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Dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) apontaram que a procura pela Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), método seguro e altamente eficaz na prevenção da infecção, cresceu no início de 2026.
Entre janeiro e fevereiro deste ano, o Serviço de Atendimento Especializado (SAE) do Multicentro Liberdade realizou 168 atendimentos relacionados à PrEP, entre primeiras consultas e acompanhamentos multiprofissionais. O número representa aumento em relação aos meses de novembro e dezembro de 2025, quando foram registrados 121 atendimentos.
O crescimento ocorre em um período de maior intensidade de atividades sociais na cidade, quando também aumentam as oportunidades de exposição a situações de risco. Nesse contexto, o acesso facilitado à informação e aos serviços de saúde tem papel decisivo: permite que a população se antecipe, busque proteção e adote estratégias preventivas de forma consciente, reduzindo a vulnerabilidade às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
Mais do que um aumento na procura, os dados indicam um avanço consistente: quando a informação chega antes, a prevenção deixa de ser reação e passa a ser escolha — e isso impacta diretamente na redução de novos casos.
PREVENÇÃO
A PrEP consiste no uso de medicamentos antirretrovirais por pessoas que não vivem com HIV, reduzindo significativamente o risco de infecção. De acordo com o Ministério da Saúde, quando utilizada corretamente, a estratégia pode reduzir em mais de 90% o risco de transmissão sexual do HIV.
No SAE da Liberdade, a PrEP é ofertada a partir dos 15 anos, seguindo critérios técnicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde e com acompanhamento multiprofissional. O atendimento inclui avaliação clínica individualizada, orientações sobre o uso seguro da estratégia e aconselhamento em saúde sexual, respeitando as especificidades de cada faixa etária e promovendo o cuidado responsável.
Para a gerente da S3 Gestão em Saúde, instituição responsável pela administração do Multicentro Liberdade, Elaine Montalvão, o aumento da procura reflete um avanço na forma como a população compreende a prevenção. “Percebemos uma busca maior por informação e por estratégias seguras de proteção. A PrEP é uma ferramenta muito eficaz, mas faz parte de um conjunto de cuidados. Nosso trabalho é orientar, acompanhar e garantir que esse uso seja feito com responsabilidade, associado a outras medidas de prevenção”, destacou.
ACOMPANHAMENTO
A rede municipal oferta acompanhamento clínico contínuo nas unidades da Atenção Básica. Nos SAE, o paciente encontra acolhimento, diagnóstico, tratamento e acompanhamento para HIV, hepatites virais, sífilis e outras ISTs, com unidades nos bairros da Liberdade, Dendezeiros e Centro, além do Ambulatório Municipal Especializado em Saúde LGBT+, no Dois de Julho.
No último ano, foram atendidos 2.640 usuários em uso da PrEP. A estratégia integra a política de Prevenção Combinada, recomendada pelo Ministério da Saúde, que reúne diferentes métodos de proteção, como uso de preservativos, testagem regular, diagnóstico precoce e tratamento oportuno.
Usuários dos Serviços de Atendimento Especializado (SAE) de Salvador reclamam da baixa resolutividade das unidades ambulatoriais, que são voltadas à atenção integral às pessoas vivendo com HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) do município. A problemática, causada pela falta de profissionais suficientes para o atendimento, alegam os usuários, tem prejudicado o acolhimento de pacientes e a devida imunização de uma parcela do público-alvo contra o vírus da varíola dos macacos (Mpox).
A situação não é bem uma novidade e já perdura por pelo menos três anos. Em dezembro do ano passado, no Dia Internacional de Luta Contra a AIDS, ativistas promoveram pela segunda vez um ato pedindo a contratação de médicos infectologistas e clínicos pela gestão municipal. Na época, dois dos três equipamentos especializados administrados pela prefeitura da capital baiana - o SAE Marymar Novaes (Dendezeiros) e o SAE São Francisco (Nazaré) - enfrentavam problemas relacionados a oferta de profissionais.
Naquela ocasião, atendendo a solicitação dos manifestantes, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) desempenhou uma médica que atuava na rede pública do município para o Marymar Novaes, mas, de acordo com membros do Comitê especial de crise de articulação para tratar dos problemas relacionados à resposta ao HIV/Aids, HTLV e outras ISTs em Salvador, a oferta ainda é insuficiente, uma vez que somente nesta unidade de saúde, cerca de 2 mil pessoas são acolhidas.
Segundo a instância organizada, que é formada por membros de instituições ligadas ao campo, 5 mil pacientes são acompanhados pela rede de atenção. O acompanhamento especializado contínuo é primordial para o tratamento efetivo. Relatos de pessoas que procuram os SAEs dão conta, dentre outras situações, de irregularidades na marcação de consultas - chegando a ultrapasar limite indicado de seis meses -, a baixa adesão de pacientes a campanhas de vacinação voltadas para imunossuprimidos e o não monitoramento de taxas de imunidade (CD4 e CD8).
Ao todo, sete chamamentos públicos para contratação de médicos foram realizados pela administração soteropolitana desde 2021. Todos eles, entretanto, não resultaram na adição de colaboradores no quadro da SMS. Para tentar resolver a situação, os integrantes do comitê especial lançaram uma petição online a fim de coletar assinaturas e requisitar, mais uma vez, o lançamento de um novo certame e a busca de soluções para questões, inclusive do ponto de vista estrutural das unidades.
Procurada pela reportagem, a Secretaria da Saúde ressaltou a disponibilização de uma infectologista o SAE Marymar Novaes, além da oferta de um clínico, atuando de forma conjunta. Em nota enviada na última sexta-feira (7), o órgão informou que "o processo de chamamento para contratação de mais profissionais, entre os demais esforços realizados pela pasta junto a representações das categorias médicas". Embora questionada, a pasta não esclareceu quais medidas estão sendo tomadas acerca do SAE São Francisco.
Outro ponto de crítica e abordado pelo comunicado enviado ao Bahia Notícias foi acerca da imunização contra o vírus da varíola dos macacos (Mpox). Conforme disse a SMS, equipes estão realizando busca ativa dos usuários que se encaixam no perfil preconizado pelo Ministério da Saúde a fim de acelerar a aplicação das doses. "Vale destacar que a maior parte do público elegível não faz tratamento para o vírus, uma vez que é necessário possuir os linfócitos TCD4 baixo, ou seja, ainda não fazem o acompanhamento na Rede, ou estão em fase inicial do acompanhamento, ou ainda, em abandono do tratamento, por exemplo", pontuou o texto.
A SMS argumentou ainda que foram firmadas parcerias com ONGs que atuam na causa para ajudar a identificar e a acessar os pacientes, assim como a área técnica responsável está em discussão sobre a identificação e inserção do público com carga viral elegível, dentro do parâmetro estabelecido pelo MS, sem a necessidade de indicação médica obrigatória, bastando apenas apresentar os resultados desses exames.
"Vale reforçar que a gestão mobiliza todos os esforços para oferecer uma assistência integral e qualificada para as pessoas soroconvertidas que utilizam os serviços municipais, prestando o devido acolhimento e atenção, além de promover uma série de atividades e ações de caráter preventivo ao HIV-Aids", finalizou.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Flávio Bolsonaro
"Lula vai ficar do lado de criminosos?"
Disse o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao fazer duras críticas à atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na área da segurança pública. Flávio, pré-candidato do PL a presidente nas eleições de outubro, citou o projeto de lei antifacção, aprovado pelo Congresso Nacional em fevereiro e que ainda não foi sancionado por Lula.