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O Botafogo convocou, na última quarta-feira (6), uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para tratar dos próximos passos da SAF alvinegra em meio à disputa judicial pelo controle da companhia. A reunião, exigida pela Justiça, terá entre os pontos de deliberação a nomeação de Durcesio Mello como gestor temporário da SAF.
Neste momento, o clube associativo é o único acionista com poderes políticos para votar. A Eagle Bidco, subsidiária da Eagle Holding e acionista majoritária da SAF, teve seus poderes suspensos por decisão judicial.
Durcesio Mello já atua de forma interina na condução da SAF desde o afastamento de John Textor. A AGE servirá para formalizar, ou não, a permanência dele como gestor temporário enquanto o impasse judicial segue em andamento.
Além da disputa societária, o Botafogo também enfrenta questionamentos no campo financeiro. A BDO, consultoria contratada para auditar o balanço financeiro do clube, apontou incertezas sobre a continuidade operacional da SAF.
No relatório, a empresa informou que não conseguiu reunir elementos suficientes para emitir opinião sobre as demonstrações contábeis da companhia.
Segundo a BDO, "não foi possível obter evidência de auditoria apropriada e suficiente para fundamentar nossa opinião de auditoria sobre essas demonstrações contábeis."
A consultoria também citou como ponto de atenção a relação da SAF com o Lyon, clube que integra o mesmo grupo multiclubes ligado à Eagle Football. O Botafogo prevê receber mais de 100 milhões de euros por transferências de jogadores, mas a auditoria apontou incertezas sobre a recuperação desses valores. Leia abaixo na íntegra:
"A SAF "mantém transações relevantes com partes relacionadas, notadamente Olympique Lyonnais Sasu (controlada da Eagle Football Group) e Eagle Football Holdings Bidco Limited decorrentes, principalmente, de operações de transferência de direitos econômicos de atletas, empréstimos intragrupo e demais operações financeiras realizadas no âmbito do modelo multiclubes, todavia a Administração não apresentou cálculos, premissas ou estimativas quantitativas que suportassem a avaliação da recuperabilidade desses ativos financeiros.
Diante da inadimplência relevante, da incerteza quanto ao efetivo recebimento, da existência de litígio judicial, há evidência objetiva de aumento significativo do risco de crédito, requerendo o reconhecimento de provisão para perdas esperadas. Em decorrência desse assunto, não nos foi possível determinar se ajustes adicionais seriam necessários nos saldos de partes relacionadas, no resultado do exercício e no patrimônio líquido da Companhia em 31 de dezembro de 2025."
Uma movimentação nos bastidores da SAF do Botafogo acirrou ainda mais a disputa de poder em torno do clube. O empresário John Textor transferiu os ativos da SAF alvinegra para uma nova empresa criada por ele nas Ilhas Cayman, após aprovação unânime do Conselho de Administração da Botafogo SAF, em reunião realizada no último dia 17 de julho. A operação envolve receitas de transmissão, patrocínios, bilheteria, entre outros bens estratégicos do clube.
A manobra, no entanto, foi contestada pela Eagle Holding — empresa que até pouco tempo era comandada por Textor e ainda é oficialmente a controladora da SAF. A Eagle acionou a Justiça para barrar a operação e impedir que novas movimentações sejam realizadas sem sua ciência. Atualmente, Textor segue como dono da Eagle, mas está afastado do comando em razão de problemas de gestão envolvendo o Lyon, outro clube sob seu guarda-chuva.
O Conselho da SAF, do qual fazem parte John Textor, Jordan Eliott Fiksenbaum (indicado anteriormente pela Eagle), Kevin Weston e Durcesio Mello, também aprovou duas operações financeiras durante a mesma reunião. A primeira foi a cessão de um crédito da Eagle Holding, do Reino Unido, no valor de até 150 milhões de euros, à nova empresa do Caribe. A contrapartida seria o pagamento de até 100 milhões de euros para que a empresa caribenha se tornasse dona do crédito.
Na sequência, o Conselho deu aval a um empréstimo de até 100 milhões de euros da nova empresa, sediada nas Ilhas Cayman, diretamente à Botafogo SAF. Todas as decisões foram aprovadas de forma unânime e sem ressalvas pelo Conselho de Administração. Como garantia da operação, o clube ofereceu todos os seus principais ativos financeiros e comerciais, como:
- Direitos de transmissão da Liga Forte União do Brasileirão (2025 a 2029);
- Licenciamento de propriedades comerciais de patrocínio e transmissão;
- Contrato de licenciamento com Google LLC e Sports Media Participações S.A.;
- Instrumentos firmados pelo Condomínio Forte União e pela Liga Forte União;
- Receitas com cessões de direitos econômicos de atletas profissionais e da base;
- Patrocínios do time masculino profissional;
- Receitas de bilheteria, ingressos e programa de sócio torcedor;
- Direitos de propriedade intelectual licenciados pelo clube à SAF.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
João Roma
"A lei não pode ter lado político".
Disse o presidente estadual do PL na Bahia e pré-candidato ao Senado Federal pelo estado, João Roma, utilizou as redes sociais nesta sexta-feira (19) para comentar a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal (PF), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), que teve como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado.