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A passagem da Caju Show Tour, nova turnê da cantora Liniker, por Salvador tem dado o que falar nas redes sociais. Com duas datas esgotadas para a Concha Acústica do TCA, a artista anunciou um terceiro show na capital baiana para a segunda-feira, dia 31 de março, no mesmo espaço.
Na web, a decisão de manter o show no anfiteatro do TCA tem sido criticada por parte do público, que entende que a artista tem uma demanda maior do que cinco mil pessoas, capacidade atual do espaço. Após diversos pedidos, Liniker veio a público explicar a escolha da Concha e a decisão de manter o show por lá, mesmo com os apelos e as datas esgotadas.
Liniker ouviu as nossas queixas e explicou o motivo de levar a turnê Caju para a Concha e não para a Fonte Nova, como algumas pessoas sugeriram.
— Bianca Andrade (@eubiandrade) November 26, 2024
Além de todo encanto com a Concha, Liniker acredita que ainda não é o momento de ir para a Fonte. E eu entendo.
E vamos de 3ª data! pic.twitter.com/2TwWu5Twnj
"Entendendo que minha carreira hoje está num outro lugar, mas é importante saber dos passos, sabe? E não ser... não se passar assim dentro do desejo. Eu sei que isso gera frustração em quem não conseguiu comprar, e eu sinto muito por isso, porém são três datas. A Concha Acústica é um lugar que cabe 5 mil pessoas. Então imagina, 15 mil pessoas de Salvador vão conseguir ver esse show", afirma a artista.
Para Liniker, ainda não é o momento ideal para realizar um show na Fonte Nova, que tem capacidade para receber até 60 mil pessoas em eventos com a utilização do campo e da arquibancada. "Nesse momento ainda não é o momento da Fonte Nova. Eu adoraria, mas que isso aconteça no futuro", afirmou.
A cantora ainda fez questão de afirmar que o relato nas redes sociais não era uma forma de destratar os fãs que questionavam a escolha da artista, mas de trocar opiniões e acolher.
"Isso aqui é acolhimento, isso aqui é para gente estar na mesma página porque eu sei o quão importante para vocês é assistir esse show, assim quanto para mim é importante fazer esse show para vocês. Então é só pra gente se alinhar mesmo dentro desse amor, dentro do respeito, dentro de entender as trajetórias dos artistas que a gente ama, que a gente escolhe seguir."
Foto: Rosilda Cruz
Nesta quarta-feira (27), a partir das 10h, o público terá acesso à fila para a compra dos ingressos da Caju Show Tour no Sympla. As vendas começam às 12h. Os ingressos custam a partir de R$ 79 no 1º lote, chegando a custar R$ 238 a inteira no quinto e último lote.
O debate quanto a espaços para eventos em Salvador é assunto antigo e queixa não só de quem frequenta, mas também, de quem promove eventos na cidade. A exemplo de shows internacionais, a capital baiana já deixou de receber eventos por não ter espaços para shows de grande porte que não fossem adaptados para a realização de festas, o famoso jeitinho brasileiro.
Em julho, o Bahia Notícias trouxe na reportagem 'Espaço, trajeto & dinheiro: Combinação de fatores leva Salvador a não ser escolhida como palco de grandes shows internacionais', opiniões de empresários sobre a situação da cidade para receber shows. O secretário de Cultura e Turismo de Salvador, Pedro Tourinho, falou sobre o investimento de R$ 163 milhões feito pela Prefeitura na Arena Multiuso Salvador, que terá capacidade para abrigar mais de 12 mil pessoas.
Foto: Divulgação
Atualmente, a cidade conta com três locais que podem comportar shows para um público acima de 20 mil pessoas, a Casa de Apostas Arena Fonte Nova, o Parque de Exposições de Salvador e o WET. Já para eventos de pequeno a médio porte, os espaços na cidade são adaptados quando se é necessário.
- Centro de Convenções (20 mil pessoas)
- Armazen Convention - Lauro de Freitas (5.500 mil pessoas)
- Trapiche Barnabé (3.500 mil pessoas)
- Chácara Baluarte (2.800 mil pessoas)
- MAM (2 mil pessoas durante o Jam no MAM)
- Largo da Tieta (1.500 mil pessoas)
- Pupileira (1.500 mil pessoas)
- Porto Salvador (1.3 mil pessoas)
- Casa Rosa (500 pessoas em pé)
O Pátio São Joaquim, da Casa Pia, possui mais de 2.300m² e pode ser utilizado para eventos ao ar livre ou para a montagem de tenda, em caso de eventos cobertos e climatizados, mas não especifica quantas pessoas cabem em um evento, por exemplo.
Foto: Divulgação
Ao Bahia Notícias em agosto, o empresário Rodrigo Melo, da Pequena Notável, falou sobre a falta de espaços ser uma grande dificuldade na capital para a realização de eventos.
"Sempre foi um dificultador aqui em Salvador. É uma grande dificuldade que temos aqui, local de eventos que contemple o conforto, a segurança, a capacidade de público. É um grande dificultador e a gente tem que usar muito a criatividade para explorar a cidade ou esperar que alguém empreenda nesse negócio e em novos lugares."
O produtor Matheus de Morais, organizador do Samba de Quinta, também citou a ausência de espaços para eventos de pequeno a médio porte na cidade como um fator dificultador para a movimentação da capital fora dos períodos com o calendário mais aquecidos, como Carnaval e São João.
"Para eventos de grande porte nós temos o Parque de Exposições, que é um espaço de agropecuária, e o WET, um antigo parque aquático. Isso sem contar a Fonte Nova. Quando se passa para espaços menores, nós temos lugares se adaptando aos eventos, mas não temos lugares que sejam próprios para isso."
O Bahia Notícias ainda mapeou outros espaços que recebem eventos na cidade e costumam ser adaptados. Entre eles estão: Casarão Salvador Hall; Parque Tecnológico; Mali; Clube Espanhol; Patio da Igreja Santo Antonio Além do Carmo; Club Fantoches Da Euterpe; além dos largos do Pelourinho.
A Fundação Gregório de Mattos, autarquia ligada à prefeitura de Salvador, anunciou, nesta segunda-feira (16), a suspensão de atividades em seus espaços culturais por 15 dias. A decisão, válida a partir da quarta-feira (18), foi tomada como forma de enfrentamento a propagação do coronavírus.
Sendo assim, os espaços afetados pela medida foram: Casa do Benin, Espaço Cultural da Barroquinha, Teatro Gregório de Mattos, Espaços Culturais Boca de Brasa (Subúrbio 360, Centro, CEU de Valéria, Muncab, Casa do Sol, Picolino e Quabales), Café Teatro Nilda Spencer e Sala Multiuso.
Territórios de afirmação e acolhida de pessoas que integram grupos minoritários como pessoas LGBT+ e negras, espaços da cidade de Salvador encontram dificuldades financeiras e outros empecilhos para continuarem abertos.
O Bahia Notícias conversou com os responsáveis por três desses locais, que têm como propósito ir além da lógica do lucro pelo lucro.
Um desses espaços é o Boteco do Helder, fundado pelo então casal Helder Conceição e Tayná Benecke. Ambos negros, os dois criaram o empreendimento, localizado no bairro do Dois de Julho, com um intuito: a socialização, o lazer e a fruição de sonhos de pretos e pretas.
Área externa do Boteco do Helder | Foto: Reprodução / Intagram
"O boteco vem com essa ideia de criar um espaço para que nossa comunidade possa criar, construir, se conhecer num ambiente de afeto e segurança, para que lá a gente saiba que pode ter acesso ao consumo sem ter que passar por situações de preconceito e racismo. Esse espaço é um exemplo para que outros negros, que também são empresários, compreendam que é possível fazer isso e façam do seu modo em sua comunidade", explica Helder, elencando que o quadro funcional do seu comércio também é exclusivamente formado por pessoas negras e em situação de vulnerabilidade social.
Nos últimos meses, porém, uma crise financeira se instalou sobre o Boteco. O baixo movimento no fim de ano e durante o Carnaval da região central da cidade fizeram com que as contas não fechassem. Segundo o proprietário, a expectativa em torno do período momesco era alta, mas as coisas não aconteceram como o planejado e comprometeram tanto o funcionamento do estabelecimento, como a realização de projetos sociais, como as aulas de artes marciais ministradas junto à comunidade do Dois de Julho e ações como a "Cerveja e Sonhos", que reverte 50% do lucro de toda cerveja consumida na mesa da pessoa que quer ser ajudada para o objetivo dela - a iniciativa já deu uma "mãozinha" para pessoas que foram aprovadas em programas de pós-graduação em outros estados e em intercâmbios fora do país.
Helder, do Boteco do Helder | Foto: Reprodução / Instagram
A solução para a crise foi recorrer a uma "vaquinha" online. "Pensamos que se continuarmos do jeito que está não vamos conseguir nos sustentar. Para não piorar resolvemos fechar e recorremos para a nossa comunidade. Se a galera apoiar vamos conseguir voltar e equilibrar as contas", conta. Hoje a campanha, que espera arrecadar R$ 14.500, já atingiu 27% da meta (confira aqui).
Com os recursos, a ideia do casal de realizadores é arcar com as pendências que têm com os fornecedores, repôr os produtos e até criar conteúdo por meio de um podcast. Além disso, há a intenção de incrementar o empreendimento e dar espaço para empreendedores através de uma loja colaborativa - sem nenhuma cobrança.
"A ideia é que a gente possa potencializar e ajudar de alguma forma. Fazer com que o dinheiro que a nossa comunidade investe seja convertido para potencializar dentro da nossa comunidade", complementa Helder Conceição. Fechado temporariamente, o Boteco do Helder costuma funcionar de quinta-feira a domingo.
ABRIGO E PROMOÇÃO CULTURAL
"A gente não quer só comida, a gente quer comida diversão e arte. A gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte". As estrofes da música dos Titãs falam muito sobre a relação entre liberdade, necessidades fisiológicas e existência. Cientes dessa relação, especificamente para a vida de pessoas LGBT+, um outro casal, João Hugo e Sellena Ramos, ambas pessoas trans, criou a Casa Aurora - o primeiro Centro de Cultura e Acolhimento LGBTQI+ da capital baiana.
Na casa, pessoas de 18 a 29 anos em situação de vulnerabilidade e risco encontram um lar e atividades de formação, rodas de conversa, oficinas e até apresentações artísticas.
João e Sellena já abrigavam amigos e outras pessoas próximas no apartamento em que moravam, mas a Aurora veio para tentar suprir uma demanda que é muito maior do que o suporte que podiam ofertar.
"A gente entende que dar só o abrigamento, o acolhimento, não é a única coisa que funciona, porque as pessoas que estão em situação de vulnerabilidade precisam ter acesso a cultura, acesso a arte, empoderamento e precisam ter sua autoestima refeita", justifica João Hugo, argumentando que a maioria das pessoas atendidas são negras e também são atingidas pelo racismo.
Atividade de formação na Casa Aurora | Foto: Reprodução / Instagram
Dez meses se passaram desde a fundação, em maio do ano passado. As estratégias encontradas pela gestão para que haja uma continuidade das atividades foram a captação com a cobrança de entrada em apresentações, campanhas de arrecadação de alimentos e outras alternativas, como a "caixinha" para que as pessoas possam doar quanto puder. Uma plataforma digital de contribuição financeira recorrente (veja aqui) também é usada pela Casa Aurora.
Dos gastos fixos, com dinheiro garantido a cada mês, a instituição só tem mesmo o aluguel, pago por um deputado federal. Mensalmente, o Centro Cultural e de Acolhimento, nas palavras de João, "baila" para não fechar no vermelho. A troca de experiências entre outras casas de acolhimento fortalece a elaboração de modos de resistência.
CATORZE PEDRADAS
"Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra" (Jo 8,1-11). E atiraram. Não uma vez ou duas, mas catorze vezes. O alvo: o centro de cultura Caras e Bocas, voltado para o público LGBT+, gerenciado por duas mulheres lésbicas e situado na Rua Carlos Gomes.
No entanto, não foram os sucessivos ataques (veja aqui) que fizeram com que Rosy Silva e sua esposa, Alexsandra Leitte, encerrassem as atividades, mas sim um acordo mediado pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), que apontou que o imóvel era inadequado para o funcionamento como uma casa de shows.
Por isso, fundado há 16 anos e aberto no endereço atual há pouco mais de 2 anos, o Caras e Bocas só funciona até o dia 1º de abril.
Reticente por causa de ataques recentes a uma publicação jornalística que noticiou o fechamento, Rosy Silva falou com o BN sobre o percurso do antigo bar na Carlos Gomes.
Pedradas danificaram o telhado | Foto: Reprodução / Facebook
Com uma outra ação junto ao MP-BA, esta parada, por conta dos atos LGBTfóbicos que teriam vindo de vizinhos, a dona relatou que elas passaram por dificuldades desde a inauguração, quando aconteceu o primeiro ataque.
Suburbano de origem, tendo nascido na orla de Periperi, o empreendimento de Rosy e Alexsandra sempre teve o direcionamento para novos artistas e a arte drag. No início, aos risos, ela conta que a sigla utilizada era a "GLS". "Foi o primeiro bar do Subúrbio [Ferroviário], até hoje, a fazer esse tipo de inclusão", defende.
Segundo Rosy, como o mote do espaço é a inclusão e o produto é a arte, consequentemente não há recursos para fazer as devidas adequações que possam permitir a permanência na Carlos Gomes.
"Houve [no tempo em que esteve na Carlos Gomes] o lançamento de livros, ocupações de todas as vertentes 'sapatônicas' e drags, bazares, aulas de dança e tudo que um espaço LGBT e cultural pode fazer. Nós ficamos tristes porque fomos agredidos e a Justiça não fez nada", finaliza, completando que não há perspectiva de onde vão reabrir, mas adiantou que já existem propostas.
Três atividades serão realizadas até o fechamento definitivo do Caras e Bocas no imóvel atual: o lançamento de uma artista lésbica que ganhou um concurso na casa; uma com drag queens; e uma "ocupação sapatônica".
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Cláudio Villas Boas
"Iniciou esse contrato com a celebração do aditivo em 4 de junho de 25 agora, e a previsão contratual é que precisamos iniciar a construção da ponte em um ano após a assinatura desse contrato. Portanto, em junho de 26 iniciaríamos a construção. Logicamente, para isso, algumas etapas precisam ser desenvolvidas antes".
Disse o CEO do consórcio responsável pela ponte Salvador-Itaparica, Cláudio Villas Boas ao indicar que a data para o início da construção está marcada para junho de 2026.