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Artigos

Alexandre Carneiro (Poeticus Eternus)
Semeando palavras, colhendo sonhos
Foto: Juan Alonso/ Divulgação

Semeando palavras, colhendo sonhos

Em um mundo cada vez mais dominado pela velocidade das informações e pela superficialidade dos discursos, ensinar poesia tornou-se um ato de resistência. Mais do que transmitir conteúdos, educar por meio da literatura significa abrir janelas para a imaginação, despertar sensibilidades e incentivar jovens a descobrirem sua própria voz.

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mapa bn

Bahia não atinge nenhuma meta esperada na educação básica, desigualdade da educação pública fica clara no Ideb 2025
Escolas das 3 redes de ensino. | Foto Montagem: Ronne Oliveira / Bahia Notícias

Enquanto 70 municípios baianos alcançaram a marca de 6 pontos nos anos iniciais do ensino fundamental, mais de 60% das cidades ficaram abaixo da média estadual nos anos finais. Os novos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) referentes a 2025, obtidos pela equipe do Bahia Notícias (BN), revelam um cenário de desigualdades no desempenho escolar entre as redes de ensino público na Bahia.

 

Em resposta enviada à reportagem do BN, a assessoria de comunicação do Ministério da Educação (MEC) informou que a Bahia conta com 11.798 instituições de ensino na base histórica do Ideb. Todavia, em 2025, foram analisadas 6.929 instituições — o equivalente a 58,7% do total da base de dados. Desse total de locais avaliados, 3.495 correspondem aos anos iniciais do ensino fundamental (1.º ao 5.º ano), 2.410 aos anos finais do ensino fundamental (6.º ao 9.º ano) e 1.024 ao ensino médio.

 

MÉDIA BAIANA 
No contexto nacional, a Bahia se destaca como um dos poucos estados que não conseguiram atingir nenhuma das metas esperadas em cada fase de ensino. Essa é uma meta estipulada desde 2021 para superar a queda histórica no nível da educação pública decorrente da pandemia ocorrida no governo Bolsonaro. 

 

LEIA TAMBÉM:

 

Eram esperados os seguintes valores para o Brasil: nota 6 na fase inicial do ensino fundamental (1.º ao 5.º ano). A Bahia obteve nota 5,7. Na segunda fase desse tipo de ensino (6.º ao 9.º ano), era esperado 5,5; a Bahia ficou com 4,5. E no Ensino Médio do Brasil era esperado 5,2; a Bahia pontuou a nota 4. 

 

Foto ilustrativa: Carol Garcia / GOVBA

 

Mesmo sem atingir os valores estipulados, os dados provam que a educação do Brasil e da Bahia melhora a curtos passos. Nas palavras do atual ministro da Educação, o senhor Leandro Barchini, isso não era imprevisto devido aos desafios da educação do país.

 

“Este é o melhor Ideb da série histórica. O Brasil enfrentou simultaneamente três problemas históricos da educação: colocou mais estudantes na escola, melhorou sua trajetória e elevou a aprendizagem. [Eu] fiquei satisfeito, mas não plenamente satisfeito. A gente precisa avançar mais. Mas, quando a gente olha para 20 anos atrás, quando o Ideb começou a ser calculado, houve uma mudança brutal”, relata em entrevista ao SBT News.

 

MAS E O INTERIOR? 
Entre todos os territórios da Bahia, ficam claras particularidades, mas, no geral, é nítida a desigualdade de acesso à educação. Quando se observam os números em todos os municípios baianos em 2025, nota-se que há diferenças marcantes conforme a etapa de ensino:

  • Anos Iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano): Apresentam o cenário mais positivo. Com média estadual de 5,7 pontos, 369 municípios ficaram acima desse patamar, com 48 ficando abaixo. Nesse caso ocorreram bons exemplos: 70 cidades baianas conseguiram atingir a meta nacional (acima de 6,0).
     
  • Anos Finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano): Com média estadual de 4,5 pontos, apenas 159 dos 417 municípios (38,1%) ficaram acima da média baiana, enquanto 258 (61,9%) permaneceram abaixo. 
     
  • Ensino Médio: A Bahia registrou média de 4,0 pontos, figurando como a quarta pior média do Brasil. Em todo o estado, 170 dos 417 municípios (40,8%) alcançaram nota igual ou superior a 4, enquanto 247 (59,2%) ficaram abaixo desse patamar. 

 

Infográfico ilustrativo com os resultados | Foto com inteligência artificial / NotebookLM

 

A responsabilidade administrativa varia conforme o ciclo escolar: na maioria dos 417 municípios, o ensino fundamental nos anos iniciais é determinado principalmente pelo desempenho das escolas e colégios municipais, geridos pelas prefeituras e secretarias municipais de educação. Veja:

 


Nos anos finais (5º ao 9º ano), a competência passa a ser dividida de forma mais direta com o governo estadual, enquanto no ensino médio o peso principal recai sobre as redes estadual e federal. O Bahia Notícias disponibilizou um mapa interativo para consulta dos resultados de cada município baiano.

 

 

 

BAHIA NO BRASIL
O desempenho geral evidencia as disparidades entre os diferentes tipos de administração escolar. A média esperada para o estado era de 6 pontos, mas as redes públicas ficaram com 5,4; as estaduais, com 6,1; e as particulares, com 6,7. Esse resultado desigual indica que parte do desempenho abaixo do esperado deriva das redes municipais de ensino público.

 

 

Veja o desempenho no cenário do Brasil:

 

 

O Ideb é calculado com base na combinação de dois fatores principais:

  1. Fluxo escolar (taxa de aprovação): Percentual de alunos que não repetiram de ano, apurado pelo Censo Escolar.

  2. Desempenho em avaliações: Notas obtidas pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, aplicadas a estudantes do 2º, 5º e 9º anos do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio.

 

CASOS CURIOSOS

Em Salvador: A capital apresenta forte desigualdade entre redes. Nos anos finais do ensino fundamental, a rede federal (Institutos Federais e Colégio Militar) obteve nota 7,4 — muito superior à média estadual da etapa (4,5). Por outro lado, a rede estadual nos anos finais alcançou 3,7, ficando atrás da municipal (4,5).

 

Foto: Betto Jr./Secom PMS

 

No total, 58 escolas municipais de Salvador foram avaliadas, com a Escola Municipal Hildete Bahia de Souza alcançando a maior pontuação (5,5) em Pernambués e a Escola Municipal Maria Dolores, em Tancredo Neves, obtendo a menor (3,5) no ensino fundamental, anos finais.

 

Foram avaliadas 114 estaduais dessa modalidade, com o Colégio Estadual Ruben Dario Tempo Integral, na San Martin, recebendo a menor nota, 2,7, e o Colégio da Polícia Militar Luiz Tarquinio, o CPM de Luiz Tarquinio, a maior, 5,5.

 

Confira uma lista completa:

 

Nos anos iniciais do ensino fundamental, Salvador foi a única cidade em que a rede estadual (5,6) superou a municipal (5,3). No ensino médio, a rede federal registrou o melhor resultado (4,7), contra 3,4 da rede estadual.

 

O levantamento do BN identificou particularidades em diversos municípios do estado:

  • Vitória da Conquista, no sudoeste baiano: Nos anos finais do ensino fundamental, a rede estadual registrou nota 6,8, superando expressivamente a municipal (4,9). No ensino médio, a rede federal alcançou 5,4, enquanto a estadual obteve 4,4.

  • Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia: A rede estadual nos anos finais atingiu nota 6,5, diante de 4,5 da rede municipal.

  • Barreiras, no Oeste do estado: A nota dos anos finais foi superior na rede estadual (5,8) em comparação com a municipal (4,8).

  • Alagoinhas, no Litoral Norte: Registrou nos anos finais nota superior na rede estadual (4,1) em relação à municipal (3,8).

  • Santa Inês, no Vale do Jiquiriçá: No ensino médio, a rede estadual (4,2) superou a rede federal (4,0).

  • Uruçuca, no Litoral Sul: No ensino médio, a rede federal obteve nota 3,9, acima dos 3,4 registrados pelo governo estadual.

  • Xique-Xique, na região de Irecê: As redes estadual e municipal empataram no ensino médio com nota 3,3. O ensino médio federal obteve desempenho superior, atingindo nota 4,6 sob liderança do Instituto Federal local.

  • Catu, no litoral norte: Apesar de altas pontuações na rede federal por meio do IF de Catu, não foram registradas pontuações no eixo federal do ensino médio no IDEB 2025.
     

Foram identificadas cidades com variação entre as redes nos anos finais — com desempenhos como 5,7 (estadual) contra 4,5 (municipal); 4,4 (estadual) contra 3,7 (municipal); 4,9 (estadual) contra 3,7 (municipal); e casos em que a rede municipal superou a estadual, como 3,5 contra 3,3. Em outra localidade, a nota do ensino médio da rede municipal ou federal atingiu 5,5, superando os 3,9 da rede estadual.

 

Foto: Jefferson Peixoto / PMS

 

A reportagem também identificou a ausência de dados em determinados municípios ou etapas específicas de ensino em 2025, com localidades sem registros de pontuação nos anos iniciais, nos anos finais ou no ensino médio.

 

O BN preparou uma lista detalhada com todos os resultados registrados (ou ausências de dados) das escolas no ensino médio do Ideb:

 

(Lista)

Municípios gastaram até nove vezes mais no São João de 2026 do que em festejos nos últimos dois anos; confira no mapa BN
Foto ilustrativa: Redes socias via @arraialicordojegueoficial

Uma análise realizada a partir de apuração do Bahia Notícias (BN) e dados do relatório do observatório investigativo De Olho nos Ruralistas revelou que prefeituras da Bahia registraram gastos no São João superiores a todo o montante destinado a eventos e festejos públicos ao longo dos últimos dois anos no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP). Aiquara, no Médio Rio de Contas, por exemplo, gastou 8,4 vezes mais dinheiro público no São João de 2026 do que em todo o período anterior, saindo de R$ 180 mil para R$ 1,5 milhão.

 

A base do levantamento do BN é composta por dados do PNCP e outras fontes compiladas para o relatório "Farras: como os shows com dinheiro público conectam artistas, bets, política e agronegócio", que mapeou 322 municípios baianos. Esse levantamento apontou que a Bahia liderou o país em repasses públicos para shows entre janeiro de 2024 e março de 2026, somando R$ 578 milhões.

 

Na maior parte dos casos, são contratações das prefeituras baianas. Veja de onde surge o dinheiro:

 

Quando comparados estes números com o painel dos festejos juninos de 2026 do Ministério Público da Bahia (MP-BA), que abrange 367 municípios. Entre esses dados, o montante que se destinou exclusivamente ao São João na Bahia foi de R$ 712 milhões, sendo R$ 709 milhões no interior do estado (desde grandes cidades como Feira de Santana, que recebe R$ 7,61 milhões, até Valença, que recebe R$ 140 mil) + R$ 3,24 milhões na capital baiana.

 

Confira de onde surge o dinheiro para os festejos juninos de 2026:

 

Alguns exemplos de aumento são observados em municípios de diferentes regiões do estado. Ouriçangas, no Litoral Norte, registrou crescimento de 7,8 vezes, passando de R$ 170 mil para R$ 1,333 milhão. Na Chapada Diamantina, Mucugê apresentou uma expansão de 9,7 vezes, saindo de R$ 250 mil para R$ 2,423 milhões. Já Tanhaçu, no Sertão Produtivo, ampliou o valor em 8,5 vezes, passando de R$ 300 mil para R$ 2,5 milhões.

 

Ministério Público da Bahia no CAB (Salvador) e sede da Prefeitura de Ouriçangas. | Fotos: Ronne Oliveira / Bahia Notícias / Google Maps 

 

Outros municípios também tiveram crescimento relevante no período:

  • Ribeira do Amparo, no Semiárido Nordestino: de R$ 800 mil para R$ 4,254 milhões (5,3 vezes);

  • Muquém do São Francisco, na região do Velho Chico: de R$ 290 mil para R$ 1,543 milhão (5,3 vezes);

  • Tapiramutá, no Piemonte do Paraguaçu: de R$ 690 mil para R$ 2,678 milhões (3,9 vezes);

  • Barro Alto, na região de Irecê: de R$ 820 mil para R$ 2,241 milhões (2,7 vezes);

  • Barra, no Oeste baiano: de R$ 2,19 milhões para R$ 4,164 milhões (1,9 vez);

  • Barrocas, no território do Sisal: de R$ 620 mil para R$ 1,205 milhão (1,9 vez);

  • Amélia Rodrigues, no Portal do Sertão: de R$ 1,37 milhão para R$ 2,78 milhões (2,0 vezes);

  • Araci, no Nordeste baiano: de R$ 2,09 milhões para R$ 4,715 milhões (2,3 vezes).

 

Há também o caso da capital, que gastou cerca de R$ 3 milhões no São João com recursos do governo estadual, do governo federal e da prefeitura. No entanto, nos últimos dois anos, o investimento ultrapassou R$ 42 milhões. Isso representa uma redução esperada de aproximadamente 93% em relação ao valor investido nos anos anteriores.

 

Em determinados municípios, os recursos aplicados nas festas juninas superaram o acumulado total gasto em todos os eventos realizados entre janeiro de 2024 e março de 2026 (período que incluía comemorações de Natal, vaquejadas, Réveillon, micaretas e outras festividades locais).

 

Confira abaixo, em um mapa ilustrativo do BN, os dados comparativos de cada município da Bahia: 

 

Vale esclarecer que a compilação dos dados nacionais demandou seis meses de investigação técnica pelo Observatório De Olho nos Ruralistas, analisando mais de 20 mil contratos. A pesquisa evidenciou graves gargalos na transparência pública: cerca de 40% dos contratos analisados não constavam no PNCP, exigindo a checagem manual em diários oficiais e portais de tribunais de contas para obter o panorama real dos gastos das gestões municipais.

 

O CENÁRIO NACIONAL

No cenário nacional revelado pelo estudo original, a Bahia (R$ 578 milhões) e Pernambuco (R$ 573 milhões) figuram no topo dos investimentos em shows com verbas públicas, seguidos pelo Ceará (R$ 316 milhões) e Minas Gerais (R$ 192 milhões). Em âmbito nacional, o montante para os 100 artistas mais contratados ultrapassa R$ 5 bilhões, sendo R$ 3,08 bilhões concentrados em apenas 40 nomes.

 

Relembre em mapa nacional:

 

Entre os maiores cachês individuais pagos no estado, destacam-se os cantores Léo Santana (contrato de até R$ 1,6 milhão), Wesley Safadão (até R$ 1,5 milhão) e Bell Marques (R$ 1,2 milhão). Eventos voltados a vaquejadas também concentraram valores elevados, com destaque para a Vaquejada de Formosa do Rio Preto — objeto de ação do MP-BA — e a de Morro do Chapéu.

 

Fotos: Redes Sociais via @prefeituraformosadoriopretoba / André Carvalho / Bahia Notícias

 

No território baiano, sem considerar a apuração do São João de 2026, os gêneros musicais com maior volume de contratações foram "Brega/Arrocha" e "Piseiro", enquanto o "Axé/Pagodão" registrou menor frequência de contratos públicos.

 

Em quase todas as cidades baianas, escolas particulares têm as melhores médias do Enem 2025; veja no Mapa BN
Foto montagem: Ronne Oliveira / Bahia Notícias

Em praticamente todos os municípios baianos onde há escolas das redes pública e privada, as instituições particulares registram médias superiores no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025. Os dados, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) na última segunda-feira (22), foram analisados pelo Bahia Notícias (BN), que cruzou as informações para identificar o desempenho das escolas baianas no cenário nacional.

 

Ao considerar os 417 municípios do estado, 317 têm como instituição de maior média uma escola pública, enquanto 100 são liderados por escolas privadas. O resultado, no entanto, reflete a distribuição da rede de ensino: a iniciativa privada está presente em apenas parte dos municípios baianos, não em todos.

 

Em parte dessas cidades, as únicas instituições classificadas como "privadas" são escolas comunitárias, como as Escolas Famílias Agrícolas (EFAs), mantidas por associações civis e que, em muitos casos, recebem apoio do poder público, embora não integrem a rede estadual de ensino.

 

O próprio governador Jerônimo Rodrigues (PT) já fez um anúncio sobre essa parceira em promessas de campanha. Hoje a Associação das Escolas das Comunidades e Famílias Agrícolas da Bahia (Aecofaba Efas) tem tido uma postura harmoniosa com o governo do estado. Relembre:

 

 

Apesar desse modelo de financiamento, as EFAs não figuram entre as maiores médias do estado no Enem de 2025. A unidade com melhor desempenho foi a EFA de Anagé, no sudoeste da Bahia, que registrou média de 513,61 pontos. O resultado a coloca como a escola comunitária mais bem colocada no levantamento, mas ainda distante de liderar o estado, ficando na marca de 398° das instituições baianas.

 

Nos municípios onde há oferta das duas redes, as escolas particulares quase sempre superam as públicas em desempenho médio no Enem. Esse cenário pode ser observado em cidades como Araci, Ipirá, Barra do Mendes e Andorinha, além de diversas outras cidades onde as discrepâncias entre as médias são significativas.

 

Confira em números:
 

  • Ipirá, na Bacia do Jacuipe:

    • Pior média é da rede pública: 414,58.

    • Maior média é da rede privada: 651,56.

    • Diferença entre essas médias é: 236,9 pontos.
       

  • Andorinha, no Piemonte Norte do Itapicuru:

    • Pior média, rede pública: 439,28.

    • Maior média, rede privada: 597,13.

    • Diferença entre as médias: 157,85 pontos.
       

  • Barra do Mendes, na região de Irecê:

    • Pior média, rede pública: 458,09.

    • Maior média, rede privada: 576,69.

    • Diferença entre as médias: 118,60 pontos.
       

  • Araci, na região do sisal:

    • Pior média, rede pública: 457,57.

    • Maior média, rede privada: 574,86.

    • Diferença entre as médias: 117,29 pontos.

 

Também há casos em que escolas públicas apresentam desempenho superior ao das instituições privadas. É o caso de Botuporã e Santo Amaro, onde a rede pública lidera a média local no Enem de 2025. Em outras cidades, as diferenças entre as redes são pequenas. Em Catu, por exemplo, o Instituto Federal da Bahia aparece apenas cinco pontos abaixo da escola privada com melhor desempenho no município, dentro da margem de variação mais estreita identificada no levantamento.

 

Instituições de Catu que tiveram médias muito próximas | Fotos: Reprodução / Google Maps

 

Confira no mapa do BN utilizando os dados do MEC para cada cidade analisada:

(Mapa Bn) 

 

UMA MÉDIA GERAL
A nota atribuída a cada escola é determinada pela média simples entre a prova de redação e as quatro avaliações objetivas (Matemática, Linguagens, Ciências Humanas e Ciências da Natureza) de todos os estudantes matriculados que realizaram o exame no ano correspondente.

 

Essa métrica inclui alunos com desempenhos baixos e altos, produzindo uma média geral. O desempenho de cada estudante é consequência de seus estudos e do processo de avaliação de cada um de seus resultados. No total, 1.359 escolas baianas tiveram suas notas divulgadas e mapeadas pelo BN, em um universo de 23.571 instituições brasileiras.

 

Segundo os critérios do MEC, algumas instituições não foram consideradas na análise devido à ausência de dados suficientes, uma vez que são excluídas as escolas com menos de dez participantes. Além disso, os estudantes que não compareceram nos dias de aplicação das provas também foram desconsiderados no cálculo das médias, pois não havia informações disponíveis para compor os resultados.

 

Dados das instituições com menos de dez participantes não são divulgados pelo MEC, em conformidade com a diretriz adotada para preservar a identidade dos estudantes, respeitando a privacidade dos resultados individuais.

 

Prédio do MEC em Brasília e fila de estudantes que farão o Enem. | Fotos ilustrativas: Reprodução / Agência Brasil

 

Após a publicação das 20 melhores instituições de ensino da Bahia, leitores do BN expressaram dúvidas nas redes sociais sobre um ponto que precisa ser esclarecido: a diferença entre resultados individuais e média geral. A média geral leva em consideração o desempenho entre todos os alunos, desde os que cursam "terceiro ano" e "estudantes treineiros". 

 

Por exemplo, um estudante do primeiro ano do ensino médio pode realizar o Enem na condição de "treineiro", apenas para conhecer o formato da prova. Nesses casos, a nota obtida integra a média da escola, mas não corresponde, necessariamente, à pontuação utilizada para disputar vagas no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) ou em outros processos seletivos de instituições de ensino superior. 

 

As notas devem ser interpretadas como indicadores, e não como retratos absolutos da qualidade do ensino. O contexto socioeconômico exerce forte influência sobre o desempenho das escolas, especialmente em municípios e comunidades historicamente vulnerabilizados, como os anexos estaduais localizados em comunidades quilombolas da Bahia.

 

LEIA TAMBÉM:

 

DESIGUALDADE NO INTERIOR
Em alguns municípios, a ausência de escolas particulares transforma a rede pública na única alternativa. Assim, não apenas a condição financeira, mas também a localização geográfica se torna um obstáculo literal ao acesso a uma educação de melhor qualidade
São exemplos com um colégio registrado na base de dados das cidades de Buritama e Candiba.

 

Nas cidades de maior porte, onde a oferta de escolas é mais diversificada, as diferenças de desempenho se tornam mais evidentes. Embora instituições públicas seletivas, como os Institutos Federais e os colégios militares, apresentem resultados superiores aos das redes estaduais e municipais, as escolas particulares continuam liderando o ranking.

 

Esse padrão se repete em municípios como Barreiras, Bom Jesus da Lapa, Salvador, Brumado e Santo Antônio de Jesus, onde as instituições privadas alcançam médias superiores às das escolas públicas, incluindo aquelas com melhor desempenho.

 

Os dados também revelam diferenças expressivas entre as redes de ensino. Em algumas cidades, a distância entre a escola pública com a menor média e a escola privada mais bem colocada chega a 100 pontos na média geral do Enem. Em contrapartida, há exceções, como Boquira, em que a diferença entre a melhor escola pública e a instituição privada é de cerca de 10 pontos.

 

Esses resultados indicam que as comparações devem considerar o contexto de cada município. A realidade educacional de uma cidade com cerca de 20 mil habitantes, segundo o Censo Demográfico mais recente do IBGE, difere da observada nos grandes centros urbanos, tanto pela quantidade de escolas quanto pelo perfil da oferta de ensino.

 

E A CAPITAL? 
Segundo os dados, Salvador possui ao todo 212 colégios avaliados, com médias bastante distintas. No entanto, vale lembrar que se trata da maior cidade do estado. O BN optou, por questão editorial, por destacar apenas as 30 instituições com as maiores médias no mapa.

 

Para fins de interesse público, o BN disponibiliza a lista de escolas que aparecem na base de dados e foram identificadas por meio de cruzamento de dados com o código de cada instituição. Segue abaixo uma lista completa com as instituições da capital baiana.


Veja a lista abaixo:

 

Esses dados do Enem de 2025 na Bahia desenham menos uma linha reta entre desempenho e tipo de escola e mais um mosaico desigual, em que cada cidade reflete suas próprias condições de oferta, acesso e permanência na educação. Quando observadas em escala maior, as médias expõem distâncias que não se explicam apenas por números, mas por vidas afetadas por questões sociais e territoriais que atravessam os baianos.

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
Muita coisa me chamou a atenção nessa declaração de bens dos candidatos. Enquanto uns foram honestos demais, pra outros a conta não fecha. Mas quem mais me deu pena foi Lero. Por outro lado, o Galego demonstrou seus grandes dotes para o mercado imobiliário. O bom é que já tem um plano B na Ademi. E se tem gente que deve ter cuidado com fotos da PF, outros já precisaram se explicar. Tem muita gente questionando a brotheragem da tal foto na piscina. Afinal, em uma campanha, a imagem é tudo - apesar de alguns ainda desafiarem o Mounjaro. Saiba mais!

Pérolas do Dia

Gabriel Galípolo

Gabriel Galípolo
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

"Esse é um tipo de comportamento que não é desejável, que deve ser coibido e inibido pelos reguladores e pela gente, por isso que a gente vem trabalhando muito com o FGC, numa sucessão de medidas".


Disse o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo ao criticar a pressão de instituições não bancárias para usar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) na captação de varejo.

Podcast

Vota BN: Projeto Prisma entrevista o pré-candidato ao Senado Federal Professora Delliana Ricelli (PSOL) nesta segunda

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A pré-candidata ao Senado Federal pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Professora Delliana Ricelli, é a entrevistada do Projeto Prisma nesta segunda-feira (17).

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