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Em meados da década de 1940, Salvador vivia intensamente o futebol amador. Estádios, público apaixonado e rivalidades que já acendiam o coração da cidade. Neste cenário, aconteceu algo raro: em 1946, o modesto Associação Desportiva Guarany, de Salvador, conquistou o seu primeiro — e único — título estadual, derrotando gigantes históricos como Bahia e Ypiranga.
Esse momento icônico do esporte do estado foi o escolhido para o sexto e penúltimo episódio de uma série especial que o Bahia Notícias conta nesta sexta-feira (1º). A ideia da série é destacar grandes equipes do futebol baiano que fizeram história, deixaram fãs apaixonados e marcaram seus nomes nos estádios.
A competição daquele ano reuniu sete clubes da Bahia e foi disputada em turno único. O Guarany somou impressionantes 26 pontos em 18 jogos, com 12 vitórias, dois empates e quatro derrotas, saldo de gols positivo de 11 e média superior a dois gols por partida. Ao final da primeira fase, Guarany e Ypiranga terminaram empatados na ponta da tabela, o que levou à realização de uma emocionante decisão em melhor de três partidas, disputadas no Estádio da Graça entre fevereiro e março de 1947.

Foto: Reprodução
Entre as principais escalações do Guarany nas decisões, a base é formada por: Menezes; Bolívar e Bacamarte; Manu, Zé do Correio (ou Berto) e Sabino; Camerino, Mundinho, Elísio, Tuta e Aurélio.
O primeiro jogo, no dia 23 de fevereiro, terminou empatado em 2 a 2, com gols de Chaves e Pequeno para o Ypiranga, enquanto Elísio e Camerino marcaram para o Guarany. Três dias depois, em 26 de fevereiro, Elísio voltou a balançar as redes e garantiu a vitória por 1 a 0 para o alvinegro. A consagração veio em 16 de março: com gols de Mundinho e novamente Elísio, o Guarany venceu por 2 a 0 e levantou a taça diante de um público que reconheceu o feito inédito.
O time campeão teve como base a escalação formada por Menezes; Bolívar e Bacamarte; Manu, Zé do Correio (ou Berto) e Sabino; Camerino, Mundinho, Elísio, Tuta e Aurélio. Confira:
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Montagem: Thiago Tolentino/Bahia Notícias
A tabela final da competição mostrou a força da campanha: Guarany em primeiro com 26 pontos, seguido pelo Ypiranga com 23. O artilheiro da competição foi Pequeno, do Ypiranga, com 18 gols, enquanto Elísio, do Guarany, brilhou com 12 e foi o grande destaque da equipe campeã. A consistência na fase classificatória, aliada ao desempenho decisivo na reta final, selou a conquista histórica. Confira abaixo a campanha na série melhor de três:
23/02/1947 – Ypiranga 2 x 2 Guarany
Gols: Chaves e Pequeno (Ypi); Elísio e Camerino (Gua)
26/02/1947 – Guarany 1 x 0 Ypiranga
Gol de Elísio garantiu vantagem ao Guarany.
16/03/1947 – Guarany 2 x 0 Ypiranga
Mundinho e Elísio marcaram, fechando a série e consagrando o título ao clube.
O título de 1946 foi o único da história do Guarany, clube fundado em 1920 e já extinto atualmente. Em uma era dominada por Bahia, Vitória e Ypiranga, a conquista alvinegra foi rara — e deixou um marco na memória do futebol baiano. A campanha mostrou a superação de um clube menor frente a um gigante como o Ypiranga: empate, vitória apertada e triunfo categórico no jogo final.
A conquista daquele ano carrega consigo um simbolismo. Foi uma das raras vezes em que um time de fora do eixo dominante da capital se sagrou campeão estadual. O Guarany representou a força do futebol da Cidade Baixa e desafiou a lógica de um cenário centralizado em poucos clubes. Mesmo extinto, o clube permanece até hoje no ranking dos campeões baianos — um lembrete de que, no futebol, glórias podem surgir de onde menos se espera.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
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"Os extremos não servem para nós. Nem uma polícia que não dê conta do seu papel, nem uma polícia que possa entrar no exagero e fazer ações fora do conceito de um servidor público. A polícia tem que garantir a segurança das pessoas e não ameaçá-las".
Disse o governador Jerônimo Rodrigues ao ser sabatinado na TV Aratu, nesta terça-feira (4) e abordou um dos temas mais sensíveis de sua gestão: a segurança pública e a atuação da Polícia Militar. Respondendo a questionamentos do jornalista Maurício Leiro, editor de política do Bahia Notícias, sobre a implementação das câmeras corporais nos fardamentos e suspeitas de excessos policiais, Jerônimo afirmou que "não passa a mão na cabeça" de quem atua fora dos padrões.