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capela do solar do unhao
A Capela do Solar do Unhão, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), recebe a exposição “Orixás”, do artista brasiliense Josafá Neves, com curadoria de Bené Fonteles. A mostra segue até 18 de janeiro de 2026 e propõe uma imersão visual e simbólica nas raízes afro-brasileiras, em diálogo com o território baiano, reconhecido como berço das tradições de matriz africana.
Após itinerar por Brasília e São Paulo, onde foi exibida no Museu Nacional da República, no Museu Vivo da Memória Candanga e no Memorial da América Latina, a exposição chega à Bahia em uma nova montagem.
Ocupando um dos espaços mais emblemáticos do conjunto arquitetônico do MAM-BA, o artista criou especialmente para o local a instalação “Iansã”. No centro da capela, a escultura da orixá dos ventos é envolta por trezentos fios vermelhos adornados com búzios, que evocam o movimento, a energia e a força de sua presença.
A peça foi concebida durante uma residência artística em Angola, em 2023, e ganha agora um novo significado ao retornar ao Brasil. Segundo Josafá, a inspiração veio dos ventos que sopram no entorno do Solar do Unhão, à beira-mar. “Me sinto honrado e contemplado por esta oportunidade e por tudo que Iansã representa”, destacou o artista.
Inaugurada no Mês da Consciência Negra, “Orixás” busca valorizar a ancestralidade afro-brasileira e a arte como território de memória, fé e resistência. As obras trazem, em pintura, escultura e instalação, a cosmovisão africana e as relações entre natureza, rituais e espiritualidade.
“Josafá nos liberta das normas ao encarnar na pintura a energia forte que vem desde suas ancestralidades, desde o rupestre até o contemporâneo, rompendo limites e territórios imaginados”, afirmou o curador Bené Fonteles. “As oferendas sofisticadas e ousadas da estética de um Candomblé artístico e transversal fazem da arte de Josafá uma ponte poética para se chegar à energia visceral e criadora da entidade”, completou.
Com mais de 25 anos de trajetória, Josafá desenvolve um trabalho voltado às estéticas afro-brasileiras e às narrativas da diáspora africana. Sua produção já foi exibida em instituições do Brasil, América Latina, Europa, Estados Unidos e Angola. O artista também recebeu o título de Doutor Honoris Causa, em reconhecimento à sua contribuição às artes visuais e à valorização das culturas afro-diaspóricas.
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