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Artigos

Paulo Avena
O mar como indústria: uma oportunidade para a Bahia
Foto: Divulgação

O mar como indústria: uma oportunidade para a Bahia

Quando pensamos na vocação econômica da Bahia, é impossível ignorar o mar. Temos mais de mil quilômetros de litoral, clima favorável durante praticamente todo o ano, uma baía totalmente navegável e uma relação histórica com a navegação. Poucos lugares no Brasil possuem condições tão favoráveis ao desenvolvimento da economia náutica.

Multimídia

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gravuras rupestres

Historiador revela oito locais com achados rupestres no Sisal; potencial turístico é ignorado por prefeitura e governo
Foto montagem: Arquivo Pessoal / André Carvalho

Ao longo dos últimos meses, o historiador baiano André Carvalho tem realizado expedições por diversas propriedades rurais de Tucano, no território do Sisal, em busca de vestígios do passado da região. O trabalho revela oito locais com pinturas e gravuras rupestres, além da confirmação, por arqueólogos, pesquisadores e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), da relevância arqueológica do município.

 

Confira aqui todos os locais em um mapa:

 

Apesar da relevância dos achados, a Prefeitura de Tucano e o Governo da Bahia não informaram ao Bahia Notícias (BN) se existem estudos, investimentos ou projetos voltados à preservação e aproveitamento desse patrimônio. Em entrevista ao BN, o historiador revelou com exclusividade detalhes das descobertas.

 

Segundo ele, seis dos locais já passaram por avaliação técnica, enquanto dois ainda aguardam análise minuciosa. A descoberta mais recente ocorreu no último domingo (30). Mesmo assim, grande parte dos achados já teve a existência de registros arqueológicos confirmada por especialistas vinculados ao Iphan, primeiro passo fundamental para a mobilização em torno da preservação e do estudo histórico desses locais.

 

Registros das passagens, pinturas e gravuras. | Fotos: Reprodução / André Carvalho

 

Ao BN, o órgão confirmou que enviou um técnico qualificado e que, juntamente com o historiador tucanense, realizou uma visita técnica ao distrito de Tracupá, em julho deste ano, ampliando a identificação de seis sítios arqueológicos e reforçando a relevância histórica e cultural da região.

 

Todo esse processo ocorreu após uma mobilização local em busca de melhor atendimento e catalogação das descobertas. “É aquela coisa, eu sou professor e faço isso no meu tempo livre. Fico 40 horas [por semana] em sala de aula e gosto de fazer trilhas. Sempre consulto os proprietários e os órgãos locais para cobrar atenção às descobertas”, relata o historiador.

 

Vale destacar que a grande maioria dos registros está localizada em propriedades privadas, o historiador tem feito um trabalho de instrução com os donos de fazendas locais. “Sempre entro com a anuência do proprietário. No caso da Fazenda Caldeirão, por exemplo, foi o próprio dono quem me levou até o local. Em Poções [povoado local], um funcionário do povoado me acompanhou. Nunca entro sem o conhecimento e a autorização dos proprietários", argumenta.

 

O BN entrou em contato com parte dos proprietários dos terrenos onde foram identificados os registros arqueológicos. De maneira geral, os entrevistados demonstraram apoio às pesquisas e defenderam a preservação dos sítios, mas temem a falta de comunicação e projeto do poder público local.

 

Segundo os relatos, muitos dos murais rupestres eram conhecidos apenas por moradores mais antigos das terras, mas não possuíam qualquer tipo de conhecimento ou estudo aprofundado para entender a dimensão dos achados. Como no caso do produtor rural Gilmar Amorim, que afirma ao BN conhecer a região desde a sua infância.

 

“Eu encontrei essas marcas e gravuras quando tinha cerca de sete anos. Vi no paredão enquanto observava os animais. Fiquei curioso com as gravuras, mas nunca tive interesse em comunicar ninguém. Somente agora convidei as pessoas para conhecerem o local", conta.

 

Veja murais em vídeo:

 

O produtor rural herdou parte da propriedade e ampliou suas terras ao longo dos anos. Há mais de quatro décadas vivendo na região, ele defende que a Prefeitura de Tucano amplie ações de estruturação das trilhas e de valorização do patrimônio arqueológico local como uma parceria no turismo baiano.

 

“Não, o poder público local não teve nenhuma manifestação comigo. Quanto às gravuras rupestres, eu permitiria a entrada para fins turísticos, com um caminho por dentro da propriedade. Quem me orientou foi Alex, técnico do Iphan. Não tenho problemas com isso. Agora, a prefeitura não tem agilidade para desenvolver projetos em parceria. Acho que falta incentivo ao turismo rural em Tucano", desabafa em entrevista.

 

Segundo André Carvalho, a recepção inicial da população foi marcada por desconfiança e muito desrespeito aos registros mais acessíveis, com pessoas vandalizando os murais. “No começo, as pessoas ficaram incrédulas com as descobertas, achando que eram apenas atos de vandalismo e escreviam nas paredes. Depois que professores e o Iphan confirmaram os registros, a opinião das pessoas mudou”, relata.

 

Não é a primeira vez que o interior da Bahia chama atenção por novos achados arqueológicos. Em diferentes municípios do estado, estudantes e pesquisadores independentes têm contribuído para ampliar o conhecimento sobre a ocupação humana pré-histórica da região.

 

Casos recentes registrados em cidades como Xique-Xique demonstram que ainda existe um vasto patrimônio arqueológico pouco estudado no território baiano. Especialistas apontam que a combinação entre o conhecimento dos moradores locais e o trabalho de pesquisadores tem sido fundamental para localizar novos sítios e preservar áreas de interesse histórico.

 

CIENTISTAS IGNORADOS
A avaliação é compartilhada por pesquisadores que acompanham os estudos na região. O BN também ouviu o pesquisador Carlos Alberto Costa, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), que relatou já ter apresentado um plano de atividades e relatórios à administração municipal.

 

“Fizemos um pequeno plano de ação e apresentamos na Prefeitura, mas nunca tivemos retorno. Seria uma oportunidade singular, considerando que Tucano já possui vocação turística por causa das águas termais. Com apoio da prefeitura, seria possível desenvolver ações no local", desabafa.

 

Segundo ele, existe potencial para a criação futura de projetos permanentes de pesquisa, educação patrimonial e turismo ancorado pelo conhecimento científico. No entanto, isso depende de um mapeamento detalhado dos sítios arqueológicos e da participação de estudantes em levantamentos de campo.

 

“Com esse plano de atividade, poderíamos reunir informações históricas e arqueológicas para, posteriormente, preparar uma visitação turística responsável. Ficamos aguardando esse retorno, que nunca ocorreu”, lamenta.

 

Trecho do relatório apresentado | Fotos: Reprodução / Dr. Carlos Costa

 

O BN teve acesso aos dois documentos, tanto o plano de atividades quanto o relatório apresentados à Prefeitura de Tucano. Nesses papéis, os doutores Henry Fernandes e Carlos Costa fazem uma proposta prévia à disponibilização de um veículo e ao apoio a quatro estudantes locais para realizar o mapeamento dos sítios, formando um grupo orientado por um arqueólogo da UFRB.

 

“A ideia é reunir pessoas interessadas no local. A arqueologia é uma área interdisciplinar. Se conseguirmos estudantes de graduação de qualquer área, será positivo. Pode ser Pedagogia, Agronomia, História ou qualquer outro curso. O mais importante é o interesse pelo debate patrimonial”, argumenta.

 

Questionado sobre o papel das universidades no aprofundamento dos estudos, o pesquisador destacou que as instituições de ensino superior podem colaborar com pesquisas futuras, mas ressaltou que o primeiro passo é a documentação sistemática dos sítios já identificados.

 

“Sempre é melhor trabalhar com pessoas da própria localidade para que possamos treiná-las e fomentar o interesse em médio e longo prazo. Isso gera conhecimento e fortalece a formação local. A ideia era criar um potencial de pesquisa permanente em Tucano”, explica.

 

Trecho do plano de atividades ignorado pelo poder público | Fotos: Reprodução / Dr. Carlos Costa

 

De fato, o projeto não surgiu inicialmente dentro da universidade, foi necessário um morador de Tucano curioso para alertar os setores do estado. “Não estava em nosso horizonte trabalhar em Tucano, mas apareceu um parceiro muito solícito, que foi André. Trata-se de uma iniciativa genuína de alguém interessado em preservar a história local, e decidimos ajudar", afirma Costa.

 

POTÊNCIA ARQUEOLÓGICA 
Tanto os pesquisadores da UFRB quanto o da Universidade Federal da Bahia (Ufba) ouvidos pelo BN alertam que os dados arqueológicos da região seguem escassos. Há potencial para estudos sobre ocupações anteriores à colonização portuguesa e também sobre períodos posteriores.

 

“O trabalho que André tem realizado é de altíssima relevância, e talvez o município ainda não tenha percebido isso. Tucano é conhecido pelas águas termais, mas não pode ser apenas isso. Existe uma oportunidade importante de valorizar outros patrimônios. A ideia de que o progresso só vem por meio da exploração econômica é ultrapassada", alerta o especialista.

 

Apesar das discussões sobre investimentos e políticas públicas, todos os entrevistados elogiaram o trabalho realizado por André Carvalho. Moradores, proprietários rurais e pesquisadores destacaram sua dedicação na localização, catalogação e divulgação dos registros arqueológicos encontrados em Tucano.

 

“Eu só quero facilitar o acesso para quem quiser estudar. Quem pretende desenvolver pesquisas ou até um doutorado na área de arqueologia pode contar com minha colaboração. Não sou especialista, mas valorizo a educação acima de tudo”, responde o historiador.

 

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AÇÕES E COBRANÇAS
As primeiras descobertas são resultado de visitas de campo iniciadas em agosto de 2024, aliadas ao levantamento de informações junto à população local. A partir de novembro do mesmo ano, os registros de pinturas e gravuras rupestres passaram a receber acompanhamento técnico dos órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio.

 

Exemplos de gravuras e pinturas já confirmadas pelo Iphan | Fotos: reprodução / André Carvalho

 

Apesar dos avanços na identificação e documentação dos sítios, pesquisadores e moradores avaliam que, após quase dois anos, poucas ações efetivas foram implementadas para a valorização, preservação e estudo desses espaços.

 

“Eu acho que a prefeitura tem uma postura muito distante desse debate. Isso movimenta o turismo do município. Se não houver apoio, todos perdem. André tem uma grande visão e os professores precisam de apoio. Acho que a Secretaria de Turismo carece de estrutura e recursos para desenvolver esse trabalho", acrescenta Gilmar Amorim.

 

O potencial turístico apontado pelos pesquisadores também encontra respaldo em documentos oficiais do próprio Governo da Bahia. Na publicação "Estratégia Turística da Bahia 4.0", divulgada em 2022, o Estado classifica Caldas do Jorro como uma “reconhecida estância hidromineral” e identifica Tucano como um destino prioritário para os segmentos de bem-estar, cultura, gastronomia e eventos.

 

Após a repercussão dos achados revelados por este portal, a Prefeitura de Tucano lançou em novembro de 2024 a campanha de proteção intitulada "Preservar nossa história é proteger quem somos", pedindo conscientização sobre a importância da preservação dos sítios arqueológicos e os riscos provocados por atos de vandalismo.

 

Relembre logo abaixo:

 

 

Segundo André Carvalho, a gestão municipal tem demonstrado preocupação com a preservação do patrimônio arqueológico local, todavia não tem tido atualizações após a campanha. “Quero construir um caminho para valorizar essas descobertas, seja por meio de editais ou de outras iniciativas. Mas ainda vejo pouca produção voltada para a história da Bahia”, reafirma.

 

Segundo o Iphan, os registros ampliam significativamente o conhecimento sobre o patrimônio arqueológico do município. Mesmo assim, André afirma que ainda aguarda novas visitas técnicas para análise dos locais recentemente identificados. A questão é a falta de apoio, que segue evidente. Todo o trabalho ignorado foi feito por cientistas de modo voluntário.  

 

“Os professores da UFRB realizam esse trabalho por boa vontade. Ainda esperamos o retorno do Iphan sobre os novos locais, afinal o órgão atende toda a Bahia. Da mesma forma, os professores têm suas atividades acadêmicas e não posso cobrar algo que não é remunerado”, diz André.

 

Para esta reportagem, o Bahia Notícias procurou as secretarias municipais de Educação e Planejamento da prefeitura de Tucano, além da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti), para saber se existem projetos, estudos ou investimentos previstos em razão das novas descobertas arqueológicas no município. Até o fechamento desta matéria, essas pastas não haviam se manifestado. O espaço permanece aberto para posicionamentos.

 

Já o Iphan reconhece a relevância dos achados e já realizou visitas técnicas na região para avaliar os registros identificados por André Carvalho. Em nota enviada ao BN, o órgão confirmou a parceria com o pesquisador e destacou a importância das descobertas para a arqueologia baiana.

 

A autarquia federal informou que a identificação dos novos sítios arqueológicos é resultado de um trabalho colaborativo entre o historiador e a equipe técnica do instituto. Confira abaixo uma nota na íntegra do Iphan:

 

“O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informa que a descoberta do sítio arqueológico, em Tucano (BA), em janeiro deste ano, decorreu de parceria com o professor, historiador e servidor público estadual André Silva Carvalho, 
 

O novo registro eleva para seis o número de sítios arqueológicos conhecidos no município. Desse total, quatro já foram cadastrados pelo Iphan. 
 

O trabalho funciona de forma colaborativa: o professor realiza expedições de campo e coleta relatos de moradores locais sobre possíveis vestígios históricos, os quais são comunicados ao Iphan. 
 

Em julho deste ano, a equipe técnica do Instituto realizou visita técnica no distrito de Tracupá, ampliando a descoberta de sítios arqueológicos já identificados e reforçando a relevância histórica e cultural da região.     
 

Além do resgate histórico, a parceria desenvolve ações educativas nas escolas do município. Durante as visitas de reconhecimento, técnicos do Iphan ministram palestras sobre o Patrimônio Cultural Brasileiro e a importância da preservação arqueológica, estimulando o interesse da comunidade e o sentimento de cidadania. 
 

A descoberta de bens arqueológicos deve ser comunicada imediatamente ao Iphan, órgão responsável pelo reconhecimento e registro do patrimônio arqueológico brasileiro.
 

O cadastramento de um local como sítio arqueológico ocorre a partir do atendimento aos critérios estabelecidos na Portaria Iphan nº 316/2019 e é formalizado por meio da homologação do cadastro no Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão (SICG), sob responsabilidade do Centro Nacional de Arqueologia (CNA/Iphan).  
 

O cadastro é realizado mediante o envio da Ficha de Cadastro de Sítio Arqueológico (FCSA), que pode ser apresentada por arqueólogos, outros profissionais autorizados ou por qualquer cidadão que identifique bens arqueológicos, devendo informar sua descrição e localização à superintendência do Iphan no estado", termina em nota.


Após a repercussão da matéria na cidade de Tucano, a diretoria de Meio-Ambiente e Turismo da cidade respondeu ao BN e se comprometeu a atuar em um levantamento e realizar um trabalho em conjunto com as secretarias para atender à demanda na região. 


Confira nota da Prefeitura: 

"A Prefeitura de Tucano informa que está reunindo as secretarias responsáveis pelas áreas relacionadas aos questionamentos apresentados, com o objetivo de levantar e consolidar todas as informações necessárias para um posicionamento completo.
 

Uma reunião entre as secretarias já foi agendada para a próxima semana. Após esse alinhamento, a gestão pretende apresentar as respostas aos questionamentos de forma conjunta, garantindo que as informações sejam precisas e contemplem os diferentes aspectos envolvidos.
 

A Prefeitura reforça seu compromisso com a transparência e permanece à disposição para contribuir com o trabalho da imprensa", acrescenta o executivo local.

 

(Nota atualizada no dia 4 de setembro, às 14h31, para incluir manifestação da pasta de Meio Ambiente e garantir o espaço da prefeitura).

Após novas descobertas prefeitura de Tucano lança campanha de proteção e promete ações para preservação na cidade
Foto: Reprodução / Bahia Notícias

Com mais descoberta em novembro na região do sítio arqueológico de Tucano, definido pelo Iphan no começo do mês, após a repercussão da matéria do Bahia Notícias, a Prefeitura lançou uma campanha de proteção intitulada "Preservar nossa história é proteger quem somos". A iniciativa visa conscientizar a população sobre a importância de preservar as gravuras rupestres recém-descobertas.

 

Além disso, em entrevista ao Bahia Notícias, o autor da descoberta, professor André Carvalho, confirmou o interesse da política local na temática. Ele relatou que entrou em contato com algumas figuras políticas, como o prefeito reeleito Ricardo Filho (MDB), que garantiu maior apoio às pesquisas, junto a um vereador com um projeto municipal.

 

"Um vereador me informou que vai propor a criação da guarda ambiental municipal, direcionada para a preservação do meio ambiente e também para preservar as gravuras rupestres. Já o prefeito [Ricardo Filho] disse, em ligação, que a partir do ano que vem vai garantir apoio para as pesquisas", conta o historiador.

 

Imagens dos registros descobertos e revelados em novembro | Foto: Reprodução / Bahia Notícias / André Carvalho

 

Desde a descoberta das gravuras rupestres, o historiador tem tido um trabalho longo de pesquisa com 4 meses na região e tem revelado cada vez mais sobre a vida pré-histórica no semiárido baiano. Recentemente, o historiador André Carvalho e uma equipe de amigos encontraram novos achados que aprofundam ainda mais nosso conhecimento sobre as antigas civilizações que habitaram a região.

 

Região rochosa das descobertas, registro de André com amigos explorando | Foto: Reprodução / Bahia Notícias / André Carvalho

 

Entre os achados mais recentes, estão novos registros de pinturas e marcações rochosas, sugerindo que as gravuras podem estar associadas a atividades cotidianas e rituais dessas sociedades antigas. "A ampliação dos achados arqueológicos pode reconstruir com mais precisão o modo de vida e as práticas culturais desses povos", destacou Carvalho.

 

Mais descobertas deste mês pelo grupo | Foto: Reprodução / Bahia Notícias

 

A repercussão da matéria anterior publicada pelo Bahia Notícias gerou um movimento significativo em Tucano. Em resposta, a prefeitura lançou a campanha "Preservar nossa história é proteger quem somos". A campanha pretende sensibilizar a população local e os visitantes sobre a importância de preservar o sítio arqueológico recém-descoberto.

 

A campanha reforça mensagens cruciais para a preservação do patrimônio, veja:

 

"Respeitar a história é garantir que ela continue inspirando gerações futuras", afirma o lema da campanha. A iniciativa busca educar a comunidade e promover um senso de responsabilidade coletiva sobre a preservação desse tesouro arqueológico. "Após a matéria, o Secretário de Comunicação entrou em contato comigo. Já lançou nas redes sociais da Prefeitura uma campanha de conscientização", declarou Carvalho. 

Iphan confirma sítio arqueológico em Tucano e promete ações de preservação
Sede do IPHAN com descobertas em Tucano | Foto: Reprodução / André Carvalho

O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) finalmente emitiu um parecer em uma nota técnica confirmado a existência do sítio arqueológico na região de Tucano. A emissão vem após uma longa espera de 1 mês das descobertas de gravuras e pinturas rupestres do historiador André Carvalho reveladas pelo Bahia Notícias.

 

Em nota obtida pelo Bahia Notícias, o Iphan confirma oficialmente as descobertas tanto das gravuras rupestres na Fazenda Marizá, encontradas no dia 10 de agosto, quanto das pinturas na Fazenda Caldeirão, encontradas em 15 de setembro.

 

Trecho da nota em que confirma o sítio arqueológico em Tucano | Foto: Reprodução / Bahia Notícias 

 

Em entrevista ao nosso portal de notícias, André Carvalho também confirmou a visita técnica dos funcionários do orgão ao município de Tucano ainda no próximo ano. A ação pretende averiguar a região para uma possível ação de preservação do local.

 

“Vão enviar uma equipe ainda no primeiro semestre de 2025. Até porque já está liberado lá para envio no setor de protocolo [o mesmo enviado por André no começo de setembro]. Vou entrar em contato pedindo uma data”, conta o historiador ao Bahia Notícias.

 

Vale lembrar que a resposta foi demorada, afinal, o historiador ficou 1 mês na espera somente para a confirmação do protocolo enviado, como demonstrado em pela reportagem do Bahia Notícias. Com ou sem resposta, o historiador garantiu seu empenho em novas descobertas e mapeamento da cidade.

 

A Prefeitura de Tucano chegou a reconhecer as descobertas em suas redes sociais, contudo, até o momento não houve grandes ações de conscientização para a preservação desses registros históricos. Algo que o professor e arqueólogo Carlos Etchevarne garantiu ser necessário nesses casos.

 

“Gravuras como essas atraem turismo para a região. A ideia é sempre conversar e instruir os moradores locais sobre como usar esses sítios. Porque também é assim, não temos órgãos de preservação, temos dois órgãos de preservação. Iphan nacional e IPAC estadual. Nenhum dos dois tem condições técnicas, de recursos, de profissionais, para segurar a quantidade de sítios arqueológicos da Bahia”, conta o especialista. 

 

Utilizando o Google Maps, é possível localizar precisamente o ponto onde o historiador fez sua primeira descoberta, na Fazenda Caldeirão. A ferramenta permite visualizar o local no mapa e obter imagens sobre os achados na região.

 

Imagens da localização em Tucano | Foto: Reprodução / Google Maps

Historiador descobre Pinturas Rupestres em Tucano após encontrar Gravuras Arqueológicas
Foto: Reprodução / Bahia Notícias / André Carvalho

Uma nova descoberta arqueológica significativa foi feita em Tucano, no nordeste do interior baiano. No mês passado, gravuras rupestres foram encontradas em paredes rochosas de uma região pouco habitada. Nesta semana, na manhã do último dia 15, o mesmo historiador encontrou pinturas rupestres em uma fazenda nas proximidades, sendo a segunda descoberta arquelógica marcante do município.  

 

A nova descoberta ocorreu na Fazenda Caldeirão, localizada a 21 km da cidade principal do município de Tucano. A região é ampla e rochosa, em meio a uma paisagem deslumbrante. O historiador André Carvalho, mestre em História pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), fez a primeira descoberta por acaso, encontrando as gravuras em uma área de difícil acesso, sugerindo que o local permaneceu inexplorado até o momento.

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, André Carvalho contou que a nova descoberta aconteceu enquanto ele buscava compreender melhor o passado da região. “Fui convidado a explorar o local e, mais uma vez, me deparei com essas incríveis manifestações artísticas. Aí não pode ter medo de Caatinga”, brincou o historiador.

 

Arte Rupestre registrada em forma de pinturas em parede | Foto: Reprodução / André Carvalho

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, André Carvalho detalhou o processo das descobertas. “Conforme conversamos, o primeiro encontro foi dia 10 de agosto. Saindo para fazer trilha com dois casais de amigos, pude adentrar uma propriedade e ao verificar algumas rochas, notei a existência de gravuras. Dois arqueólogos amigos me confirmaram que se tratavam de gravuras rupestres”, contou Carvalho.

 

A equipe do Bahia Notícias questionou sobre como foi o processo da descoberta em encontrar mais achados importantes da arqueologia baiana, ele não poupou detalhes do entusiasmo. Após essa primeira descoberta, Carvalho encontrou outro proprietário de terras na mesma região de Marizá, o senhor Gilmar Amorim. 

 

“Ele me sinalizou a existência de gravuras em sua propriedade. Saímos no domingo [13], eu, Gilmar Amorim e outro parceiro, Naivam, que nos conseguiu um quadriciclo. A região, por ser de difícil acesso, só é alcançável por veículos traçados ou em animal de montaria”, explicou o historiador em entrevista.

 

Momento da busca historiador pela propriedade da Fazenda Caldeirão | Foto: Reprodução / André Carvalho

 

“Saímos por volta das 7h da manhã e, ao chegar na propriedade de Gilmar, fomos surpreendidos por um painel na rocha repleto de gravuras. Algumas dezenas com os mesmos símbolos tridígitos da primeira descoberta”, narrou o professor enquanto andava na propriedade local. 

 

Vale destacar que os “tridígitos” são formatos com três marcações que lembram uma pequena pata. Eles são mais comuns e universais no campo da arqueologia, sendo classificados como manifestações de Gravura Rupestre, realizadas com sobreposição de diferentes povos ao redor do mundo, como que explica o professor e arqueólogo Carlos Etchevarne, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

 

Com o apoio da comunidade e dos moradores locais, o historiador seguiu observando a região para entender se poderia haver mais registros arqueológicos nas fazendas e propriedades. Ele relata como foi investigar a região durante um feriado do dia dos professores. 

 

“Eu fui no dia 15, em busca do que agora seriam não mais gravuras, mas pinturas rupestres, na região da Fazenda Caldeirão Grande, propriedade do senhor Nilton. Para chegar ao local, até então desconhecido para mim, busquei um amigo no povoado Pé de Serra, 7 km antes da Fazenda Caldeirão. Meu amigo ressaltou que era uma propriedade onde havia pinturas nas rochas. A moradora que nos atendeu era vizinha, já ciente do que se tratava, apontando para um conhecimento local do que, para nós, seria uma grande descoberta”, narra o professor.

 

Caminho até encontrar o paredão com pinturas rupestres | Foto: Reprodução / André Carvalho

 

Ao chegarem à propriedade do Sr. Nilton, foram bem recebidos: “O Sr. Nilton nos pediu apenas que aguardássemos enquanto colocava suas botas e nos guiou até o local, uma cachoeira rochosa em granito, que se encontrava seca. Mas, ao chegar ao local, visualizamos claramente as pinturas na pedra. Detalhes que, segundo o arqueólogo Felipe, pertencem à tradição São Francisco na categoria de pinturas e gravuras rupestres”, descreveu Carvalho.

 

O Bahia Notícias procurou o arqueólogo Felipe Sales, diretor da CRN-Bio Ambiental e Arqueologia e formado na área pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). Ele comentou na necessidade de insistência nesse caso, relatando que poderia ser a hora certa para novas descobertas.

 

“Há um tempo insisto com ele e com outros historiadores da região que essa área tem potencial para sítios de registro rupestre, seja gravura ou pintura. A falta de sítios cadastrados não invalida a possibilidade de existência de sítios. Isso fala muito mais sobre a carência de pesquisadores e o desconhecimento da população. A natureza da rocha, sendo arenítica [rochas de arenito], se deteriora muito mais rápido, mas isso não significa que não haja mais registros a serem descobertos”, explicou Sales.

 

Durante a entrevista, Sales enfatizou a importância da continuidade das pesquisas. “Como ele encontrou gravuras, disse para 'Procurar mais que encontraria pinturas', e foi exatamente isso que aconteceu. Locais que tem borda de serra, áreas íngremes, paredões de rocha e abrigos de rocha você são propícios para achados rupestres. Tucano agora se junta a outras regiões com registros significativos, como perto do Rio São Francisco e Feira de Santana. É um complexo de sítios de representações rupestres esperando para ser descoberto”, afirmou o arqueólogo.

 

Atualmente, Carvalho aguarda o processo de preservação pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para garantir a manutenção local. “A resposta veio no dia 17. O órgão me encaminhou formulários para preenchimento e início do processo de visita técnica, posterior tombamento e formulação de um plano de trabalho para a conscientização da sociedade”, relata o professor.

 

Conforme adiantamento do processo, o historiador divulgou ao Bahia Notícias que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan-BA) recebeu a solicitação da descoberta e, após 1 mês esperando, o historiador agora dialoga com o órgão estadual para conseguir preservar as descobertas.

 

 “A Ouvidoria Geral do Iphan confirma o recebimento da sua solicitação da recente descoberta de gravuras rupestres na região de Tucano, Bahia'. A Superintendência do Iphan na Bahia (Iphan-BA) solicitou que formalize a demanda para que seja realizada a análise do bem e posterior registro. A partir dessas informações, o Núcleo de Arqueologia poderá elaborar um plano de preservação do bem, considerando a necessidade de visita ao local para cadastro do sítio e/ou adoção das providências cabíveis, bem como estabelecer orientações específicas para os cidadãos e órgãos envolvidos na preservação do bem”, informa o órgão.

 

A dúvida não parece conseguir parar o historiador local, que agora pesquisa registros antigos na Biblioteca Nacional sobre outras localidades de Tucano, como a 'Pedra Escrivida', próxima ao Povoado de Marizá localizada a 16 km da cidade e da famosa Cachoeira do Inferno, próxima ao município vizinho de Araci.

 

“Temos em vista a 'Pedra Escrivida', outra propriedade na região de Marizá. Entramos em contato com o proprietário que nos assegurou também possuir registros. E explorar a Cachoeira do Inferno. Local turístico onde registros do dicionário geográfico apontam para outras gravuras rupestres. Pretendo seguir fazendo essa investigação”, confirma o historiador.

 

A nova descoberta continua representando um marco significativo para a história e cultura local, sublinhando a riqueza do patrimônio arqueológico ainda por ser explorado na região. Quando a equipe de reportagem do Bahia Notícias questionou o historiador, o mesmo declarou: “Os próximos passos são mapear outros locais”, concluiu o professor André Carvalho.

 

Confira o vídeo da descoberta:

 

Tesouro arqueológico: historiador descobre sítio de gravuras rupestres históricas em fazenda no interior da Bahia
Foto: Reprodução / Bahia Notícias / André Carvalho

Paredes rochosas silenciosas, testemunhas de um passado ressonante. Essa é uma descrição da trilha na localidade conhecida como Mariza, em Tucano, no nordeste baiano, onde o historiador André Carvalho encontrou um tesouro arqueológico no dia 10 de agosto. Ele fez a descoberta de um conjunto de gravuras rupestres que promete revelar novos aspectos das civilizações antigas que habitaram a área.

 

O autor da descoberta é André Carvalho, o mesmo historiador e mestre em História pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). A descoberta das gravuras ocorreu por acaso, em uma área de difícil acesso, sugerindo que o local permaneceu inexplorado até o momento.

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, o historiador contou que a descoberta ocorreu durante trilhas realizadas para o programa 'Panela de Bairro', juntamente com um casal, para explorar pontos turísticos locais. No começo, André suspeitou de marcas que os turistas fazem na trilha: “Eu andava ali e notei que as pessoas riscam os nomes nas paredes. A gente começou uma brincadeira, começou a dar uma olhada nos riscos das paredes, pedras e rochas. Comentamos que esses nomes poderiam ser gravuras rupestres”.

 

Na segunda vez que André retornou à trilha sozinho, um evento inesperado levou à descoberta das gravuras. Enquanto andava pela trilha, “Um boi da fazenda próxima pulou a cerca e fugiu, de repente o dono saiu atrás desse boi. Eu entrei na fazenda que o rapaz deixou aberto, tinha um paredão e uma rocha por trás. Quando eu olhei para cima, comecei a ver uns rastros”, relatou André.

 

As gravuras foram encontradas em uma área de difícil acesso, sugerindo que o local permaneceu inexplorado até o momento. “A localização remota das gravuras pode ter contribuído para sua preservação ao longo dos séculos”, comentou André Carvalho. Após documentar as gravuras com fotografias detalhadas, ele encaminhou as imagens para dois colegas arqueólogos, que confirmaram a autenticidade das obras.

 

Ele detalhou como percebeu que os sinais não eram recentes: “Comecei a olhar se tinha alguns sinais recentes, procurando vi que não tinha nenhuma letra. E pensei, pera aí, isso não é recente não. Apenas símbolos e riscos, e aí eu fotografei”. André enviou as fotos para nossa equipe do Bahia Notícias.

 

Imagens dos registros arqueológicos encontrados na região | Foto: Reprodução / André Carvalho

 

Reconhecendo a importância histórica e cultural da descoberta, André abriu um protocolo junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “O objetivo é garantir a preservação das gravuras e viabilizar estudos mais aprofundados”,  explicou André. A iniciativa visa proteger o sítio arqueológico e permitir que especialistas analisem o contexto histórico das gravuras.

 

Nossa equipe solicitou a Carlos Alberto Etchevarne, arqueólogo e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), que analisasse as fotografias. Ele é autor da obra premiada “Escrito na Pedra: Cor, Forma e Movimento nos Grafismos Rupestres da Bahia” e confirmou serem gravuras rupestres.

 

Movimentos de tridígitos, semelhantes a 'garras' registrados no local | Foto: Reprodução/ André Carvalho

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, Etchevarne explicou: “As fotos que enviou são de tridígitos, motivos gráficos muito recorrentes na Bahia e em outras partes do Brasil.” O arqueólogo também ressaltou a importância da descoberta para o local: “Gravuras como essas atraem turismo para a região. A ideia é sempre conversar e instruir os moradores locais sobre como usar esses sítios”.

 

O historiador André Carvalho defende a necessidade de apoio institucional para a preservação das gravuras: “É preciso que eu consiga um parecer do Iphan. Não sou um pesquisador da área. Busco no Iphan mais informações e um parecer técnico na prefeitura local. Temos que dialogar com órgãos públicos, mas também com a comunidade. Precisamos levar ao proprietário a informação sobre a existência das gravuras para fazer um acordo com ele para a preservação da região. São terras particulares. Trazer as secretarias de Comunicação e Cultura da prefeitura para realizar o andamento. O Iphan pode ser uma ferramenta importante na história”.

 

No entanto, o Bahia Notícias obteve acesso exclusivo ao protocolo n.º 72020.001903/2024-66, que revelou atrasos no atendimento devido à revisão e adequação técnica da linguagem. A Ouvidoria-Geral do Iphan comunicou a prorrogação do prazo de atendimento para 12/10/2024, destacando a necessidade de uma resposta mais técnica e adequada.

 

Durante a entrevista, o professor da Ufba enfatizou ainda que há uma carência de recursos e profissionais nos órgãos de preservação. “Porque também é assim, não temos órgãos de preservação, temos dois órgãos de preservação. Iphan nacional e IPAC estadual. Nenhum dos dois tem condições técnicas, de recursos, de profissionais, para segurar a quantidade de sítios arqueológicos da Bahia”, afirmou o professor.

 

As gravuras rupestres de Tucano têm o potencial de enriquecer o conhecimento sobre as antigas civilizações que habitaram a Bahia. A fazenda com os registros fica a quase 20 km da distância da cidade, e o município tem uma rica história e localização estratégica, sempre foi um ponto de interesse com passagens de grupos como de Antonio conselheiro no fim do século XIX e com o ataque de Lampião em 1930. 

 

Localização do município na esquerda e do local da descoberta na direita | Foto: Reprodução / Google Street View

 

Vale lembrar que a região é conhecida por sua relevância na rota dos tropeiros e por ser um local de interseção cultural entre diferentes povos ao longo dos séculos. “Essa descoberta não só amplia nossa compreensão sobre os povos que viveram aqui, mas também destaca a importância da preservação do nosso patrimônio cultural,” afirmou André.

 

Para André, o achado pode atrair turistas interessados em história, beneficiando a economia local e promovendo a cultura da região. Disso, nem o professor Echevarne discorda: “O turismo promove e provoca uma visitação muito importante e muito seletiva, não sendo de massa. É de alguém que se interessa. Acho que é essencial garantir uma boa gestão”.

 

Imagem de 'Arte Rupestre' descoberta no Morro de Chapéu e das 'Gravuras rupestres' de Tucano | Foto: Divulgação / Júlio Mello de Oliveira

 

Ao longo de sua carreira, o arquélogo Etchevarne realizou a descoberta e produziu um estudo das expressões gráficas rupestres na Chapada Diamantina, particularmente em Morro do Chapéu, onde identificou sítios pertencentes ao estilo Serra da Capivara da Tradição Nordeste, contribuindo significativamente para a arqueologia brasileira. Para Etchevarne, segundo sua experiência, é essencial ressaltar a importância do envolvimento da comunidade local: “A ideia é sempre conversar e instruir os moradores locais sobre como usar esses sítios para criar movimentação econômica local”.

 

O autor da descoberta acrescenta que isso pode ser não somente um registro de um passado distante, mas também uma maneira de ensinar sobre a história local: “A gente tem muito potencial. É um distrito turístico que possui águas termais, perfurados nas décadas de 40 e 60 pela Petrobras, encontrando lençóis freáticos que acabaram dinamizando a região. Podemos incrementar o turismo com as pinturas rupestres e as passagens de Lampião. Vislumbro que podemos explorar essa história, construindo um percurso que vai desde as pinturas rupestres até a trilha do cangaço”.

 

O professor Etchevarne relembra o potencial turístico de ser gerido e destinado sempre com os locais: “Não se pode fazer nada sem convencer os moradores ao redor dos sítios.” Retomando a importância do envolvimento da comunidade local: “Gravuras como essas atraem turismo para a região. A ideia é sempre conversar e instruir os moradores locais sobre como usar esses sítios. Não se pode fazer nada sem convencer os moradores ao redor dos sítios. Nada. Eles definem as prioridades e facilidades de lidar com isso”, conclui o professor.

 

André Carvalho planejou compartilhar a descoberta com o Bahia Notícias e segue enfatizando a relevância das gravuras para a história regional. “Espero que essa pauta desperte o interesse do público e incentive a preservação do nosso patrimônio histórico”, completou.

 

A descoberta na fazenda local sugere um novo entendimento sobre a Bahia, evidenciando a necessidade de um trabalho mais aprofundado de pesquisa de campo. A equipe de reportagem do Bahia Notícias contatou o Iphan em relação ao protocolo, mas não obteve resposta.

 

Confira o vídeo no local da descoberta:

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
O primeiro turno das eleições apresentaram aos políticos que é tempo de recomeçar. Ou ao menos reatar o que estava adormecido, como no caso do Soberano, que reatou com os Bolsonaro, apoiando o 01 do Capitão. Fez questão de levar os apoiadores para não dizerem que vai só leva um voto. Melhor dividir a responsabilidade mesmo... Além disso, por falar em recomeçar e resgatar o tempo perdido, veja Regis Redondo: passou a agonia de eleição e já voltou a vida fitness. Suspeito que esteja querendo que eu volte a chamá-lo de Sandrinho Light. Siga firme que penso em seu caso.

Pérolas do Dia

Geraldo Alckmin

Geraldo Alckmin
Fotos: Victor Hernandes / Bahia Notícias

"Nós temos que fazer a economia crescer, o PIB crescer, o emprego crescer, e segurar a despesa. Aí você melhora a relação dívida/PIB". 

 

Disse o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB) ao defender a realização de um ajuste fiscal, porém com foco em cortes de privilégios e "super salários", criticando a possibilidade de penalizar aposentados e a classe média.
 

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