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Artigos

Edson Valadares
Balanço Positivo de Governo
Foto: Divulgação

Balanço Positivo de Governo

Governar é o equilíbrio entre o projeto de desenvolvimento, a governabilidade política e a capacidade de gestão. Para se fazer uma análise real de uma situação é necessária a utilização de ciências e técnicas de governo. Não bastam achismos ou desejos para compreender uma dada realidade. Desta forma, não se pode realizar balanços de governo sem o uso de métodos adequados para compreender as condições concretas de um conjunto de variáveis que se complementam e se compensam continuamente.

Multimídia

Renovação no TCE-BA estabiliza Corte, avalia novo presidente

Renovação no TCE-BA estabiliza Corte, avalia novo presidente
O presidente do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), Gildásio Penedo, avaliou os impactos da renovação do colegiado, conforme a indicação dos nomes de Josias Gomes, suplente de deputado federal, e Otto Alencar Filho, deputado federal. Em entrevista ao Projeto Prisma, nesta segunda-feira (19), o conselheiro destacou que a chegada dos indicados “estabiliza” o órgão após mais de um ano de déficit no Conselho principal.

Entrevistas

Afonso Florence garante candidatura de Lula em 2026 e crava retorno ao Congresso: “Sou parlamentar”

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Foto: Fernando Vivas/GOVBA
Florence foi eleito a Câmara dos Deputados pela primeira vez em 2010, tendo assumido quatro legislaturas em Brasília, desde então.

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Ravengar: A ascensão e queda do barão do tráfico que desafiou o Estado
Foto: Reprodução

Durante anos, sua figura deslizava entre os becos como um sussurro. Ninguém via, mas todos sentiam. Raimundo Alves de Souza, o Ravengar, foi mais do que um homem: foi um fenômeno social. Um personagem esculpido entre a ausência do Estado, o poder corrosivo das drogas e a obediência comprada com favores. Dono de um império que se estendia dos morros de Salvador às noitadas glamourosas da elite soteropolitana, Ravengar reinou onde a política jamais ousou pisar. Sua história é uma ferida aberta, atravessada por violência, estratégia e contradição.

 

Ravengar nasceu em Salvador, em 1953. Como tantos meninos da cidade, cresceu aprendendo a sobreviver onde a infância termina cedo. No Pelourinho, dividia espaços com pequenos criminosos, alugando quartos e recolhendo apostas do jogo do bicho. Aos poucos, tornava-se conhecido entre aqueles que transitavam entre a margem da lei e a margem da sobrevivência. Era uma sombra útil: discreta, sempre presente.

 

Quando os tempos mudaram e o dinheiro ficou curto, mudou-se para o Alto de São Gonçalo. Passou a rodar como taxista. E foi ao volante, carregando compras e passageiros, que encontrou um novo filão: o tráfico. Primeiro como entregador, depois como articulador. Transportava drogas para artistas, empresários e políticos. Um serviço de confiança, feito sem barulho, sem riscos. Na boca dos usuários, virou "Raimundão Brabo". Mas o apelido que o eternizaria ainda estava por nascer.

 

A prisão de Zequinha do Pó, um atleta de remo e professor de natação que comandava o tráfico na região, abriu uma vaga no topo da cadeia alimentar. Ravengar não hesitou. Instalou-se no Morro da Águia, uma geografia estratégica, íngreme, de difícil acesso, esquecida pelo poder público. Ali, fundou seu império, batizado informalmente de "Império Ravengar". Seus seguidores se autodenominavam "Soldados de Ravengar". A estrutura era militar: comandos, hierarquia, patrulhamento constante.


Mas havia algo em Ravengar que o diferenciava dos demais: sua habilidade de misturar medo e favores. Como Pablo Escobar, sabia que o amor comprado valia tanto quanto a obediência imposta. No morro, pagava botijões de gás, comprava cestas básicas, reformava casas. Organizava festas, agenciava bandas, mantinha uma creche. Seus homens, armados até os dentes, usavam rádios e operavam com tática. À polícia, oferecia silêncio e propina. À comunidade, proteção e pequenos milagres do cotidiano.

 

E era sob o manto do benfeitor que Ravengar ocultava o reinado erguido à margem da lei. Dono de palavras mansas e gestos calculados, chegou a conceder uma entrevista à Revista Veja, onde falava de sua missão social e do banco improvisado que mantinha, de onde saíam empréstimos sem juros destinados à comunidade. Era dali, entre promessas de ajuda e favores silenciosos, que brotava o encanto sombrio de sua influência.

 

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Nos anos 1990, Ravengar ampliou o negócio. Tornou-se um empresário da noite. Fundou o bar Reluz, a casa de espetáculos Megashow e passou a investir em grupos musicais. A fronteira entre o crime e o entretenimento se diluía sob luzes coloridas. No palco, artistas; nos bastidores, cocaína. Para o público, ele era apenas um nome no outdoor. Para a polícia, um enigma intocável.

 

Em 1992, a primeira grande operação policial contra ele terminou em fiasco. A polícia invadiu o Reluz, prendeu subordinados, vasculhou imóveis. Ravengar escapou ileso, como se tivesse evaporado. Era um mestre em desaparecer. Delegados e comandantes viraram aliados. Algumas denúncias nem sequer eram registradas. A omissão era o maior ativo do seu negócio.

 

Foi apenas em 2003, com a chegada do delegado Edmilson Nunes ao Departamento de Tóxicos e Entorpecentes, que a caçada se tornou real. Ambicioso, Nunes traçou uma linha direta entre sua carreira e a prisão de Ravengar. Começou a costurar a queda com paciência e escuta. Descobriu a mansão de três andares no Cabula. No dia 16 de janeiro, a polícia invadiu o local. O que encontrou parecia o cenário de um filme surreal: aquários gigantescos, quadros de líderes contraditórios - de Irmã Dulce a Hitler -, móveis de luxo, e uma coleção de rádio-comunicadores.

 

Mas Ravengar já não estava ali. Tinha fugido com a precisão de quem antecipa o movimento do inimigo. E ainda assim, ligou para os policiais: “Não plantem nada aí”, avisou, com a calma de quem sabe que ainda está por cima. Seus dias, no entanto, estavam contados.

 

Foi apenas 37 dias depois, em 22 de fevereiro de 2004, que o rei caiu. Tentou escapar dirigindo um Vectra em alta velocidade pela Linha Verde, mas foi encurralado próximo a Monte Gordo. Levou um tiro no tórax. Saiu do carro com as mãos erguidas, ferido, finalmente derrotado. Sua mulher, Suely Napoleão, também foi presa. Com ele, caía o último pilar de um império que durou mais de uma década.

 

Quando foi levado pelas mãos da justiça, Ravengar fez ecoar sua voz por meio de uma carta dirigida a um jornalista. Nela, mais do que lamentar a liberdade perdida, Ravengar criticava a postura do delegado Edmilson Nunes, que comandara a operação que resultou em sua prisão. Com a arrogância de quem se considera o senhor do tráfico, ele escreveu: “O estado vai se arrepender de ter me prendido, eu boto ordem na criminalidade”

 

Em 2006, Ravengar foi condenado a 25 anos e 11 meses de prisão. Tráfico, refino, associação ao tráfico e corrupção ativa. O crime de formação de quadrilha caiu, ironia do sistema que ele corrompeu. Na prisão, impôs sua presença. Escreveu uma cartilha chamada Código de Ética Ravengar, distribuída entre os presos. Regras para convivência. Tentou transformar a cela em gabinete. Foi punido com 30 dias de solitária.

 

Em 2012, conseguiu o semiaberto. No ano seguinte, liberdade condicional. Mas em 2017, foi preso novamente, desta vez com a própria família, em nova operação contra o tráfico.

 

Ravengar morreu em 8 de junho de 2023, aos 69 anos, por complicações de uma diabetes. Um fim discreto para alguém que viveu cercado de excessos. Ainda assim, sua lenda persiste. Seu nome é citado com medo, com respeito, com desconfiança.

 

Para muitos, Ravengar foi um vilão. Para outros, um protetor. Mas a verdade está no meio: ele foi o produto de um país onde o crime, muitas vezes, é mais eficiente que o governo. Onde o fuzil organiza o que o Estado desorganiza. Onde o silêncio é comprado, e o poder, traficado.

 

Ravengar morreu. Mas o que ele representa continua vivo. Nos morros, nas bocas, nas vielas. No silêncio cúmplice que ainda protege tantos outros Ravengares em ascensão.

Vitor Calmon relembra reação curiosa de Ravengar em última operação: "Pode me prender"
Foto: Alan Oliveira/ G1

A última prisão do traficante Raimundo Alves de Souza, o Ravengar, entrou pra história como um dos momentos mais marcantes da polícia baiana. E nesta terça-feira (5), um detalhe curioso dos bastidores daquela operação veio à tona durante o Bargunça Podcast, apoiado pelo Bahia Notícias.

 

Ravengar foi o principal traficante de cocaína da Bahia nos anos 1990, e foi preso por três vezes. Na última, em 2017, tinha 65 anos quando foi encontrado pelo policial civil Vitor Calmon, que atua na Companhia Independente de Operações Especiais (COE).

 

"Eu cheguei, ele botou a cara na janela e entrou. Aí eu pensei: 'pô, vai fugir'. Não tinha técnica ainda e falei: 'vou pular o muro'. Eu e um colega. Pulei o portão, não tinha material nem nada, meti o pé na porta. Entrei e ele tava lá, sentadinho no sofá", contou Vitor para Wagner Miau e Thiago Mithra. Foi então que Ravengar o surpreendeu por não reagir.

 

 

"Eu falei: 'venha cá, rapaz. Você não pensou em fugir, não?'. E ele: 'eu? Fugir pra quê? Pra vocês atirarem em mim de novo? Da última vez vocês atiraram em mim, perdi metade do meu rim. Não, meu amigo. Pode me prender!", relembrou, rindo.

 

Vitor admitiu, contudo, que cometeu erros na operação. "A gente não sabia até que ponto ele ia reagir. Estava com uma submetralhadora. [...] Hoje em dia a técnica não nos permite mais pular um muro desses. Podia ter um cachorro, podia ter alguém lá e atirar. A técnica não é essa. A gente sempre fala: Segurança em primeiro lugar. É melhor perder o cara e sair vivo, do que na pressa morrer, ou atingir um inocente", reforçou, lembrando um ditado comum na sua equipe toda vez que saem pra uma operação: "Vamos voltar vivos e livres pra casa. Vivos porque a gente não pode morrer, e livres porque não pode matar um inocente".

 

O Bargunça Podcast é patrocinado pelo Boteco do Caranguejo, o Espetto Baiano e a Paramana Gin.

Ex-traficante de Salvador Ravengar morre aos 70 anos
Foto: Correio da Bahia

O ex-traficante de Salvador Raimundo Alves de Souza, conhecido como Ravengar, morreu nesta quinta-feira (8). De acordo com informações, ele estava internado no Hospital Ernesto Simões, com diabetes e não resistiu às consequências da doença.

 

Ele era um dos nomes mais famosos na história do tráfico de drogas do estado da Bahia. Ex-comandante do tráfico no Morro do Águia, ele foi preso em 1994 no governo de Paulo Souto, após dar uma entrevista para a Veja mostrando a benfeitoria no bairro.

 

Ravengar também era dono da banda Reluz e do Megashow.
 

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
O Cavalo do Cão deixou todo mundo de cabeça quente com seu novo enigma. O problema é que a carapuça serviu pra tanta gente que ninguém sabe bem quem é quem. Enquanto isso, o evento com o Molusco em Salvador mostrou quem sabe montar estratégia e quem não sabe. E vai ter gente que precisa acelerar até outubro. A questão é que a idade um dia pesa... Saiba mais!

Pérolas do Dia

Ronaldo Caiado

Ronaldo Caiado
Foto: Nilson Tellys / Bahia Notícias

"É algo a ser resolvido nos próximos dias". 

 

Disse o governador de Goiás, Ronaldo Caiado ao afirmar nesta terça-feira que já comunicou sua saída do União Brasil e que está em negociação com outras siglas para viabilizar sua candidatura à Presidência da República nas eleições de outubro.
 

Podcast

Projeto Prisma entrevista Sosthenes Macedo, novo secretário de Desenvolvimento Urbano de Salvador

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O secretário de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Sedur), Sosthenes Macedo, é o entrevistado do Projeto Prisma nesta segunda-feira (26). O programa é exibido ao vivo no YouTube do Bahia Notícias a partir das 16h, com apresentação de Fernando Duarte.

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