Artigos
Os “meninus” do trio
Multimídia
Apesar de críticas, novo Sedur defende agilidade para avanços em Salvador
Entrevistas
Afonso Florence garante candidatura de Lula em 2026 e crava retorno ao Congresso: “Sou parlamentar”
mocambique
Saúde, educação e desemprego são os principais problemas apontados por cidadãos de países de língua portuguesa, segundo o Barômetro da Lusofonia. O estudo de mapeamento intercontinental, liderado pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), analisou os principais aspectos da Cultura, Sociedade e Instituições dos países de língua portuguesa.
O objetivo do estudo é o fortalecimento da integração entre os países de língua portuguesa, aprofundando a compreensão sobre percepções, valores e expectativas compartilhadas e destacando o papel estratégico do português – que possui cerca de 300 milhões de falantes, constituindo-se como uma das línguas mais faladas do mundo em número de falantes nativos.
Foram realizadas 5.688 entrevistas em uma ampla pesquisa simultânea em países de quatro continentes: África (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe), América do Sul (Brasil), Ásia (Timor-Leste) e Europa (Portugal).
Segundo o diretor- geral do Barômetro e presidente do Conselho Científico do Ipespe, Antonio Lavareda, “as preocupações centrais dos cidadãos da lusofonia estão ligadas à qualidade dos serviços públicos e às condições de inserção econômica”.
Lavareda diz ainda que violência e saneamento básico também foram tópicos relevantes na pesquisa. “Em um segundo patamar, surgem temas como violência, inflação e acesso a água, energia e saneamento básico”
O estudo destaca ainda que, apesar dos problemas compartilhados, o nível de relevância ou a ordem das respostas destoa entre os países lusófonos. No caso do Brasil, os principais problemas destacados pelos cidadãos foram saúde (45%), violência (40%) e educação (35%).
Em nota, a Ipespe destacou que, no caso brasileiro, a elevada taxa relacionada a violência pode estar relacionada ao momento da pesquisa. “Após a chamada megaoperação policial contra facções criminosas, conduzida pelo governo do Rio de Janeiro nos complexos do Alemão e da Penha no final de outubro de 2025, o tema da segurança ganhou maior centralidade no debate público nacional. Não é improvável que os 8% registrados no Brasil para política, guerras ou conflitos armados tenham relação com esse tema”, diz o resultado da pesquisa.
O Barômetro questiona ainda sobre a avaliação dos cidadãos sobre a democracia em países lusófonos. Sobre o tema, 57% da população destes países não está satisfeita com o funcionamento da democracia. Os timorenses, cidadãos do Timor-Leste, país do Sudeste asiático, e os portugueses são os únicos entre as nações lusófonas cuja maioria declara estar satisfeita, respectivamente 75% e 61%.
Na maior parte dos países analisados, os resultados indicam níveis elevados de participação eleitoral declarada. Na média, 63% dos ouvidos afirmam que votam sempre e 13%, que votam na maioria das vezes. Apenas 11% declaram que votam raramente e 9% que nunca votam. O Brasil, único país da Comunidade em que o voto é obrigatório, apresenta o maior nível de participação declarada: 88% afirmam que costumam sempre votar e 5%, que votam na maioria das vezes.
Nas métricas sobre fake news, o estudo aponta que 64% afirmam já ter recebido notícias falsas. Portugal (83%) e Brasil (80%) lideram esse ranking, seguidos por Angola (71%), Moçambique (71%) e Guiné-Bissau (67%). A referência às fake news é mais baixa em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe (ambos com 49%) e Timor-Leste (40%).
Ao final, o estudo aponta, no entanto, que “Esse resultado [relacionado às fake news], entretanto, pode representar não necessariamente uma menor incidência do problema, e sim maior dificuldade de identificá-lo, por uma série de fatores regionais”.
O artista visual soteropolitano TarcioV realizou uma série de ações durante o verão de 2026, tendo o 2 de fevereiro como eixo central. Entre as iniciativas estão uma intervenção artística na Casa de Iemanjá, no Rio Vermelho, o relançamento de sua loja oficial e a confirmação de participação no Maputo Street Art Festival, em Moçambique.
A intervenção integrou a programação da Festa de Iemanjá deste ano, a partir do convite para pintar o mural da Casa de Iemanjá, localizada na Colônia de Pescadores do bairro. A ação ocorreu de forma simultânea ao relançamento da plataforma de e-commerce do artista, que passou a reunir pinturas em tela e papel, reproduções certificadas, impressões Fine Art e uma linha de vestuário.
A curadoria inicial da loja foi dedicada ao 2 de fevereiro, data recorrente na produção do artista. “A data é o coração cultural da cidade e da minha produção. Lançar a loja com essa temática, no mesmo momento em que realizo a pintura da Casa de Iemanjá, é uma forma de conectar minha arte à energia da rua e da festa”, afirmou TarcioV.
A Colônia de Pescadores Z1, epicentro da maior festa religiosa pública da Bahia, receberá os traços artísticos de TarcioV, que mistura o urbano contemporâneo com a ancestralidade afro-brasileira.
MOÇAMBIQUE
Logo após o 2 de fevereiro, a arte de TarcioV atravessa o Atlântico. Selecionado pelo edital de mobilidade da Secult-BA, o artista embarca para Moçambique como convidado do Maputo Street Art Festival. Além de produzir um painel inédito, ele ministrará oficinas e workshops, compartilhando sua técnica e vivência sobre a arte baiana, fortalecendo o intercâmbio cultural entre Brasil e África.
TarcioV também foi o escolhido para assinar a arte exclusiva do projeto BPOM – Brasil para o Mundo. A obra ilustrará a próxima missão diplomática e cultural à Ásia e ao Golfo, uma iniciativa de valorização do soft power brasileiro e de divulgação do Star System Audiovisual nacional. A missão conta com o apoio de grandes players como o Flow Podcast e a Interartis Brasil, colocando a estética de TarcioV como cartão de visita da cultura brasileira no exterior.
Siga o @bnhall_ no Instagram e fique de olho nas principais notícias.
A terceira e última rodada da Copa Africana de Nações foi finalizada com quatro jogos na última quarta-feira (31). A seleção de Moçambique foi derrotada por 2 a 1 para Camarões, enquanto Sudão perdeu por 2 a 0 para Burkina Faso. Embora tenham sofrido um placar negativo, as duas equipes conquistaram as duas últimas vagas para as oitavas de final da competição.
No Stade Adrar, em Agadir, no Marrocos, Moçambique começou dando as cartas do jogo, mas sofreu a virada. Aos 23’ do primeiro tempo, Geny Catamo abriu o placar para os moçambicanos, mas cinco minutos se passaram e o volante Nenê fez um gol contra, deixando o jogo empatado. Na segunda etapa, Christian Kofane marcou o tento da vitória dos camaroneses.
O Stade Mohammed V, em Casablanca, no Marrocos, recebeu Sudão e Burkina Faso. Logo aos 16’ do primeiro tempo, Lassina Traoré abriu o placar para os burkinenses. Na segunda etapa, Arsène Kouassi ampliou e fechou a conta por 2 a 0 para os Garanhões, como é conhecida a seleção burkinense.
Confira os confrontos, datas e horários das oitavas de final da Copa Africana de Nações:
Sábado (3)
Senegal X Sudão - 13h
Mali X Tunísia - 16h
Domingo (4)
Marrocos X Tanzânia - 13h
África do Sul X Camarões - 16h
Segunda-feira (5)
Egito X Benim - 13h
Nigéria X Moçambique - 16h
Terça-feira (6)
Argélia X RD Congo - 13h
Costa do Marfim X Burkina Faso - 16h
A baiana Tainara Ferreira participa como palestrante da 5ª edição do Fancy Africa, evento dedicado à moda, cultura e empoderamento no continente africano. O encontro, que começou nesta segunda-feira (22) e segue até domingo (27), em Maputo, capital de Moçambique, reúne profissionais de diversos países em torno de diálogos sobre identidade, criação e ancestralidade.
Neste primeiro dia, ela conduz a masterclass "Descolonizando o Olhar através da Moda", com propostas de reflexão sobre os impactos do eurocentrismo nas estéticas contemporâneas e o papel da moda afrocentrada na reconstrução de imaginários sociais.
“Estar em Moçambique tem um significado profundo para mim, enquanto mulher baiana e negra. A Bahia é um território marcado pela forte presença africana, e muito do que somos vem dos povos, como os moçambicanos, que atravessaram o Atlântico enquanto escravizados e deixaram marcas na nossa cultura, na nossa fé, na nossa forma de vestir e de existir”, declarou.
Segundo ela, a masterclass parte do olhar afrolatino-americano como ponto de partida para pensar a moda não apenas como linguagem visual, mas como instrumento de memória e afirmação cultural. “Trazer para o Fancy Africa uma reflexão sobre moda é reconhecer a importância da população negra como criadora de tendências e de narrativas de resistência. A moda, quando vista por esse olhar decolonial, deixa de ser apenas estética e passa a ser memória, identidade e política. É um reencontro com nossas raízes e, ao mesmo tempo, uma afirmação do nosso futuro coletivo”, completou.
Natural de Salvador, Tainara é consultora em relações étnico-raciais e de gênero, com atuação voltada para o letramento racial e a decolonialidade. Além disso, é fundadora da Deiyi Desconstruir, empresa que desenvolve projetos de diversidade inclusiva, já representou o Brasil como embaixadora no Africa Fashion Week, em Londres, e é coautora do livro “O Futuro das Novas Masculinidades”, publicado pela Editora BOC.
Siga o @bnhall_ no Instagram e fique de olho nas principais notícias.
O comediante brasileiro Murilo Couto precisou cancelar a apresentação que faria em Moçambique no final de semana após ter a entrada no país africano impedida pelas autoridades.
O ex-The Noite estava na companhia de outros humoristas, sendo Gilmário Vemba, da Angola e Hugo Sousa, de Portugal, que também tiveram a entrada barrada sem maiores justificativas.
Murilo ficou aguardando a liberação o aeroporto internacional de Maputo desde 14h (9h no horário de Brasília). O valor dos ingressos adquiridos pelo público serão reembolsados pela produtora.
Especula-se que a proibição da entrada do trio de humoristas no país tenha ligação política. Isso porque, em julho, Gilmário participou de um encontro em Lisboa, onde celebraram a expressão “Anamalala”, que em macua, língua falada no norte moçambicano, significa “vai acabar” ou “acabou”.
O termo foi utilizado pelo ex-candidato à presidência Venâncio Mondlane, durante a campanha nas eleições de 9 de outubro de 2024, cujo resultado ele contesta.
Desde então, o país vive um cenário de tensão social, com manifestações convocadas por Mondlane contra a vitória de Daniel Chapo.
Um pastor de Moçambique morreu ao tentar jejuar por 40 dias e 40 noites, imitando o que Jesus teria feito no deserto, de acordo com a Bíblia. Francisco Barajah, fundador da Igreja Evangélica de Santa Trindade e professor de francês, faleceu aos 39 anos em 15 de fevereiro.
Segundo familiares, no dia 25º dia de jejum, o pastor já tinha perdido peso ao ponto de não conseguir mais se levantar, tomar banho ou andar. Ele foi levado ao hospital em estado crítico. Barajah foi diagnosticado com anemia aguda e insuficiência dos órgãos digestivos.
Conforme noticiou o portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, os profissionais de saúde o reidrataram com soro e tentaram alimentá-lo com líquidos, mas não funcionou.
Fiéis da igreja Santa Trindade afirmaram que o jejum era uma prática comum entre eles, mas que nunca foi feito por tanto tempo. Segundo o irmão da vítima, o jejum de fato foi realizado, mas a causa da morte teria sido outra porque Barajah já sofria de pressão alta.
A escritora Paulina Chiziane, de Moçambique, é a vencedora da edição de 2021 do Prêmio Camões, mais importante premiação mundial voltada para autores de língua portuguesa. Antes dela, outros dois autores moçambicanos já haviam sido agraciados: José Craveirinha, em 1990; e Mia Couto, em 2013.
Uma das pioneiras da literatura de seu país, Chiziane é conhecida por obras que retratam o universo feminino. Seu livro mais conhecido é o romance “Niketche: uma história de poligamia”, no qual a protagonista é uma mulher que deixa a subserviência e decide conhecer as outras esposas do marido.
No ano passado o prêmio foi concedido ao escritor português Vítor Aguiar (clique aqui), e em 2019 a Chico Buarque. A vitória do brasileiro foi cercada de polêmicas, pois o presidente Jair Bolsonaro se recusou a entregar o prêmio ao músico e escritor (relembre).
Na década de 1970, enquanto o Brasil atravessava uma ditadura militar que impedia famílias inteiras de viverem em plena liberdade, do outro lado do Atlântico Moçambique alcançava a sua independência política, implementando mudanças sociais significativas. Esse é o pano de fundo de "Lila em Moçambique", livro que marca a estreia da escritora Andreia Prestes na literatura infantil.
Publicado pela editora Quase Oito, o livro conta a história de Lila, uma criança brasileira que viveu a infância com os pais e os irmãos em Moçambique. Nele estão as memórias afetivas da escritora, que é neta dos ativistas Luis Carlos Prestes e João Massena e nasceu no exílio de seus pais.
As memórias estavam adormecidas e despertaram em 2017, quando ela decidiu visitar Moçambique, 30 anos depois do seu retorno definitivo ao Brasil. Após rever a escola onde aprendeu a escrever as primeiras palavras em português, o Mercado Municipal onde seus pais compravam frutas como a massala e a tsintsiva e o prédio “33 andares”, onde morou com a família, surgiu a necessidade de contar para as crianças algumas histórias daquele período, para que possam desde cedo, perceber que o melhor presente que se pode ter na vida é a liberdade.
“A literatura nos ajuda a entender melhor o mundo em que vivemos, a nos colocarmos no lugar do outro, termos mais empatia e viajarmos sem sair de casa. Moçambique nos ensinou muito e gostaria de passar essa experiência para quem não conhece esse país africano”, diz Andreia Prestes.
A obra conta com ilustrações do Camilo Martins, que refletem a alegria da cidade africana de Maputo. O lançamento estava programado para acontecer em abril, mas por conta da pandemia e da impossibilidade de realizar encontros presenciais, a autora criou um perfil no Instagram, onde conversa com outros escritores sobre memórias afetivas e como elas influenciam a criação de novas obras. Para Andreia, a literatura tem um papel importante nesse momento de isolamento social, ela possibilita o encontro com a arte, com a imaginação.
Os três serão gravados declamando e discutindo poemas de vários autores, além de participar de um evento público na capital, Maputo, onde serão gravadas imagens de bastidores do evento. A produção do filme também busca entrevistar o poeta angolano José Craveirinha, primeiro autor africano a vencer o Prêmio Camões.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Janja da Silva
"Hoje estabelecemos um marco para a sociedade brasileira, representada pelos três poderes, aqui presentes. Todos assumiram o compromisso e a responsabilidade de tornar a nossa sociedade um lugar em que as mulheres possam viver em paz. Queremos ser respeitadas, queremos ser amadas, queremos ser livres, queremos nos manter vivas".
Disse a primeira-dama Janja Silva em um discurso emocionado e com direito a lágrimas, ao abrir a solenidade de lançamento do Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio. A iniciativa do governo Lula, chamada de “Todos por Todas”, busca unir os três poderes em ações coordenadas para prevenir a violência letal contra meninas e mulheres no país.