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Artigos

Adriano Sampaio
O Espectro Invisível das Pesquisas
Foto: Acervo pessoal

O Espectro Invisível das Pesquisas

Os fantasmas metodológicos que distorcem a intenção de voto

Multimídia

Bruno Monteiro diz que fechamento do TCA expôs "vácuo" de grandes teatros em Salvador

Bruno Monteiro diz que fechamento do TCA expôs "vácuo" de grandes teatros em Salvador
O secretário estadual de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, afirmou que o período em que o Teatro Castro Alves (TCA) permaneceu fechado para reforma evidenciou a carência de grandes espaços para espetáculos em Salvador. Em entrevista ao Projeto Prisma, ele classificou o equipamento como o principal complexo cultural das regiões Norte e Nordeste.

Entrevistas

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto
Foto: Divulgação / Agência AL-BA
De volta à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) desde janeiro, após assumir a vaga aberta com a morte do deputado Alan Sanches, Luciano Ribeiro (União) concedeu entrevista ao Bahia Notícias na última semana e falou sobre a produtividade do Legislativo para 2026, ano que será marcado pela disputa eleitoral, e o cenário político para a corrida ao governo da Bahia. O deputado também tratou da formação da chapa de oposição e afirmou que, neste momento, descarta disputar a reeleição. Desde o seu retorno, Luciano passou a ocupar a vice-liderança da oposição e a vice-presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

bogum

Tradicional Terreiro do Bogum, em Salvador, é tombado pelo IPAC
Fotos: Divulgação FGM

O Governo do Estado da Bahia decretou, nesta sexta-feira (31 de julho de 2026), o tombamento oficial do Terreiro Zoogodô Bogum Malê Hundó. A medida, que reconhece a importância histórica e cultural do templo religioso de tradição Jêje-Mahi, foi publicada no Diário Oficial do Estado.

 

Localizado na tradicional Ladeira do Bogum (Rua Manoel do Bonfim, nº 35), no bairro do Engenho Velho da Federação, em Salvador, o espaço agora passa a integrar o Livro do Tombamento dos Bens Imóveis do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).

A oficialização é resultado de um processo iniciado em 2019 (Processo SEI nº 062.1982.2019.0001382-39), que contou com propostas formuladas e aprovadas tanto pelo IPAC quanto pelo Conselho Estadual de Cultura (CEC). Com a publicação do decreto, o IPAC fica autorizado a adotar todas as providências legais para assegurar a preservação e a salvaguarda deste importante patrimônio da cultura afro-brasileira no estado.

 

TERREIRO DO BOGUM

O Terreiro do Bogum, pertencente à tradição Jeje-Maí do Candomblé, é considerado um dos mais tradicionais e singulares de Salvador. Entre suas principais características está a preservação de elementos culturais e religiosos próprios da nação Jeje, que o diferenciam da maioria dos demais terreiros da capital baiana.

 

Uma das diferenças mais marcantes está na língua utilizada durante os rituais. Enquanto a maior parte dos candomblés da Bahia segue a tradição nagô e utiliza o iorubá, no Bogum os cânticos e cerimônias são realizados em eué, idioma do povo fon, originário da região do antigo Daomé, atual Benim. Além da linguagem, os ritos também apresentam particularidades: no Terreiro do Bogum não há culto aos orixás, mas sim aos voduns, divindades que recebem nomenclaturas e práticas litúrgicas específicas da tradição Jeje, mas que tiveram seus cultos unidos ao dos Orixás, em muitos lugares.

 

A atual liderança do terreiro é exercida pela Doné Zaildes Iracema de Mello, popularmente conhecida como Mãe Índia, que assumiu o cargo máximo em agosto de 2003. Para a sacerdotisa, o reconhecimento do Estado exalta a memória e a resistência de seus antepassados frente à violência do processo de colonização. “As minhas ancestrais, as minhas mais velhas, as que vieram antes de mim, elas também construíram esse lugar de luta, de resistência, de empoderamento e de resiliência. Porque para ter sucesso nesse caminhar, tem que ter fé, tem que ter vodun, e esse tombamento é um avanço para as construções históricas que o meu povo fez e faz até hoje”, destaca.

 

Fotos dos pesquisadores Melville e Frances Herskovits em 1942 ,no  Zoogodô Bogum Malê Rundó

Fotos dos pesquisadores Melville e Frances Herskovits em 1942 ,no  Zoogodô Bogum Malê Rundó "Terreiro do Bogum"

 

A proteção legal também funciona como um escudo contra o apagamento territorial. Mãe Índia recorda que a área original do terreiro era muito mais vasta. “Desde o final de linha do Engenho Velho da Federação até a Vasco da Gama era Bogum”, relembra. Com o avanço descontrolado da urbanização, a comunidade precisou readaptar suas práticas, embora tenha mantido a originalidade. “O candomblé é mantido pela força ancestral da natureza e devemos preservar esse lugar que hoje em dia é tão pouco, mas que conseguimos manter. Acredito que esse tombamento vai ser para garantir que a gente não siga diminuindo as nossas relações com a natureza devido a como a sociedade enxerga o processo de urbanização, acabando com árvores, rios e espaços em que o sagrado atua”, alerta a Doné.

 

A história do terreiro é marcada por lideranças femininas lendárias, como Mãe Emiliana, Mãe Nicinha e a Doné Maria Valentina dos Anjos Costa (Mãe Runhó). O prestígio de Mãe Runhó é tamanho que ela se tornou epônima de uma praça nas proximidades do terreiro, onde há uma estátua erguida em sua homenagem.

 

O local onde hoje está instalado o Terreiro do Bogum também possui importância histórica. De acordo com a tradição, foi ali que Joaquim Jeje, apontado como um dos participantes da Revolta dos Malês, teria escondido um baú — conhecido como bogum — contendo donativos que ajudaram a financiar o levante ocorrido em Salvador, em janeiro de 1835.

 

A Revolta dos Malês foi organizada por africanos muçulmanos escravizados, muitos deles alfabetizados em árabe e reconhecidos pela capacidade de organização. O grupo pretendia instaurar um governo de inspiração africana no Brasil, mas o plano acabou sendo descoberto após uma denúncia, impedindo o sucesso da insurreição.

A origem do nome "Bogum" também possui outra interpretação. Segundo o dialeto Gun, falado na região de Porto Novo, no Benim, a palavra pode significar "lugar dos fons", unindo os termos que fazem referência ao povo fon e ao espaço onde ele se estabelece.

 

Outra tradição preservada pelo terreiro é a missa em homenagem a São Bartolomeu, realizada anualmente há cerca de dois séculos. A celebração tornou-se um dos principais marcos da comunidade religiosa, conforme registros da Fundação Cultural Palmares. O calendário festivo do Terreiro do Bogum começa em 1º de janeiro e se estende até meados de abril, reunindo diversas celebrações ligadas à tradição Jeje.

 

Em 2024, a história e a importância do Terreiro do Bogum ganharam destaque nacional ao serem homenageadas pela escola de samba Unidos do Viradouro, campeã do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro com o enredo "Arroboboi, Dangbé". A agremiação exaltou o terreiro em versos que celebram seu legado como um dos pilares do Candomblé Jeje e símbolo da herança africana na Bahia.

 

De olho no futuro e fortalecida pelo novo título de patrimônio, Mãe Índia reforça que o amanhã do Bogum está diretamente ligado ao acolhimento e à integração. “Não basta só ser terreiro, tem que ter uma ação social que faça com que esse espaço abrace a comunidade. Eu enxergo esse espaço para o futuro construindo agora, fazendo com que seja importante reconhecer que o candomblé, que a Nação Jeje-Mahi é viva. Com isso, as novas gerações de iniciados vão guardar também esse lugar, vão preservar algo que temos, porque são mais de 300 anos de tradição”, conclui.

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
A partir de agora, todo mundo dorme com um olho aberto. A não ser que faça como Cunha, e prefira fingir que está dormindo. Lancei um prêmio de piores representações em IA, e já começo com um candidato de peso. Aliás, enquanto tem gente criando drama, tem outros criando emprego. Mas admito: tem invenções nessas eleições que nem toda criatividade do mundo poderia prever. Criaram até o apoio com o "não voto". Saiba mais!

Pérolas do Dia

Luiz Inácio Lula da Silva

Luiz Inácio Lula da Silva
Foto: Ricardo Stuckert / PR

"Eu estou vendo o quadro eleitoral, não sei quantos candidatos vão ter ainda. Eu, como presidente da República, não vou para debate para ouvir bobagem. Não vou". 

 

Disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao afirmar que não irá participar dos debates eleitorais se for "para ouvir bobagem". A declaração ocorreu durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda. 

Podcast

Bruno Monteiro é o entrevistado do Projeto Prisma nesta segunda-feira

Bruno Monteiro é o entrevistado do Projeto Prisma nesta segunda-feira
Foto: Projeto Prisma
O secretário estadual de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, é o entrevistado do Projeto Prisma desta segunda-feira (27). O podcast é transmitido ao vivo a partir das 16h no YouTube do Bahia Notícias.

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