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entidade metropolitana
Criada há mais de uma década para integrar e coordenar políticas públicas na Região Metropolitana de Salvador (RMS), a Entidade Metropolitana da RMS encontra-se atualmente sem ação prática, segundo informações obtidas pela reportagem.
Na última semana, estava prevista uma reunião com o chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), Gustavo Dias, que lidera as discussões sobre a reativação da entidade ao lado da secretária da pasta, Jusmari Oliveira.
No entanto, mesmo com o encontro agendado, fontes ligadas ao processo alegam que essa reunião não aconteceu e, por isso, “não há nem o que discutir”, já que a entidade se encontra, na prática, paralisada.
A Entidade Metropolitana da Região Metropolitana de Salvador foi instituída pela Lei Complementar nº 41/2014, como uma Autarquia Intergovernamental de Regime Especial, com caráter deliberativo e normativo. A legislação prevê a participação obrigatória de todos os entes federativos que compõem a RMS, conforme entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) nº 1.841 e 1.842.
Segundo a lei, a entidade tem como principal objetivo coordenar funções públicas de interesse comum aos municípios da RMS, tais como a formulação de metas e prioridades regionais, a análise de projetos com impacto metropolitano e a articulação com órgãos federais. Também estão previstos três fundos: o Fundo de Mobilidade e Modicidade Tarifária do Transporte Coletivo, o Fundo de Universalização do Saneamento Básico e o ainda não instituído Fundo de Desenvolvimento Metropolitano.
ROBUSTA, MAS INOPERANTE
A governança da entidade é composta por um Colegiado Metropolitano, integrado pelo governador e prefeitos da RMS; um Comitê Técnico; um Conselho Participativo com representantes da sociedade civil e dos Legislativos municipais; além de um Secretário Geral. Mesmo com essa estrutura ampla, não há registro de deliberações recentes, tampouco de aplicação efetiva dos fundos mencionados.
A falta de atuação gera preocupações quanto à capacidade de planejamento regional e à governança integrada, especialmente em áreas como transporte, habitação, mobilidade urbana e saneamento, temas que afetam diretamente os mais de 4 milhões de habitantes da RMS.
Desde sua criação, a Entidade Metropolitana enfrenta resistências políticas e jurídicas. À época da promulgação da lei, o partido Democratas (DEM) ajuizou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF, sob relatoria do ministro Celso de Mello, questionando a legalidade do modelo.
O partido alegou que a estrutura imposta pelo Estado da Bahia violaria o princípio federativo, ao impor um “emparceiramento compulsório” entre os municípios e a autarquia, sem garantir a devida autonomia local. Na ação, o DEM pedia a suspensão dos artigos 1º ao 25 da lei, apontando uma “indevida intromissão” do Estado na gestão dos municípios.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Léo Kret
"Estou aqui ó, com meu pai, com minha mãe, na minha casa. Dizendo que eu estou presa. Meu nome apenas foi mencionado numa investigação com um contrato que eu nem assino".
Disse a ex-vereadora de Salvador e cantora Léo Kret ao se pronunciar após ter se tornado alvo de busca e apreensão durante uma operação do Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).