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Duas mulheres denunciaram um caso de intolerância religiosa cometido por um motorista de aplicativo em Alagoinhas, no Agreste baiano. As clientes, que usavam vestimentas usadas no candomblé, teriam sido retiradas do carro antes do final da corrida pelo condutor, além de serem ofendidas.
O caso teria ocorrido na noite do último dia 4 de fevereiro, informou o Alagonews, parceiro do Bahia Notícias, e foi registrado em boletim de ocorrência.
Em relato à polícia, as passageiras contaram que durante o trajeto perceberam que o motorista seguia por um caminho diferente do destino indicado no aplicativo. Ao orientarem o condutor sobre a rota correta, as mulheres afirmam que passaram a sofrer ofensas, xingamentos e ameaças.
Uma delas relatou que o motorista as chamou de “vagabundas” e afirmou que elas estariam “carregando um monte de diabo”. Elas disseram que foram obrigadas a descer do carro, mesmo com a corrida já paga. O homem ainda teria ameaçado passar com o veículo por cima delas, dizendo que “anda com Deus”.
REPÚDIO
A Federação do Culto Afro-Brasileiro (Fenacab) – Regional Alagoinhas, divulgou neste domingo (7) uma nota de repúdio contra o caso, classificando o episódio como racismo religioso. No documento, a entidade afirma que as vítimas sofreram ofensas, ameaças e constrangimento, além de terem sido retiradas do veículo de forma abrupta, sem o cancelamento da corrida já paga.
A Fenacab informou ainda que o caso foi registrado na 2ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin) de Alagoinhas e encaminhado ao Ministério Público da Bahia e à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais. A entidade acompanha o caso com apoio jurídico.
Por fim, a federação manifestou solidariedade às vítimas e reforçou a defesa da liberdade religiosa, direito garantido pela Constituição Federal.
A Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) realizou, nesta quarta-feira (4), um ato em defesa da valorização das religiões de matrizes africanas. Com o tema “O Yawô de hoje será o babalorixá do futuro”, o evento foi proposto pelo deputado Eures Ribeiro (PSD) e contou com a presença de mais de 300 pessoas que lotaram o auditório.
Durante o evento, o deputado Eures Ribeiro e o Pai William de Oxalá, do terreiro Ilê Asé Ôpô Babá Obatalademy, coordenador do programa A Voz do Candomblé, foram homenageados com uma placa de moção de aplausos entregue por representantes da Federação Nacional do Culto Afro-Brasileiro (Fenacab) pelo relevante apoio à religião
Em sua fala, Eures Ribeiro destacou a importância do Legislativo baiano receber o evento que prega a valorização e o respeito às religiões de matrizes africanas e declarou apoio incondicional do seu mandato à luta do povo de santo. “Essa religiosidade do povo da Bahia, trazida pelos negros africanos, tem que ser respeitada. Essa resistência tem que continuar, pois temos que lutar contra a discriminação e a intolerância religiosa. Quero dizer aqui que o meu mandato é do candomblé da Bahia, do povo de santo”, enfatizou.
O coordenador executivo de Políticas para Povos de Terreiro da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Tiago Henrique, representou a secretária estadual Ângela Guimarães. Ele parabenizou o deputado pela iniciativa e destacou a contribuição histórica do povo africano na construção do Brasil. Ele também enalteceu a importância dos iaôs no cotidiano do Candomblé e classificou-os como “templos vivos dos orixás”. Outro ponto destacado pelo gestor foi o papel dos terreiros nos contextos social, político e cultural nos locais em que estão inseridos. “São o socorro imediato nos locais periféricos onde o braço público não chega”, relacionou.
Já o Pai William de Oxalá externou as preocupações advindas da luta contra a intolerância religiosa. Ele relatou o caso da morte do iaô Willian Ribeiro da Silva, de 22 anos, no município de Ilhéus, em julho deste ano, quando saía de um terreiro vestido com roupas do candomblé. “Estive na cidade para saber informações de como andavam as investigações, mas não se sabe se foi um crime fruto do ódio religioso, da intolerância”, disse.
A egbomi Nice, do terreiro da Casa Branca, também membro da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, frisou a importância do evento para o Candomblé na Bahia e falou da importância da figura do iaô. “Todos nós já vivemos esse momento de iaô. É o princípio de tudo. Iaô é renascimento, é você partindo para uma nova era. Tem que valorizar o iaô”, pediu a egbomi Nice, que também cobrou união e respeito para os cultos de matriz africana.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Ricardo Alban
"A entrada de importações de até 50 dólares sem tributação é o mesmo que financiar a indústria de países como a China, principal exportador de produtos de baixo valor para o Brasil, especialmente no setor têxtil. O prejuízo é direto a quem fabrica e comercializa em território brasileiro".
Disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban ao comentar a aprovação da medida provisória 1357/2026, que revogou a chamada “taxa das blusinhas”. Segundo Alban, a medida representa um retrocesso econômico, cria uma condição de desigualdade para o setor produtivo brasileiro e pode colocar em risco mais de 100 mil empregos.