Artigos
Avanços na cadeia produtiva dos jumentos no Nordeste
Multimídia
Após deixar Podemos, Raimundo da Pesca comenta convites e explica escolha pelo PSD
Entrevistas
VÍDEO: Sílvio Humberto fala sobre cultura de Salvador, critica Executivo e comenta pré-candidatura a deputado; confira entrevista
mauro das neves grunfeld
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cassou nesta quarta-feira (18) uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e determinou o restabelecimento da prisão preventiva do capitão da Polícia Militar da Bahia Mauro das Neves Grunfeld, investigado por envolvimento em uma organização criminosa especializada no comércio ilegal de armas de fogo e munições.
A decisão atende a um recurso do Ministério Público da Bahia (MP-BA) e restaura o entendimento do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), que havia mantido a custódia do acusado com base na gravidade concreta dos fatos e no risco à ordem pública.
O caso teve origem na Operação Fogo Amigo, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), que apurou um esquema de abastecimento de armamentos para facções criminosas que atuam em toda a Bahia.
De acordo com as investigações, Grunfeld, na condição de policial militar, exercia papel relevante na estrutura criminosa, sendo apontado como o principal remetente de valores para Gleybson Calado do Nascimento, tido como um dos líderes da organização. Levantamentos financeiros apontam que o oficial teria transferido R$ 87,3 mil ao investigado por meio de 35 transações, quantia incompatível com sua renda lícita.
Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, foram encontradas na residência do policial centenas de munições de diversos calibres, incluindo munições de uso restrito, além de carregadores e anotações com movimentações bancárias. Grunfeld já havia sido condenado em primeira instância a 13 anos e seis meses de reclusão, em regime fechado, pelos crimes de comércio ilegal de arma de fogo.
A prisão preventiva do capitão havia sido revogada por uma decisão monocrática do STJ no âmbito de um habeas corpus, sob o argumento de que o juízo de primeiro grau não teria apresentado fundamentação concreta para manter a custódia na sentença condenatória, limitando-se a justificar a manutenção da prisão com base em decisão anterior do TJ-BA. A corte superior substituiu a prisão por medidas cautelares diversas.
Ao reverter a decisão, o ministro Flávio Dino apontou que o acórdão do STJ destoou da jurisprudência consolidada do STF, especialmente do entendimento firmado na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6.581, que afasta a revogação automática da prisão preventiva por ausência de reavaliação formal periódica.
Dino destacou que a decisão do TJ-BA, mantida agora pelo STF, apresentou fundamentação concreta e contemporânea para a decretação da custódia, baseada na gravidade específica da conduta, no envolvimento do acusado com organização criminosa e no risco concreto de reiteração delitiva.
“A revogação da prisão preventiva, nas circunstâncias do caso, implicou esvaziamento da proteção constitucional da ordem pública, em afronta ao art. 144 da Constituição Federal, ao desconsiderar a gravidade concreta da conduta, o risco sistêmico decorrente do comércio ilegal de armas e a inadequação das medidas cautelares diversas para neutralizar a periculosidade evidenciada”, afirmou o ministro em sua decisão.
O magistrado também determinou a comunicação imediata ao presidente do TJ-BA para cumprimento da decisão e restabelecimento da prisão preventiva.
O Bahia Notícias procurou a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), que informou que Mauro das Neves Grunfeld encontra-se atualmente preso na Coordenação de Custódia Provisória da Polícia Militar da Bahia, em decorrência de sua prisão na Megaoperação Zimmer, deflagrada pela Polícia Civil em dezembro de 2025.
Em decisão monocrática, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, negou o pedido de liberdade feito pelo capitão da Polícia Militar da Bahia (PM-BA), Mauro das Neves Grunfeld, preso em julho acusado de vender armas e munições para facções criminosas. Ele foi detido em desdobramento da “Operação Fogo Amigo”, que investiga uma organização criminosa especializada na venda de armas e munições ilegais para facções de Alagoas, Bahia e Pernambuco.
No habeas corpus, a defesa de Grunfeld pedia a reavaliação da prisão preventiva com a sua consequente revogação. Em seu voto, Flávio Dino destaca decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) que restabeleceu sua detenção e entendeu que as circunstâncias que levaram à prisão preventiva inicial não haviam mudado, justificando assim a necessidade de mantê-lo detido para garantir a ordem pública. Para o ministro não há configuração de qualquer ilegalidade na prisão.
O capitão foi denunciado em 7 de junho de 2024, pelos crimes de organização criminosa armada e comercialização ilegal de armas de fogo, inclusive de uso restrito. As investigações revelaram um sofisticado esquema de mercado clandestino, no qual o policial e outros membros da quadrilha obtinham munições ilegalmente, adquirindo armas de fogo "frias" e vendendo-as através de intermediários. Esse modus operandi permitia que facções criminosas na Bahia fossem abastecidas com armas e munições.
Durante a "Operação Fogo Amigo", que levou à prisão do PM, foram apreendidas uma arma de fogo registrada em nome de terceiro, uma grande quantidade de munições de diversos calibres e documentos de transporte de mercadorias, evidenciando seu envolvimento no comércio ilegal. Registros financeiros mostraram que o policial transferiu R$ 87.330,00 para outro membro da organização criminosa em 35 transações, comprovando sua participação ativa na quadrilha.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Flávio Bolsonaro
"Lula vai ficar do lado de criminosos?"
Disse o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao fazer duras críticas à atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na área da segurança pública. Flávio, pré-candidato do PL a presidente nas eleições de outubro, citou o projeto de lei antifacção, aprovado pelo Congresso Nacional em fevereiro e que ainda não foi sancionado por Lula.