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perda de cargo de juiz
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o juiz de Direito Cesar Augusto Borges de Andrade sob a acusação de racismo religioso. A decisão pode inaugurar um precedente histórico no país, tornando-se a primeira vez em que um magistrado corre o risco de perder o cargo em razão da prática de racismo.
A abertura do PAD foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico e decorre de uma representação administrativa e de uma notícia-crime apresentadas pelo Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (IDAFRO) e por Makota Solange Borges.
O caso que motivou a representação ocorreu em fevereiro deste ano, no Fórum de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Na ocasião, o magistrado determinou a retirada da fotografia de uma sacerdotisa do Candomblé que integrava uma exposição artística nas dependências do prédio, sob a justificativa de preservar a laicidade do Estado. Contudo, o juiz manteve exposta outra fotografia que retratava um santo católico.
A conduta motivou a acusação de aplicação seletiva e discriminatória do princípio constitucional da laicidade. Ao instaurar o procedimento administrativo, o TJ-BA reconheceu a existência de indícios suficientes para a apuração da conduta funcional do magistrado. O fundamento central adotado pelo tribunal aponta para a aparente utilização desigual e prejudicial do princípio da laicidade contra religiões de matriz africana.
DIVISOR DE ÁGUAS
Para o advogado Dr. Hédio Silva, presidente do IDAFRO e responsável pela defesa de Makota Solange Borges, a instauração do processo representa um marco na responsabilização de agentes públicos.
"Pela primeira vez na história um juiz poderá perder o cargo por prática de racismo. Enquanto o Judiciário não investir nas provas dos concursos públicos, nos processos seletivos de juízes e no aprimoramento da formação dos magistrados, vamos continuar recorrendo às sanções. Ninguém comemora ver um juiz perder o cargo por qualquer razão que seja. Mas, enquanto não houver um trabalho preventivo, sobretudo de qualificação e formação dos magistrados, continuaremos utilizando o PAD, as representações criminais e o direito penal para combater as práticas racistas", avalia Silva.
O advogado ressalta ainda que a relevância do processo extrapola a esfera individual, alcançando o papel institucional do próprio Poder Judiciário em face das garantias fundamentais.
"Este processo afirma que o princípio da laicidade não pode ser manipulado para invisibilizar religiões de matriz africana enquanto símbolos de outras tradições permanecem naturalizados nos espaços públicos. Quando a seletividade recai justamente sobre expressões religiosas afro-brasileiras, não estamos diante de um debate abstrato sobre neutralidade do Estado, mas de um caso concreto de racismo. A abertura do PAD demonstra que o Judiciário também precisa responder aos parâmetros constitucionais de igualdade", completa.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Jerônimo Rodrigues
"Eu vou continuar governando ao lado do presidente Lula. Vamos ter dois senadores, Rui Costa e Jaques Wagner, além de Otto que já está lá. Quero aproveitar e falar a notícia em primeira mão: Lula acabou de falar comigo, agora pouco, e confirmou a vinda nesta sexta-feira (28) para Salvador".
Disse o governador Jerônimo Rodrigues (PT) ao confirmar a presença do presidente Lula em um ato político em Salvador nesta sexta-feira (28). O anúncio foi feito durante entrevista a uma emissora da capital nesta terça-feira (25).