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furtos de cabos
O acúmulo desordenado de cabos de telecomunicações nos postes de Salvador é um dos gargalos enfrentados pela prefeitura na expansão da rede de fios elétricos subterrâneos na cidade. O excesso de fios inativos, classificados como “mortos”, seria um dos fatores que estariam impedindo a ampliação do projeto na capital baiana.
Os fios inativos são aqueles deixados por empresas após o cancelamento de serviços de telefonia ou internet. A inatividade também pode ocorrer quando operações são fechadas ou encerradas. Segundo informações obtidas pelo Bahia Notícias com interlocutores da gestão municipal, a Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) seria a proprietária e gestora de todos os postes da cidade, além de responsável por alugar os equipamentos a empresas de telecomunicações.
A companhia ficaria à frente do controle e da fiscalização do uso dessas infraestruturas. Entretanto, algumas obras de aterramento e rebaixamento dos cabos também estariam sendo realizadas pela administração municipal, conforme informações enviadas ao BN, com o objetivo de viabilizar o avanço do projeto.
Apesar dessas atuações, algumas empresas de telecomunicações não estariam cumprindo a obrigação de rebaixar a fiação, gerando pendências no processo e dificultando a expansão da rede subterrânea para outros locais do município. Além disso, outro fator que estaria impedindo a expansão da rede subterrânea estaria relacionado ao avanço da violência e à atuação de facções. De acordo com informações obtidas pela reportagem, equipes estariam prontas para realizar intervenções e serviços de manutenção, mas a execução dos trabalhos teria sido impedida pelas condições de segurança em áreas afetadas pelo tráfico de drogas.
Vale lembrar que, em 2024, segundo matéria do Jornal Metrópole, apenas 6% da rede elétrica de Salvador era subterrânea. Na época, a Coelba informou que estava previsto o aterramento de 44 km adicionais de rede elétrica até o final de 2027.
Entre os bairros que já contavam com esse tipo de rede estavam Barra, Ondina e Pituba, entre outros. Algumas áreas da orla, como Barra e Ondina, recebem, durante o Carnaval, a extensão total do projeto para a realização da festa momesca. Já em maio deste ano, um grupo de homens foi flagrado furtando cabos de uma rede subterrânea em um trecho da Avenida Manoel Dias da Silva, no bairro da Pituba, área nobre de Salvador.
Testemunhas chegaram a gritar “pega ladrão”, mas foram ignoradas pelos suspeitos. Nas imagens, é possível identificar a ação de ao menos quatro pessoas ao redor da fiação, sendo que três delas agiram diretamente no furto. Além dos gritos, o grupo também ignorou o fato de estar sendo filmado.
Os suspeitos removeram a tampa de proteção da rede e, enquanto um dos homens entrou no buraco para puxar o fio, outros dois, do lado de fora, também puxavam e serravam o material. Em seguida, o homem retornou ao local, colocou a tampa no lugar e todos fugiram. A Polícia Civil (PC-BA) informou que um dos homens, de 32 anos, foi preso por uma policial militar. O suspeito foi levado para a Central de Flagrantes (Cenflag/Salvador), onde permanecia custodiado, à disposição do Poder Judiciário.
Em nota enviada ao BN, a Neoenergia Coelba informou que a instalação, operação, manutenção e retirada dos cabos de telecomunicações são de responsabilidade das respectivas operadoras. Segundo a Coelba, a ocupação dos postes da rede elétrica por empresas de telecomunicações é disciplinada pela regulamentação conjunta da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
"A distribuidora realiza ações permanentes de ordenamento da rede, com o objetivo de garantir a segurança da população e o uso adequado dos postes. Entre essas iniciativas está a Operação Gatonet, realizada há mais de dois anos, que atua na retirada de cabos irregulares, clandestinos e em desuso. Em 2026, já foram retiradas mais de 63 toneladas de cabos em Salvador, volume 16% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Em todo o estado, foram removidas mais de 904 toneladas", disse a empresa.
"Nos projetos de expansão da rede elétrica que envolvem a instalação subterrânea da fiação, a Neoenergia Coelba comunica previamente as empresas de telecomunicações que possuem cabos instalados nos trechos das obras, para que realizem a retirada ou adequação de suas redes dentro do cronograma necessário à execução dos serviços. Quando a retirada não ocorre no prazo previsto, as operadoras são formalmente notificadas para a regularização. A Neoenergia Coelba reforça que não é responsável pela operação, manutenção ou retirada dos cabos de telecomunicações, cabendo essas atividades às respectivas operadoras", completou.
Matéria atualizada
O furto de cabos e equipamentos da iluminação pública gerou um prejuízo superior a R$ 4,2 milhões aos cofres públicos de Salvador em 2025, o que representa um aumento de 57% em relação a 2024, segundo levantamento da Diretoria de Serviços de Iluminação Pública (Dsip) da Prefeitura.
Ainda de acordo com o órgão, a metragem de cabos subtraídos avançou 26,5% no período, passando de 38.177 metros em 2024 para 48.280 metros em 2025.
Os trechos mais afetados se concentram em Brotas, principalmente nas regiões das avenidas ACM, Juracy Magalhães, Vasco da Gama e Bonocô; no Tororó, com foco no entorno do Dique do Tororó; e na área de São Cristóvão, incluindo BA-099, Boquira e o Complexo Viário.
Além do custo financeiro, os furtos provocam instabilidade no fornecimento de iluminação, impactam a mobilidade urbana, comprometem a segurança viária e afetam diretamente a população em bairros com grande circulação de pessoas.
Diante do cenário, a Diretoria de Iluminação tem adotado medidas para dificultar a ação criminosa e mitigar perdas, por meio de obras estruturais antivandalismo, com cabos enterrados em maior profundidade e protegidos por concreto, caixas de passagem concretadas e seladas, substituição do cobre por alumínio, instalação de grades galvanizadas em passarelas, travamentos mecânicos, sistemas antifurto e monitoramento por câmeras em trechos críticos.
Além disso, operações de fiscalização também foram ampliadas, com destaque para a Operação Metallis, realizada em parceria com a Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Civil Municipal e outros órgãos, com foco na repressão ao furto e à receptação de materiais metálicos em ferros-velhos e depósitos de sucata.
O diretor de Iluminação Pública, Ângelo Magalhães, destaca que os furtos geram perda financeira ao erário e de oportunidades de desenvolvimento para a população. “Cada metro de cabo furtado e cada equipamento que precisamos repor significam dinheiro público sendo gasto para refazer algo que já estava funcionando. Esses mais de quatro milhões de reais poderiam estar aplicados na ampliação de áreas iluminadas, modernização de parques e avenidas e implantação de novos projetos”, afirma.
Ainda segundo o diretor, a população pode ser uma aliada importante no enfrentamento desse problema, sobretudo com denúncias feitas sob anonimato, por meio dos canais oficiais de atendimento - o Disque Salvador 156, o portal Salvador Digital (falasalvador.ba.gov.br) e o WhatsApp de emergência da Dsip: (71) 9946-3923, disponível para situações críticas, como apagões e postes danificados.
A Companhia de Transportes da Bahia (CTB) contratou por R$ 3.543.554,00 a empresa MPE Engenharia e Serviços para implantar uma proteção mecânica para impedir os furtos de cabos do Tramo 3 da Linha 1 do Metrô de Salvador.
O documento publicado na edição desta terça-feira (14) do Diário Oficial do Estado (DOE) detalha que a operação consiste na “instalação de eletrocalha e abraçadeiras reforçadas ao longo do trecho da via permanente entre a Estação Pirajá e até a zona de manobra da Estação Águas Claras".
Os furtos de cabos são as principais causas de lentidão no sistema metroviário da capital. Somente em setembro, o modal apresentou ao menos quatro dias em que os passageiros enfrentaram dificuldades de locomoção por conta do problema (reveja aqui, aqui, aqui e aqui).
ESTAÇÃO ÁGUAS CLARAS
A estação Águas Claras, que integra o Tramo III do Metrô Salvador-Lauro de Freitas, está passando pelos últimos ajustes para ser entregue à população. Apesar de não ter uma data definida, a expectativa é que a entrega do equipamento aconteça nas próximas semanas.
Em outubro, a secretária de Desenvolvimento Urbano, Jusmari Oliveira, e o secretário da Casa Civil, Afonso Florence, acompanhados de técnicos e engenheiros, também realizaram uma viagem teste no trecho, que possui cerca de cinco quilômetros de extensão, a partir da estação Pirajá, onde está sendo construído um terminal de ônibus.
O Tramo III expande o metrô dos atuais 33 km em operação para, aproximadamente, 38 km. A obra inclui duas estações de metrô, dois terminais de ônibus, sistema de segurança, desapropriações, dentre outras providências.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Navi Pillay
"Talvez dividiria com Trump".
Disse a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026 nesta sexta-feira (9), a jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay ao brincar com a reação do público e declarou que, se os aplausos continuassem, "talvez dividiria o prêmio com Trump". Em tom descontraído, a premiada questionou se o anúncio era real: "Como advogada e juíza, ainda quero verificar se tudo isso é verdade", brinca.