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religiao de matriz africana
A ialorixá Mãe Deca denunciou ter sido vítima de ataques de racismo religioso contra o terreiro Ilê Axé Tonan Onirê, localizado no distrito de Acupe, em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano. O caso foi divulgado neste domingo (13) pela Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA).
Segundo a líder religiosa, um pastor da região, identificado como Sandro, teria destruído por duas vezes um assentamento do Orixá Exú localizado em frente ao terreiro.
Após os episódios, Mãe Deca comunicou o caso à AFA, que acionou a Ronda Omnira, da Polícia Militar da Bahia (PMBA).
Em nota, a PM informou que tem realizado rondas na região para garantir a segurança e a tranquilidade das comunidades religiosas. A corporação afirmou ainda que a responsável pelo terreiro foi orientada a comparecer a uma delegacia, acompanhada de testemunhas, para registrar a ocorrência e adotar os procedimentos necessários para evitar novos episódios.
A PM ressaltou que o caso teria ocorrido no mês de agosto e que informações sobre a investigação e seus desdobramentos devem ser obtidas junto à Polícia Civil. A corporação também reafirmou o compromisso com a proteção dos direitos culturais e religiosos.
Procurada pela reportagem, a Polícia Civil não respondeu até o fechamento desta matéria.
Nesta sexta-feira (11), o alabê, pesquisador e integrante do Grupo Ofá, Iuri Passos, revelou em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da Rádio Antena 1 Salvador, os bastidores da colaboração com a cantora Anitta na faixa "Contemplação".
O flerte musical entre os artistas, segundo Iuri, já vinha de antes. O grupo baiano chegou a convidar a artista para participar do álbum Iya Agba Sire (2024), mas a agenda da cantora impediu o encontro na época. O jogo virou quando a produtora artística de Anitta, procurou Iuri pelo Instagram. Ela revelou que a a carioca era muito fã do trabalho do Grupo Ofá e havia se aproximado bastante de sua musicalidade, especialmente da faixa Ara Wa Romi Wa / Oxum La Omiro, gravada anteriormente por Marisa Monte no álbum Obatalá (2019).
A EMOÇÃO DE ANITTA
Atendendo a um pedido da cantora para criar algo semelhante a música, o grupo desenvolveu a faixa "Contemplação", estruturada a partir de Aridé Beô, uma cantiga sagrada dedicada ao Orixá Oxum.
O momento de maior impacto, no entanto, ocorreu na entrega do primeiro arranjo, gravado inteiramente em iorubá. "Ela chorou, ficou super emocionada, mas disse: 'poxa, eu não vou conseguir cantar em iorubá não, eu tenho pouco tempo'", relatou o músico.
Iuri revelou ainda uma curiosidade de bastidor: originalmente, a música havia sido encomendada apenas para tocar na abertura do show da artista, sem intenção de lançamento oficial. O impacto emocional foi tamanho que a cantora mudou de ideia na mesma hora. "Ela disse: 'não, agora eu quero que a música entre no álbum'", contou.
Iuri revelou ainda uma curiosidade de bastidor: originalmente, a música havia sido encomendada apenas para tocar na abertura do show da artista, sem intenção de lançamento oficial. O impacto emocional foi tamanho que a cantora mudou de ideia na mesma hora. "Ela disse: 'não, agora eu quero que a música entre no álbum'", contou.
COMPOSIÇÃO COLETIVA E ANCESTRALIDADE
Para solucionar a barreira do idioma, o Grupo Ofá viajou para trabalhar lado a lado com a equipe de compositores de Anitta. O processo envolveu os chamados camps (acampamentos de composição), onde criaram, a quatro mãos, uma versão que mescla o português com o iorubá.
Para Iuri, o grande trunfo da parceria foi a preservação do sentido sagrado da obra. "O momento mais importante dessa composição, e aí é muito nosso do grupo Ofá, é não se distanciar da letra em iorubá, da sua tradução. [...] Pra gente que entende o que está sendo cantado, não perder o significado", destacou o professor, celebrando o respeito mútuo e a satisfação de ambas as partes com o resultado final.
Confira a entrevista completa:
O empresário Pablo Marçal afirmou durante uma entrevista ao canal BNTV, que "se macumba funcionasse, a Bahia era Dubai". A declaração, dada em resposta a um questionamento sobre ele ter medo de "macumbaria", gerou repercussão nas redes sociais.
Durante a mesma gravação, Marçal desqualificou os praticantes de religiões de matriz africana, atrelando a fé à falta de sucesso pessoal e financeiro, em trechos da entrevista que circulam nas redes, ele associa os praticantes ao fracasso e à inveja. "Todo macumbeiro é um derrotado na vida. É gente invejosa e que não prospera", declarou.
Na mesma ocasião, o empresário também criticou pessoas que, segundo a sua visão, recorrem a esse tipo de prática religiosa com a intenção exclusiva de prejudicar indivíduos que alcançaram a prosperidade financeira.
O Terreiro Palácio de Ogum e Caboclo Sete-Serra, em Lençóis, na Chapada Diamantina, foi oficialmente tombado pelo Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional] nesta quarta-feira (26). Fundado em 1949, o espaço é reconhecido como o terreiro de Jarê mais antigo ainda em atividade no Brasil, se tornando patrimônio cultural protegido na esfera federal.
Segundo o G1, o pedido de tombamento foi iniciado em 2007, após uma carta enviada pela Associação dos Filhos de Santo do terreiro ao escritório do Iphan em Lençóis. Levou-se em conta na decisão a relevância cultural, histórica e espiritual do templo, considerado um símbolo da resistência das populações negras e da consolidação dos territórios sagrados dos mesmos.
Com o tombamento, o terreiro passa a ter proteção federal contra demolições e qualquer alteração estrutural só poderá ocorrer com autorização do instituto.

Foto: Reprodução / Iphan
Fundado por Pedro Florêncio Bastos, conhecido como Pedro de Laura, o terreiro conta com a casa principal, chamada pagodô, onde acontecem cerimônias e rituais; e um espaço consagrado aos exus, o caramanchão. Outras áreas distribuídas no terreno se estendem por de 3,8 mil metros quadrados.
O Jarê é uma religião típica da Bahia, surgida na Chapada Diamantina, especialmente em Lençóis e Andaraí. Nasceu da fusão de duas práticas religiosas conduzidas por mulheres africanas escravizadas, vindas da região da Costa da Mina [atual Gana, Benim, Togo e Nigéria].
O terreiro Ilê Obá L´Okê, em Lauro de Freitas, vai lançar nesta quinta-feira (28), às 19h, através de uma live, uma plataforma imersiva para possibilitar uma tour virtual em 360° ao espaço. Além das visitas, a ferramenta digital vai ofertar um curso sobre marketing digital entre os dias 28 e 31 de janeiro.
O lançamento vai contar com a participação da secretária estadual de Promoção da Igualdade Racial, Fábya Reis; do babalorixá do terreiro, escritor e antropólogo, Vilson Caetano; da cineasta Jamile Coelho; e do artista plástico, ilustrador e cenógrafo, Rodrigo Siqueira, axogun do terreiro e autor de obras que compõem o acervo do local.
A iniciativa ainda vai privilegiar os empreendedores negros da Bahia, com a disposição de um catálogo virtual para divulgação das marcas e produtos. As inscrições podem ser feitas pelo site do projeto (clique aqui).
"O Obá L´Okê é um grande centro cultural, um museu, além de ser um templo religioso. Ele possui uma quantidade de [obras no] acervo muito grande que a gente só consegue ver em museus fora do Brasil", comenta Rodrigo Siqueira sobre o repertório do terreiro.
Para Vilson Caetano, "um dos objetivos deste projeto é estreitar a relação entre as pessoas e as religiões de matriz africana, ao mesmo tempo em que visa ajudar estas religiões a enfrentar o racismo que gera ódio e a intolerância com as suas expressões".
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Rosemberg Pinto
“O governador não ligou para nenhum partido para falar sobre esse tema. O governador respeita as posições das diversas instituições. AL-BA, Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), Defensoria Pública, ele sempre foi muito respeitoso por conta de definições internas. O governador, na reunião ontem, pediu: ‘Qualquer tipo de divergência que tiver em qualquer local, deixa terminar o segundo turno para focar nisso".
Disse o líder do governo na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), deputado estadual Rosemberg Pinto, negou os rumores de que o governador Jerônimo Rodrigues (PT) teria determinado o fim dos acordos entre partidos da base governista em torno da candidatura da deputada Ivana Bastos (PSD) à Presidência da Casa.