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ile axe opo afonja
A Escola Municipal Eugênia Anna dos Santos e a Biblioteca Maria Stella Azevedo Santos, que funcionam no terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, em São Gonçalo do Retiro, em Salvador, serão contempladas neste sábado (29), às 10h, com um novo espaço de leitura e acervo de 1200 livros.
A novidade é fruto do projeto internacional Biblioteca de Los Sueños, que chega à instituição como uma realização da CEC Brasil e patrocínio da Dow, via Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura e Governo Federal União e Reconstrução. A unidade da capital baiana é uma das duas instituições brasileiras selecionadas para receber a ação no ano de 2023, sendo a outra em São Paulo.
A iniciativa passa a beneficiar cerca de 260 estudantes, do Ensino Infantil ao Fundamental I e II, que irão contar com um espaço de convivência e leitura na escola, com títulos de autores brasileiros em língua espanhola ou bilíngue, além de livros da literatura local, mundial e sobre sustentabilidade.
O acervo agrega obras centradas na temática afro-indígena e dialoga com a preservação da identidade afrodescendente, indo ao encontro da filosofia da instituição, que aborda conhecimentos do candomblé e o respeito à pluralidade étnico-cultural no seu processo de ensino aprendizagem. O novo acervo será dividido entre a escola e a biblioteca.
A Biblioteca Ikojppo Ilê Iwe Axé Opô Afonjá, também chamada de Biblioteca Maria Stella Azevedo Santos, foi fundada em 1996 e mantém, além do ambiente religioso em si, outros espaços de formação, preservação e difusão da memória e identidade afrodescendente no Brasil, dispondo ainda de um acervo de produções de dissertações e teses de filhos do próprio terreiro.
O empenho de Mãe Ana de Xangô de comemorar os 27 anos de uma biblioteca instalada em um terreiro de candomblé traduz a necessidade de continuar a congregar leitores e demonstra a importância de bibliotecas comunitárias no cotidiano de quem habita e visita o local.
O pano de fundo do projeto Biblioteca de Los Sueños, idealizado pela CEC Brasil, é a divulgação da literatura brasileira e a valorização do livro como fonte de conhecimento e intercâmbio cultural a partir da criação de espaços de leitura em países da América do Sul. Em 2023, o projeto inaugura um total de cinco unidades, sendo duas no Chile, duas no Brasil (São Paulo e Salvador) e uma no Uruguai.
“Recebemos com muita alegria a Biblioteca de Los Sueños na nossa escola. Ampliar espaços de leituras negras é resgatar memórias, entrelaçar e disseminar culturas através de acervos identitários afrocentrados. É permitir às crianças negras mais leituras, conhecimento e uma educação antirracista. Agradecemos o presente com um abraço Ubuntu e olhar afiado para combatermos toda prática racista, desmarcando sempre a frase de Obá Biyi (Mãe Aninha): ‘Eu quero ver meus filhos com o anel nos dedos aos pés de Xangô’, fortalecida na flecha certeira de Odé Kayodê (Mãe Stella) quando nos disse: ‘O que não se registra o vento leva’. E assim, registramos mais uma vez nossa luta pela equidade social”, afirma Iraildes Nascimento, Egbomi do Ilê Axé Opô Afonjá e gestora da Escola Municipal Eugênia Anna dos Santos.
"Na condição de yalorixá, a implantação do Projeto Biblioteca de Los Sueños na Biblioteca Comunitária Ikojppo Ilê Iwe Axé Opô Afonjá e na nossa Escola Municipal Eugênia Anna dos Santos é muito importante para nosso Egbé e comunidade do entorno de São Gonçalo do Retiro e Cabula. A experiência de implementação da biblioteca nas dependências do terreiro é fundamental no reforço de políticas públicas com organizações governamentais e não governamentais para o apoio às bibliotecas comunitárias nos diversos espaços, e principalmente em terreiros de candomblé, estimulando a leitura e acesso a livros, também com o objetivo de preservar e difundir conhecimentos e história dos africanos no Brasil”, declara Mãe Ana de Xangô.
Professora, pedagoga e mobilizadora social com experiência em projetos socioeducativos, Ana Verônica Bispo Santos, ou Mãe Ana de Xangô, é a 6ª sucessora de Eugenia Anna dos Santos, mais conhecida como Mãe Aninha, Obá Biyi, fundadora do Ilê Axé Opô Afonjá em 1910. Ela assumiu em 2019 o cargo de yalorixá, sucedendo Mãe Stella de Oxóssi.
Além de estar voltada para regiões de vulnerabilidade social, a implantação das unidades do projeto Biblioteca de Los Sueños tem como critério a formação de mediadores para o novo espaço, dentro de uma lógica de dinamização de práticas de leitura, formação do leitor e capacitação sobre literatura brasileira. As instituições beneficiadas são, em sua maioria, escolas, creches, centros culturais ou associações situadas nas periferias de cidades latino-americanas.
“Essa unidade do Biblioteca de los Sueños promove a diversidade literária, fortalecendo a identidade e ampliando as vozes da comunidade literária negra, construindo assim pontes para um mundo mais igualitário e inclusivo”, comenta Kaline Vânia, diretora administrativa da CEC Brasil.
Para Greg Oliveira, diretor do complexo industrial da Dow na Bahia, “o apoio à Biblioteca de Los Sueños corrobora com o compromisso da Dow de minimizar a lacuna educacional entre jovens de famílias em situação de vulnerabilidade, promovendo também os pilares da inclusão e da diversidade. É com orgulho que temos conseguido aumentar nossos investimentos sociais, em especial na Bahia. Alavancar projetos tão importantes como esse nas localidades onde operamos e ajudar a viabilizar maior desenvolvimento social e comunidades mais inclusivas é uma de nossas prioridades e intrínseca ao papel social que entendemos que a empresa detém”, avalia o executivo.
Trazendo como mote a riqueza dos ritmos entoados no candomblé de Salvador e sua influência na construção da música popular brasileira, o documentário “Orin: música para os Orixás” terá sua pré-estreia entre os dias 19 e 26 de maio, nos terreiros do Gantois, Afonjá e Omorossí, e na Fundação Pierre Verger, na capital baiana. Após a exibição, haverá um debate sobre a temática, com a presença de participantes do filme. O longa-metragem, dirigido por Henrique Duarte, é composto por imagens captadas em festas dedicadas aos Orixás, performances de dança, apresentações ao vivo e entrevistas com pais de santo, etnomusicólogos, estudiosos da religião e artistas da cena baiana, a exemplo de Mateus Aleluia, Gabi Guedes, Letieres Leite e Gerônimo Santana. “Orin: música para os Orixás” foi financiado pelo edital Arte Todo Dia, da Fundação Gregório de Matos.
SERVIÇO
Pré-estreia do documentário "Orin: música para os Orixás"
19/05, às 18h, no Terreiro do Gantois – Salvador (BA)
23/05, às 10h, no Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá - Salvador (BA)
24/05, às 19h, na Fundação Pierre Verger - Salvador (BA)
27/05, às 16h, no Terreiro Ilê Axé Inginoquê Omorossí - Salvador (BA)
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Bacelar
"É a melhor que poderia ser construída".
Disse o deputado federal da Bahia, Bacelar (PV) ao avaliar a escolha do grupo governista em manter uma chapa “puro-sangue” para a disputa estadual deste ano. Em entrevista ao Bahia Notícias no Ar, na Rádio Antena 1 Salvador, nesta segunda-feira (25), o parlamentar alega que esta formação é “a melhor chapa que poderia ser construída”.