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Dentre todas as cinco regiões do Brasil, o Nordeste ocupa a segunda posição entre aqueles com maior número de consumidores de livros. O crescimento percentual da região em relação a 2024 é de 18%. É o que aponta o Panorama do Consumo de Livros 2025 realizada pela Câmara Brasileira do Livro e NielsenlQ BookData.
Conforme o Panorama, as mulheres pretas e pardas representam 30% do total de consumidores de livros. A pesquisa, realizada em outubro de 2025, entrevistou 16 mil pessoas com 18 anos e mais analisando o perfil do consumidor e do não consumidor de livro.
Sobre as mulheres, a pesquisa identificou que 50% deste grupo que compram livros são pretas e pardas. Também são as mulheres negras e pardas, pertencentes a classe C - ou seja, a classe média alta com renda entre R$ 2 526 e R$ 10 885 - são o maior grupo consumidor de livros no país.
Entre as categorias mais consumidas nos últimos 12 meses, os livros impressoes e/ou digitais representam 18%, apresentando um crescimento equivalente à 3 milhões de novos consumidores. O hábito de ler livros ocupa a 3º posição entres os hábitos de lazer de quem costuma consumir livro, perdendo apenas para streamings e redes sociais.
A pesquisa aponta ainda que a maioria dos consumidores de livros gostam de acompanhar literatura e lançamentos literários através das redes sociais, em especial o Instagram e Tiktok.
A preferência de quem compra livros é de consumir as edições físicas, com 56% da população consumidora, e comprou entre 3 e 5 livros nos últimos 12 meses. A maioria da última compra de livros impressos foi online entre esses consumidores, com 53% contra 47%, online.
O documentário “Vil, Má - Divinely Evil”, de Gustavo Vinagre foi o longa-metragem vencedor da Competitiva Nacional do XVI Panorama Internacional Coisa de Cinema, que anunciou os filmes premiados na noite desta quarta-feira (03), em cerimônia transmitida ao vivo.
O filme apresenta Wilma Azevedo, que, aos 74 anos, narra seu passado de dominatrix e escritora de contos eróticos. O júri justificou a escolha pelo “domínio de uma narrativa dupla em planos fixos hipnotizantes que revelam histórias de prazer e dor. Uma viagem entre fantasia, lembranças e criação literária. A força de uma personagem que também é criadora”.
Na Competitiva Baiana, o melhor longa foi “Dorivando Saravá, o Preto Que Virou Mar”, documentário de Henrique Dantas sobre Dorival Caymmi. “Por fugir do tradicional objeto documental, ainda que em mesmo formato, transformando a biografia em percepção e influência, e por reproduzir esteticamente o principal elemento de uma obra”, explicou o júri.
Uma novidade desta edição, a primeira online, o Júri Popular elegeu a produção baiana “Filho de Boi”, de Haroldo Borges e Ernesto Molinero, como melhor longa nacional, e “Portugal Pequeno”, de Victor Quintanilha, como melhor curta. Na Competitiva Baiana, o público escolheu o longa “Bembé do Mercado - 130 Anos”, de Danillo Barata e Thaís Brito, e o curta “Fica Bem”, de Klaus Hastenreiter.
O Júri Jovem, formado por participantes da oficina de Escrita Crítica oferecida pelo festival, premiou “Neojibá - Música que Transforma”, de Sérgio Machado e George Walker Torres, como melhor longa da Competitiva Baiana. O curta vencedor foi “Tudo que é Apertado Rasga”, de Fabio Rodrigues Filho.
Os escolhidos pelos júris Oficial e Jovem nas competitivas Baiana e Nacional receberão prêmios em serviços da Mistika, Naymar CiaRio, Griot, Bucareste Ateliê de Cinema, Nuno Penna, Marcelo Benedicts e Napoleão Cunha. Os filmes premiados serão disponibilizados novamente no site do Panorama no próximo sábado (6). O acesso será aberto à 0h e será mantido por 24 horas.
Uma realização da produtora Coisa de Cinema, o XVI Panorama Internacional Coisa de Cinema ocorreu de 24 de fevereiro a 3 de março, com a exibição gratuita de 77 filmes.
Confira todos os vencedores:
Júri Oficial
Competitiva Nacional
Melhor Longa: Vil, Má - Divinely Evil, de Gustavo Vinagre (prêmio em serviços da Mistika e de Naymar CiaRio)
Prêmio Especial do Júri: Voltei!, de Ary Rosa e Glenda Nicácio
Menção Honrosa: A Flecha e a Farda, de Miguel Antunes Ramos
Melhor curta: Inabitável, de Matheus Farias e Enock Carvalho (prêmio em serviços da Mistika e de Naymar CiaRio)
Prêmio Especial do Júri: Portugal Pequeno, de Victor Quintanilha
Menção Honrosa: Inspirações, de Ariany de Souza
Competitiva Baiana
Melhor Longa Baiano: Dorivando Saravá, o Preto Que Virou Mar, de Henrique Dantas (prêmio em serviços da Griot e de Nuno Penna)
Prêmio Especial do Júri: Rosa Tirana, de Rogério Sagui
Menção Honrosa: Memórias Afro-Atlânticas, de Gabriela Barreto
Melhor Curta: Tudo Que É Apertado Rasga, de Fabio Rodrigues Filho (prêmio em serviços da Griot, Marcelo Benedicts e Napoleão Cunha)
Prêmio Especial do Júri: À Beira Do Planeta Mainha Soprou A Gente, Bruna Barros e Bruna Castro
Menção Honrosa: Modo Noturno, de Calebe Lopes
Competitiva Internacional
Melhor Longa: Mamá, Mamá, Mamá, de Sol Berruezo Pichon-Rivière (Argentina)
Prêmio Especial do Júri: A Metamorfose dos Pássaros, de Catarina Vasconcelos (Portugal)
Melhor Curta: O Silêncio do Rio, de Francesca Canepa (Peru)
Prêmio Especial do Júri: Os Meninos Lobo, de Otávio Almeida (Cuba)
Júri Indie Lisboa
Competitiva Nacional
Melhor Longa: O Amor Dentro da Câmera, de Jamille Fortunato e Lara Beck Belov
Melhor Curta: Noite de Seresta, de Sávio Fernandes e Muniz Filho
Júri Jovem
Competitiva Nacional
Melhor Longa: Eu, Empresa, de Leon Sampaio e Marcus Curvelo
Melhor Curta: Opy’i Regua, de Júlia Gimenes e Sérgio Guidoux (prêmio: bolsa de estudos no Bucareste Ateliê de Cinema)
Menção Honrosa Curta: Noite de Seresta, de Sávio Fernandes e Muniz Filho
Competitiva Baiana
Melhor Longa: Neojibá - Música que Transforma, de Sérgio Machado e George Walker Torres
Melhor Curta: Tudo que é Apertado Rasga, de Fabio Rodrigues Filho (prêmio: bolsa de estudos no Bucareste Ateliê de Cinema)
Júri Popular
Competitiva Nacional
Melhor Longa: Filho de Boi, de Haroldo Borges e Ernesto Molinero
Melhor Curta: Portugal Pequeno, de Victor Quintanilha
Competitiva Baiana
Melhor Longa: Bembé do Mercado - 130 anos, de Danillo Barata e Thaís Brito
Melhor Curta: Fica bem, de Klaus Hastenreiter.
Competitiva Internacional
Melhor Longa: A metamorfose dos Pássaros, de Catarina Vasconcelos (Portugal)
Melhor Curta: Daughter, de Daria Kashcheeva (República Tcheca)
O Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema divulgou a realização, entre os dias 24 de fevereiro e 3 de março, da sua 16ª edição, que este ano acontecerá de maneira virtual em decorrência da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).
Em atividade desde 2002, o Panorama é um dos principais festivais de cinema do estado da Bahia. Nos anos anteriores, o evento reuniu diversos profissionais, pesquisadores e espectadores em torno das exibições em salas de cinema na capital baiana e na cidade de Cachoeira, no Recôncavo.
Nas telas do Panorama foram exibidos curtas e longas baianos, nacionais e internacionais nas diversas mostras que compõem o festival. Segundo a organização, a programação completa desta edição será divulgada em breve.
Uma pesquisa da Associação Brasileira da Música Independente (ABMI), realizado entre 2019 e parte de 2020, com levantamento de dados das principais plataformas de streaming e entrevistas com 60 empresas, entre editoras, produtoras de evento e de audiovisual, além de estúdios, traçou um panorama da música independente no país.
De acordo com a pesquisa “Mercado Brasileiro da Música Independente”, 50% do faturamento das empresas consultadas vêm das plataformas digitais. O levantamento revela ainda que 53,5% dos artistas que frequentaram o TOP 200 do Spotify são independentes e que a esta plataforma de streaming detém 61% dos assinantes, com relação a outras como Amazon Prime Music e Deezer, que ocupam 12% e 9% do mercado, respectivamente.
O levantamento mostrou ainda que as distribuidoras tiveram efeitos econômicos positivos durante a pandemia e que 89% dos entrevistados estão otimistas em relação ao futuro. A pesquisa completa será lançado nos próximos dias.
A fim de produzir mais um documentário sobre Dorival Caymmi, que já foi homenageado em filmes, livros e outros materiais, a cineasta Daniela Broitman decidiu explorar o lado mais pessoal do cantor e compositor baiano. Em "Dorival Caymmi - Um homem de afetos", a diretora se dedicou a entregar um "retrato mais íntimo" sobre a vida do homem por trás de sucessos como “Saudade da Bahia”, “Marina” e “O que é que a baiana tem?”.
"Caymmi foi muito retratado pela mídia, então tem muita coisa sobre ele. Mas não que não tenha sido retratado o lado artístico, inclusive não só as músicas, partituras e pinturas dele estão presentes no filme, mas é um retrato muito íntimo, mais humano e mais sensível. A gente entra mais na alma dele como poeta, como artista e acho que é isso que eu estava buscando", defende Daniela em entrevista ao Bahia Notícias.
Esse interesse em abordar o lado mais sensível do artista também se assemelha à relação da diretora com a obra do baiano. Daniela conta que conheceu as músicas de Caymmi por meio de sua avó, que as cantava. Além disso, ela destaca a semelhança física entre o músico e seu avô.
Anos depois, já adulta, veio a ideia de fazer um novo registro documental sobre o baiano. No início da produção, ela se deparou com uma entrevista antiga, inédita e com cerca de três horas e meia de duração.
"Foi um material que acabou se perdendo. Ia ser um filme, mas acabou nunca sendo e ficou esquecido. A própria família achou que tinha pego fogo”, pontua. Felizmente não pegou e aí vendo e revendo esse material, ao som de Caymmi, Daniela se inspirou para montar o roteiro.
A reunião dessa entrevista inédita com outros materiais de arquivos também nunca publicados deu certo. O filme chega a Salvador já premiado: em julho, Daniela venceu os prêmios do júri e do público no In-Edit 2019, o Festival Internacional do Documentário Musical, em São Paulo. E o longa-metragem tem tido repercussão fora do Brasil. Na semana passada, por exemplo, a diretora realizou sessões e debates em Lisboa, em Portugal (veja aqui).
Natural, então, que o filme estreasse na capital baiana, onde a história de Caymmi começou. Ele será exibido em meio à programação do XV Panorama Internacional Coisa de Cinema. Com a presença de Daniela para uma roda de debate, a sessão será realizada no próximo domingo (3), às 17h40, no Espaço Glauber Rocha.
O PANORAMA
Com atividades em Salvador e Cachoeira, o Panorama começa nesta quarta-feira (30) e segue até o dia 6 de novembro, com a exibição de cerca de 130 filmes. São longas e curtas-metragens baianos, brasileiros e internacionais, distribuídos em mostras especiais e competitivas. Segundo o idealizador e curador do evento, o cineasta Claudio Marques, não há nada de inovador nesta nova edição, mas sim o mesmo festival já consolidado no calendário cultural do estado e “ansiosamente aguardado” pelo público.
"A gente passa praticamente nove meses assistindo filmes. São cerca de 200 filmes que a gente recebe, processo longo, difícil, e a gente tenta montar uma programação com filmes que tocam a gente, de forma que tenha coerência em termos de diversidades. Filmes que podem trazer ideias diferentes de ritmo, estética, de ideia do que quer dizer”, explica o curador.
Como resultado, a programação deste ano possui títulos como "Redenção", de Roberto Pires, "Meteorango Kid - O Herói Intergalático", de André Luiz Oliveira, e "SuperOutro", de Edgard Navarro. Grande homenageado da edição, o baiano Glauber Rocha será celebrado com a exibição de três filmes: "O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro", "Terra em Transe" e "A Idade da Terra". Se estivesse vivo, o cineasta faria 80 anos.
A programação completa está disponível no site do Panorama (veja aqui). Quem quiser conferir as sessões em Salvador, pode pagar R$ 14 (inteira) ou R$ 7 (meia-entrada) no ingresso avulso ou adquirir o passaporte, que dá direito a 10 ingressos, por R$ 50. As entradas são comercializadas na bilheteria do Espaço Glauber Rocha. Já em Cachoeira, todas as sessões serão gratuitas e exibidas no Cine Theatro Cachoeirano.
Com homenagem ao cineasta Glauber Rocha, o XV Panorama Internacional Coisa de Cinema começa nesta quarta-feira (30). O evento será realizado até o dia 6 de novembro, em Salvador e Cachoeira., com a exibição de cerca de 130 filmes, entre longas e curtas-metragens, produzidos no Brasil e no exterior.
Na capital baiana, as obras selecionadas para o Panorama serão exibidas nas competitivas Baiana, Nacional e Internacional. As exibições serão divididas em mostras paralelas e sessões especiais, no Espaço Itaú de Cinema - Glauber Rocha. Os cineastas e integrantes da equipes dos filmes também vão debater seus trabalhos em competição com o público após as exibições.
Em Cachoeira, as sessões serão realizadas no Cine Theatro Cachoeirano, com curadoria independente da cineasta Camila Gregório. Pelo segundo ano consecutivo, a cidade receberá uma competitiva exclusiva.
Neste ano, a abertura do Panorama será com show da cantora Okwei Odili, nigeriana radicada em Salvador, na capital. Ela fará um show por volta das 22h30 de quarta (30), no Espaço Glauber Rocha. As entradas para assistir a apresentação custam apenas R$ 2.
Além das mostras competitivas, a homenagem a Glauber será marcada pela exibição de três filmes restaurados: O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969), Terra em Transe (1967) e A Idade da Terra (1980).
No geral, cada sessão na capital baiana custa R$ 14 (inteira) ou R$ 7 (meia-entrada). Os interessados em curtir vários filmes podem ainda adquirir o passaporte, que dá direito a 10 ingressos, por R$ 50. Já em Cachoeira, as sessões são gratuitas. A programação completa pode ser vista no site oficial do Panorama. coisadecinema.com.br/xv-panorama/
SERVIÇO
O QUÊ: XV Panorama Internacional Coisa de Cinema
QUANDO: de 30 de outubro a 6 de novembro
ONDE: Espaço Itaú de Cinema - Glauber Rocha, em Salvador | Sala Walter da Silveira, no Cine Theatro Cachoeirano, em Cachoeira
QUANTO: R$ 14,00 (inteira) / R$ 7,00 (meia) avulso / R$ 50,00 passaporte com 10 ingressos em Salvador | Gratuito em Cachoeira
Antes de estrear em Salvador, novo documentário sobre Dorival Caymmi será exibido com festa em Lisboa, em Portugal. A diretora de "Dorival Caymmi - Um Homem de Afetos", Daniela Broitman, já na está capital portuguesa, onde apresenta seu filme em meio à programação do Doclisboa.
A primeira exibição será nesta quinta-feira (24), às 21h30 do horário local, no grande auditório do Culturgest. Na sequência, ela vai participar de uma mesa de debate sobre o filme e, depois, o DJ Farofa, que é brasileiro, comanda a festa “Pelo Legado de Dorival Caymmi” com músicas do compositor baiano e ritmos influenciados por ele.
No dia seguinte, sexta (25), uma nova exibição será feita, desta vez às 16h.
Até que, na próxima semana, o filme chega a Salvador. O longa-metragem será exibido em meio à programação do XV Panorama Internacional Coisa de Cinema, no dia 3 de novembro, às 17h40, no Espaço Glauber Rocha.
Todos os anos o setor audiovisual brasileiro levanta parte considerável do Produto Interno Bruto (PIB) do país, mas a Bahia está ficando de fora dessa conta. Segundo dados disponibilizados pelo Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual, nos últimos 22 anos, dos 1.391 longas brasileiros que estrearam no circuito comercial, apenas 21 filmes eram baianos. Uma participação inferior a 2% e 20 vezes menor que a de São Paulo, um dos maiores polos nacionais, no mesmo período de tempo. Isso significa menor fatia no montante que, em 2014, resultou em cerca de R$ 25 bilhões para o PIB, contra R$ 22 bilhões levantados pela indústria automobilística, por exemplo. No cenário geral, só em 2014, dos 114 filmes brasileiros registrados pela Ancine que estrearam no circuito comercial, apenas 2 produções eram baianas. Em 2016, o cinema nacional viveu um bom momento nos grandes circuitos. 140 longas brasileiros estrearam no ano, um aumento de 22% em número de filmes. Mas apenas 1 produção estreante era baiana: O documentário “A Loucura entre nós” da diretora Fernanda Vareille. São consideradas baianas produções dirigidas e produzidas por nomes locais.
Quanto menor a participação da Bahia no grandes circuitos, menor é a participação nos lucros do cinema que, para Cláudio Marques, diretor de “Depois da Chuva” (2015), são os mais bem distribuídos da economia. “Você termina de ver um filme e sobe aquele tanto de nome nos créditos”, diz. “Se um filme fatura R$ 1 milhão, significa que pelo menos 100 pessoas vão dividir esse dinheiro”, completa Marques. Para além dos ganhos com bilheteria, o orçamento atraído por editais para produções cinematográficas da Ancine também ajuda a estimular a economia de um estado. “Atraímos R$ 14 milhões em um edital da Ancine. Isso significa trazer esse dinheiro para a Bahia. É irrigar todo um segmento, como uma floricultura onde uma assistente de produção compra as flores para uma cena”, argumenta Cláudio Marques. “Quando se fala de R$ 14 milhões estamos falando que, pelo menos, 3 mil pessoas vão ganhar esse dinheiro diretamente”, defende o diretor, que também é curador do festival Panorama Coisa de Cinema.
A Bahia até aparece no cinema, mas não com filmes daqui. Nesse sentido, o estado é retratado na tela mais do que produz o que está nela. A exemplo de “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (2017), que está atualmente em cartaz e foi rodado no Pelourinho pelo carioca Pedro Vasconcelos. “Vocês têm tudo o que precisam para produzir cinema aqui. Além de pessoas talentosas, a Bahia conta com cenários naturais exuberantes”, defendeu o diretor, que optou em ir para Belo Horizonte para gravar as cenas internas do filme. Um dos motivos que dificultam as gravações locais é o alto custo de maquinário. “Trazer máquinas de última geração de São Paulo custa em torno de R$ 30 mil e não é toda produção que terá essa quantia”, destacou Cláudio Marques. A solução para que a Bahia deixe de ser apenas cenário e passe a ser polo produtor consumidor daquela fatia do PIB está nos investimentos, segundo o cineasta Ramon Coutinho. “A gente precisa investir nos aparelhos, em escolas, em novas salas de cinema baratas. Não adianta atrair produção externa para cá, elas fazem poucas cenas aqui e só servem para reafirmar estereótipos”, declarou.
Estimular um local como cenário cinematográfico como forma de fomentar o cinema foi a estratégia adotada pelo atual Ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão, que entregou verba para produções hollywoodianas como “Crepúsculo” e “Velozes e Furiosos” gravarem no Rio de Janeiro. Para Cláudio Marques, essa estratégia não funciona. “Os R$ 10 milhões que deram para Crepúsculo gravar uma noite no Rio de Janeiro e reforçar estereótipos poderia fazer mil diretores cariocas viverem de cinema por pelo menos 6 meses”, aponta Marques. “ Com R$ 1 milhão na produção do Filipe Bragança, o filme foi para um festival de cinema em Berlim. Não é importante ter um filme que se fale português, que as pessoas possam saber realmente o que é o Brasil rodando internacionalmente?”
Na luta por espaço, o cinema baiano do estado pode não estar nas grandes salas de cinema com frequência, mas está trilhando seu caminho. Recentemente o baiano “Café com Canela”, de Glenda Nicácio e Ary Rosa, foi contemplado com o Prêmio Especial pelo júri formado por Anne Fryszman, Jorge Forero e Antônio Olavo no XIII Panorama Coisa de Cinema, realizado na última semana. O longa foi gravado nas cidades de Cachoeira e São Félix e mostra a transformação de duas mulheres através da amizade. A produção também foi considerada o Melhor Longa Nacional para a Associação de Produtores e Cineastas da Bahia (APC Bahia).
Grande vencedor do Festival do Rio e premiado no último Festival de Locarno (Suíça), o longa-metragem As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra, abre a programação do XIII Panorama Internacional Coisa de Cinema, nesta quarta-feira (8) às 20h. Com acesso gratuito, o filme será exibido em três salas do Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha, com realização de bate-papo com os diretores ao final da sessão na Sala 1. Os ingressos podem ser retirados na bilheteria a partir das 17h.
Estrelado por Marjorie Estiano e Isabél Zuaa, o filme é uma fábula de horror que revela a força do cinema de gênero no Brasil. Marjorie interpreta Clara, uma gestante que contrata a enfermeira Clara (Isabél) como babá do bebê que está esperando. No entanto, uma noite de lua cheia provoca uma inesperada mudança de planos e Clara assume a maternidade de uma criança diferente das outras.
A noite tem ainda duas apresentações musicais, uma antes do filme de abertura e outra depois. Na primeira, marcada para 19h na Sala 1, a Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) se junta à compositora peruana Pauchi Sasaki, que assume o violino-solo no concerto. Com uma formação em sexteto, a OSBA interpretará o repertório de Pauchi, que faz música incidental para cinema e está em Salvador participando de Programa de Residência Artística do Goethe-Institut.
Completando a programação de abertura, a cantora Josyara faz um show no foyer do cinema. Com o suingue da sua voz, violão percussivo e Marcus Santos na percuteria, Josyara apresenta um repertório que transita entre ritmos brasileiros de diversas regiões e sonoridades universais. O acesso é gratuito e os ingressos serão distribuídos a partir das 22h30.
O XIII Panorama Internacional Coisa de Cinema segue até 15 de novembro, em Salvador e Cachoeira, com a exibição de outros 135 filmes nacionais e de diversos países. O festival conta com patrocínio da Petrobras; apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura; e apoio institucional da Prefeitura de Cachoeira.
SERVIÇO:
O QUÊ: XIII Panorama Internacional Coisa de Cinema exibe "As Boas Maneiras"
QUANDO: Quarta-feira, 8 de novembro, às 19h
ONDE: Espaço Itau Cinema Glauber Rocha - Centro - Salvador
VALOR: Gratuito
Quase 140 filmes produzidos no Brasil e em vários outros países serão exibidos ao longo do XIII Panorama Internacional Coisa de Cinema, que acontece entre os dias 8 e 15 de novembro, em Salvador e Cachoeira. Entre os longas, curtas e animações, ir para o evento é como ir para o Carnaval. Pelo menos é o que defende o coordenador e curador do evento Cláudio Marques: “Você sai de casa sem saber o que vai encontrar, mas termina o dia exausto sabendo que passou por situações inesquecíveis e querendo voltar no dia seguinte”.
O festival exibe, em média, 20 filmes por dia que, não raramente, são inéditos no circuito e possuem uma proposta instigante. “Com os filmes, queremos desafiar o público. Dar tapas na cara das pessoas com luvas de algodão”, comenta Marques que completa: “As pessoas se assustam, mas não caem da cadeira. Uma das coisas mais legais do Panorama é não estar preparado ou saber o que você vai ver, mas acabar amando”.

Documentário sobre trabalho de Letieres Leite tem estreia mundial no Panorama / Foto: Divulgação
Duas novidades marcam a 13° edição do “Coisa de Cinema”: o uruguaio Divercine, que apresenta animações infantojuvenis sem diálogos, e mudanças na mostra competitiva de longas, que agora atendem novos diretores com até dois longas filmados. O objetivo da primeira iniciativa é formar novos públicos para o cinema. Já com a mostra competitiva, a ideia é catapultar produções de novos profissionais para todo o Brasil e exterior. “Nós sabemos que a crítica estará atenta ao que vamos premiar aqui”, explica Marques. Competem 8 longas e 16 curtas de cineastas. Nas competições haverá debate com os realizadores após a maioria das sessões.
No último ano, o Panorama levou cerca de 18 mil pessoas ao Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha, localizado no centro da cidade, em uma semana. Esse número é o equivalente ao público de um mês do espaço, que normalmente exibe alguns dos Blockbusters que atraem tanta gente, entre a sua programação. Cláudio Marques destaca que esse sucesso está na vivacidade do festival. “Criamos uma atmosfera vibrante que ocupa todo o Espaço Itaú”. Além das salas de cinema com filmes inéditos e do terraço que recebe eventos sociais, o Panorama também conversa com o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM) que recebe a exposição de fotofilmes "a IMPLOSÃO - Trans(relacionando)” de Hubert Fichte, a partir do dia 7 de novembro.
Novo filme de Cauã Reymond é exibido no Panorama Coisa de Cinema (leia aqui)
Os ingressos para cada filme do Panorama custam R$ 10 a inteira e R$ 5 a meia, mas existe a opção da compra de um passaporte por R$ 40 que dá direito ao espectador assistir até 10 filmes sozinho ou 5 produções na companhia de alguém. O comprador poderá adquirir quantos passaportes quiser. Cada comprador poderá trocar, no máximo, dois ingressos para a mesma sessão com o mesmo passaporte. Nesta modalidade, cada ingresso custa R$ 4. A troca por ingressos de qualquer sessão poderá ser efetuada na bilheteria do Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha até quarta-feira (8) e depois somente no dia em que o filme for exibido.
Realizadores e amantes do cinema contam ainda com as oficinas gratuitas de Crítica Cinematográfica e Direção de Arte. A primeira ministrada pelo pesquisador e crítico de cinema André Dib, que é membro da diretoria da Associação Brasileira dos Críticos de Cinema (Abraccine). A segunda está sob o comando da cenógrafa e diretora de arte Carol Tanajura, que assina a Direção de Arte dos longas "A Finada Mãe da Madame" (Bernard Attal), "A Cidade do Futuro" e "Guerra de Algodão" (Cláudio Marques e Marília Hughes), entre outros. Neste ano, o festival presta homenagens aos cineastas Guido Araújo, Geraldo Moraes e Luiz Paulino dos Santos (leia aqui), além de realizar uma sessão especial que abordará a produção feminina (leia aqui).
SERVIÇO:
O QUÊ: XIII Panorama Internacional Coisa de Cinema
QUANDO: 08 a 15 de novembro
ONDE: Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha - Salvador / Cine Theatro Cachoeirano - Cachoeirra
VALOR: Salvador: R$ 10,00 (inteira)/ R$ 5,00 (meia) avulso – R$ 40,00 passaporte para 10 sessões
Cachoeira: Gratuito
Falecido em setembro deste ano, o cineasta Guido Araújo será o homenageado no XIII Panorama Internacional Coisa de Cinema com a exibição de dois episódios da série “O Senhor das Jornadas”, dirigida por Jorge Alfredo. Criador da Jornada Internacional de Cinema da Bahia, Guido Araújo dirigiu diversos documentários focados no interior da Bahia, como “Maragogipinho”, “Feira da Banana”, “A Morte das Velas do Recôncavo”, “Lambada em Porto Seguro” e “Raso da Catarina”.
O Panorama exibe o primeiro e o último dos cinco episódios de “O Senhor das Jornadas”. A série começa resgatando a vida de Guido em Castro Alves, cidade natal do cineasta, sua chegada a Salvador e a passagem pelo Rio de Janeiro; e termina focando na produção de curtas e nas memórias das Jornadas de Cinema. As sessões acontecem nos dias 13, às 17h40, e no dia 14, às 19h, no Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha, sede do festival.
Outros dois cineastas brasileiros falecidos este ano também serão homenageados no XIII Panorama: o baiano Luiz Paulino dos Santos e o gaúcho Geraldo Moraes. Paulino também era ator e interpretou o peregrino em “O Homem que não dormia”, do amigo Edgard Navarro. O festival vai exibir seu último trabalho como diretor, o documentário “Índios Zoró - Antes, Agora e Depois?” (2016), no dia 9 de novembro, às 16h, na sede do Panorama, e dia 10, às 15h, na Sala Walter da Silveira.
A obra de Geraldo estará representada por A Difícil Viagem (1981), o primeiro longa da sua carreira, que será exibido dia 10/11, às 15h25, no Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha. O cineasta foi Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, na década de 1990, e coordenou a regulamentação da Lei do Audiovisual, publicada em 1993.
O XIII Panorama Internacional Coisa de Cinema acontece de 8 a 15 de novembro, em Salvador e Cachoeira, com patrocínio da Petrobras; apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura; e apoio institucional da Prefeitura de Cachoeira.
SERVIÇO:
O QUÊ: XIII Panorama Internacional Coisa de Cinema
QUANDO: 08 a 15 de novembro
ONDE: Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha e Cine Theatro Cachoeirano
VALOR: R$ 10,00 (inteira) R$ 5,00 (meia) avulso; R$ 40,00 passaporte com 10 ingressos
Filmes premiados em festivais internacionais serão exibidos pela primeira vez em Salvador na Competitiva Internacional do Panorama Coisa de Cinema. A mostra, que acontece de 8 a 15 de novembro, no Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha, reúne sete longas-metragem e 13 curtas produzidos nas Américas, Ásia, Europa e África entre 2016 e 2017. A seleção de longas conta "Rei", uma coprodução entre Chile, França, Holanda e Alemanha; o vencedor do Europa Cinemas Label do Festival de Cannes, "A Ciambra"; "O Inverno", "Luz Obscura", "A mão invisível", "Um lugar tranquilo" e "Medea".
Já a lista de curtas inclui "Sauidações de Aleppo", que foi premiado no Festival de Roterdã; "Centauro", contemplado no Festival de Berlim"; "Uma Noite Suave", também premiado em Cannes; "Penúmbria; "Altas cidades de Ossadas"; "Farpões Baldios"; "Vovô Morsa"; "As ilhas"; "Morte do Técnico de Som"; "Terça-feira de Nder"; "Cucli" "After School Knife Fight" e "Uma breve história da princesa".
Ney é protagonista do filme, que será exibido no dia 1º de novembro, no Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha. Depois da exibição o cantor e a diretora se encontram com o público para um bate-papo sobre o filme.
Em Ralé, Ney é Barão, um fazendeiro ex-viciado em heroína que funda uma seita que faz rituais com ayahuasca, um chá usado no Santo Daime. Na trama, Barão está organizando seu casamento com um dançarino, enquanto um grupo de jovens realiza um filme no local.
A parceria com Helena teve início no longa "Luz nas Trevas - A Volta do Bandido da Luz Vermelha", em que ele interpreta o bandido Luz Vermelha, que reflete sobre os crimes cometidos, enquanto percebe que eles podem lhe render privilégios no presídio de segurança máxima. O XI Panorama Internacional Coisa de Cinema acontece entre os dias 28 de outubro e 4 de novembro.
Rafael é membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) e, na oficina, aliará teoria e prática nas atividades desenvolvidas entre os dias 26 e 29 de outubro, das 9h às 13h, no Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha.
A partir da oficina serão formados o Júri Jovem e o grupo de crítica. O júri terá acesso às mostras competitivas e concederá o Prêmio João Carlos Sampaio ao melhor curta e longa-metragem nacionais. Já o grupo de crítica ficará responsável pela produção de textos para o blog Pílulas Críticas, durante o evento.
Serão selecionados vinte candidatos, que promoverá a discussões sobre métodos e abordagens mais utilizados para avaliar filmes, possibilitando também o exercício do fazer crítico. O Panorama acontece entre 28 de outubro a 04 de novembro, em Salvador e Cachoeira. tOs filmes indicados pelo Panorama para os candidatos estão listados abaixo:
- Quinze
- Parque Soviético
- Em Trânsito
- Contos da Maré

Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha é a casa do Panorama há 10 edições | Foto: Divulgação
A obra apresenta a história de um realizador que se propõe a construir ficções a partir da realidade miserável na qual está inserido, mas sem achar sentido no que faz, cede lugar a Xerazade. O grande desafio a ser vencido por ela é não aborrecer o rei com as tristes histórias do país em crise, que na verdade é Portugal.
Além disso, será exibido também o longa “Out of my hand”, de Takeshi Fukunaga, que foi destaque no último Festival de Berlim. As sessões acontecem em 30/10, às 15h, e 02/11, às 16h45. Na trama, um homem que trabalha em plantações de borracha na Libéria arrisca tudo para virar motorista de táxi em Nova York, deixando para trás sua esposa e dois filhos.
Outro filme que está na mostra internacional é “El Cuarto de los Huesos”, de Marcela Zamora. Com exibição em 29/10, às 13h30, o documentário acompanha mães salvadorenhas em busca dos restos mortais de filhos desaparecidos por causa da violência. A seleção se completa com o franco-suíço “Kommunisten” (Comunismo), de Jean-Marie Straub; e o português “John From”, de João Nicolau.
Os ingressos para as sessões no Espaço Itaú de Cinema custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia), mas o público também tem a possibilidade de comprar um passaporte que dá direito a dez sessões por apenas R$ 30.
Baseado no livro homônimo do jornalista Xico Sá, o longa, que será exibido no Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha, mostra a passagem para a fase adulta de um garoto nordestino dividido entre três referências paternas: um pai biológico agressivo e machista, um tio anarquista, estrela de um rádio local (ambos vividos por Matheus) e um homem do povoado (Jards Macalé), que compartilha suas histórias amorosas com o garoto.
A mostra Panorama Brasil receberá também outros 19 longas-metragens e 13 curtas, inéditos em Salvador. Um dos exemplos é o filme de abertura do festival: Tudo que aprendemos juntos, dirigido por Sérgio Machado e protagonizado por Lázaro Ramos. Ator e diretor estarão na sessão, que acontece dia 28 de outubro e será seguida de debate com o público.
Os preços dos ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). O público conta ainda com um passaporte que dá direito a dez sessões e custa apenas R$ 30. Em Cachoeira, os filmes serão exibidos no Cine Theatro Cachoeirano, com acesso gratuito.
Camila diz que se encantou pelo texto e pela oportunidade de viver um personagem tão diferente de si mesma, de poder mostrar na tela uma garota que ama a noite e vive intensamente cada momento, sem preocupações com o futuro.
Por conta da etapa de preparação e das filmagens, Camila passou alguns meses em Salvador em 2014 e agora volta para acompanhar a reação do público, que poderá fazer perguntas a ela e o restante da equipe após a exibição do filme.
A sessão segue com “Sensações Contrárias”, de Amadeu Alban, que é ambientado no Recôncavo, região de passado coronelista, onde desenvolve-se a noção de borrão, em que os eventos coreográficos e imagéticos se dão por falhas e descontinuidades, num limite entre realismo cotidiano e surrealismo. A existência rompida pelas gotas de um coração seco é trazida por “Agosto”, de Wallace Nogueira; e “Anil”, de Fernando Beléns, onde regidos pelos signos da cultura baiana, varais contam histórias de exploração. A mostra traz ainda “Brabeza”, de José Umberto Dias e Robinson Roberto Sales Barreto, que a partir do encontro de uma retirante com um homem que carrega um fuzil exibe ecos cinemanovistas, estilizados em experimentos fotográficos e de montagem. A sequência termina com ‘Silent Star”, de Alexandre Guena, que tem como mote “sozinha novamente, ou...”.
A proposta foi criada pelos diretores Hilton Lacerda e Marcelo Caetano, que convidaram o Festival Curta Oito para produzir em parceria com o Festival de Curta de São Paulo. De acordo com Marcelo Caetano “o desbunde está em não voltar no tempo nem morrer de saudades. Está na possibilidade de fazer outra vez, de outra maneira, com outros olhos. Convidar as velhas orgias do passado para a volúpia de mais noites regadas a situações melosas, posições incômodas e intensas, alongamentos de partes íntimas e gostosas”. A sessão traz “Amor e outras construções ou uma boca/que abarcasse/tanto cu”, de Gustavo Vinagre, no qual um grupo de rapazes busca o amor em uma cidade em construção; “Deleite Deleite” de Karen Black e Ana Izabel Aguiar, cujo mote é “deletar é preciso”; e “Falos e Badalos”, onde Anita Rocha da Silveira expõe a cômica fixação de uma garota pelos monumentos fálicos da cidade do Rio de Janeiro.
O desbunde segue com “Lagoa Remix” de Leonardo Mouramateus e “Mata adentro”, de Claudia Priscilla, Hilton Lacerda e Rodrigo Bueno, o primeiro mistura imagens de banhistas que fazem graça para a câmera com um remix que vai do funk ao eletrônico; no segundo os personagens transitam na subjetividade do desejo. Também marca presença a produção baiana de Daniel Lisboa, “O sangue de Jesus tem dendê”, em que o diretor brinca com a iconoclastia de símbolos religiosos. A programação inclui ainda “Sem Título”, de Nino Cais e “Y”, de Dácio Pinheiro e Stefan Fähler, este último produzido de forma colaborativa por artistas de várias nacionalidades e constitui um manifesto contra a energia nuclear e a repressão sexual das grandes potências.
Umas das obras que será exibida é a do francês Alain Guiraudie, “Um estranho no lago”. A trama se desenvolve no verão, à beira de um lago isolado, onde homens realizam encontros sexuais com desconhecidos. A mostra conta também com a estreia do Panorama Alemão no Brasil, que traz a safra recente do cinema produzido no país para quatro capitais brasileiras, a começar por Salvador. O projeto é resultado de uma parceria do festival baiano com o Instituto Goethe e traz à cidade o cineasta Georg Maas, que apresentará seu filme “Duas Vidas”, produção escolhida para representar a Alemanha no Oscar. Revelando o clima na Europa logo após a queda do muro de Berlim, a trama apresenta Katrine, uma “criança da guerra”, filha de um soldado alemão e uma mulher norueguesa, que é instada a depor em um processo contra o estado norueguês em favor das crianças. O diretor conversará com o público após a exibição.
A programação se completa com a exibição de uma cópia restaurada de “Alma Corsária”, de Carlos Reichenbach, que é um dos principais representantes do “cinema de autor” brasileiro e será homenageado nesta edição do Panorama Coisa de Cinema. O filme ganhou cinco prêmios no Festival de Brasília (filme, diretor, montagem, roteiro e crítica) e foi eleito o melhor do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte em 1995. O longa traz dois poetas amigos de infância que realizam o lançamento de um livro com a presença de extensa fauna humana, como prostitutas, cafetões e um suicida em potencial. Após a sessão, o público poderá bater um papo com Bertrand Duarte, ator baiano que tem papel importante no filme, e a produtora Sara Silveira, que trabalhou por décadas com Reichenbach. A noite termina com uma festa ao som dos coletivos Nozmoskada e de Tambores, com preço simbólico de R$ 1.
A sequência erótica será apresentada no Centro de Artes, Humanidades e Letras da UFRB, localizado em Cachoeira, neste sábado (2), às 16h, e no Espaço Itaú de Cinema – Glauber Rocha, na próxima quinta-feira (7), às 17h40, e tem como destaque o brasileiro “Deu no jornal”, de Yanko Del Pino. Premiado no Festival Internacional de Curtas de São Paulo, no Cine PE, Cine Ceará e no Festival Imagem em 5 minutos, além de ter recebido troféus no Maranhão, Cuiabá, Vitória e Goiânia, o filme narra a saga de um solitário e suas fantasias, onde traços de esferográfica no jornal velho desvendam as suas relações mais íntimas. A mostra conta ainda com os filmes “Tram” (Michaela Pavlatova), “Teat beat of sex – Trouble” e “Teat beat of sex – Hair” (Signe Baurmane), “Rosette” (Romain Borrel, Gaël Falzowski, Benjamin Rabaste e Vincent Tonelli) “La Vie Sexuelle des Dinosaures” (Delphine Hermans), “Im Rahmen” (Evgenia Gostrer), “How to Make Love to a Woman” (Bill Plympton), “Crow’s Nest” (Robert Milne), “Laska” (Michel Socha) e “Hammam” (Florence Miailhe).
O Panorama Itália traz também o mais recente filme de Bernardo Bertolucci, “Eu e Você” – o primeiro dirigido por ele desde "Os Sonhadores", lançado em 2003. O longa é um drama adolescente, especialidade do diretor. Lorenzo, de 14 anos, elabora um plano para passar as férias de verão sozinho no porão do seu prédio e Olivia, sua meia-irmã viciada em heroína, o encontra, ao buscar um lugar para se isolar de seus problemas. A sessão é no dia 2 de novembro, às 19h10, e contará com a presença de Sílvia Morais, brasileira radicada na Itália que fez o desenho de som do filme.
Para completar a programação, “Hotel Transeuropa”, de Luige Cinque, se passa em um hotel na Sicília, onde um grupo de artistas de jazz se prepara para uma nova turnê, quando duas brasileiras surgem com a notícia de que um percussionista famoso desapareceu, provavelmente a mando de traficantes de drogas. O filme recebeu o prêmio de melhor longa-metragem italiano no Festival Independente de Roma. O diretor acompanhará a exibição, no dia 6 de novembro, às 20h50.
O IX Panorama Internacional Coisa de Cinema acontece entre 31 de outubro e 7 de novembro, em Salvador e Cachoeira. O festival é uma realização da produtora Coisa de Cinema em parceria com o Cineclube Mário Gusmão, projeto de pesquisa e extensão do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).
Premiado em Locarno, no IndieLisboa e em festivais realizados na Espanha, Canadá e Áustria, o filme “Leviathan”, de Lucient Castaing-Taylor e Vérena Paravel é uma coprodução França/EUA/Reino Unido. O documentário leva o espectador a um mergulho no mundo da pesca comercial, oferecendo uma experiência cinematográfica puramente visceral. Filmado a bordo de um enorme pesqueiro navegando na costa da Nova Inglaterra (mesmo “cenário” de Moby Dick), o filme captura detalhes assombrosos, e ainda assim belos, do cotidiano dos pescadores. A produção será exibida em duas sessões: 3 de novembro, às 16h55 e 6 de novembro, às 14h40.
O Panorama Internacional traz também “Quando eu era sombrio”, de Matthew Porterfield, premiado nos festivais de Cinema Independente de Buenos Aires (Bafici) e de Atlanta, além de exibido nos festivais de Sundance e Berlim. O filme apresenta uma fugitiva da Irlanda do Norte que procura refúgio na casa de tios em processo de separação. É uma história de revelações familiares, pessoas se encontrando e se deixando, procurando amor onde antes encontraram e, quando isso não acontece, descobrindo onde podem encontrá-lo. As sessões acontecem no dia 1º de novembro, às 13h10, e 3 de novembro, às 15h10.
Fechando a seleção, o polêmico filme dinamarquês “O ato de matar”, de Joshua Oppenheimer, vencedor do prêmio do público do último Festival de Berlim. Com bases documentais, a produção reencena a história que quer contar usando pessoas realmente envolvidas nos fatos. Os personagens integraram o esquadrão da morte que assassinou mais de um milhão de pessoas na Indonésia logo após o golpe militar de 1965. Eles vivem como heróis no país e narram seus crimes representando tanto o algoz quanto a vítima. As exibições serão realizadas dia 1º de novembro, às 14h50, e 4 de novembro, às 13h.
O IX Panorama Internacional Coisa de Cinema acontece de 31 de outubro a 07 de novembro, em Salvador e Cachoeira. O festival é uma realização da produtora Coisa de Cinema em parceria com o Cineclube Mário Gusmão, projeto de pesquisa e extensão do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). O evento conta com o patrocínio da Petrobras e do Governo do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura. No Espaço Itaú de Cinema – Glauber Rocha, os ingressos custam R$ 8 (inteira), R$ 4 (meia) e passaportes com 10 sessões serão vendidos por R$ 30.
A mostra realiza o desejo dos organizadores do Panorama, os cineastas Cláudio Marques e Marília Hughes, de trazer ao estado alguns dos melhores filmes que assistiram em festivais internacionais. Para Cláudio, a inclusão da mostra demonstra uma evolução do Panorama, que, após trazer a nova geração do cinema brasileiro para Salvador, vai mostrar “os filmes e realizadores que estão renovando a cinematografia mundial”.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Raimundinho da Jr
"Mulher negra de coração branco".
Disse o deputado Raimundinho da JR (PL) ao parabenizar Olívia Santana (PCdoB) durante a sessão da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) desta quarta-feira (25), que a parlamentar era uma mulher “de coração branco”.