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eutanasia
Nesta quarta-feira (15) o direito à morte assistida (ou eutanásia) foi aprovado pelo parlamento da França, sob certas condições. O procedimento médico consiste em provocar intencionalmente a morte de um paciente, a pedido dele. Essa é uma reforma altamente polêmica defendida pelo presidente Emmanuel Macron.
Com sua aprovação, a França se junta aos poucos países que já autorizaram o procedimento, como Bélgica, Países Baixos, Suíça, Canadá e Uruguai. Na França, a lei é considerada uma das reformas sociais mais importantes desde que o país permitiu o casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2012.
A aprovação não marca o fim de seu trâmite legislativo e judicial, já que o primeiro-ministro Sebastien Lecornu pediu ao Conselho Constitucional da França, a principal autoridade constitucional, que examine a legislação uma vez aprovada.Esse órgão, cujas decisões têm força vinculante, pode, em casos extremos, declarar toda uma legislação inválida ou manifestar reservas quanto a parte dela.
O processo da eutanásia é diferente do suicídio assistido, sendo que este ocorre quando uma equipe médica fornece medicamentos para o procedimento, mas é o próprio paciente que administra a dose fatal. Já na eutanásia, a própria equipe médica administra a dose no paciente.
As regras da nova lei francesa incluem:
- No caso da França, o direito fica reservado a adultos que sofram de uma doença incurável, desde que possam expressar essa necessidade de maneira "livre e esclarecida" e sofram fisicamente.
- A dor deve ser resistente ao tratamento ou, na opinião do paciente, insuportável, nos casos em que ele tiver optado por não seguir o procedimento médico ou por interrompê-lo.
- Um médico será responsável por verificar se o paciente cumpre os requisitos, antes que um comitê avalie os critérios.
- Em última instância, o médico toma a decisão, e o paciente pode retirar seu consentimento a qualquer momento.
- O próprio paciente administrará a substância letal, exceto no caso daqueles que, por motivos físicos, não possam fazê-lo.
O caminho até a votação final foi "uma maratona de obstáculos", declarou à Agence France-Presse (AFP) o relator do texto, Olivier Falorni, um ex-deputado que se tornou prefeito.
A votação é "o resultado de uma luta" após "14 anos de batalhas parlamentares sobre este tema", disse ele à agência antes da aprovação.
A lei recebeu sinal verde da Assembleia Nacional, mas foi rejeitada pela Câmara Alta, o Senado. Então, o governo decidiu dar a última palavra à câmara baixa, como a Constituição permite.
Figuras de peso dos Republicanos (LR, conservador), majoritários no Senado, se opuseram à lei. Grupos e organizações religiosas também mostraram resistência e anunciaram protestos nesta quarta-feira perto da Assembleia Nacional.
Também se opuseram à lei alguns organismos científicos e até coletivos de pessoas com deficiência, que temem ser pressionados a solicitar a eutanásia.
O presidente Macron havia prometido uma lei sobre morte assistida quando foi reeleito para um segundo mandato em 2022.
A história da jovem brasileira Carolina Arruda Leite, de 27 anos, portadora de uma síndrome rara, que deseja fazer eutanásia na Suíça, ganhou as redes sociais e formou uma corrente de doações para que a mineira consiga realizar o último desejo.
A estudante de medicina veterinária, foi diagnosticada com a Neuralgia do Trigêmeo Bilateral há 11 anos, convive com a qual ela considera ser a “a pior do mundo” e a descreve como choques elétricos equivalentes ao triplo da carga de uma rede 220 volts que atravessam rosto constantemente, já conseguiu juntar mais de R$ 100 mil desde que o caso se tornou conhecido nacionalmente.
"Depois de esgotar todas as opções médicas disponíveis e enfrentar uma dor insuportável diariamente, tomei a difícil decisão de buscar a eutanásia como uma forma de encerrar meu sofrimento de maneira digna", disse na web.
A vaquinha divulgada por Carolina inclui os gastos médicos e os custos da viagem internacional para a realização da eutanásia no país europeu, já que no Brasil a prática é definida como crime de homicídio pelo Código Penal, e proibida por lei.
A meta da jovem é conseguir juntar R$ 150 mil. “A esperança de uma vida sem dor tem se tornado cada vez mais distante, e a qualidade de vida, praticamente inexistente”, contou ela em um desabafo feito nas redes sociais.
No site, Carolina já conseguiu atingir R$ 107 mil e anunciou que caso ultrapasse o valor, fará uma doação. “Eu não quis colocar o valor mais alto porque eu não sei se vou precisar de mais. Prefiro fazer outra vaquinha para arrecadar mais dinheiro do que correr o risco de sobrar e as pessoas acharem que fiz outra coisa com esse dinheiro. Caso sobre, eu pretendo doar para alguma instituição que trabalhe com dor".
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Luciano Sandes
"De início, informa que recebeu com surpresa a operação realizada na data de ontem, que o incluiu como um dos alvos. Apesar disso, mantém serenidade e a confiança de que, ao final das apurações, todos os fatos serão esclarecidos e que sua inocência restará demonstrada".
Disse o ex-secretário municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro, Luciano Sandes, se pronunciou pela primeira vez após ser alvo da operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Bahia (MP-BA).