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A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de conceder a prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro, foi tomada um dia após ter recebido a visita da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Michelle se reuniu com o ministro na tarde desta segunda-feira (24).
Segundo a colunista Monica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Michelle Bolsonaro compareceu a uma audiência no gabinete do ministro sem a companhia de advogados ou assessores. A conversa foi acompanhada apenas pela chefe de Gabinete de Moraes, Cristina Gomes.
Michelle Bolsonaro relatou ao ministro os problemas de saúde do ex-presidente e apresentou argumentos para que ele fosse transferido para cumprir a prisão em sua residência, em Brasília. A ex-primeira-dama disse a Moraes que Bolsonaro não poderia ficar sozinho à noite pelo risco de ter uma nova crise de broncoaspiração.
Essa foi a segunda vez que Michelle Bolsonaro se reuniu com Alexandre de Moraes para fazer pedidos ao ministro do STF. Em 15 de janeiro, a ex-primeira-dama esteve com o ministro para pedir que ele fosse transferido da Superintendência da Polícia Federal ou para casa, ou para a Papudinha. Moraes, no dia seguinte ao encontro, decidiu enviar o ex-presidente para a Papudinha.
De acordo com relatos recebidos pela TV Globo, neste novo encontro, Michelle afirmou a Moraes que os fundamentos apresentados pela Procuradoria Geral da República seriam válidos válidos e insistiu que Bolsonaro não pode dormir sozinho. Na conversa, salientou o risco de broncoaspiração e disse que já havia feito o alerta ao próprio ministro no encontro anterior, em janeiro.
A ex-primeira-dama teria se emocionado ao falar da rotina da família e tentou sensibilizar Moraes ao detalhar a logística atual para atender o ex-presidente. Disse que prepara quentinhas diariamente, que são levadas por familiares, mencionou a participação do irmão nesse deslocamento e incluiu a filha, Laura, no argumento de que, em casa, o cuidado a Bolsonaro seria mais simples e contínuo.
A colunista Monica Bergamo, na Folha, afirma ainda que a ida de Michelle ao gabinete do ministro teria incomodado outros membros da família, como o candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Isso porque Flávio é advogado e integra formalmente a defesa do pai, e no encontro que teve com Alexandre de Moraes na semana passada, estava acompanhado por outros advogados de Jair Bolsonaro, dando à visita maior institucionalidade.
Já a ex-primeira-dama dispensou a companhia de advogados, familiares e políticos, e de acordo com a colunista Monica Bergamo, essa atitude foi entendida como uma tentativa de colher sozinha os louros de uma decisão favorável ao marido.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Luciano Sandes
"De início, informa que recebeu com surpresa a operação realizada na data de ontem, que o incluiu como um dos alvos. Apesar disso, mantém serenidade e a confiança de que, ao final das apurações, todos os fatos serão esclarecidos e que sua inocência restará demonstrada".
Disse o ex-secretário municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro, Luciano Sandes, se pronunciou pela primeira vez após ser alvo da operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Bahia (MP-BA).