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Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (9), o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, alertou para o risco que as instituições brasileiras correm com a crise vivida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No documento intitulado “Não vamos desistir do Brasil”, Alban cobrou das autoridades públicas uma reação “vigorosa, justa e responsável” para impedir o aprofundamento da crise.
“A República enfrenta um teste de integridade inédito. As sucessivas crises que ocorrem em Brasília colocam as instituições em risco. Os recorrentes episódios podem lançar o Brasil num momento de especial gravidade, pois a confiança da população nos poderes públicos é alicerce da democracia”, disse Alban.
A CNI foi uma das cerca de três mil entidades do setor produtivo brasileiro que assinaram um manifesto que pede ao STF transparência, imparcialidade e celeridade na análise de episódios recentes que envolvem os ministros da Corte. O documento defende que os fatos sejam examinados pelo plenário do STF, em sessão pública e com urgência, além de reforçar o princípio de que ninguém está acima da lei.
Na mesma linha, o presidente da CNI, no seu comunicado “Não vamos desistir do Brasil”, destacou a importância da atuação das instituições para a preservação do Estado de Direito. Ricardo Alban fez um alerta sobre a necessidade de os próximos passos da crise acontecerem com “equilíbrio e atenção”.
“Não podemos deixar que questões políticas, eleitorais ou crises institucionais travem o desenvolvimento. Não podemos, mais uma vez, perder as oportunidades de crescimento no cenário internacional”, colocou o dirigente principal da indústria brasileira.
“Por isso, convocamos todos os poderes constituídos, empresários e trabalhadores pelo consenso em torno de temas estratégicos para o País, como o estabelecimento de metas fiscais e políticas econômicas estruturantes que possam garantir investimentos e crescimento econômico. Isso só se dará de forma justa, com amplo direito à defesa, sem que haja qualquer influência político-partidária”, completou Ricardo Alban em seu comunicado.
O manifesto conjunto assinado pelas entidades e que foi capitaneado pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) faz o mesmo apelo por soluções emergenciais e transparentes para o abrandamento da crise, além de destacar que o Supremo Tribunal Federal é o “guardião da Constituição”, mas que não está “dispensado de prestar contas”.
“Quem julga a Nação há de submeter-se, com idêntico rigor, ao julgamento do Direito, da Sociedade e da História. A Constituição que a Corte protege é a mesma que lhe impõe julgamentos transparentes, justos e decisões fundamentadas”, observam as entidades.
O manifesto afirma ainda que a sociedade brasileira exige que o “Plenário do Supremo examine em sessão pública os fatos, decida com absoluta urgência, sem subterfúgios e sem corporativismo”.
Atuando como presidente da República em exercício, o vice-presidente Geraldo Alckmin compareceu nesta segunda-feira (23) à primeira reunião da diretoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em 2026, e ouviu do empresariado pedidos para que o governo atue para adiar o debate sobre a mudança na jornada de trabalho.
No encontro, em que foram firmadas parcerias do governo federal com a entidade para fortalecer a defesa comercial e reduzir burocracias na indústria, o presidente da Fiesp, Paulo Skaff, afirmou que escala 6X1 e ano eleitoral “não combinam”. Skaff pediu que o tema retorne à pauta apenas no próximo ano.
“A gente precisa que essa discussão vá para 2027. Nós estamos abertos sempre a debater tudo. Só que, ano eleitoral, as emoções, os sentimentos, as motivações, muitas vezes se confundem com os interesses do país”, declarou Skaf, antes de passar a palavra a Alckmin em reunião na sede da Fiesp.
A Fiesp é mais uma entidade que se coloca contra a mudança na jornada de trabalho. Nesta segunda (23), a Confederação Nacional do Comércio (CNC) também divulgou um levantamento em que diz que o custo total de adequação ao fim da escala 6x1 no comércio é estimado em R$ 122,4 bilhões anuais, valor que representaria aumento instantâneo de 21% na folha salarial do segmento. No setor de serviços, o impacto estimado é de R$ 235 bilhões.
O documento da CNC diz que, entre os trabalhadores formais do comércio varejista, 93% cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais, e entre os trabalhadores do atacado, 92% se encontram na mesma situação. Segundo a entidade, o “choque” pode resultar em 631 mil empregos formais a menos no curto e médio prazos.
Na reunião da Fiesp, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, se comprometeu a levar ao presidente Lula a visão da entidade. Alckmin e Skaf assinaram dois Protocolos de Intenções durante encontro.
Um dos protocolos é voltado à promoção do comércio justo e ao fortalecimento da defesa comercial contra práticas desleais e ilegais que prejudicam o comércio exterior. Já o protocolo sobre ações de desburocratização aborda a revisão de regulamentações consideradas excessivas ou sobrepostas no meio industrial, a digitalização de serviços públicos e a burocracia na indústria brasileira.
“A cooperação com o setor produtivo na defesa comercial vai contribuir para fortalecer o comércio justo e promover um ambiente concorrencial mais equilibrado”, afirmou o presidente em exercício.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Tânia Scofield
"Na verdade, o que a gente encontra hoje na rua de Salvador é uma faixa de veículo assim, bem acima do necessário. Esse acima do necessário permite inclusive que um carro ultrapasse, porque às vezes tem 3 metros e meio, 3 metros, às vezes 4 metros".
Disse a presidente da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), Tânia Scofield, durante entrevista nesta terça-feira (8) ao programa Bahia Notícias no Ar, ao comentar a preocupação de parte dos motoristas com a redução do espaço para os carros nas obras de requalificação da Avenida Lafayette Coutinho, popularmente como Avenida Contorno é uma "percepção um pouco equivocada".