, pedindo o fim dos casamentos no Quadrado. Porém, um acordo garantiu que as festas continuassem desde que encerrassem até 23h. "Eu fiz alguns casamentos inclusive de manhã, e aí os noivos faziam almoço. Até que um dos lugares fez um evento e sofreu um processo não apenas cível, mas criminal também. E foi suspenso o direito de receber alvará para eventos".
De acordo com apuração do Bahia Notícias, a prefeitura de Porto Seguro tentou intermediar um acordo entre a associação e os espaços para liberar os eventos, já que a gestão está impedida por decisão judicial de emitir os alvarás. O próprio prefeito, Jânio Natal, teria participado das conversas, mas não houve um consenso.
De acordo com a produtora, já há processos semelhantes contra 4 empreendimentos que incomodariam "um hotel no Quadrado". Carvalho conta então que a alternativa foi buscar espaços na beira da praia para a realização dos casamentos, o que temporariamente resolveu a questão, apesar da demanda por festas cair cerca de 50%. "O custo para montar uma estrutura afastava essas pessoas daqui. Só que o mesmo escritório de advocacia, usando essa decisão como referência, também conseguiu proibir uma pousada muito antiga e uma outra casa em que a gente fazia a maioria dos casamentos".

Casamentos na praia eram alternativa, mas também foram proibidos | Foto: Quelvin Clecio
Praticamente no mesmo período, um outro processo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) interditou duas barracas que também recebiam os casamentos. Assim, só restaram na região dois espaços que poderiam receber os alvarás: o Espaço L'occitane, e a Pousada Rio da Barra - que, afetada pelas chuvas e por outros fenômenos, "perdeu" uma parte da faixa de areia com a movimentação do rio e limitou ainda mais as possibilidade para quem trabalha no setor.
"Desde 2017, todo mundo tem muito medo de falar e queimar o mercado. Só que, com esse medo, muitos casamentos se mudaram para outros destinos, como Milagres e Itacaré, que não têm esses impedimentos. Eu ainda consegui segurar esse tempo todo porque eu moro aqui, eu sei tudo que está acontecendo e só prometo o que eu consigo entregar".
Mannu Carvalho deu exemplo de espaços que, sem condições de fazer as adequações sonoras exigidas, passou de 100 para 2 casamentos por ano.
Em seu perfil no Instagram, a Despertar reforçou que não pode proibir eventos, e que apenas buscou a Justiça para garantir o cumprimento da lei.
"Não é novidade que alguns atores de Trancoso que querem trabalhar fora das leis e das práticas comuns de sustentabilidade aceitas globalmente, atacam a Despertar com mentiras e informações falsas (fake news). [...] A Despertar é uma ONG Privada, sem fins lucrativos, que não tem poder para fazer ou aplicar leis, mas pode tomar medidas com base nos seus objetivos estatutários, que provocam o Poder Judiciário para falhas na atuação do Poder Público em cumprir as leis que protegem nossa comunidade ou incidentes de crimes e corrupção", defendeu o grupo.
"Diferente das falsas informações que circulam, a Despertar nunca objetivou proibir qualquer tipo de evento no Quadrado ou em qualquer localidade do distrito de Trancoso. Pelo contrário, a Despertar tem plena ciência que os eventos, principalmente os eventos de casamento, são de grande importância para a economia do distrito", reforçou a associação, apontando ainda que as empresas deveriam direcionar "energia e tempo" para investirem nos imóveis, garantindo o respeito à legislação.
IMPACTO MILIONÁRIO PRO ESTADO
A empresária Mannu Carvalho frisou o impacto financeiro que não só a comunidade local enfrenta, mas também fornecedores em um raio que vai da cidade de Teixeira de Freitas - que fica a mais de 220 km ao sul de Porto Seguro - até Itabuna - a quase 300 km ao norte do destino. "Eu já cheguei a fazer casamentos aqui em que o noivo investiu R$ 6 milhões. Mas, nivelando por baixo, um casamento de 150 pessoas custa em média R$ 500 mil. Além de contratarem bolo, DJ, buffet, fotógrafo, decoração, aluguel do espaço, garçons, carregadores, pessoal de limpeza... esses convidados compram passagem aérea, pegam táxi no aeroporto, jantam nos restaurantes, comem na barraca de tapioca, fazem massagem na praia, compram artesanato, usam serviços de cabelo e maquiagem. Com a demanda alta de casamentos, vinham pessoas de outras cidades pra trabalhar aqui", enumera.
O imbróglio impactou mesmo empreendimentos que ainda têm autorização da prefeitura para eventos. Em 2017, o hotel Bahia Bonita virou assunto nacional ao receber a cerimônia dos influenciadores Gabriela Pugliesi e Erasmo Viana. No ano seguinte, foram mais de 20 casamentos realizados no mesmo espaço. Em 2023, até o momento, foram 2.
ENVOLVIMENTO DE RESORT
Fornecedores do setor de eventos vieram a público, nesta quarta-feira (3), pedir apoio para um abaixo-assinado em defesa das pessoas que trabalham com as cerimônias em Trancoso. Mas se nomes como Mannu Carvalho fizeram declarações públicas, outras conversaram com o Bahia Notícias sob condição de anonimato, temendo represálias.
Um dos ouvidos apontou a preocupação com os pequenos comerciantes envolvidos na realização de uma festa de grande porte. "Felizmente eu não dependo dos casamentos em Trancoso. Mas imagino a pessoa com quem eu comprava quentinhas pra minha equipe em cada cerimônia que fazíamos. Era pelo menos R$ 300 pelas refeições só pra minha equipe. Imagina o impacto", lamentou.
Um outro ponto do impasse levantado foi o possível envolvimento do Uxua Casa Hotel e Spa nas ações judiciais. Apesar de não estar formalmente na ação, de acordo com as informações repassadas ao site, o grupo possui o mesmo escritório de advocacia da Associação Despertar, o Ferreira, Parracho e Tosati Advogados, que tinha como um dos antigos sócios um atual vereador da cidade, Vinícius Parracho - procurado pelo Bahia Notícias, o vereador disse que se afastou do quadro do escritório desde 2020. O Uxua é também um apoiador da associação que move as ações civis públicas.
Além disso, o resort já teria se envolvido antes em impasses com restaurantes do Quadrado que recebiam eventos. A alegação é que o barulho atrapalharia os hóspedes do Uxua, que oferece "casas de temporada tranquilas", com o mote de serem "integradas à natureza".
O Bahia Notícias enviou um pedido de resposta ao Uxua Casa Hotel e Spa, questionando a visão do empreendimento sobre as festas e se o grupo atuou, direta ou indiretamente, nos processos da Despertar. Em nota, o resort respondeu: "Os visitantes de Trancoso esperam que as empresas locais sejam responsáveis, que invistam em sustentabilidade e educação. É por isso que a Despertar tem muitos apoiadores e, entre eles, estão inúmeras empresas como a nossa que realizam casamentos e eventos e estão muito dispostas a fazê-lo com bom senso e de acordo com as regras ambientais que não mudaram nos últimos anos e são em grande parte federais, essencialmente as mesmas que existem em todo o Brasil".
O site buscou também a defesa da associação, que não respondeu até o fechamento desta matéria.
FESTAS EM REGIÕES TOMBADAS
A defesa da associação alega que, pelo Quadrado de Trancoso ser um centro histórico tombado, o Iphan determina que vibrações podem gerar impacto nas edificações, a depender da distância e da constituição da construção. Assim, qualquer evento que ocorresse dentro da Poligonal de Tombamento precisaria, obrigatoriamente, de expressa autorização do órgão.
Na ação judicial, a Associação Despertar conseguiu garantir a aplicação de multa de R$ 50 mil por cada autorização sonora emitida pela prefeitura em desacordo com a decisão, que foi confirmada pelo TJ-BA em 2018.
Porém este é um debate mais complexo. Porto Seguro se destaca no cenário nacional e internacional como um destino de praia, grandes eventos e participação na história nacional. Considerada o berço da nação brasileira, com a recepção das caravelas portuguesas em 1500, a cidade possui mais de cem bens históricos tombados de acordo com a gestão municipal. E muitos destes espaços convivem com grandes eventos há décadas.
É o caso da Passarela do Descobrimento, que recebe anualmente grandes shows como o Carnaval e o São João Elétrico.
Já a Vila de Caraíva tem chamado cada vez mais atenção de turistas do mundo todo, e também do mercado de eventos. Mais distante do centro da cidade, o distrito de ruas de areia e forrós conhecidos passou a ser palco de casamentos grandiosos, com o pé na areia, além de festivais de música.
Entre os sete templos católicos de tombados, a Igreja D'Ajuda também recebe grandes festejos. Considerado o mais antigo santuário católico do Brasil, ele é palco todos os anos a Procissão de Nossa Senhora D'Ajuda, reunindo romeiros de todo o Brasil.
Fontes indicaram ao site que, com a ampliação do debate nas redes sociais, o tema deve ser levado para a sessão desta quinta-feira (4) na Câmara de Vereadores da cidade.
Em nota, a Prefeitura de Porto Seguro confirmou ao Bahia Notícias que “o destino turístico vem sofrendo muito com a perda dos grandes casamentos, que se tornaram uma relevante atividade econômica, geradora de emprego e renda para a população local”.
“A suspensão das festas e eventos do Quadrado é fruto de uma Ação Civil Pública Ambiental, impetrada pela Associação Despertar, de Trancoso, através do escritório Ferreira, Parracho e Tosati advogados, resultando em mais de 100 cancelamentos de casamentos no local. Cabe à Prefeitura de Porto Seguro obedecer à decisão judicial, sob pena de multa de R$ 50.000,00 por cada infringência”, conclui a nota.
O secretário estadual de Turismo, Maurício Bacelar, assinou, nesta quinta-feira (20), na sede da Setur-BA, em Salvador, a ordem de serviço que autoriza o afundamento controlado, na Baía de Todos-os-Santos, do antigo ferry-boat Juracy Magalhães e do casco do navio-varredor Anhatomirim, doado pela Marinha.
A empresa Engesub, especializada em naufrágios assistidos, venceu a licitação para executar o serviço, que vai seguir um controle ambiental rigoroso. A previsão é que a operação seja realizada no verão de 2024, dando origem a recifes artificiais.
“Com esse novo afundamento de embarcações, a Baía de Todos-os-Santos terá o maior parque subaquático urbano do país. O governo do estado amplia as ações de incremento do turismo de mergulho, atividade que tem grande demanda para a geração de emprego e renda, além de contribuir para a memória náutica”, declarou o secretário Bacelar.
“A primeira ação é a escolha do ponto adequado para o naufrágio, seguida da licença ambiental e limpeza minuciosa dos navios. Depois, é só marcar a data”, explicou o diretor da Engesub, Rodrigo Reis.
A solenidade teve a participação também de representantes do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), do trade turístico e de entidades náuticas. Eles assistiram ao vídeo do afundamento do ferry Agenor Gordilho e do rebocador Vega, em 2020, nas imediações do Yacht Clube da Bahia.
As imagens mostram que, poucos dias após a operação, as embarcações já começavam a atrair vida marinha. Atualmente, os navios são o habitat de várias espécies e integram o roteiro do turismo de mergulho.
Salvador ganhará um novo Centro de Atendimento ao Turista. A licitação, divulgada no diário da última segunda-feira (17), é conduzida pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), para a apresentação de propostas para execução de obra referente ao Centro de Atendimento ao Turista da Praça Cayru.
Segundo a prefeitura da capital, a área construída é de 46,35m². A proposta arquitetônica apresenta um projeto de uma área de atendimento em concepção de um quiosque com uma estrutura moderna de eucalipto. O prazo final para a apresentação das propostas vai até o início de maio, com o financiamento sendo feito pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, através do Programa Nacional de Desenvolvimento Turístico em Salvador (Prodetur).
"Os Centros de Informação e Atendimento aos Visitantes também chamados de Centros de Atendimento ao Turista (CAT) têm por objetivo orientar, informar e apoiar os turistas em sua estada no destino, assim como intermediar os mais diversos serviços turísticos e, ao mesmo tempo, disponibilizar aos turistas a possibilidade de registrar elogios, queixas e sugestões sobre o destino", apontou a gestão municipal.
Além disso, a prefeitura sinalizou que os CATs "podem contribuir para medir o grau de satisfação dos visitantes em suas estadas e o fluxo turístico, enriquecendo o planejamento turístico e aumentando o tempo de estada e distribuição do fluxo de visitantes".
Em 2020, ainda na gestão ACM Neto (União), a prefeitura tinha inaugurado o Centro de Atendimento ao Turista (CAT), no Elevador Lacerda. O investimento municipal foi de, aproximadamente, R$ 280 mil.
A Voepass entrou em acordo com a Latam e vai manter seus voos nos aeroportos de Barreiras, Lençóis, Teixeira de Freitas e Paulo Afonso. O anúncio foi realizado nesta terça-feira (11), pelos secretários estaduais da Infraestrutura, Sérgio Brito, e do Turismo, Maurício Bacelar.
Os voos eram realizados anteriormente pela Voepass em parceria com a Gol, mas foram suspensos na última semana, sob justificativa de “ajustes na malha aérea” da empresa.
Além da permanência das operações em Barreiras, Lençóis, Teixeira de Freitas, a Voepass também oferecerá voos ligando os municípios baianos de Feira de Santana e de Valença ao Recife, ampliando a malha aérea regional. A ligação entre Valença e a capital pernambucana é inédita. No final de semana, a companhia já havia anunciado novos voos em Salvador e Vitória da Conquista.
Com essa oferta de voos, tanto as empresas quanto o governo do estado esperam que a Bahia ganhe em movimentação turística, ampliação da logística e o desenvolvimento econômico do estado.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
André Viana
"Quando você tem o monitoramento nos parlatórios, onde não é possível efetuar essa difusão de tratativas, determinações por parte da liderança para o mundo aqui fora, você traz o isolamento para o crime e nos ajuda por demais no enfrentamento à criminalidade".
Disse o delegado-geral da Polícia Civil da Bahia (PC-BA), André Viana ao defender a ampliação do monitoramento nos parlatórios dos presídios de segurança máxima do estado. Em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, nesta sexta-feira (18), o delegado afirmou que a medida ajudaria a bloquear a comunicação entre detentos e integrantes de organizações criminosas do lado de fora das unidades prisionais.
