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racismo religioso
A Defensoria Pública do Estado da Bahia, por meio da Ouvidoria Cidadã e do Núcleo de Equidade Racial (NER), foi ao Parque Pedra de Xangô, no bairro de Cajazeiras, em Salvador, para realizar uma escuta ativa da comunidade e de lideranças dos terreiros diretamente afetados pelas condições atuais do local.
Os depoimentos, colhidos na última quinta-feira (27), relataram a sensação de abandono do parque, evidenciada por situações como falta de segurança, iluminação precária e esgoto a céu aberto. Na ocasião, estiveram presentes a coordenadora do NER, Monica Antonieta, a ouvidora-geral, Tamikuã Pataxó, e a ouvidora-adjunta, Tiffany Odara, além de servidoras da Ouvidoria e do NER.
“Isso aqui não era para estar do jeito que está. Essa pedra pode emborcar qualquer dia. Eu peço por Deus, pelos Orixás, por Xangô que nos ajude. Isso me dói. Eu não gosto nem mais de vir aqui, eu choro mesmo, eu sinto uma dor pelo descaso, pelo abandono”, desabafou a Yá Dialá, matriarca da Pedra de Xangô.
A ideia de ir até o Parque nasceu de uma demanda apresentada à Ouvidoria Cidadã durante um evento realizado há dois meses. Diante dos relatos recebidos, a Ouvidoria convidou o NER para conhecer o território, ouvir quem convive cotidianamente com os problemas e compreender, a partir da própria comunidade, quais são as violações e necessidades mais urgentes. “Quando a gente pisa no território, a gente sente com a alma”, ressaltou a ouvidora-geral Tamikuã Pataxó.
Segundo Monica Antonieta, coordenadora do Núcleo de Equidade Racial, o objetivo do encontro foi ouvir as demandas para realizar intervenções pontuais e estratégicas e identificar se existem violações que vão desencadear um processo criminal ou se já existe algum tipo de investigação dentro da seara do racismo religioso. "O povo de santo quer respeito, quer reconhecimento, quer dignidade”, finalizou Monica.
A partir das quase três horas de escuta e das demandas apresentadas, a Defensoria vai dar encaminhamentos junto aos órgãos responsáveis pela manutenção, segurança, saneamento e preservação do espaço.
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) (TJBA) deve analisar nesta sexta-feira (28) a conversão da sindicância contra o juiz Cesar Augusto Borges de Andrade em Processo Administrativo Disciplinar (PAD). A apuração envolve a retirada de uma fotografia relacionada ao candomblé de uma exposição no Fórum de Camaçari.
O episódio ocorreu em março deste ano. Na ocasião, o magistrado, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Camaçari, questionou a presença da imagem de Solange Borges, que exerce a função de Makota no Candomblé e aparecia com vestimentas religiosas.
Segundo a Folha de S.Paulo, o juiz alegou “incompatibilidade com a laicidade estatal.” Uma fotografia de uma mulher segurando uma imagem de Santo Antônio, porém, permaneceu na mostra. O caso chegou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) após representação do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afrobrasileiras (Idafro), que classificou a conduta como discriminatória e intolerante.
Com a eventual abertura do PAD, serão apuradas possíveis violações aos deveres de imparcialidade, igualdade e compatibilidade com o cargo, além da suspeita de racismo religioso institucional. Entre as penalidades previstas estão advertência, suspensão e perda do cargo.
Em manifestação à Corregedoria do TJBA, Cesar Augusto afirmou que não determinou a retirada da fotografia. Segundo ele, o documento enviado ao órgão pedia apenas a análise da legalidade da exposição, enquanto a remoção teria sido uma decisão administrativa do então diretor do fórum.
Duas mulheres denunciaram um caso de intolerância religiosa cometido por um motorista de aplicativo em Alagoinhas, no Agreste baiano. As clientes, que usavam vestimentas usadas no candomblé, teriam sido retiradas do carro antes do final da corrida pelo condutor, além de serem ofendidas.
O caso teria ocorrido na noite do último dia 4 de fevereiro, informou o Alagonews, parceiro do Bahia Notícias, e foi registrado em boletim de ocorrência.
Em relato à polícia, as passageiras contaram que durante o trajeto perceberam que o motorista seguia por um caminho diferente do destino indicado no aplicativo. Ao orientarem o condutor sobre a rota correta, as mulheres afirmam que passaram a sofrer ofensas, xingamentos e ameaças.
Uma delas relatou que o motorista as chamou de “vagabundas” e afirmou que elas estariam “carregando um monte de diabo”. Elas disseram que foram obrigadas a descer do carro, mesmo com a corrida já paga. O homem ainda teria ameaçado passar com o veículo por cima delas, dizendo que “anda com Deus”.
REPÚDIO
A Federação do Culto Afro-Brasileiro (Fenacab) – Regional Alagoinhas, divulgou neste domingo (7) uma nota de repúdio contra o caso, classificando o episódio como racismo religioso. No documento, a entidade afirma que as vítimas sofreram ofensas, ameaças e constrangimento, além de terem sido retiradas do veículo de forma abrupta, sem o cancelamento da corrida já paga.
A Fenacab informou ainda que o caso foi registrado na 2ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin) de Alagoinhas e encaminhado ao Ministério Público da Bahia e à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais. A entidade acompanha o caso com apoio jurídico.
Por fim, a federação manifestou solidariedade às vítimas e reforçou a defesa da liberdade religiosa, direito garantido pela Constituição Federal.
Um babalorixá acusou o padre da Igreja dos Mares, na Cidade Baixa de Salvador, de racismo religioso. O caso aconteceu na sexta-feira (22) e é investigado pela Polícia Civil através da Coordenação Especializada de Repressão aos Crimes de Intolerância e Discriminação (Coercid). As informações são do G1.
Segundo o babalorixá Adriano Santos, ele foi até a igreja com dois iaôs, filhos de santo que estão em iniciação no Candomblé. O objetivo era receber a bênção do padre, costume que alguns terreiros têm devido ao sincretismo religioso.
Na ocasião, Adriano e os iaôs estavam vestidos com roupas da religião de matriz africana. O crime ocorreu um dia depois da data em que é celebrado o Dia Nacional do Candomblé. "O padre parou a missa e mandou a gente sair, disse que eu estava desrespeitando a religião dele", afirmou.
O babalorixá ainda contou que questionou o padre em relação ao desrespeito alegado por ele. Como resposta, o religioso teria dito que "não tinha como haver dois cultos".
"Respondi que não havia dois cultos, que os meninos estavam ali só para ver a missa. Como ali é uma casa de Deus, eu acho que ele não deveria colocar ninguém para fora", disse o babalorixá Adriano Santos.
A mãe de um dos iaôs também presenciou a cena. Segundo ela, a situação foi muito rápida: logo após sentarem em um dos bancos do tempo, o grupo foi convidado a se retirar do local.
"Me senti muito ofendida, me doeu muito. Candomblé é como qualquer outra religião, nós cultuamos a mesma humanidade, o mesmo amor ao próximo, a mesma devoção que qualquer outra pessoa tem com sua religião, nós temos com a nossa", afirmou.
Após saírem da igreja, o grupo denunciou o caso à Polícia Civil e ao Ministério Público da Bahia (MP-BA). A Arquidiocese de Salvador enviou uma nota de esclarecimento e disse que "está acompanhando atentamente, em vista da justa apuração do ocorrido".
(Matéria atualizada às 08h30)
A Polícia Civil identificou os autores dos atos de racismo religioso e intolerância religiosa que foram feitos contra o Centro Cultural Alto de Xangô, localizado no centro sul baiano na cidade de Brumado em março deste ano.
A Polícia Civil em nota afirma que os autores dos crimes arrancaram fios e postes pertencentes a COELBA para prejudicar as celebrações religiosas do local.
“No inquérito ficou comprovado que os autores adentraram no Centro Cultural e furtaram a fiação e ainda tentaram arrancar e vender os postes de fiação, com propósito de prejudicar o andamento dos trabalhos religiosos no local. Os acusados foram indiciados por furto qualificado e receptação, uma vez que a fiação e os postes que atendia o centro cultural é de propriedade da Coelba. As investigações concluíram que existe intolerância religiosa dos autores e que as terras onde se encontram o Centro Cultural Alto de Xangô são públicas e de preservação e interesse público de uso sustentável da União e que ao longo dos anos vem sendo molestada a posse do Centro Cultural com furtos de imagens, destruição de pontos sagrados e invasão das terras com a finalidade de grilagem. No inquérito policial foi representado por medidas cautelares para que os autores fiquem afastados a uma distância de 500 metros do Centro Cultural do Candomblé Alto de Xangô, sob pena de prisão”, diz o delegado Cláudio Marques Pereira.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Ricardo Alban
"A entrada de importações de até 50 dólares sem tributação é o mesmo que financiar a indústria de países como a China, principal exportador de produtos de baixo valor para o Brasil, especialmente no setor têxtil. O prejuízo é direto a quem fabrica e comercializa em território brasileiro".
Disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban ao comentar a aprovação da medida provisória 1357/2026, que revogou a chamada “taxa das blusinhas”. Segundo Alban, a medida representa um retrocesso econômico, cria uma condição de desigualdade para o setor produtivo brasileiro e pode colocar em risco mais de 100 mil empregos.