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O vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, entregou, na noite desta quarta-feira (16), a sugestão de texto da PEC da Transição. De acordo com a proposta apresentada, os valores a serem pagos pelo Auxílio Brasil, que deve voltar a se chamar Bolsa Família, ficarão fora do teto de gastos, sem referência a limite de prazo.
A proposta é uma alternativa que vem sendo discutida por integrantes do governo eleito e por representantes do Congresso Nacional para viabilizar o pagamento de despesas que não estão previstas no Orçamento de 2023 (PLN 32/2022). Entre elas, o aumento no valor do Bolsa Família, de R$ 400 para R$ 600. Com a PEC, o aumento do auxílio não seria contado dentro do teto de gastos. Assim, o governo teria a garantia dos recursos sem desrespeitar as regras constitucionais.
Quem recebeu a proposta no Congresso Nacional foi o relator do Orçamento de 2023, senador Marcelo Castro (MDB-PI), juntamente com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Davi Alcolumbre (União-AP), senadores e representantes do governo de transição.
"O que nós estamos fazendo aqui, do ponto de vista prático é tomando uma medida de salvação nacional. Esse Orçamento que está aqui, se nós não aprovarmos essa PEC — não estou fazendo terrorismo, não é meu estilo — nós não temos como fechar o Orçamento. O Orçamento que está aqui tem furos de ponta a ponta. Quem vai abrir o espaço para isso daí é a PEC”, explicou o senador.
Segundo a equipe de transição do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a estimativa do projeto é de R$ 175 bilhões. Mas, dentro da proposta não contém valores e nem prazos estabelecido, pois tais detalhamentos deverão constar na Lei Orçamentária Anual (LOA).
Apesar disso, Alckmin afirma que a proposta não é “nenhum cheque em branco”. "Não tem sentido colocar na emenda à constituição o detalhamento. Isso é a Lei Orçamentária Anual. Mas antes de votar a LOA, você tem que votar a PEC. A PEC tem um princípio de cuidado com a criança e erradicação da pobreza extrema. A LOA será relatada pelo Congresso e vai dizer quanto será investido na Farmácia Popular e em outros programas”, afirmou o vice eleito.
A PEC também poderá abrir outras exclusões do teto de gastos, além do Auxílio Brasil, ou do programa que vier a substitui-lo, a partir do exercício financeiro de 2023, como por exemplo Projetos socioambientais e relativos às mudanças climáticas que sejam custeados por doações; despesas de universidades federais que sejam custeadas por doações, receitas próprias ou convênios; e investimentos federais em valor referente ao excesso de arrecadação em 2022, limitado a 6,5% do excesso de arrecadação registrado em 2021. Neste caso, a despesa também não seria considerada para o cálculo do resultado primário.
TRAMITAÇÃO
O documento apresentado por Alckmin, que é o coordenador da equipe de transição, não é a proposta que vai tramitar no Congresso. O vice-presidente eleito explicou que ele traz apenas sugestões para compor o texto da PEC. Este será elaborado pelo senador Marcelo Castro após negociação com as lideranças do Senado.
Para começar a tramitar, uma PEC precisa da assinatura de 27 senadores, incluindo o primeiro signatário. Ela deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e depois pelo Plenário, onde precisa de pelo menos 49 votos favoráveis em cada um de dois turnos de votação. Se for aprovada pelo Senado, ela vai para a Câmara dos Deputados.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Jerônimo Rodrigues
"Não está no script".
Disse o governador Jerônimo Rodrigues ao negar a possibilidade de afastamento do secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, após citação nas investigações da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura um esquema de irregularidades do Banco Master no sistema financeiro nacional. Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (29), o petista disse ao Bahia Notícias que nenhum afastamento vai ocorrer “sem motivação concreta”.