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conflitos armados
A violência armada provocou tiroteios em 149 dos 171 bairros de Salvador. Outros 22 se destacaram por saírem “ilesos” no somatório de 1.104 ocorrências registradas pelo Instituto Fogo Cruzado na Bahia durante todo o ano de 2025. Conforme um relatório divulgado nesta quinta-feira (26), isso indica que quase 9 em cada 10 bairros foram atingidos por tiroteios na capital baiana, um índice de 87,1%.
Esse número é um detalhamento do relatório anual do Fogo Cruzado, com informações complementares obtidas pelo Bahia Notícias. Conforme os dados, os bairros que não registraram tiroteios foram: Alto das Pombas, Amaralina, Areia Branca, Boa Viagem, Bonfim, Boa Vista de Brotas, Cabula, Cajazeiras II, Cajazeiras VII, Calabar, Chame-Chame, Colinas de Periperi, Doron, Granjas Rurais Presidente Vargas, Ilha de Maré, Ilha dos Frades/Ilha de Santo Antônio, Roma, Santo Agostinho, Saramandaia, Saúde, STIEP e Vitória.
O BN elaborou um mapa com os índices de conflitos armados registrados entre os 171 bairros da capital baiana:
Do outro lado do ranking, entre os territórios mais afetados pela violência, estiveram bairros como Beiru-Tancredo Neves (35), Lobato (31), Mussurunga (27), Fazenda Coutos (26), Federação (26), Castelo Branco (25) e Mata Escura (24), que, juntos, somaram quase 200 tiroteios no último ano, cerca de 17% do total do município.
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Os números em questão mesclam dados de conflitos armados com e sem o registro de operações policiais, ou seja, os tiroteios podem ou não envolver o uso da força policial. No entanto, o Fogo Cruzado também destacou que 662 tiroteios foram provocados por ações de órgãos de segurança pública em Salvador. Os números conseguem apontar ainda que a presença armada de forças de segurança é mais explícita que em outros, sendo registrada na ocorrência de tiroteios.
Entre estes, estão os bairros de Tancredo Neves (23), Nordeste de Amaralina (18), Valéria (14), Jardim Nova Esperança (14), Santa Cruz (14), Federação (13), Mata Escura (13), Engenho Velho Da Federação (13), Cosme De Farias (13), Mussurunga (11), Fazenda Grande Do Retiro (11), São Cristovão (11), Águas Claras (11) e Engomadeira (11). Confira o mapa:
“A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação”, é o que diz o Estatuto da Criança e do Adolescente. Mas o que acontece na realidade soteropolitana é que cerca de 252 escolas tiveram seu funcionamento impactado pela violência armada, segundo informações divulgadas pelo Instituto Fogo Cruzado.
A pesquisa aponta que as escolas espalhadas por diversos bairros de Salvador “foram afetadas por tiroteios em seu entorno”, e, subsequentemente, milhares de estudantes soteropolitanos tiveram dias letivos suspeitos devido à violência. Sem detalhar os números, o Instituto destacou ainda que “destes casos, 67% das escolas foram afetadas por ação policial”.
O que se sabe, no entanto, é que o impacto da violência chegou com mais força em um território e um grupo social específico. O levantamento aponta que, em bairros de população majoritariamente negra, como Fazenda Coutos, Rio Sena, Moradas da Lagoa, Pero Vaz, Calabetão, Lobato e Chapada do Rio Vermelho, a violência foi mais evidente. Apenas os sete bairros citados concentram 5% dos tiroteios próximos a escolas.
Por outro lado, bairros com população majoritariamente branca, como o Itaigara, Graça, Caminho das Árvores, Canela, Pituba, Barra e Patamares, registram apenas 0,3% de tiroteios no entorno de escolas.
A capital baiana registrou 1.104 tiroteios em 2025. É o que diz o relatório do Instituto Fogo Cruzado, que mapeia conflitos armados no Brasil, divulgado nesta quinta-feira (26). Conforme os dados registrados pela entidade, o bairro mais afetado pela violência armada foi o Beiru-Tancredo Neves, na região central do município, onde foram registrados 35 tiroteios no ano passado.
Os números apontam que o Beiru registrou 3,17% dos conflitos armados de 2025 em Salvador, que possui 172 bairros. O mesmo bairro ainda figura a liderança de outro ranking: o de tiroteiros relacionados a operações policiais. Segundo o levantamento, 23 dos 35 tiroteios registrados estavam relacionados a ações dos órgãos de segurança pública.
Segundo informações do Censo de 2022, o bairro do Beiru-Tancredo Neves é a maior favela da Bahia e a 10ª do país, com mais de 38 mil habitantes.
Ainda no que diz respeito ao número de tiroteios, com ou sem relação com a polícia, o segundo bairro mais atingido foi o Lobato, na região do subúrbio ferroviário da capital. Na região, foram registrados 31 ações armadas. Em seguida, aparece o bairro de Mussurunga, com 27 tiroteios.
Confira o ranking dos bairros com mais tiroteios:

Montagem: Eduarda Pinto / Bahia Notícias
O relatório do Fogo Cruzado ainda expôs um aspecto relevante da violência na capital baiana: entre os bairros que lideram o ranking de tiroteios em ações policiais, 13 concentram 21%, ou seja, mais de um quarto dos índices, e todos têm população de maioria negra, como o Nordeste de Amaralina, Valéria e Jardim Nova Esperança.

Montagem: Eduarda Pinto / Bahia Notícias
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Disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao afirmar que o Brasil precisa “jogar fora o complexo de vira-lata”. A declaração foi feita durante um evento em São Paulo.