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‘Flávio não entende do assunto’, afirma Caiado ao disputar eleitorado do agronegócio com rival do PL
Em uma tentativa de conquistar mais espaço na disputa presidencial de 2026, o candidato do PSD ao Palácio do Planalto, Ronaldo Caiado, intensificou suas críticas ao seu oponente de direita, Flávio Bolsonaro (PL), na competição pela associação ao setor do agronegócio.
Durante entrevista ao canal MyNews, o ex-governador de Goiás afirmou que o concorrente "não entende do assunto" e defendeu que sua própria trajetória política e atuação de décadas no setor rural lhe conferem autoridade para debater as demandas do campo.
Ao comentar a preferência que parcela do setor tem demonstrado pelo pré-candidato do PL, Caiado associou o fortalecimento do agronegócio ao avanço econômico e social em diversas regiões do país. Como exemplo de desenvolvimento impulsionado pela produção agrícola, o ex-governador citou os estados de Goiás e Mato Grosso.
Além da região de expansão da fronteira agrícola conhecida como Matopiba (fronteira entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), argumentando que essas localidades registram evolução nos indicadores de renda, educação e qualidade de vida.
Durante a sua visita na cidade de Luis Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, parte fundamental da expansão de Matopiba. O candidato e seus aliados do Partido Liberal (PL) falaram e se disseram abertos a ouvir as propostas do setor do agronegócio.
O Brasil deve enfrentar um novo cenário no campo em 2026. Após safra recorde de grãos em 2025, o IBGE divulgou um segundo prognóstico para o próximo ciclo agrícola, prevendo queda de 4,7% na produção baiana. O recuo deve ser impulsionado principalmente pela redução no rendimento da soja e pela baixa rentabilidade do algodão, dois pilares da produção nacional.
Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE), analisado pela SEI e divulgado nesta quinta-feira (11), a Bahia deve encerrar 2025 com 12,8 milhões de toneladas de cereais, oleaginosas e leguminosas. O resultado representa crescimento de 12,8% frente a 2024 e consolida o estado como uma das principais forças agrícolas do país. O desempenho é sustentado pelo avanço da área plantada, que chegou a 3,65 milhões de hectares, e pelo aumento do rendimento médio, agora em 3,52 t/ha, alta de 9,8%.
SOJA
A soja, carro-chefe da produção baiana, deve fechar 2025 com 8,61 milhões de toneladas, alta de 14,3%. O rendimento de 4 t/ha impulsiona o resultado. Para 2026, porém, o cenário muda. O IBGE aponta queda de 5,7% na produção, reflexo do baixo ritmo de expansão da área plantada, causado pelos preços desestimulantes da commodity no mercado internacional.
ALGODÃO
Outro destaque negativo no prognóstico de 2026 é o algodão, que deve recuar 17,5%. O setor enfrenta custo de produção elevado e preços pouco atrativos, reduzindo margens de lucro.
Ainda assim, em 2025 a Bahia mantém posição de destaque. São 1,79 milhão de toneladas, o que consolida o estado como maior produtor do Nordeste e segundo maior do Brasil, atrás do Mato Grosso.
MILHO E FEIJÃO
O milho deve encerrar 2025 com 2,74 milhões de toneladas (+18,2%). A primeira safra cresceu 24,6%, enquanto a segunda deve avançar 5,3% Para 2026, o prognóstico mostra queda na 2ª safra (-11,5%), mas crescimento na 1ª safra (+8,1%). No feijão, a safra 2025 deve somar 187 mil toneladas (-15,8%). O IBGE prevê para 2026 recuo na 2ª safra (-14,9%), mas forte alta na 1ª (+35,3%).
Ainda segundo a SEI, o café colheu 262 mil toneladas (+5,1%); arábica cai 14,6% e canéfora sobe 19,3%. A cana-de-açúcar obteve 6,24 milhões de toneladas (+12,6%). O cacau chegou a 119 mil toneladas (+7%). Na fruticultura, banana (+4,8%), laranja (+0,3%) e uva (+84,4%). No caso da mandioca foram 907 mil toneladas (+14,7%), e o tomate expressou queda expressiva de 48,4%.
PROJEÇÃO DA CONAB
Enquanto o IBGE projeta queda na produção, a Conab [Companhia Nacional de Abastecimento] indica tendência oposta. O terceiro levantamento para a safra 2025/2026 estima 14,6 milhões de toneladas, alta de 4,4%. O crescimento é impulsionado pela expansão da área plantada em 181 mil hectares (+4,6%), totalizando 4,1 milhões de ha. O destaque é a soja, que deve expandir 201 mil ha.
A Conab prevê aumento de 9,4% na área de soja, totalizando 2,34 milhões de ha, com produção estimada em 9,25 milhões de toneladas (+4,5%). Mesmo com o avanço, a produtividade deve cair 4,5%. Algodão, milho, feijão e sorgo também avançam.
O primeiro deve bater 2,05 milhões de toneladas (+2,5%). O segundo 2,87 milhões de toneladas (+2,2%), com forte peso da 1ª e 3ª safra. Já o feijão pode chegar a 347 mil toneladas (+19,4%), favorecido pelas chuvas no oeste baiano, e o sorgo 798 mil toneladas (+2,1%).
O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio baiano totalizou R$ 108,8 bilhões em 2024, fechando o ano com ligeira retração no valor real (valor nominal, descontada a variação de preços) de 0,4%. O setor representou quase um quarto [22,5%] na economia baiana no ano passado.
No último trimestre de 2024, verificou-se retração de 0,7%. Os dados foram informados nesta segunda-feira (24) pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). Segundo a pasta, a redução do PIB do agronegócio baiano em 2024 se deve à queda na safra de grãos no estado, que encolheu 7,3%, devido a problemas climáticos, causados pelo fenômeno el niño.
O milho e a soja, que têm peso significativo no agro estadual, reduziram a colheita em 24,7% e 3,1%, respectivamente. Com isso, os preços dos produtos agropecuários tiveram uma elevação significativa no ano passado, fato que elevou a participação do agronegócio no PIB.
Ainda segundo a SEI, houve elevação de 21,1% para 22,5% no valor do agronegócio baiano entre 2023 e 2024. Impactaram o aumento nos preços dos principais produtos agropecuários do estado, a exemplo da laranja, café, cacau e boi gordo.
A pasta explica que o termo agronegócio se refere a um corpo composto pela agropecuária, além dos setores fornecedores de insumos, da agroindústria e de segmentos responsáveis pela distribuição, como comércio e transporte, dentre outros serviços.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Jerônimo Rodrigues
"Os extremos não servem para nós. Nem uma polícia que não dê conta do seu papel, nem uma polícia que possa entrar no exagero e fazer ações fora do conceito de um servidor público. A polícia tem que garantir a segurança das pessoas e não ameaçá-las".
Disse o governador Jerônimo Rodrigues ao ser sabatinado na TV Aratu, nesta terça-feira (4) e abordou um dos temas mais sensíveis de sua gestão: a segurança pública e a atuação da Polícia Militar. Respondendo a questionamentos do jornalista Maurício Leiro, editor de política do Bahia Notícias, sobre a implementação das câmeras corporais nos fardamentos e suspeitas de excessos policiais, Jerônimo afirmou que "não passa a mão na cabeça" de quem atua fora dos padrões.