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aila raquel ribeiro
Fundada por uma baiana, a empresa Alya Space ganhou o noticiário nos últimos dias após uma matéria do site Poder360 apontar que um relatório produzido por um grupo do Congresso dos Estados Unidos alegava a presença de uma base militar secreta chinesa no Brasil, operando justamente na sede da Alya. O grupo norte-americano é dedicado a monitorar a China e diz no documento que a instalação é denominada Estação Terrestre de Tucano.
Diante da repercussão, o Bahia Notícias buscou informações sobre a história e a fundação da companhia sediada na capital baiana, em um prédio localizado em um dos centros financeiros da cidade, na Avenida Tancredo Neves.
A trajetória da Alya Space, também identificada como Alya Nanosatellites Constellation, remonta a 2019, fundada pela arquiteta e urbanista Aila Raquel Ribeiro, que atua como diretora executiva da empresa. Segundo relatos concedidos pela própria fundadora em entrevistas a veículos nacionais e internacionais, a ideia do negócio surgiu a partir de uma necessidade prática.
Em entrevista à RFI, Aila afirmou que a iniciativa teve início quando precisou utilizar imagens de satélite em um projeto desenvolvido em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), período em que atuou na gestão municipal. Na ocasião, ela observou a dificuldade de acesso a esse tipo de dado. A experiência motivou o desenvolvimento de uma solução própria voltada à oferta de imagens de alta resolução.
Já em entrevista ao site The Shift, Aila relatou que a concepção da empresa ocorreu após participação em uma imersão promovida pelo Founder Institute, no início de 2019. A partir dessa experiência, nasceu a Alya Nanosatellite Constellation.
Sobre a escolha do nome, ela explicou: “O nome Alya é um palíndromo do meu nome, mas também é o nome de uma estrela binária localizada em uma região comparativamente sem estrelas entre os dois ramos da Via Láctea”. Segundo a fundadora, o termo também passou a simbolizar um mantra: “buscar alyados”.
MODELO DE ATUAÇÃO
De acordo com informações divulgadas pela própria empresa e por sua fundadora, a proposta da Alya é desenvolver uma constelação de nanosatélites voltados à observação e monitoramento da superfície terrestre. Segundo Aila, por serem pequenos e leves, esses satélites apresentam menor custo de produção e lançamento, além de operação considerada mais simples.
“A missão da Alya é lançar nanosatélites de observação e monitoramento que cobrem toda a superfície terrestre usando sensores especiais com câmeras hiper-espectrais. As imagens e os dados capturados através dessas câmeras podem ser utilizados em projetos relacionados à agricultura, petróleo e gás, proteção ambiental, desastres naturais, etc. A fim de garantir um alto grau de confiabilidade, estou produzindo campos de validação e calibração (Cal/Val parks) na Bahia que podem simular diferentes ambientes naturais, variando da vegetação às condições do solo e da água”, declarou em entrevista.
O sistema proposto pela startup combina sensoriamento remoto óptico com tecnologia de radar. O planejamento apresentado prevê o lançamento de 216 satélites, divididos em duas fases, denominadas Alya 1 e Alya 2, com 108 unidades cada. A meta declarada pela fundadora é reduzir o custo das imagens para aplicações nos setores de agricultura e meio ambiente.
Ainda em 2019, a empresária participou da competição Amazonia Challenge, ocasião em que, segundo a própria fundadora, teve acesso ao Departamento de Ciência e Tecnologia da Aeronáutica e passou por processo de incubação.
Em 2022, Aila Raquel foi selecionada como bolsista para participar de um evento promovido pela Enrich (European Network of Research and Innovation Centres and Hubs), voltado ao apoio de pequenas e médias empresas de base tecnológica. O programa tinha como objetivo fomentar cooperação internacional e inserção de soluções inovadoras no mercado.
Ainda naquele ano, ela recebeu apoio para apresentar trabalho científico no Congresso Internacional Astronáutico, realizado em Paris, na França.
Sobre a atuação internacional da empresa, Aila afirmou: “Na verdade, ela vai além da Europa. Neste momento, trabalhamos também com a Ásia (China, precisamente) e com os Estados Unidos. Assim, cobrimos três continentes desenvolvendo relações comerciais estreitas para proporcionar um ambiente internacional e para criar um melhor impulso para todas as partes envolvidas trazendo grandes soluções inovadoras para o mercado global”.
PARCERIAS
A startup estabeleceu parceria com a Hong Kong Aerospace Technology Group para integração e fabricação de satélites. “Encontramos na Hong Kong Aerospace Technology Group a integração rápida e de alta qualidade que não conseguimos na Europa”, declarou Aila.
Segundo entrevista concedida ao site Brazilian Space, a empresa firmou contrato de US$ 675 milhões com a Hong Kong Aerospace Technology, responsável pela fabricação dos satélites e pela construção dos centros de controle.
Em 2024, Aila informou que o custo estimado por satélite é de € 1,2 milhão (cerca de R$ 7,3 milhões à época), valor que incluiria licenciamento, lançamento e integração de sensores.
Ela também mencionou manter diálogo com lançadores internacionais, incluindo a Agência Espacial Francesa e empresas na Índia e na Rússia, além de manifestar expectativa de utilizar a base de Alcântara, no Maranhão, para futuros lançamentos. “Alcântara oferece uma localização estratégica que economiza combustível e acelera o alcance da órbita”, afirmou.
A empresa prevê ainda a instalação de quatro estações terrestres no Brasil, nas cidades de Cuiabá, Sorocaba, além de unidades na Bahia e no Maranhão.
À época das entrevistas, Aila também declarou a expectativa de se tornar a primeira mulher da América Latina a lançar um satélite em órbita como CEO e fundadora de uma startup do setor espacial.
O RELATÓRIO
Conforme a reportagem do Poder360, um levantamento do Congresso dos Estados Unidos indicou a existência de uma base militar secreta da China, associada a essa empresa. No entanto, o relatório não especifica a localização exata da Estação Terrestre de Tucano - apesar do nome remeter ao município do semiárido baiano.
O relatório publicado no Comitê Seleto sobre a China classificou a instalação em território brasileiro como “não oficial”. Os autores da pesquisa ainda consideraram que a estrutura possibilitaria a China a encontrar ativos militares estrangeiros e rastrear objetos espaciais em tempo real na América do Sul.
“[A base] fornece à RPC [República Popular da China] um canal para observar e influenciar a doutrina espacial militar brasileira, ao mesmo tempo que estabelece uma presença permanente em uma região vital para a segurança nacional dos EUA”, diz um trecho do relatório.
O Bahia Notícias procurou a empresária Aila Raquel Ribeiro para realizar uma entrevista e ouvir o posicionamento dela diante da divulgação do relatório norte-americano, mas não obteve resposta. O espaço permanece aberto para eventuais esclarecimentos.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Claudio Castro
"Operação higienizou mais de 115 vagabundos".
Disse o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), ao definir a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão em 2025. A declaração foi feita nesta segunda-feira (2), durante cerimônia do programa Segurança Presente, em meio a um discurso de balanço de gestão na área de segurança pública.