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bn na china
Que a China é referência em velocidade de entrega de grandes obras, muita gente sabe. Mas o avanço da rede de metrô de Shenzhen, o “Vale do Silício” chinês, surpreende até para os padrões do país. O sistema cresce atualmente em uma média de 30 km por ano - o que Salvador demorou quase uma década pra alcançar.
É claro que os números de Shenzhen são muito maiores. O desenvolvimento da rede subterrânea precisou acompanhar o crescimento da cidade, que saltou de 30 mil habitantes para quase 18 milhões em 40 anos.
O metrô de Shenzhen conta com cerca de 635 km de extensão e 441 estações. São 17 linhas em operação, incluindo algumas sem condutor, e outras que chegam a uma velocidade de até 120 km/h. E a expansão segue a todo vapor: a expectativa é de que a rede chegue a mais de 1,1 mil km de trilhos até 2035.

Foto: Rebeca Menezes, da China / Bahia Notícias
O projeto foi aprovado em 1998, e a construção começou no ano seguinte. A primeira linha foi inaugurada em dezembro de 2004. Mas a proposta foi criar mais do que um meio de transporte. A união de tecnologia e design permitiu a criação de uma verdadeira cidade subterrânea.
Um dos ícones dessa proposta é a Estação Gangxia North, Hub inaugurado em 2022 que é conhecido pelo “Olho de Shenzhen” - uma claraboia que permite a entrada de luz, além de simbolizar a visão tecnológica da cidade. Dentro da estação, é possível encontrar restaurantes, quiosques de roupas e artesanato, massagem, espaço de jogos e até um cinema.
INSPIRAÇÃO PARA A BAHIA?
A velocidade de investimento por aqui contrasta com a realidade de Salvador. Após um impasse que deixou a obra paralisada, o metrô da capital baiana foi inaugurado em junho de 2014, 14 anos depois do início do projeto. À época, o sistema foi entregue com 7,3 km.
Nove anos depois, o sistema chegou aos 38 km, com a inauguração da Estação Águas Claras/Rodoviária em dezembro do ano passado, com 21 estações no total.
Com a expansão anunciada pelo governo da Bahia para o Campo Grande, a rede deve chegar aos 40 km para atender os 2,5 milhões de habitantes da capital, além de quem mora na Região Metropolitana.

Foto: Rebeca Menezes, da China / Bahia Notícias
A proximidade da Bahia com a China - principalmente após a chegada a Camaçari da BYD - que tem sua sede global em Shenzhen - pode ajudar a inspirar uma transformação no modelo de transporte público na cidade.
Apostar em mobilidade é apostar em desenvolvimento, em atração de investimentos e no impulsionamento da imagem de Salvador para o Brasil e para o mundo. A integração da cidade com os próprios habitantes é resultado de uma política pública de longo prazo, essencial quando se pensa no crescimento econômico e social da população, e precisa ser vista como um elo estratégico para uma cidade com tanto potencial como Salvador.
BN NA CHINA
A convite da BYD Brasil, o Bahia Notícias foi à China para acompanhar um momento histórico da Bahia no mundo: a turnê da Orquestra Neojiba na China.
A equipe acompanhou o encerramento do projeto, que aconteceu no dia 5 de maio, no Shenzhen Concert Hall, em Shenzhen - cidade que é o coração tecnológico da China e abriga a sede global da BYD.
O BN ainda acompanhou as novidades que a companhia planeja trazer para a Bahia, além de traçar um paralelo entre as culturas e a história de Shenzhen, que se transformou de uma pequena vila de pescadores, nos anos 1970, em um dos principais polos globais de tecnologia e inovação.
Imagine a cena: uma cidade com 18 milhões de habitantes, áreas densamente populadas, alguns dos prédios mais altos da Ásia… e o único barulho no trânsito é o das buzinas de alguns poucos impacientes. É cada vez mais raro ouvir o ronco dos motores, ônibus barulhentos ou fumaça preta saindo do escapamento de carros maiores. Na cidade de Shenzhen, onde cerca de 80% dos carros vendidos são elétricos ou híbridos, reina o baixo ruído mesmo em dias mais caóticos e horas de pico.
A região, que fica no sul da China, se adaptou bem à escolha. Por aqui, se identificam os poucos carros a combustão pela placa azul - os híbridos ou elétricos têm a placa verde. Além disso, 100% dos mais de 22 mil táxis são elétricos - fornecidos, inclusive, pela BYD, gigante do setor que foi fundada na cidade e tem uma fábrica em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Talvez só seja difícil fazer essa relação no primeiro instante para os brasileiros, por causa de uma curiosidade: aqui, a marca da Build Your Dreams é diferente em veículos de transporte público, menor e mais arredondada.
TRANSPORTE PÚBLICO ELETRIFICADO
Atualmente, cerca de 1,5 milhão da frota de 4,7 milhões de veículos de Shenzen já não é movida a combustão. Outros meios de transporte também são em sua maioria eletrificados. É o caso dos mais de 38 mil ônibus - inclusive, foi a primeira cidade do mundo a eletrificar completamente o transporte público de passageiros.
As motos? Nem se questiona. Quase todas são movidas a energia, e pequenas - a ponto, inclusive, de ser raro ver alguma andando pelas ruas da cidade.
Foto: Rebeca Menezes/ Bahia Notícias
É mais frequente encontrar motociclistas invadindo as calçadas, se misturando com os moradores que andam pela cidade como se a opção de ser atropelado não existisse.
Aliás, uma moradora da cidade resumiu ao Bahia Notícias: aqui os motoristas “dirigem caoticamente, mas é um caótico que eles se entendem”.
A ENERGIA VERDE COMO PROPÓSITO
O combustível por aqui subiu com a guerra e o fechamento do estreito de Ormuz? Pra quem eu perguntei, ninguém soube responder. Com a dimensão da frota elétrica, a maioria se preocupa com o valor da conta de energia elétrica. E se eu te disser que, ainda assim, esse número é bem menor do que o que os baianos pagam?
O BN pesquisou e descobriu que, por aqui, o custo de um litro de gasolina custa entre 8 e 8,5 yuans chineses - o equivalente a um valor entre R$ 5,84 e R$ 6,21. Já a energia? Eles pagam quase metade do que os baianos: R$ 0,44 por kWh, contra R$ 0,82 por kWh cobrados pela Coelba.
Já nos postos de carregamento espalhados pela cidade, o preço do megawatt por aqui é em média de R$ 1. Em Salvador, eletropostos cobram entre R$ 1,50 e R$ 2.
Foto: Rebeca Menezes/ Bahia Notícias
Mas esse preço não tem apenas relação com quem cobra. O próprio governo tem investido em iniciativas e campanhas que orientem a população sobre a relevância de buscar energias renováveis. No ano passado, inclusive, a metrópole chinesa lançou um projeto ambicioso de estímulo para veículos de nova energia (NEVs) que utilizem fontes renováveis para a recarga. A iniciativa foi batizada de “Carro Verde, Eletricidade Verde”. De acordo com o projeto, motoristas que acumulem 1.000 em recargas em estações de eletricidade verde (mantida por energia eólica, solar ou biomassa) ganham um certificado emitido pela Administração Nacional de Energia (NEA).
Aliás, este é um compromisso nacional: A China se comprometeu a alcançar a neutralidade de carbono antes de 2060. Além disso, gigantes chinesas também defendem o iniciativas mais sustentáveis e com impacto real. A própria BYD definiu como compromisso a defesa de diminuir em 1ºC a temperatura da Terra, a partir da diminuição drástica de emissão de carbono.
O desafio maior tem sido buscar formas de armazenar as energias renováveis, como a energia solar ou a eólica (que dependem de recursos naturais inconstantes). O assunto inclusive foi pautado pelo senador baiano Jaques Wagner, que visitou nesta semana a sede global da BYD. "O grande desafio, e na erdade eles estão na frente, é você ter bancos de bateria gigantescos que aguentem armazenar enquanto tem o sol. Pra quem tem placa solar em casa, quando chega de noite, você vai depender da energia da rede", reforçou o senador. "A Itaipu Binacional, que metade é brasileira, tem um profundo estudo sobre bateria, que é o desafio de você ficar só dependente dessa energia. Senão, a gente sempre tem que 'misturar' as duas energias", completou.
Mas a solução já está em teste em alguns lugares do mundo. Head de Relações Públicas na BYD, Henri Karam detalhou uma iniciativa na Califórnia, estado dos EUA que tem mais carros elétricos. "Você tem na Califórnia uma grande concentração de energia solar, que é durante o dia, e você tem o carro elétrico. Que horas as pessoas carregam? De noite, quando você volta pra casa. E aí você tinha um desequilíbrio no sistema elétrico", explicou. A BYD, então, transformou a bateria blade, que é utilizada nos carros, para construir "super powerbanks": "O projeto custou US$ 1 bilhão. A energia é captada durante o dia, armazenada nesse powerbank, como se fosse uma bateria gigante, e de noite ela é liberada para que as pessoas possam usar. E esse é um modelo que a gente também vai ter em breve no Brasil", adiantou.
Enquanto isso, potências renováveis no Brasil ainda esbarram em gargalos, como a ausência de produção interna de equipamentos estratégicos, como turbinas eólicas e painéis solares, desafios na exploração de minerais e insegurança jurídica relacionada a debates ambientais. Considerando a presença frequente de espaços verdes, em uma cidade que cresceu tão rápido como Shenzhen, o Brasil ainda tem muito a aprender sobre como acelerar o crescimento mantendo o foco na sustentabilidade.
BN NA CHINA
A convite da BYD Brasil, o Bahia Notícias/BN Hall foi à China para acompanhar um momento histórico da Bahia no mundo: a turnê da Orquestra Neojiba na China. A equipe acompanhou o encerramento do projeto, que aconteceu no dia 05 de maio, no Shenzhen Concert Hall, em Shenzhen - cidade que é o coração tecnológico da China e abriga a sede global da BYD. A viagem ainda acompanha as novidades que a companhia planeja trazer para a Bahia, além de traçar um paralelo entre as culturas e a história de Shenzhen, que se transformou de uma pequena vila de pescadores, nos anos 1970, em um dos principais polos globais de tecnologia e inovação.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
João Roma
"A lei não pode ter lado político".
Disse o presidente estadual do PL na Bahia e pré-candidato ao Senado Federal pelo estado, João Roma, utilizou as redes sociais nesta sexta-feira (19) para comentar a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal (PF), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), que teve como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado.