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dia dos avos
Dados do Censo de 2022 do IBGE revelam que 8,1 milhões de avós moram no mesmo domicílio que seus netos. Neste contexto, os números confirmam um consenso: avós são vistos como figuras importantes no cotidiano de netas e netos. O Dia dos Avós, celebrado neste domingo (26), tem origem no catolicismo, motivada pela celebração de Santa Ana (ou Sant’Ana) e São Joaquim, mãe e pai de Maria, os avós de Jesus.
As mulheres chefiam cerca de 70% dessas residências em que os avós dividem espaços com a segunda geração de descendentes. Em 2022, a Bahia tinha o 3º maior número absoluto de avós que moravam com netos e a 11ª maior participação deles no total da população, entre as 27 unidades da Federação.
Para além dos números, essa presença simboliza não apenas suporte emocional e financeiro, como também, em muitos casos, mediação de crises na vida dos netos. Luisy Franca, de 21 anos, é Técnica em Eletromecânica formada pelo IFBA do município de Irecê, no Centro-Norte da Bahia. Hoje, ela é casada e tem sua própria casa. Mas, por 18 anos, o cenário foi outro. Ela morou em Presidente Dutra, a 20 km de Irecê, com a avó Elisia Franca, de 58 anos, por um motivo curioso.
Em relatos, Luisy relembra que até os 2 meses de vida, morou em Presidente Dutra com sua mãe Thaiane Franca e sua avó. Depois desse período, mudou-se para Irecê apenas com Thaiane, o que ocasionou, por meses, um mal-estar enorme. Ainda com poucos meses de vida, ela ficava muito doente, sentia muitas cólicas e chorava incessantemente.
Após passar por muitos médicos, o diagnóstico: saudade. Um profissional levantou a possibilidade do motivo do choro ser mais emocional do que físico. Luisy estava sentindo saudade de alguém que já havia passado um tempo com ela e havia sido tirada de sua rotina, a avó.
Ao retornar para Presidente Dutra, todo o mal-estar cessou quase instantaneamente. E a partir disso, viveu a infância e a adolescência com Elisia. A mãe também participou da sua criação, mas a maior parte de seu cotidiano foi vivido ao lado da avó, com quem aprendeu tarefas domésticas que carregou até a sua independência:
“Tudo o que eu sei hoje, como cozinhar, eu aprendi porque ela me ensinava, éramos só nós duas dentro de casa, então a dinâmica era assim", recorda.
Em outros casos, porém, a figura da avó representa a única alternativa clara de criação. O multiartista Gabriel Silva, de 21 anos, saiu de Canarana, um município do semiárido baiano, para morar em Salvador. No interior, deixou a irmã de 17 anos, Gabrielly Silva, e a avó, Ivete Oliveira, de 69.
Gabriel passou a morar com a avó aos nove anos quando perdeu a mãe, vítima de um acidente de moto. O processo de luto foi vivido por ambos os lados: “A gente perdeu a mãe e ela perdeu a filha também. Então foi uma ajuda mútua”, diz. Em meio à perda, vieram também dificuldades financeiras vencidas ao decorrer dos anos a partir do papel da avó aposentada, antes professora pelo Estado:
“Ela continuou esse processo de ser a provedora dentro de casa, sempre tinha alguma linha pra tudo, organizando os gastos”, relembra Gabriel.
Neste Dia dos Avós, os indicadores do Censo 2022 unidos aos relatos de netos mostram que a configuração das famílias brasileiras contemporâneas, com destaque para o cenário baiano, reforça a centralidade dos avós como pilares de milhões de moradias.
Há histórias que permanecem mesmo depois que o tempo passa. São lembranças guardadas em objetos, gestos, receitas, encontros e nos espaços que carregam um pouco de quem veio antes. No Dia dos Avós, celebrado neste domingo (26), a CasaCor Bahia 2026 revela ambientes que transformam memórias afetivas em arquitetura, mostrando como uma casa também pode ser um lugar de conexão e legado.
LIVING GAIA
A arquiteta Sílvia Coelho levou para a mostra uma homenagem às suas raízes com o Living Gaia, ambiente inspirado na trajetória de sua avó materna, Dalcy. A proposta celebra a ancestralidade feminina, a força das mulheres e as referências familiares que atravessam gerações.

Com elementos naturais, cores, texturas e formas orgânicas, o espaço traduz uma sensação de acolhimento e celebração da vida. Um dos destaques é o canto dedicado ao artesanato, com flores de crochê produzidas pela mãe da arquiteta, reforçando a conexão entre diferentes gerações da família.
“Minha avó sempre foi uma mulher à frente do seu tempo, forte, autêntica e dona das próprias escolhas. O ambiente é uma homenagem à sua trajetória e a todas as mulheres que vieram antes de nós”, afirma Sílvia.
COZINHA E JANTAR
Na Cozinha e Jantar, Hugo Ribeiro revisita memórias afetivas ao criar um ambiente inspirado nos encontros familiares, nas cozinhas de fazenda e nas histórias compartilhadas ao redor da mesa. Com referências da estética brasileira dos anos 70, o projeto resgata o cozinhar como um gesto de união e transmissão de saberes.

Em entrevista ao BN Hall, o arquiteto contou que o espaço foi criado como uma homenagem aos seus avós, trazendo referências da fazenda ligada às memórias do avô e das cozinhas coloridas e afetivas das avós.
“Esse projeto tem um significado muito especial para mim, principalmente porque é uma homenagem aos meus avós. Para traduzir essa memória no espaço, eu precisava trazer a atmosfera da fazenda, que remete ao universo do meu avô”, explicou.
“Ao mesmo tempo, quis resgatar a energia das cozinhas dos anos 70, que eram mais coloridas e vibrantes, trazendo referências das cozinhas das minhas avós e das lembranças afetivas que elas carregam. A proposta foi criar um espaço de conforto e acolhimento”, completa o arquiteto.
LEGADO QUE HABITA
Entre os projetos que carregam essa conexão afetiva está o Legado que Habita, assinado pela arquiteta Mally Requião. O gabinete nasce como uma homenagem ao avô da profissional, figura importante na construção de suas memórias e da relação sensível que desenvolveu com os espaços, objetos e histórias que permanecem ao longo das gerações.

Em uma atmosfera intimista, o ambiente traduz a ideia de que uma casa também é feita de lembranças, encontros e elementos que carregam significado. A proposta convida o visitante a desacelerar e perceber a arquitetura como um lugar de pertencimento e afeto.
“É um espaço pensado para acolher, emocionar e criar identificação a partir de uma arquitetura que também carrega significado”, destaca Mally.
CANTINHO DA VOVÓ MALÚ
Outro ambiente que celebra essa relação entre gerações é o Cantinho da Vovó Malú – Do Lavar ao Criar, assinado por Keu Batista e Paulo Figueira Interiores. O projeto transforma uma lavanderia e um ateliê de costura em um espaço vivo, onde tarefas do cotidiano se misturam à criatividade e às memórias afetivas.

Tecidos, linhas, bancadas de trabalho e marcenaria planejada constroem uma atmosfera acolhedora, inspirada nas mãos que criam, cuidam e deixam marcas na história de uma família. O ambiente também reconhece o pet como parte desse universo de afeto, com uma área dedicada aos seus cuidados.
Os ambientes da CasaCor Bahia 2026 revelam diferentes formas de homenagear os avós e reconhecer a importância das histórias que passam de geração em geração. Em cada detalhe, a exposição mostra que a arquitetura também é memória e afeto.
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Morar com avó ou avô é uma realidade que muitos passaram durante a infância ou por toda a vida. E na Bahia não é diferente, mas o cenário desses familiares que convivem juntos na mesma residência chamou atenção por conta das proporções registradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento, acessado pela reportagem, mostrou que quase todos os avós que moram na mesma casa que seus netos/as são os responsáveis por esses domicílios, representando uma taxa de 98,2%, e um total de 638.384 figuras familiares. Foi notificado 12,5% do total de domicílios ocupados chefiados por avós ou avós.
Apesar de não ser um termo usado pelo IBGE, a identificação de um "chefe de família" segue a lógica da pessoa designada pelos moradores como a principal responsável pela unidade familiar. Apesar de não ser uma designação com caráter jurídico formal, reflete a dinâmica familiar e quem é visto como o líder ou provedor principal do lar.
Outro dado apontou que 650.297 avós ou avôs moravam na mesma casa que seus netos ou netas, em todo o estado, durante 2022, ano do último Censo.
O número corresponde a 4,6% de todas as pessoas que moravam em domicílios particulares na Bahia. No entanto, a proporção de residências com a presença de um ancião e seus netos registrou uma queda, na comparação com o penúltimo Censo, quando mais de 800 mil avós moravam com seus avós.
PERFIL
Segundo os números do IBGE disponibilizados ao Bahia Notícias, 7 em cada 10 avós chefes de domicílios são mulheres. O número corresponde a uma proporção de 68,7% ou 438.659 total.
Outra informação é de 6 em cada 10 avós chefes de família são pardas/os, 3 são pretas/os e 1 é branca/o. Já 4 em cada 10 avós chefes de família têm menos de 60 anos de idade.
A pedagoga aposentada Maria da Conceição Elias de Souza revelou sobre a experiência de conviver com dois de seus cinco netos e do amor que sente por cada um.
“A experiência de morar com eles é boa, gostosa e diferente. O amor de neto é o amor doce. Um amor com carinho. O amor que independe de qualquer coisa, de qualquer comportamento. Não quero que nada toque, não quero que sofra”.
A idosa contou ainda sobre o desejo de acompanhar o crescimento de seus netos em diferentes ciclos da vida.
“O que peço é que Deus tome conta deles e que trilhe essa caminhada junto com eles, para que o aprendizado seja completo. Peço para conseguir ver meus netos se desenvolverem, ver minha neta se formar, meus netos entrarem na faculdade... É um sentimento gostoso, o sentimento doce, o sentimento que só nós, avós e avôs, sabemos”, observou.

Foto: Acervo Pessoal
A advogada Thais Lamarca, de 25 anos, mora com dona Lindaura Sena Gomes, de 75 anos, desde a infância. Segundo ela, ter a segunda mãe auxiliou também em sua criação, já que a avó contribuiu para suas atividades ao decorrer da vida.
“Morar com minha avó fez total diferença no meu crescimento e na minha vida. Ela é uma mãe pra mim mesmo. Quando eu era pequena, minha mãe passava muito tempo no trabalho e eu sempre ficava com minha avó. Ao longo do dia, ela me buscava na escola, me ajudava com os deveres de casa", lembrou.
A jovem disse também sobre ser mimada dentro de casa por conta da morada com a familiar.
“Um mimo maior com certeza são as comidas. Ela tem esse tipo de demonstração, de afeto, através da comida. E o cuidado dela de sempre estar prestando atenção e fazer alguma coisa pra mim, quando eu preciso, quando eu estou apertada com o tempo, ela demonstra muito esse afeto, esse carinho através da comida”, indicou.

Foto: Acervo Pessoal
Senhora Sant’Ana e São Joaquim, pais de Nossa Senhora e avós de Jesus, recebem homenagens de fiéis neste mês de julho. Na Arquidiocese de São Salvador da Bahia, duas paróquias são dedicadas à Sant’Ana e prepararam programações especiais.
Localizada no bairro Nazaré, a Paróquia Santíssimo Sacramento e Sant’Ana também se prepara para homenagear a padroeira, à luz do tema “Com Sant’Ana e em oração, somos todos irmãos e irmãs”. De 23 a 25 de julho, a comunidade paroquial realiza o tríduo, às 19h, sempre precedido pela recitação do Terço às 18h. É importante destacar que no primeiro dia (23 de julho), além do Terço e da celebração do tríduo, às 8h haverá a Santa Missa dedicada às crianças, adolescentes e jovens que estudam nas escolas que ficam no entorno da Igreja.
O ponto alto dos festejos, em 26 de julho, terá início às 6h com a alvorada, repique de sinos e queima de fogos. Durante todo este dia, serão celebradas Missas às 7h (pelos paroquianos falecidos e/ou que repousam os restos mortais no ossuário da Igreja); às 10h (pelos professores, avós e pessoas que se chamam Ana ou Joaquim); às 12h (pelos aniversariantes do dia, comerciantes, trabalhadores e moradores do bairro de Nazaré).
Já às 15h30 acontecerá o momento de oração e louvor; e às 17h30 a recitação do Terço e exposição do Santíssimo Sacramento. A Solene Celebração Eucarística de encerramento dos festejos acontecerá às 19h, sob a presidência do bispo auxiliar da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, Dom Dorival Barreto.
Ainda em gratidão a Deus por este tempo festivo e pelos sete anos de dedicação da Igreja Matriz da Paróquia Santíssimo Sacramento e Sant’Ana, no dia 28 de julho os fiéis participam da Santa Missa, às 8h15.
PARÓQUIA SANT’ANA (RIO VERMELHO)
Com o tema “A Santa Missa: aliança de amor e salvação”, a Paróquia Sant’Ana realiza o novenário até 25 de julho, às 19h. No dia dedicado à padroeira, 26 de julho, serão celebradas Missas às 7h30 e às 9h30. Já das 11h às 17h o Santíssimo Sacramento ficará exposto para adoração. O ápice dos festejos será a Santa Missa Solene, que terá início às 19h e será presidida pelo bispo auxiliar, Dom Marco Eugênio Galrão.
SERVIÇO:
O QUÊ: Festa de Senhora Sant’Ana e São Joaquim
QUANDO: 26 de julho de 2024
ONDE: Paróquia Sant’Ana (Rio Vermelho) e Paróquia Santíssimo Sacramento e Sant’Ana (Nazaré)
POR QUÊ: Padroeiros dos avós e dos professores
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Ratinho
"Cara de viado".
Disse o apresentador Ratinho, que foi denunciado ao Ministério Público de São Paulo por homofobia após o comentário feito sobre o visual do cantor sertanejo Tiago Piquilo.