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Curtindo o Carnaval de Salvador nesta segunda-feira (16) no camarote Expresso 2222, a atriz Neusa Borges conversou com o Bahia Notícias sobre os avanços e desafios enfrentados por artistas negros no audiovisual brasileiro, além do momento positivo vivido pelo cinema nacional.
“Estamos vivendo uma mudança fantástica. O povo brasileiro estava afastado do teatro e das salas de cinema, mas hoje as produções estão tão maravilhosas que realmente valem a pena. Ganhei o Kikito com o filme do Mussum. São filmes lindos: o da Fernandinha, agora o Wagner", disse a atriz.
Neusa lamentou que, apesar conquistas recentes do cinema e do teatro, artistas negros ainda enfrentem poucas oportunidades e desigualdade salarial.
"A única coisa que ainda me entristece é que não acredito que as portas tenham se aberto de fato para os artistas negros. No Brasil, muitas vezes isso vira moda, como um cometa: passa rápido. Enquanto artistas recebem 800 mil, 500 mil, você encontra 30, 40, 100 negros que não ganham nem o mínimo. Só vou acreditar que o negro está realmente acontecendo, que está tendo oportunidade, quando o dinheiro for igual. Isso me entristece muito", disse Neusa.
Com uma trajetória marcada por personagens fortes na televisão, no teatro e no cinema, Neusa relembrou os papéis que interpretou ao longo da carreira e reforçou que sempre se dedicou intensamente a cada trabalho, independentemente do tamanho ou do destaque da personagem.
"Nunca reclamei de ter feito papéis de empregada doméstica ou de escravizada. Sempre ganhei prêmios porque fiz meu trabalho com amor e devoção — e deu certo. Mas temo que essa ‘moda’ esteja começando a mudar para nos levar de volta à estaca em que estávamos", finalizou.
Idealizado pela Confraria 27, o projeto “Preto É Rei” convoca artistas negros da Bahia para a composição de um livro com obras de artes visuais. Os interessados podem se inscrever até o dia 31 de janeiro, em duas categorias: obras já existentes e novas criações.
Para participar, os artistas devem propor cinco trabalhos diferentes, enaltecendo a beleza e dinastia do povo preto. As obras podem ser apresentadas em diversos formatos, fotografia, desenho, colagens e/ou pinturas. O edital com todas as instruções e os formulários de inscrição podem ser acessados nas redes sociais da equipe: Instagram (@confraria_27) e Facebook.com/confrariadanca27. Dúvidas podem ser tiradas também através do e-mail [email protected].
As obras selecionadas farão parte do livro “Preto É Rei”, que terá versões impressa, audiobook e e-book. O edital prevê a seleção de cinco a sete profissionais que receberão um prêmio de R$ 1 mil reais e exemplares da publicação. O resultado da convocatória está previsto para ser divulgado no dia 5 de fevereiro.
Corpo que se expande ou aquele que se auto ilumina: são estes os significados de Araká, palavra que vem do Yorubá. O nome batizou uma plataforma criada em 2016 pelos baianos Laís Machado e Diego Pinheiro, com o objetivo de conectar outros artistas negros de todo o mundo, assim como difundir o trabalho produzido por eles.
“Isso também diz muito sobre nossos objetivos com a plataforma, de rompimento dessas barreiras geográficas - que são coloniais - na obra de artista negros. A gente tem muita dificuldade em saber o que outros artistas estão fazendo e experimentando, mesmo no território brasileiro, quanto mais fora. Mas existem semelhanças, aspectos para serem trocados e discutidos. Então, essa é a intencionalidade dessa expansão, pelo rompimento dessas barreiras geográficas, e também essa ideia de que a gente precisa visibilizar o que a gente faz”, explica Laís, sobre a Plataforma Araká.
Justificando a necessidade da criação da ferramenta, Laís destaca o racismo estrutural, que invisibiliza a produção negra no Brasil. “Vou dar um exemplo contemporâneo. Recentemente eu vi numa rede social Leonardo Boff falar de uma frase que ele ouviu em Minas Gerais, que era do ditado popular, que dizia: ‘combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer’. Mas essa frase não é ditado popular, é de Conceição Evaristo, escritora viva, muito produtiva, muito reconhecida, e ainda assim seu nome ele consegue tirar tranquilamente dessa publicação”, argumenta.

'A meta é que essa conexão seja tão estabelecida que nem precise da plataforma para mediar', diz Laís Machado | Foto: Diego Alcântara
O projeto nasceu em 2016, a partir de trabalhos desenvolvidos anteriormente pela dupla de criadores. “Eu e Diego, que somos os fundadores da plataforma, fizemos parte durante sete anos do Teatro Base, grupo de pesquisa sobre o método da atriz. E quando o grupo encerrou suas atividades a gente seguiu com as pesquisas e começou a desenvolver dentro do grupo. Ele com a dele sobre o tempo, e eu com a minha sobre a performance, o transe, a tradição”, lembra Laís, contando que a partir dali eles começaram a procurar outros artistas que “dialogassem com a mesma ética de pesquisa” e tivessem interesse na multilinguagem, já que, segundo ela, a partir de suas pesquisas “era impossível não misturar linguagens”. “Então, a gente começou a procurar outros artistas negros na diáspora africana, que, de certa maneira, se relacionassem com isso também. E aí a gente começou a pensar em como criar colaborações, projetos, parcerias”, conta.
Funcionando ainda de forma “orgânica”, a rede colaborativa já possibilitou três trabalhos da dupla: o Fórum Obirim e os espetáculos “Obsessiva Dantesca” e “Quaseilhas”. “Em ’Obsessiva Dantesca’, por exemplo, que na sua segunda temporada já era uma realização Araká, eu dialogava com outras artistas negras aqui da cidade, que compunham a banda e o processo criativo. Mas aí, logo depois, em maio do ano passado, eu idealizei uma ocupação no Espaço Cultural da Barroquinha, que foi o Fórum Obirim, que reunia mulheres daqui, de alguns países do Caribe, do Amazonas, de São Paulo. Então, já nessa tentativa de expandir um pouco mais e pensar como as mulheres negras, no caso dessa ocupação, se relacionavam no aspecto do fazer”, lembra Laís, citando ainda “Quaseilhas”, também realizado por meio de parcerias. “A gente gravou um trecho de ‘Quaseilhas’ em realidade expandida, 360º, com Jonathan Dotse, que é um ganês que estava aqui pelo Goethe. Teve a parceria com Isaac Julien, que assistiu à peça e convidou Diego para dirigir uma performance pro filme que ele estava filmando aqui”, diz.
Mesmo com os resultados surgindo, Laís Machado revela que a plataforma ainda está “engatinhando”, mas que a ideia é sempre expandir as conexões. “Uma coisa que eu sempre digo, sinceramente, é que a meta é que essa conexão seja tão estabelecida que nem precise da plataforma para mediar, que isso seja já um movimento orgânico da produção”, diz a artista. “A gente precisa saber o que está fazendo em outros lugares pra referenciar, criar, se inspirar. Para usar como referencial teórico é necessário também que a gente se conheça. Porque existe também no processo colonial, e isso é o que eu sinto que é um dos aspectos mais violentos, e que a plataforma tenta ir contra isso, é a sensação de solidão da pessoa negra e do artista experimental negro”, avalia.
O Haikaiss, uma das atrações do Lollapalloza, foi alvo de críticas do MC Raffa Moreira. O rapper de São Paulo criticou a atração por “só trazerem brancos para um gênero negro”. A polêmica declaração foi motivo de discussão entre os fãs nas redes sociais. No Twitter, o DJ Qualy, membro do Haikaiss, se pronunciou e publicou uma foto antiga de Raffa quando participava de uma banda com colegas brancos. O cantor paulista afirma que “não é racista” e que a crítica não é ao Haikaiss, mas à cena trap nacional. “Tá tendo muito ícone branco, numa cultura negra, mas tem espaço pra todo mundo”. Em 2016, o artista lançou a música “Topo”, que diz ter dedicado aos jovens negros. O hit tem trechos como “Preto jovem, Raffa / Nego, não se atrase / Isso é pra nós ... Vocês pagaram o drone / Vocês são rico e fo****”. Na letra ele se refere à falta de incentivo que o gênero sofre e diz acreditar que isso ajude os artistas brancos e mais abastados. “Quem tem dinheiro consegue fazer coisas que chamam mais atenção, os ricos se juntam entre si”. O Haikaiss é um dos principais nomes do rap nacional na atualidade e acumula mais de 200 milhões de visualizações no Youtube. Enquanto o rapper paulista soma 1,2 milhão de views no canal. Raffa esteve no último dia 12 em Salvador. Questionado sobre a experiência, ele a classificou como “incrível”. “A cena da Bahia não tinha como não me surpreender, me senti muito bem com tanta gente negra”. Na ocasião, se apresentaram também Makonnen Tafari e Mc Zidane, ambos baianos e negros. O artista disse que no show “ouviu músicas que não esquece” e cantou um trecho de “Mete Dança”, de Khriz Santos. Perguntado sobre quando irá voltar a Salvador ele não hesitou em afirmar que “pretender voltar logo”.
— PEDRO QUALY HAIKAISS (@DJQualy) 16 de março de 2017
Descobriram o paradeiro de menino Raffa.
Era emo e tinha um grupo com brancos.
Tendência é foda ! pic.twitter.com/urvfeUOYD6
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Jojo Todynho
"Eu não tenho pretensão política nenhuma".
Disse a cantora Jojo Todynho ao comentar o cenário político atual e opinar sobre o desfecho eleitoral do país.