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Adriano Sampaio
E se o maior erro das previsões eleitorais não estiver nas pesquisas, mas na forma como interpretamos o eleitor indeciso?

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Modelo proprietário desenvolvido pela Duplamente Inteligência de Mercado desafia a distribuição proporcional dos votos e propõe uma nova leitura das trajetórias eleitorais brasileiras

Multimídia

Angelo Coronel rejeita ideia de Senado como “puxadinho” do Planalto e diz que não será “chapa-branca” de presidentes

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Durante entrevista ao podcast Projeto Prisma, do projeto Vota BN, nesta segunda-feira (24), o senador Angelo Coronel (Republicanos) afirmou que o Senado Federal não pode atuar como um "puxadinho" do Poder Executivo e declarou que não pretende exercer um mandato "chapa-branca" para o governo de plantão.

Entrevistas

Entrevista Exclusiva: Ministra Rachel Barros detalha ações do MIR para a população negra

Entrevista Exclusiva: Ministra Rachel Barros detalha ações do MIR para a população negra
Nesta segunda-feira (10), a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, esteve em Salvador para participar do Colóquio Internacional Cultura, Relações Exteriores, Desenvolvimento e Reparação. O evento, que acontece nas cidades de Salvador e Cachoeira, integra as celebrações pelos 25 anos de fundação do FENEBA e desdobra as discussões iniciadas no 9º Congresso Panafricano, sediado em Lomé, no Togo.

bogum

Tradicional Terreiro do Bogum, em Salvador, é tombado pelo IPAC
Fotos: Divulgação FGM

O Governo do Estado da Bahia decretou, nesta sexta-feira (31 de julho de 2026), o tombamento oficial do Terreiro Zoogodô Bogum Malê Hundó. A medida, que reconhece a importância histórica e cultural do templo religioso de tradição Jêje-Mahi, foi publicada no Diário Oficial do Estado.

 

Localizado na tradicional Ladeira do Bogum (Rua Manoel do Bonfim, nº 35), no bairro do Engenho Velho da Federação, em Salvador, o espaço agora passa a integrar o Livro do Tombamento dos Bens Imóveis do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).

A oficialização é resultado de um processo iniciado em 2019 (Processo SEI nº 062.1982.2019.0001382-39), que contou com propostas formuladas e aprovadas tanto pelo IPAC quanto pelo Conselho Estadual de Cultura (CEC). Com a publicação do decreto, o IPAC fica autorizado a adotar todas as providências legais para assegurar a preservação e a salvaguarda deste importante patrimônio da cultura afro-brasileira no estado.

 

TERREIRO DO BOGUM

O Terreiro do Bogum, pertencente à tradição Jeje-Maí do Candomblé, é considerado um dos mais tradicionais e singulares de Salvador. Entre suas principais características está a preservação de elementos culturais e religiosos próprios da nação Jeje, que o diferenciam da maioria dos demais terreiros da capital baiana.

 

Uma das diferenças mais marcantes está na língua utilizada durante os rituais. Enquanto a maior parte dos candomblés da Bahia segue a tradição nagô e utiliza o iorubá, no Bogum os cânticos e cerimônias são realizados em eué, idioma do povo fon, originário da região do antigo Daomé, atual Benim. Além da linguagem, os ritos também apresentam particularidades: no Terreiro do Bogum não há culto aos orixás, mas sim aos voduns, divindades que recebem nomenclaturas e práticas litúrgicas específicas da tradição Jeje, mas que tiveram seus cultos unidos ao dos Orixás, em muitos lugares.

 

A atual liderança do terreiro é exercida pela Doné Zaildes Iracema de Mello, popularmente conhecida como Mãe Índia, que assumiu o cargo máximo em agosto de 2003. Para a sacerdotisa, o reconhecimento do Estado exalta a memória e a resistência de seus antepassados frente à violência do processo de colonização. “As minhas ancestrais, as minhas mais velhas, as que vieram antes de mim, elas também construíram esse lugar de luta, de resistência, de empoderamento e de resiliência. Porque para ter sucesso nesse caminhar, tem que ter fé, tem que ter vodun, e esse tombamento é um avanço para as construções históricas que o meu povo fez e faz até hoje”, destaca.

 

Fotos dos pesquisadores Melville e Frances Herskovits em 1942 ,no  Zoogodô Bogum Malê Rundó

Fotos dos pesquisadores Melville e Frances Herskovits em 1942 ,no  Zoogodô Bogum Malê Rundó "Terreiro do Bogum"

 

A proteção legal também funciona como um escudo contra o apagamento territorial. Mãe Índia recorda que a área original do terreiro era muito mais vasta. “Desde o final de linha do Engenho Velho da Federação até a Vasco da Gama era Bogum”, relembra. Com o avanço descontrolado da urbanização, a comunidade precisou readaptar suas práticas, embora tenha mantido a originalidade. “O candomblé é mantido pela força ancestral da natureza e devemos preservar esse lugar que hoje em dia é tão pouco, mas que conseguimos manter. Acredito que esse tombamento vai ser para garantir que a gente não siga diminuindo as nossas relações com a natureza devido a como a sociedade enxerga o processo de urbanização, acabando com árvores, rios e espaços em que o sagrado atua”, alerta a Doné.

 

A história do terreiro é marcada por lideranças femininas lendárias, como Mãe Emiliana, Mãe Nicinha e a Doné Maria Valentina dos Anjos Costa (Mãe Runhó). O prestígio de Mãe Runhó é tamanho que ela dá nome a 'uma praça nas proximidades do terreiro, onde há uma estátua erguida em sua homenagem.

 

O local onde hoje está instalado o Terreiro do Bogum também possui importância histórica. De acordo com a tradição, foi ali que Joaquim Jeje, apontado como um dos participantes da Revolta dos Malês, teria escondido um baú — conhecido como bogum — contendo donativos que ajudaram a financiar o levante ocorrido em Salvador, em janeiro de 1835.

 

A Revolta dos Malês foi organizada por africanos muçulmanos escravizados, muitos deles alfabetizados em árabe e reconhecidos pela capacidade de organização. O grupo pretendia instaurar um governo de inspiração africana no Brasil, mas o plano acabou sendo descoberto após uma denúncia, impedindo o sucesso da insurreição.

 

A origem do nome "Bogum" também possui outra interpretação. Segundo o dialeto Gun, falado na região de Porto Novo, no Benim, a palavra pode significar "lugar dos fons", unindo os termos que fazem referência ao povo fon e ao espaço onde ele se estabelece.

 

Outra tradição preservada pelo terreiro é a missa em homenagem a São Bartolomeu, realizada anualmente há cerca de dois séculos. A celebração tornou-se um dos principais marcos da comunidade religiosa. O calendário festivo do Terreiro do Bogum começa em 1º de janeiro e se estende até meados de abril, reunindo diversas celebrações ligadas à tradição Jeje.

 

Em 2024, a história e a importância do Terreiro do Bogum ganharam destaque nacional ao serem homenageadas pela escola de samba Unidos do Viradouro, campeã do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro com o enredo "Arroboboi, Dangbé". A agremiação exaltou o terreiro em versos que celebram seu legado como um dos pilares do Candomblé Jeje e símbolo da herança africana na Bahia.

 

De olho no futuro e fortalecida pelo novo título de patrimônio, Mãe Índia reforça que o amanhã do Bogum está diretamente ligado ao acolhimento e à integração. “Não basta só ser terreiro, tem que ter uma ação social que faça com que esse espaço abrace a comunidade. Eu enxergo esse espaço para o futuro construindo agora, fazendo com que seja importante reconhecer que o candomblé, que a Nação Jeje-Mahi é viva. Com isso, as novas gerações de iniciados vão guardar também esse lugar, vão preservar algo que temos, porque são mais de 300 anos de tradição”, conclui.

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
Do jeito que as coisas vão, não sei se o Soberano chega inteiro em outubro. Mas não foi o único que levou bola nas costas também. Tiveram que recorrer até ao passado pra lembrar da conexão entre o Pernambucano e o Capitão, por exemplo. Enquanto isso, o passado deixa outros tristes. Não é, Ferragamo? Mas o futuro também tira o sono de alguns. Alice no País das Maravilhas, por exemplo, já tem seu plano B. Saiba mais!

Pérolas do Dia

Eduardo Girão

Eduardo Girão
Foto: Antena 1 Salvador

“O Senado está totalmente prostrado. A gente vê uma comissão de ética que não foi instalada na legislatura do Davi Alcolumbre. A condução dele como presidente é uma tragédia anunciada, tanto é que eu votei contra ele. Não apenas isso, eu fui candidato contra ele até o final. Eu fico extremamente preocupado quando vejo o PL, por exemplo, que é um partido grande da oposição, apoiar o Alcolumbre e votar nele. Com a exceção do senador Marcos Pontes que se rebelou contra o próprio partido e foi até o final também. Eu tive quatro votos, o astronauta Marcos Pontes teve quatro votos, e o Davi nadou de braçada". 

 

Disse o senador Eduardo Girão (Novo) ao fazer uma série de críticas à gestão do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União). Em entrevista à rádio Antena 1 Salvador, nesta segunda-feira (14), o candidato a vice-presidente na chapa de Romeu Zema disse que a Comissão de Ética do Senado não tem funcionado e acusou Alcolumbre de engavetar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Podcast

Vota BN: Projeto Prisma entrevista o candidato ao governo da Bahia Ronaldo Mansur (PSOL) nesta segunda

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A sabatina faz parte da série especial "Vota BN", dedicada a sabatinar as principais lideranças políticas na disputa pelo Executivo estadual e pelo Senado nas eleições de 2026. O programa é transmitido ao vivo a partir das 16h no YouTube do Bahia Notícias.

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