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Em praticamente todos os municípios baianos onde há escolas das redes pública e privada, as instituições particulares registram médias superiores no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025. Os dados, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) na última segunda-feira (22), foram analisados pelo Bahia Notícias (BN), que cruzou as informações para identificar o desempenho das escolas baianas no cenário nacional.
Ao considerar os 417 municípios do estado, 317 têm como instituição de maior média uma escola pública, enquanto 100 são liderados por escolas privadas. O resultado, no entanto, reflete a distribuição da rede de ensino: a iniciativa privada está presente em apenas parte dos municípios baianos, não em todos.
Em parte dessas cidades, as únicas instituições classificadas como "privadas" são escolas comunitárias, como as Escolas Famílias Agrícolas (EFAs), mantidas por associações civis e que, em muitos casos, recebem apoio do poder público, embora não integrem a rede estadual de ensino.
O próprio governador Jerônimo Rodrigues (PT) já fez um anúncio sobre essa parceira em promessas de campanha. Hoje a Associação das Escolas das Comunidades e Famílias Agrícolas da Bahia (Aecofaba Efas) tem tido uma postura harmoniosa com o governo do estado. Relembre:
Apesar desse modelo de financiamento, as EFAs não figuram entre as maiores médias do estado no Enem de 2025. A unidade com melhor desempenho foi a EFA de Anagé, no sudoeste da Bahia, que registrou média de 513,61 pontos. O resultado a coloca como a escola comunitária mais bem colocada no levantamento, mas ainda distante de liderar o estado, ficando na marca de 398° das instituições baianas.
Nos municípios onde há oferta das duas redes, as escolas particulares quase sempre superam as públicas em desempenho médio no Enem. Esse cenário pode ser observado em cidades como Araci, Ipirá, Barra do Mendes e Andorinha, além de diversas outras cidades onde as discrepâncias entre as médias são significativas.
Confira em números:
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Ipirá, na Bacia do Jacuipe:
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Pior média é da rede pública: 414,58.
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Maior média é da rede privada: 651,56.
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Diferença entre essas médias é: 236,9 pontos.
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Andorinha, no Piemonte Norte do Itapicuru:
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Pior média, rede pública: 439,28.
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Maior média, rede privada: 597,13.
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Diferença entre as médias: 157,85 pontos.
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Barra do Mendes, na região de Irecê:
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Pior média, rede pública: 458,09.
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Maior média, rede privada: 576,69.
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Diferença entre as médias: 118,60 pontos.
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Araci, na região do sisal:
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Pior média, rede pública: 457,57.
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Maior média, rede privada: 574,86.
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Diferença entre as médias: 117,29 pontos.
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Também há casos em que escolas públicas apresentam desempenho superior ao das instituições privadas. É o caso de Botuporã e Santo Amaro, onde a rede pública lidera a média local no Enem de 2025. Em outras cidades, as diferenças entre as redes são pequenas. Em Catu, por exemplo, o Instituto Federal da Bahia aparece apenas cinco pontos abaixo da escola privada com melhor desempenho no município, dentro da margem de variação mais estreita identificada no levantamento.
Instituições de Catu que tiveram médias muito próximas | Fotos: Reprodução / Google Maps
Confira no mapa do BN utilizando os dados do MEC para cada cidade analisada:
(Mapa Bn)
UMA MÉDIA GERAL
A nota atribuída a cada escola é determinada pela média simples entre a prova de redação e as quatro avaliações objetivas (Matemática, Linguagens, Ciências Humanas e Ciências da Natureza) de todos os estudantes matriculados que realizaram o exame no ano correspondente.
Essa métrica inclui alunos com desempenhos baixos e altos, produzindo uma média geral. O desempenho de cada estudante é consequência de seus estudos e do processo de avaliação de cada um de seus resultados. No total, 1.359 escolas baianas tiveram suas notas divulgadas e mapeadas pelo BN, em um universo de 23.571 instituições brasileiras.
Segundo os critérios do MEC, algumas instituições não foram consideradas na análise devido à ausência de dados suficientes, uma vez que são excluídas as escolas com menos de dez participantes. Além disso, os estudantes que não compareceram nos dias de aplicação das provas também foram desconsiderados no cálculo das médias, pois não havia informações disponíveis para compor os resultados.
Dados das instituições com menos de dez participantes não são divulgados pelo MEC, em conformidade com a diretriz adotada para preservar a identidade dos estudantes, respeitando a privacidade dos resultados individuais.
Prédio do MEC em Brasília e fila de estudantes que farão o Enem. | Fotos ilustrativas: Reprodução / Agência Brasil
Após a publicação das 20 melhores instituições de ensino da Bahia, leitores do BN expressaram dúvidas nas redes sociais sobre um ponto que precisa ser esclarecido: a diferença entre resultados individuais e média geral. A média geral leva em consideração o desempenho entre todos os alunos, desde os que cursam "terceiro ano" e "estudantes treineiros".
Por exemplo, um estudante do primeiro ano do ensino médio pode realizar o Enem na condição de "treineiro", apenas para conhecer o formato da prova. Nesses casos, a nota obtida integra a média da escola, mas não corresponde, necessariamente, à pontuação utilizada para disputar vagas no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) ou em outros processos seletivos de instituições de ensino superior.
As notas devem ser interpretadas como indicadores, e não como retratos absolutos da qualidade do ensino. O contexto socioeconômico exerce forte influência sobre o desempenho das escolas, especialmente em municípios e comunidades historicamente vulnerabilizados, como os anexos estaduais localizados em comunidades quilombolas da Bahia.
LEIA TAMBÉM:
- Bahia é o 2º estado com maior número de comunidades quilombolas do país;
- Enem passa a compor Saeb e vai medir a qualidade do ensino no Brasil;
- Bahia registra sexto pior índice de desenvolvimento social do Brasil no ranking IPS.
DESIGUALDADE NO INTERIOR
Em alguns municípios, a ausência de escolas particulares transforma a rede pública na única alternativa. Assim, não apenas a condição financeira, mas também a localização geográfica se torna um obstáculo literal ao acesso a uma educação de melhor qualidade. São exemplos com um colégio registrado na base de dados das cidades de Buritama e Candiba.
Nas cidades de maior porte, onde a oferta de escolas é mais diversificada, as diferenças de desempenho se tornam mais evidentes. Embora instituições públicas seletivas, como os Institutos Federais e os colégios militares, apresentem resultados superiores aos das redes estaduais e municipais, as escolas particulares continuam liderando o ranking.
Esse padrão se repete em municípios como Barreiras, Bom Jesus da Lapa, Salvador, Brumado e Santo Antônio de Jesus, onde as instituições privadas alcançam médias superiores às das escolas públicas, incluindo aquelas com melhor desempenho.
Os dados também revelam diferenças expressivas entre as redes de ensino. Em algumas cidades, a distância entre a escola pública com a menor média e a escola privada mais bem colocada chega a 100 pontos na média geral do Enem. Em contrapartida, há exceções, como Boquira, em que a diferença entre a melhor escola pública e a instituição privada é de cerca de 10 pontos.
Esses resultados indicam que as comparações devem considerar o contexto de cada município. A realidade educacional de uma cidade com cerca de 20 mil habitantes, segundo o Censo Demográfico mais recente do IBGE, difere da observada nos grandes centros urbanos, tanto pela quantidade de escolas quanto pelo perfil da oferta de ensino.
E A CAPITAL?
Segundo os dados, Salvador possui ao todo 212 colégios avaliados, com médias bastante distintas. No entanto, vale lembrar que se trata da maior cidade do estado. O BN optou, por questão editorial, por destacar apenas as 30 instituições com as maiores médias no mapa.
Para fins de interesse público, o BN disponibiliza a lista de escolas que aparecem na base de dados e foram identificadas por meio de cruzamento de dados com o código de cada instituição. Segue abaixo uma lista completa com as instituições da capital baiana.
Veja a lista abaixo:
Esses dados do Enem de 2025 na Bahia desenham menos uma linha reta entre desempenho e tipo de escola e mais um mosaico desigual, em que cada cidade reflete suas próprias condições de oferta, acesso e permanência na educação. Quando observadas em escala maior, as médias expõem distâncias que não se explicam apenas por números, mas por vidas afetadas por questões sociais e territoriais que atravessam os baianos.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Jerônimo Rodrigues
"Não está no script".
Disse o governador Jerônimo Rodrigues ao negar a possibilidade de afastamento do secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, após citação nas investigações da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura um esquema de irregularidades do Banco Master no sistema financeiro nacional. Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (29), o petista disse ao Bahia Notícias que nenhum afastamento vai ocorrer “sem motivação concreta”.