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Marcus Gusmão lança livro sobre suas experiências na União Soviética durante a Guerra Fria. O livro 'Rua Mikhlukho-Maklaia' traz memórias de um jovem baiano e suas aventuras em Moscou. O projeto editorial é uma colaboração com artistas e resgata a estética das edições cartoneiras.
O jornalista e escritor baiano Marcus Gusmão lançará, no dia 6 de julho, o livro "Rua Mikhlukho-Maklaia" pela editora Licuri Livros Artesanais. Na obra, o jornalista explora as experiências vividas em quase dois anos vivendo na União Soviética em 1983, um dos períodos mais tensos da Guerra Fria. O evento será no Acarajé da Ana, em Daniel Lisboa, Brotas.
Na época, o autor estudava na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia e tinha apenas 22 anos. Gusmão deixou Salvador rumo à União Soviética, trocando a ditadura militar do Brasil pela Guerra Fria que o país do norte asiático estava enfrentando, passando quase dois anos atrás da mítica Cortina de Ferro.
Cartas, selos postais e fotografias feitas pelo jornalista ajudam a contar a história e montam o painel de memórias reconstruído pelo autor. Os textos reúnem momentos da vida em um dos únicos países do mundo que passaram pela experiência do socialismo real, com aventuras de um mundo que deixou de existir. No prefácio, a jornalista Ana Lívia Lopes lembra que Moscou, para quem viveu a atmosfera da Guerra Fria nos anos 80, "existia mais como símbolo político do que como cidade real". Mas o livro, observa, "mostra justamente o contrário: ruas, quartos coletivos, bosques, metrôs, neve, saudade e amizades improváveis".
Por ser um livro de memórias, o próprio Marcus avisa que não é exatamente uma dessas pessoas que conseguem lembrar com exatidão de tudo que viveu, mas essa não é o propósito do livro. "Como disse Waly Salomão, a memória é uma ilha de edição", pondera. A proposta real é seguir as trilhas de lembranças que ficaram marcadas no autor, em especial pelos afetos construídos e imagens que o impactaram.
O fio condutor são as aventuras do jovem baiano ao lado de estudantes vindos de várias partes do mundo, em especial do "Terceiro Mundo", reunidos na célebre Universidade Patrice Lumumba, em Moscou. O título do livro, inclusive, faz referência ao bloco de dormitórios onde os alunos ficavam alojados. Histórias irreverentes marcam a obra, como a abordagem por um guarda de madrugada, após o narrador urinar ao ar livre numa praça pública em Leningrado, hoje São Petersburgo, ou quando o autor corre risco de afogamento por caminhar em um rio coberto de gelo.
O livro tem o charme das edições cartoneiras, um movimento cultural e literário independente que se caracteriza pela produção de livros artesanais, muitas vezes com materiais reciclados. Esse é o quarto livro do autor pela Licuri, editora fundada em 2019. O artista gráfico Mauro Ybarros assina o projeto e a editoração de "Rua Mikhlukho-Maklaia", já tendo feito esse trabalho nos demais títulos de Marcus Gusmão. Outro parceiro importante no novo livro foi o fotógrafo André Motta de Lima, que recuperou velhos cromos de fotos feitas com uma câmera russa Zenit, já estragados por fungos. "Foi uma ajuda fundamental", avalia Marcus.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
João Roma
"A lei não pode ter lado político".
Disse o presidente estadual do PL na Bahia e pré-candidato ao Senado Federal pelo estado, João Roma, utilizou as redes sociais nesta sexta-feira (19) para comentar a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal (PF), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), que teve como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado.