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O fenômeno que só a Bahia é capaz de fazer!

Por Renato Tourinho

O fenômeno que só a Bahia é capaz de fazer!
Foto: Acervo pessoal

Poucos acontecimentos no mundo conseguem reunir 2 milhões de pessoas em torno de uma música, de um cantor ou de um trio elétrico. Menos ainda fazem isso de forma contínua, por horas, em movimento, com alegria coletiva e um nível mínimo de violência ou acidentes. É exatamente aí que o Carnaval da Bahia deixa de ser apenas uma festa e se torna um fenômeno social, cultural e comportamental.

 

O que se vê nas ruas é uma multidão que se organiza no próprio fluxo. Pessoas pulam, cantam, caminham, param, retomam, bebem durante todo o percurso e, ainda assim, mantêm uma convivência surpreendentemente harmônica. Não é ausência de caos é a presença de um código coletivo invisível, aprendido culturalmente e respeitado instintivamente.

 

O trio elétrico não é só um palco móvel. Ele funciona como um eixo emocional, capaz de sincronizar corpos, vozes e sentimentos. A música cria pertencimento imediato. Desconhecidos se tornam próximos, diferenças se dissolvem e o espaço público vira território comum. Ali, não importa de onde você vem, mas se você canta junto.

 

Outro aspecto que chama atenção é o contraste entre números e realidade. Em qualquer outro contexto, uma aglomeração desse tamanho seria sinônimo de conflito. Aqui, os registros de violência e acidentes são surpreendentemente baixos. Isso revela algo poderoso, quando a festa é inclusiva, quando o ambiente é de celebração e não de confronto, o comportamento coletivo muda.

 

O Carnaval da Bahia é, portanto, mais do que entretenimento. É engenharia social espontânea, é cultura em estado bruto, é a prova de que alegria compartilhada também é uma forma de organização. Um evento que desafia estatísticas, teorias e previsões e que só faz sentido quando vivido.

 

Talvez o maior mistério não seja como tudo isso acontece, mas por que o mundo ainda não estuda esse fenômeno com a profundidade que ele merece. Porque ali, no meio da rua, pulando atrás de um trio, existe muito mais do que festa. Existe um manual vivo de convivência coletiva, embalado por música, suor e felicidade.

 

Como diz Nizan Guanaes: "O BAIANO É DIFERENCIADO!"

 

*Renato Tourinho é empresário e publicitário

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias