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animais em festa
A presença de animais em grandes festas soteropolitanas foi uma das práticas mais vistas e debatidas nas redes sociais durante a temporada de verão baiano, entre o final de 2025 e começo de 2026. Diversos vídeos e publicações mostraram pessoas que levaram animais para festejos populares da cidade, a exemplo da Lavagem de Itapuã, Dia de Iemanjá no Rio Vermelho, Festa de Santa Barbára, Furdunço, Fuzuê e até o Carnaval de Salvador.
@_lucasevangelista Já levou seu pet para pular o carnaval hoje? #carnaval #carnavalsalvador #comediahumor #fy ? original sound - Lucas Evangelista
Após a circulação de conteúdos deste tipo, a Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria de Sustentabilidade e Resiliência (Secis), vai promover um debate para avaliar a presença desses animais domésticos em eventos públicos. Em entrevista ao Bahia Notícias, o titular da pasta, Ivan Euller, revelou que o órgão vai realizar uma reunião para discutir se a prática configura maus-tratos e se a ação é permitida ou proibida.
“Ficamos de marcar uma reunião aqui pra discutir sobre esse tema, mas não tem nenhum projeto. Ainda não tem nada nesse sentido de avaliar se seria maus-tratos ou não, se pode, ou se não pode. Não temos isso ainda não, mas vou provocar a turma porque a gente ficou de marcar uma reunião aqui com a diretoria animal para falar sobre o tema”, informou ao BN.
Segundo o secretário, a primeira reunião para discutir os próximos passos está prevista para ocorrer em abril, possivelmente envolvendo áreas técnicas, agentes acadêmicos e com a possibilidade de ampliação para o conselho animal.
“Provavelmente a gente deve se reunir em abril para discutir os próximos passos. Na minha cabeça imagino que devemos chamar alguém da academia, pois sempre ouvimos a opinião de especialistas. A ideia é marcar uma primeira reunião para saber o que fazer sobre o assunto e uma ideia minha de envolver a academia ou próprio conselho, talvez também, sobre essa discussão do que pode e que não pode em grandes festas populares”, comunicou Euller.
A prática, por mais inusitada e classificada como um momento “fofo”, pode ser perigosa para os animais e à população. A médica veterinária, Aline Quintela, do Conselho Regional de Medicina Veterinária da Bahia (CRMV/BA), alertou que o ato pode causar alguns perigos para os animais domésticos.
“Levar animais domésticos para ambientes com grande concentração de pessoas pode representar diversos riscos ao bem-estar desses animais. São locais com alto nível de ruído, calor, estímulos excessivos e pouca previsibilidade, o que pode causar estresse intenso, medo e até reações de fuga ou agressividade”, disse Quintela à reportagem.
“Além disso, há riscos físicos, como pisoteamento, desidratação, hipertermia e contato com substâncias nocivas, como alimentos inadequados ou lixo e resíduos deixados no chão. Esses fatores tornam o ambiente, em geral, inadequado para animais”, completou a médica.
De acordo com a conselheira do CRMV/BA, levar esses animais para eventos públicos pode representar perigos tanto para os bichos quanto para a população.
“Para os animais, os principais riscos incluem: estresse, desorientação e fuga,lesões físicas, exposição ao sol, calor e também a agentes infecciosos. Já para as pessoas, especialmente em ambientes com grande circulação, há risco de mordeduras ou arranhões, especialmente se o animal estiver assustado, transmissão de Zoonoses, acidentes, como traumas e quedas provocadas por animais em situação de fuga. [...] O ponto central é que o animal, quando colocado em uma situação de estresse, pode reagir de forma imprevisível”, explicou.
A médica veterinária ainda comentou que, em termos de vigilância sanitária, a permissão para levar esses bichos pode “variar conforme a regulamentação de cada município e o tipo de evento". "Em geral, eventos de grande porte podem ter normas específicas que restringem a entrada de animais, especialmente por questões de segurança e saúde pública", explica.
“A vigilância sanitária considera fatores como risco de zoonoses, condições de higiene, controle de circulação de animais em áreas públicas. Por isso, é fundamental que os responsáveis verifiquem previamente as regras do evento e as normas locais”, contou Aline.
Para ela, é necessário ainda políticas públicas, regulamentação, campanhas, fiscalização e criação de ações para combater a prática.
“Mais do que uma proibição generalizada, o mais adequado é a informação, a criação de diretrizes claras e políticas públicas equilibradas, que priorizem o bem-estar animal e a segurança coletiva. Isso pode incluir a regulamentação específica para eventos de grande porte, campanhas educativas para responsáveis por animais; fiscalização adequada; criação de eventos específicos e de espaços apropriados para animais em contextos controlados. A abordagem mais eficaz é educar, orientar e regulamentar, evitando tanto a exposição dos animais a situações de risco quanto medidas que desconsiderem a realidade social de muitos responsáveis”, considerou.
A profissional observou ainda sobre os casos relacionados a pessoas em vulnerabilidade social e situação de rua, que estão com seus animais ao trabalharem em algumas dessas festas, a exemplo de catadores de latas, ambulantes, entre outros.
“Este é um ponto que deve ser tratado com sensibilidade. O ideal é que pessoas em situação de vulnerabilidade social responsáveis por animais tenham acesso a políticas públicas como atendimento médico-veterinário gratuito ou acessível; campanhas de vacinação e controle populacional, distribuição de alimentos e insumos básicos; acolhimento que considere o vínculo entre o responsável e o animal. Esse vínculo, muitas vezes, é fundamental para o bem-estar emocional dessas pessoas, e as políticas públicas devem considerar e respeitar essa realidade”, explanou.
A médica elencou ainda alguns cuidados que podem ser efetuados em episódios que envolvam esses bichos de estimação.
“Garantir identificação no animal, manter uso de guia e, quando necessário, focinheira, oferecer água com frequência, observar sinais de estresse (ofegação excessiva, tremores, tentativa de fuga), respeitar o limite do animal e retirá-lo ao menor sinal de desconforto. Mesmo com esses cuidados, o ambiente continua sendo potencialmente inadequado para a segurança e bem estar deles”, completou.
@metropolesoficial ???? Uma cena para lá de inusitada foi registrada durante o #carnaval de #Salvador, na #Bahia. Na ocasião, um cachorro fantasiado surgiu nas costas do tutor, curtindo a festa e chamando atenção entre os foliões que circulavam pelas ruas. Usando uma tiara, o doguinho foi sensação e todos que o viam se aproximavam para acariciá-lo. Fofura! #TikTokNotícias ???? @g. Sena ?????????? | @Myhoodbr ? som original - Metrópoles Oficial
OUTROS DEBATES
A presença de outros bichos em festejos populares da capital baiana é um assunto antigo, que já foi discutido desde o ano de 2011, por dirigentes de ONGs, especialistas da área de saúde, autoridades e o setor jurídico. Naquela época, o juiz Ruy Eduardo Almeida Britto, da 6ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça (TJ-BA), expediu uma liminar que proibiu a participação de jegues e cavalos no cortejo da Lavagem do Bonfim.
A autora da ação, naquela época, foi a Ordem dos Advogados do Brasil, secção Bahia (OAB-BA), em conjunto com entidades de proteção aos animais. A multa por descumprimento ficou em torno de R$ 90 mil. A decisão determinou a participação de mais de 2 mil policiais no festejo, para cumprimento da decisão. A medida se estendeu fazendo com que a ação fosse julgada e se manteve em Salvador.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Carlos Viana
"Sou uma pessoa pública. Todas as minhas ações são passíveis de questionamento".
Disse o senador Carlos Viana (Podemos-MG) ao declarar que responderá “com a maior tranquilidade” aos questionamentos do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, sobre possíveis irregularidades em emendas repassadas à Fundação Oásis, ligada à Igreja da Lagoinha.