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O psiquiatra e pré-candidato à Presidência da República, Augusto Cury (Avante), detalhou as diretrizes de seu plano de governo. Com uma plataforma focada no que chama de "pacificação das pessoas", Cury defende em entrevista ao Bahia Notícias propostas voltadas para a saúde mental, o acolhimento de neurodivergentes e a reestruturação da educação básica.
Amparado por sua carreira na literatura, Cury se apresentou como um autor com inserção internacional para defender uma abordagem focada em "três pilares centrais": a pacificação, o foco na dor das pessoas e a busca por soluções práticas.
"Trabalho com a prevenção de suicídio na China, Europa, Japão. Quero ser a voz cansada da polarização pelas centenas de pessoas que não aguentam mais famílias divididas", argumenta o pré-candidato.
Diante de um cenário eleitoral marcado pelas taxas de rejeição entre o "antipetismo" e o "antibolsonarismo", o pré-candidato defendeu uma mudança no comportamento da classe política como primeiro passo para a pacificação do país.
"Se os vários partidos criticam os outros, isso é comum, um digladia o outro. Quer destruir o outro indica que o projeto de ego é mais importante que o projeto de nação. Temos que aprender a elogiar três vezes mais do que criticamos. É um modo elegante de educar e de construir. O mundo todo não faz isso, tenho sido uma voz solitária em os mais diversos continentes com voz da pacificação", diz Cury.
O principal pilar da agenda de saúde pública proposta por Augusto Cury é o cuidado com a saúde mental da população, com atenção especial ao contingente de pessoas neurodivergentes no país.
"Temos 32 milhões de neurodivergentes e ninguém fala sobre isso. Nós temos que abraçá-los. E que candidato fala do foco na dor? Precisamos garantir um tratamento multidisciplinar para essas pessoas", defendeu o médico.
Para a área de educação, o pré-candidato criticou as atuais condições de trabalho dos docentes brasileiros e defendeu que o desenvolvimento do país depende de uma reforma estrutural e curricular no ambiente escolar. "A dor dos professores é grande. A educação tem que ser em tempo integral, nenhum país se desenvolveu sem educação em tempo integral", diz.
Cury propõe a implementação de novos componentes curriculares com foco no desenvolvimento socioemocional e profissional dos jovens, como forma de prevenção a vícios modernos e substâncias entorpecentes.
"Com aulas de gestão financeira, empreendedorismo, os adultos têm medo de falar em público. Precisam de aulas de oratória, empreendedorismo, gestão financeira e filosofia. Para prevenir drogas como [o vício em] celular e o tempo dela, e as drogas químicas, cocaína, crack e outras. A educação em tempo integral é uma proteção para essas pessoas com um novo currículo escolar", explicou o pré-candidato.
O candidato do Avante também incluiu em suas propostas de segurança pública e o apoio aos agricultores brasileiros. No campo da segurança, ele defendeu a melhora geral das forças policiais, pontuando que desvios de conduta devem ser tratados como exceção.
"O erro de 2% dos policiais não pode comprometer a imagem dos policiais. No Brasil, invertemos os valores", alega Cury, ressaltando que policiais que cometem crimes devem ir para a cadeia, mas a instituição deve ser valorizada.
Ao concluir a apresentação de suas propostas, o pré-candidato reforçou que seu projeto político é movido por um propósito de doação ao país. "Não dependo do poder, ser presidente é um oásis. É uma doação para o Brasil, o amor é a fonte da pacificação", alega.
O escritor Augusto Cury, pré-candidato à Presidência da República pelo partido Avante, criticou o cenário político brasileiro nesta quinta-feira (11). Em entrevista concedida ao Bahia Notícias, Cury classificou o clima da disputa como um alerta sobre a intolerância, comparando o atual nível de polarização a uma "seita" e pior que as torcidas organizadas de futebol.
Confira em vídeo:
Para o pré-candidato, alega que o maior entrave para lideranças políticas reside justamente na falta de autocrítica de seus seguidores mais fervorosos. "E quem são os piores inimigos de um líder? São aqueles que aderem a eles de maneira radical, sem usar sua autocrítica para poder contribuir com eles. Quem são os piores inimigos de Marx? São os marxistas; de Trump, os trampistas; de Lula, os lulistas; e de Bolsonaro, os bolsonaristas", relata.
"Toda vez que você é um 'ista', você tem o sufixo 'ista', você supervaloriza, você não contribui mais, você só supervaloriza, você só aplaude e não fala dos defeitos. Isso impede que eles evoluam", acrescenta o pré-candidato.
Ao ser questionado sobre como a corrida presidencial poderia ser conduzida diante da forte divisão no país, Cury apontou o próprio desconhecimento de seu nome como o primeiro grande obstáculo.
"Bom, eu não sou conhecido por 85% a 90% do público, eles não sabem que eu sou pré-candidato à presidência. O desafio vai ser levar essa mensagem. Sementes são mais poderosas, embora aparentemente não causem impacto na hora, mas plante semente que você terá uma floresta e nunca vai faltar madeira para se aquecer", fala o escritor.
Apresentando-se como uma terceira via fundamentada no equilíbrio entre a economia e o social, o escritor criticou duramente o desgaste das relações familiares e sociais provocado pela política.
"Como eu tenho uma mente que se preocupa com o desenvolvimento econômico na plenitude e um coração que é social, que valoriza as dores das pessoas, eu tenho sido um choque de lucidez numa sociedade altamente polarizada, onde as pessoas não têm liberdade sequer em família de falar em quem vão votar", comenta.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Luiz Inácio Lula da Silva
"Eu fiquei triste, porque ele não foi derrotado por incompetência jurídica, porque ele é um dos melhores advogados desse país, ele foi derrotado por uma questão simplesmente política. E o que vai acontecer? Eu vou mandar o Messias outra vez. Por respeito à função presidencial, sou eu que indico".
Disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao confirmar que vai enviar ao Senado o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga do Supremo Tribunal Federal (STF). O AGU teve sua primeira indicação rejeitada no Senado no último dia 29 de abril.