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Artigos

Adriano Sampaio
Cartografia da Erosão Eleitoral
Foto: Acervo pessoal

Cartografia da Erosão Eleitoral

Em uma janela eleitoral curta, a erosão não depende apenas do conteúdo de uma narrativa. Ela emerge da interação entre alcance, repetição, credibilidade percebida, congruência identitária, carga moral, capacidade de correção e propensão à abstenção ou mudança de escolha.

Multimídia

“A política tem que voltar a conquistar as pessoas”, pede Grizenti sobre abstenção e votos nulos

“A política tem que voltar a conquistar as pessoas”, pede Grizenti sobre abstenção e votos nulos
Em entrevista concedida ao podcast Projeto Prisma, do portal Bahia Notícias, nesta segunda-feira (5), o cientista político Eduardo Grizenti avaliou o índice de abstenções e de votos brancos e nulos no primeiro turno das Eleições 2026, realizado neste domingo (4). Durante o programa, Grizenti argumentou que o debate sobre a obrigatoriedade do voto não é a questão central para explicar a ausência dos eleitores nas urnas.

Entrevistas

Entrevista Exclusiva: Ministra Rachel Barros detalha ações do MIR para a população negra

Entrevista Exclusiva: Ministra Rachel Barros detalha ações do MIR para a população negra
Nesta segunda-feira (10), a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, esteve em Salvador para participar do Colóquio Internacional Cultura, Relações Exteriores, Desenvolvimento e Reparação. O evento, que acontece nas cidades de Salvador e Cachoeira, integra as celebrações pelos 25 anos de fundação do FENEBA e desdobra as discussões iniciadas no 9º Congresso Panafricano, sediado em Lomé, no Togo.

flexibilizacao de ferias

Juízes e procuradores flexibilizam férias para terem seis meses de folga por ano
Foto: Ana Araújo / CNJ

Juízes federais e integrantes do Ministério Público passaram a contar com regras mais flexíveis para o parcelamento das férias de 60 dias anuais, o que, segundo levantamento da Folha de S.Paulo, pode permitir até 178 dias de folga por ano quando somados fins de semana, recesso forense e períodos de descanso previstos na legislação.

 

A alteração foi aprovada em 2025 pelo Conselho da Justiça Federal (CJF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que passaram a permitir o fracionamento dos 60 dias de férias em até 12 períodos de cinco dias cada. A medida possibilita que magistrados e procuradores utilizem os períodos de descanso de forma a aproveitar fins de semana e feriados, reduzindo a sobreposição entre férias e dias que já não seriam trabalhados.

 

De acordo com os cálculos apresentados pela reportagem, os 60 dias de férias, somados aos 104 dias correspondentes a sábados e domingos e aos 18 dias de recesso forense, dos quais entre quatro e seis coincidem com fins de semana, a depender do ano, resultariam em até 178 dias de descanso anual. O número não considera feriados nem outras licenças que podem ampliar o período de afastamento das atividades.

 

A situação contrasta com a realidade dos trabalhadores da iniciativa privada. Segundo a Folha, um empregado submetido à escala 6x1 tem 78 dias de folga por ano, enquanto um trabalhador ou servidor com jornada 5x2 soma 124 dias de descanso anuais.

 

A flexibilização também pode impactar a remuneração. Como o parcelamento permite períodos menores de férias, magistrados e procuradores podem organizar os afastamentos de modo a maximizar dias consecutivos de descanso utilizando apenas parte do saldo de férias. Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a indenização de até 30 dias de férias não usufruídas dentro do período de um ano. Os valores pagos possuem caráter indenizatório e não são submetidos à incidência de Imposto de Renda.

 

A reportagem cita o caso de uma juíza de Pernambuco que, com salário de R$ 33.689,11, recebeu R$ 1,3 milhão em um único mês a título de indenização por férias não usufruídas.

 

As normas aprovadas pelo CJF e pela PGR não vedam expressamente o uso de períodos de cinco dias em semanas consecutivas, desde que haja interrupção nos fins de semana. Até então, procuradores podiam parcelar as férias em até seis períodos de dez dias, enquanto juízes federais estavam limitados a dois períodos de 30 dias.

 

A Folha informou ter questionado o CJF e a PGR sobre eventual vedação a essa prática, mas afirmou não ter recebido resposta. Em nota, a PGR declarou apenas que a portaria editada “seguiu a alteração promovida pela Justiça Federal”. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por sua vez, informou que cabe a cada tribunal estabelecer as regras para fruição das férias dos magistrados.

 

A flexibilização das férias se soma a outras mudanças. Em 2024, o CNJ aprovou norma que permite a suspensão das férias em casos de licença para tratamento de saúde do magistrado, doença de familiar, nascimento de filho, adoção, acidente em serviço ou falecimento de cônjuge ou familiar, mesmo quando o período de descanso já estiver em curso.

 

Além disso, magistrados e membros do Ministério Público podem acumular dias de afastamento por meio de benefícios como a licença compensatória por acúmulo de funções, que concede um dia de folga a cada três trabalhados, e a atuação remota de magistrados federais em projetos de outras regiões da Justiça Federal, que pode gerar dois dias de licença para cada semana de trabalho.

 

O coordenador de projetos da Transparência Brasil, Cristiano Pavini, afirmou que há preocupação com possíveis reflexos da decisão do STF que limitou os chamados penduricalhos das carreiras jurídicas. Segundo ele, “Há receio de que façam uma interpretação muito específica, de deixar de pagar a licença compensatória em pecúnia e transformar em descanso. É quase como se você tivesse uma greve, uma operação tartaruga, com o usufruto máximo dos privilégios de descanso dessas carreiras para compensar uma perda financeira”.

 

Pavini também defendeu maior atuação dos órgãos de controle. “É essencial que o CNJ e o CN-MP [Conselho Nacional do Ministério Público] atuem no controle a esses privilégios e não como sindicatos avalistas”, declarou.

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
Procura-se urgentemente uma marca de pijama que dê patrocínio, ou pelo menos faça um preço mais camarada, depois das eleições desse ano. A sensação que ficou é ninguém ganhou e ninguém perdeu, mas todo mundo perdeu. Pro lado do Cacique, o grupo saiu "triste-alegre". Triste com a iminente derrota do Molusco, e alegre com o novo banho que deu no Soberano - sobretudo aqui em Salvador. Já o lado do Soberano o clima é de enterro. Um monte de gente sem mandato pra acomodar, uma conta enorme pra pagar, e a PF no cangote. Teremos que esperar...

Pérolas do Dia

Navi Pillay

Navi Pillay
Fotos: Reprodução / Redes Sociais / The White House [A Casa Branca]

"Talvez dividiria com Trump".

 

Disse a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026 nesta sexta-feira (9), a jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay ao brincar com a reação do público e declarou que, se os aplausos continuassem, "talvez dividiria o prêmio com Trump". Em tom descontraído, a premiada questionou se o anúncio era real: "Como advogada e juíza, ainda quero verificar se tudo isso é verdade", brinca.

Podcast

Projeto Prisma recebe o cientista político do INCT.DD Eduardo Grizenti nesta segunda

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O pesquisador trará um panorama detalhado do mapa eleitoral desenhado pelas urnas, o peso das redes sociais na definição dos votos nas disputas majoritárias e proporcionais, além dos cenários e tendências políticos para a Bahia e o Brasil nos próximos anos.

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