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O crescimento da cadeia produtiva asinina no Brasil tem tido desafia que vão além dos desafios econômicos e produtivos.

Foto: Divulgação
Para o zootecnista e administrador agropecuário Alex Bastos, entidades contrárias ao aproveitamento econômico dos jumentos têm divulgado informações que, na avaliação dele, dificultam o desenvolvimento de uma atividade capaz de gerar emprego, renda e oportunidades para o semiárido nordestino.
"No entanto, parte do debate público tem sido pautada por números não oficiais sobre a população de jumentos no país. Existe uma narrativa recorrente de que a espécie estaria em risco iminente de extinção. O problema é que muitos desses números não consideram fatores importantes, como o sub-registro histórico dos animais e décadas de abandono, especialmente no Nordeste", afirma.
O especialista diz que a mecanização do campo reduziu o uso da espécie nas atividades rurais. Com isso, muitos jumentos deixaram de integrar os cadastros produtivos formais e passaram a viver soltos em áreas rurais, margens de rodovias e outros espaços sem monitoramento sistemático.
"A redução dos registros oficiais não pode ser interpretada automaticamente como redução proporcional da população. É preciso diferenciar abandono de extinção. A diminuição da presença dos animais nas atividades tradicionais não significa necessariamente o desaparecimento biológico da espécie", completou.
Ele avalia que a disseminação de informações sem critérios técnicos traz impactos sobre o setor, como dificuldade para atrair investimentos privados, ampliar pesquisas científicas e desenvolver projetos voltados à conservação genética e à reprodução assistida.
"Tecnologias como a Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide (ICSI) permitem preservar linhagens, ampliar a variabilidade genética e fortalecer os rebanhos. São ferramentas importantes para garantir o futuro da espécie", acrescentou.
Outro ponto destacado por Bastos é o potencial agroindustrial da atividade. O aproveitamento de produtos derivados dos asininos é regulamentado pelo Ministério da Agricultura e segue as normas estabelecidas pelo Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa), que determina critérios rigorosos de inspeção, rastreabilidade e bem-estar animal.
Uma cena tem chamado atenção nas redes sociais. A imagem mostra quatro jegues se espojando em uma espécie de brincadeira em uma praia da cidade de Jandaíra, na divisa da Bahia com Sergipe.
? Vídeo mostra momento descontração de jegues em praia da Bahia pic.twitter.com/zo2Nj6TZVC
— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) May 19, 2025
Segundo o Canal Rural, o fato teria ocorrido no início do mês. Depois da brincadeira, os animais saem em grupo diante do observador que usa um celular para captar o fato.
A situação dos jumentos no país é motivo de preocupação de entidades, como a Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, que pede o fim do abate da espécie, que já foi proibido em 2018, mas voltou a ser permitido em 2019 pela Justiça. Na Bahia, mais especificamente em Amargosa, funciona um abatedouro desde 2017.
O estabelecimento é o único no país habilitado para exportar para a China, principal destino da pele do animal, usado para a fabricação do ejiao, um ingrediente da medicina tradicional chinesa que ajuda a melhorar a vitalidade e que tem também propriedades cosméticas.
Em 2022, o deputado estadual José de Arimateia (Republicanos) apresentou um projeto de lei contra o abate de jumentos na Bahia. No entanto, um parecer do colega Paulo Câmara (PSDB) foi contra a iniciativa, que segue parada.
O forrozeiro Adelmario Coelho lançou como forma de protesto, nesta segunda-feira (18), a música "Burro é Quem Mata Jumento", feita em parceria com o compositor Junior Vieira.
Os maus tratos que estão acontecendo contra jumentos no nordeste do Brasil, como o caso que foi denunciado em Euclides da Cunha, com cerca de 800 animais sob condições degradantes (veja aqui), tem indignado o cantor Adelmario, que nasceu e foi criado em uma região que conviveu com o animal de serventia à população.
"Um episódio triste e cruel – para não dizer ingrato – mexeu comigo, principalmente por ser um nordestino. A matança dos jumentos, principalmente na Bahia, nos causou revolta e muita tristeza", pontuou o forrozeiro.
A música, que tem em sua letra "Senhor, só vim te pedir: me livrai da extinção! Sou apenas um jumento, que sirvo a qualquer cristão, e de cristo eu sei que sou animal de estimação", tem ajudado a fomentar a discussão sobre o abate dos jumentos e jegues no país.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Kiki Bispo
"A gente pede que a oposição tenha responsabilidade com os fatos, até porque me causa estranheza a questão da competência. A Câmara não tem competência para acompanhar um fato desse episódio".
Disse o vereador e líder da oposição na Câmara Municipal de Salvador (CMS), Kiki Bispo (União), disse não ter “clima” para a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal de Salvador (CMS) após ações do Ministério Público contra o vereador George Gordinho da Favela (PP).