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Anderson Souza Conceição. Dentro das quatro linhas, Talisca, meio-campista do Fenerbahçe, na Turquia. Fora de campo e dentro da música, Spark. Esse é o alterego do baiano, natural de Feira de Santana, na arte, área que divide o espaço dentro do coração do artista/jogador com o futebol.
Apesar de 'Dúvida' ser o título do último lançamento de Spark, o momento é mais uma certeza na vida do artista. A faixa, lançada nesta terça-feira (31), como lead single da nova mixtape do cantor, tem como proposta mostrar ao público uma fase mais madura da carreira.
“Esse lado do trap sempre fez parte do meu ciclo, porque eu sempre fui uma pessoa amorosa, sempre fui muito carinhosa; isso já influenciou bastante a buscar esse estilo. Depois que eu vim a entender sobre o trap, sobre o conceito, e combinou muito com o meu estilo de vida, com a minha pessoa.”
O projeto vem para Spark após uma conquista importante: o reconhecimento na categoria Performance do Ano na última edição do Prêmio R&B Brasil, o 'Notas Live'. Em ‘Ciclos’, nova mixtape do artista, o estilo R&B permanece, mas a ideia é mostrar ao público um Spark mais maduro e ainda mais romântico, inspirado em suas referências, como Chris Brown, e nomes nacionais como Lucas Carlos e Delacruz.
“Esse foi o projeto em que eu mais fiquei dentro do estúdio. E eu criei tudo do zero, tudo do jeito que eu estava pensando: essa música vai ser dessa maneira, essa batida vai ser dessa forma, eu quero que soe dessa forma. É um projeto bem intenso e bem maduro de letra também. Eu costumo dizer que é sobre fases, e eu passei, estou passando por uma fase madura musicalmente, na minha vida, nos meus pensamentos, na forma como eu estou enxergando as coisas. Eu venho amadurecendo com as coisas que eu venho passando, tanto de relações, quanto de situações familiares e de amigos. Então, tipo, você vai fazendo um 360º e vai entendendo, e eu procurei trazer esses assuntos, esses temas, para minha música.”
Para a produção da nova mixtape, que será lançada completa até o meio de abril, Spark passou mais de oito meses em estúdio, trabalhando no projeto para que saísse da forma como ele esperava.
“Eu não tinha facilidade nenhuma para compor. Sendo sincero, até porque na minha vida acontecem muitas coisas ao mesmo tempo e, para compor, você precisa estar com a mente tranquila, precisa estar relaxado, na vibe. Mas eu peguei uma sacada comigo mesmo e chega um momento em que eu falei assim: vou começar a contar as coisas que eu passo, que meus amigos passam, o que eu entendo sobre relacionamento, o que eu já vivi, e vou começar a colocar isso nas minhas músicas. É um projeto em que eu já estou entrando dessa maneira: mais intenso, mais maduro, sobre saber o que é a vida, sobre errar e acertar. Então, tipo, está tudo bem intenso, mas bem tranquilo dentro desse projeto.”
Em entrevista ao Bahia Notícias, o artista da música e da bola revelou como tem sido se dividir entre as duas paixões. Para Spark, tem sido desafiador; já para Talisca, nenhum trabalho é muito para quem iniciou a vida no futebol aos 15 anos e fez a estreia profissional em 2013, aos 18 anos, pelo Bahia.
“Sempre foi muito tranquilo. No começo, a galera, meu público — tanto o futebolístico, que é um público muito grande, quanto o musical, que é um público que tem crescido — ficava preocupada. Mas é muito tranquilo: eu só faço show quando estou de férias do futebol, então é uma limitação da parte de shows. Durante o ano, os meus lançamentos são bem programados com a minha equipe, e os clipes também são gravados em períodos em que estou de folga.”

O lado artista de Anderson já chegou a conflitar com o de jogador, mas nada que não pudesse ser resolvido. Ao BN, Spark contou que por vezes já se viu pensando em como dar continuidade na música com algo ruim acontecendo na carreira como jogador — a exemplo de uma derrota em algum jogo. No entanto, a música vem para ele também como uma terapia.
“Às vezes eu chegava triste de um jogo e pensava: ‘Como é que eu ia compor?’. Eu já me deparei com várias situações dentro do estúdio nesse processo dessas músicas; às vezes eu perdia um jogo, mas eu não deixava de ir ao estúdio”, contou.
Spark, que já se apresentou em alguns lugares do Brasil, conta como é curioso viver a "dupla personalidade" e revelou que já chegou a ser um "desconhecido" da bola ao se apresentar artisticamente.
“A galera vai ao meu show e às vezes não sabe quem eu sou [como jogador de futebol]; então, isso me deixa ainda mais feliz. Já cansei de me deparar com situações tipo: ‘Que show foda’, mas a pessoa conhece o artista e não sabe quem é a pessoa do outro lado. E isso me deixa encantado. Porque esse é o meu objetivo, entendeu? Não é sobre condição, é sobre sonho. Então, quando se fala sobre sonho, você tem que realmente fazer aquilo que você gosta, ama e quer. Em um show que eu fiz em Florianópolis, ouvi duas mulheres fora da casa de show falando sobre a apresentação, mas elas não sabiam quem eu era.”
A imersão de Spark na música não significa uma separação dos campos. O artista conta que investe no sonho para se realizar e, também, para fortalecer a cena. Através da Nine Four Records, gravadora e selo musical independente de rap e trap fundada por ele em 2021, o baiano afirma que seu sonho é conseguir transformar vidas através da música.
“A Nine hoje tem um trabalho fundamental. Estamos em uma fase de reconstrução em que demos espaço para muitos artistas de Salvador que não têm condição financeira. Então, fizemos esse trabalho também social. A Nine está passando por um processo de construção muito importante, está cada vez mais ganhando espaço na cena, e a gente vai dar cada vez mais espaço para os artistas, principalmente da Bahia.”
Ao ser questionado pelo BN sobre realização na carreira musical, o artista pontua que não deseja pular etapas, mas acredita na própria arte para conquistar espaços. “Eu não pulo fases, faço tudo da maneira correta, tudo do jeito que tem que ser feito. Então, eu sempre sonho com isso [ganhar prêmios] e o que eu quero mesmo é continuar lançando minhas músicas. Tenho um sonho de fazer ainda mais sucesso e poder, através da minha música, ajudar ainda mais pessoas. Esse é o objetivo que eu tenho em mente: poder transformar minhas músicas em grande sucesso e fazer bons feats”.
Foto: Ali Kalyoncu
Longe de casa — a aproximadamente 15h50 em um voo com escalas da Turquia para Salvador —, Spark afirma que a capital baiana terá um espaço especial na nova fase, que será iniciada de forma definitiva após o lançamento completo da mixtape. “Eu acho que o primeiro show será em Salvador”, garante.
Sonhador, Spark na música, Talisca nos campos e Anderson na vida deixa um recado para a nova geração que deseja seguir um caminho na arte: “Siga seu sonho, tenha perseverança, humildade, faça algo melhor sempre, respeite sua família, pai, mãe, estude. E tenha muita humildade, muita fé e, cara, correr atrás, realmente, buscar, evoluir sempre. E isso eu acho que é o que eu posso falar, assim: vai ter momentos bons e não tão bons, mas temos que seguir sempre na direção, com muita fé que vai dar certo”.
Após apenas 4 meses do fim do contrato, o cantor Oh Polêmico anunciou sua volta à empresa A5 Produções. A novidade foi confirmada ao público no último domingo (5). O retorno foi comemorado tanto pela empresa quanto pela banda e segundo eles irá beneficiar o artista. Todavia, o que não foi explicado por nenhum dos lados é como fica a empresa Nine Four Records no meio disso.
A empresa foi a produtora que gerenciou a carreira da banda durante esses quatro meses. Em conversa com o Bahia Notícias, o representante da assessoria jurídica da produtora explicou como Oh Polêmico entrou na gravadora e como ele saiu.
De acordo com o advogado José Estevam Macedo, o Polly deixou a A5 Produções com o distrato assinado. “Foi feito um distrato com a A5, e ela estava ciente da assinatura de um contrato com a Nine Four Music. Foi feito um contrato de empresariamento de carreira artística com a Nine Four, a A5 ciente e o distrato com a A5 assinado”, apontou.
“Então, quando o artista vem para a Nine Four, ele vem totalmente consciente. Ele assina o contrato, assume as obrigações e chega com o contrato anterior devidamente distratado. A Nine Four age de total boa fé nessa relação, aí o Polêmico vem para um contrato de exclusividade com a Nine Four”, disse Estevam.
O relato do representante apresenta um contraponto à nota divulgada pela A5. No documento, eles afirmam que houve um descumprimento no distrato e por isso, o contrato do cantor com a gravadora volta a ter vigência.
Em seguida, o representante da Nine afirmou que a produtora não foi informada do desligamento do artista. “Ele não conversou, nem sentou para fazer o distrato e pagar a dívida com a Nine Four pelo adiantamento que foi dado. Na realidade jurídica, ele hoje tem um contrato vigente com a gravadora e sem justo motivo ele quebrou esse contrato. Ferindo assim diversas cláusulas contratuais gerando assim multas”, prosseguiu.
“Então, quando ele ensina novamente um contrato com A5 ele comete não só um ilícito civil, mas também o ilícito penal. Assinando esse contrato, e quebrando um contrato sem justo motivo e não devolvendo o valor do adiantamento”, acusou.
PROCESSO CONTRA
Segundo o representante, devido a quebra de contrato, a Nine Four Records pretende processar a banda na esfera civil e criminal. “Não só contra o Polêmico, mas contra outros envolvidos também nessa ‘engenhoca’ que foi montada para lesar a Nine Four”.
No momento seguinte, José explicou porque a empresa passou a acreditar que todo este processo foi uma armação. “O artista sai de outra produtora, faz o distrato, pega um adiantamento alto com uma empresa nova, descumpre o contrato e volta com a empresa anterior. Então, na nossa visão tudo isso não passa de uma verdadeira armação, que deve ser futuramente provada”, acusou.
“Existe um contrato vigente, e esse contrato foi quebrado por livre e espontânea vontade do artista”. Estevam seguiu explicando que isso é o que a empresa acredita mas “só o futuro, as investigações e o processo poderão afirmar”.
MULTAS E ADIANTAMENTO
Por fim, o advogado detalhou quais processos serão respondidos pela banda. “Ele responde pelo dinheiro que se apropriou do adiantamento e não devolveu. Ele responde pelas multas contratuais, a quebra de exclusividade e a rescisão imotivada do contrato. Ele responde por lucros cessantes, dano material e dano moral”, afirmou.
“Então são diversos danos que essa saída imotivada provoca. Quando existe um contrato e o descumprimento deste contrato é feito de forma imotivada, como foi, ele acarreta não só as multas contratuais, como também os danos de natureza indenizatória”, finalizou.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Randerson Leal
"Trate os 43 vereadores da mesma forma".
Disse o vereador Randerson Leal (Podemos), líder da oposição na Câmara Municipal de Salvador ao criticar a Prefeitura de Salvador pelo não pagamento de emendas impositivas a parlamentares da oposição referentes a 2025.