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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saiu em defesa de Gianni Infantino em meio à crise política que atinge a Fifa. Na última segunda-feira (10), o norte-americano afirmou que a entidade cometeria um 'erro terrível' caso cogitasse substituir o dirigente suíço-italiano.
A manifestação foi publicada por Trump na plataforma Truth Social. O presidente dos Estados Unidos classificou Infantino como 'formidável' e reforçou apoio ao mandatário da Fifa, pressionado após o fracasso do plano que abriria parte dos ativos comerciais da entidade a investidores privados.

Foto: Divulgação / Truth Social
"A Fifa cometeria um erro terrível se, por qualquer motivo, contemplasse, ainda que fosse por um instante, substituir seu presidente, Gianni Infantino", escreveu Trump.
A fala ocorre em um momento de forte desgaste para Infantino. A crise ganhou novo capítulo também nesta segunda, quando Uefa, Concacaf e Confederação Asiática de Futebol (AFC) divulgaram uma carta conjunta com críticas duras à condução da Fifa.
O documento foi assinado pelos presidentes Aleksander Ceferin, da Uefa, Víctor Montagliani, da Concacaf, e Salman bin Ibrahim Al Khalifa, da AFC, além dos secretários-gerais das três confederações.
Na carta, as entidades afirmaram que a tentativa de vender uma participação comercial na Copa do Mundo representou uma 'profunda falha de julgamento' e uma quebra de confiança com as instituições do futebol.
O plano, já retirado pela Fifa, previa a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária que ficaria responsável pela gestão comercial de competições da entidade, incluindo a Copa do Mundo. A proposta abria espaço para investimento privado em parte dessa operação.
A iniciativa provocou forte reação de dirigentes e confederações, especialmente pela falta de consulta prévia. Para Uefa, Concacaf e AFC, o problema não foi apenas de comunicação, mas de governança e confiança.
"Futebol não pertence a nenhum indivíduo e nenhuma instituição. Pertence aos jogadores, torcedores, clubes, associações-membro e a cada instituição encarregada de proteger seu futuro", diz trecho da carta.
As confederações também criticaram a ideia de tratar a liderança no futebol como uma forma de posse pessoal.
"A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de deter — ou exigir — o poder para si próprio", afirmaram as entidades.
No sábado (8), a Fifa já havia reagido às pressões e afirmou haver um 'esforço orquestrado e contínuo' de alguns setores para minar a entidade e Infantino. O discurso, porém, não conteve a ampliação da crise.
Os Estados Unidos foram uma das sedes da Copa do Mundo de 2026 e seguem como peça importante na estratégia comercial da Fifa, especialmente pela força do mercado norte-americano.
Infantino mantém relação próxima com Trump e passou a buscar apoios de peso em meio à pressão por sua permanência no cargo. A eleição presidencial da Fifa está marcada para março de 2027, em Rabat, no Marrocos.
Gianni Infantino recuou. Após dias de pressão política, críticas de confederações e desgaste interno, o presidente da Fifa anunciou nesta sexta-feira (31) que não dará continuidade ao projeto que previa a abertura de uma participação comercial em uma nova empresa ligada aos principais torneios da entidade.
A proposta, chamada FIFA Forward Enterprise, havia sido apresentada como uma forma de ampliar recursos para federações nacionais e fortalecer programas de desenvolvimento do futebol. Na prática, o plano permitiria a entrada de investidores privados em uma subsidiária responsável por reunir operações comerciais e eventos da Fifa, incluindo competições como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes.
A reação foi imediata. Uefa, AFC e Concacaf se posicionaram contra o projeto, enquanto outras confederações passaram a convocar reuniões internas para discutir o tema. A Conmebol também tratou a proposta na última sexta, o que aumentou o isolamento político da iniciativa defendida por Infantino.
Em comunicado publicado nas redes sociais, o presidente da Fifa afirmou que o projeto nasceu com a intenção de fortalecer as associações filiadas, especialmente em países com maior necessidade de apoio. Ele ressaltou, porém, que a proposta só avançaria se tivesse respaldo da maioria das federações e fosse submetida a um processo de consulta.
"O projeto FIFA Forward Enterprise foi concebido para criar uma base que permitisse fortalecer ainda mais as Associações-Membro da FIFA e o nosso esporte em todo o mundo, especialmente nos países onde o apoio é mais necessário", afirmou Infantino.
O dirigente reconheceu que a repercussão em torno da proposta tornou o ambiente insustentável para a continuidade do plano.
"Depois de ouvir atentamente todos os pontos de vista, ficou claro que o projeto criou divisões que, independentemente do nível de apoio recebido, já não atendem ao objetivo que motivou sua criação. Nosso propósito sempre foi — e sempre será — unir e fortalecer. Como resultado, essa proposta não terá continuidade", completou.
A desistência ocorreu, inclusive, no mesmo dia em que Carlos Cordeiro, assessor sênior de Infantino, deixou o cargo em protesto contra o projeto. Ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos e ex-executivo do Goldman Sachs, Cordeiro classificou a proposta como um mau negócio para as federações, para o futebol e para o futuro do esporte.
O FIFA Forward Enterprise previa a criação de uma nova subsidiária controlada pela Fifa, mas aberta a participação minoritária de investidores externos. A entidade defendia que manteria o controle sobre decisões esportivas, calendário, competições e governança, enquanto usaria os recursos captados para ampliar o repasse às federações.
Pelo desenho divulgado anteriormente pela Fifa, cada associação nacional poderia receber US$ 20 milhões no ciclo 2027-2030, valor superior aos US$ 8 milhões previstos atualmente. A entidade também projetava crescimento gradual dos repasses nos ciclos seguintes.
A resistência, no entanto, se concentrou no risco de transformar os principais ativos comerciais do futebol mundial em produto financeiro para investidores privados. A Uefa foi a primeira confederação a elevar o tom contra a proposta e chegou a ameaçar boicote a competições organizadas pela Fifa caso o plano avançasse.
Com a recuada, Infantino agora tenta reorganizar a relação com as confederações e federações filiadas. No comunicado, o presidente afirmou que pretende reunir novamente as partes interessadas nos próximos dias e semanas para discutir alternativas de crescimento do futebol mundial.
"Daqui para frente, minha intenção é reunir novamente todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas, em um espírito de interesse comum pelo nosso esporte, com o objetivo de continuar promovendo o crescimento do futebol em todo o mundo, especialmente nos países que mais precisam do nosso apoio", disse.
Confira a nota oficial da Fifa e de Gianni Infantino:
"O projeto FIFA Forward Enterprise foi concebido para criar uma base que permitisse fortalecer ainda mais as Associações-Membro da FIFA e o nosso esporte em todo o mundo, especialmente nos países onde o apoio é mais necessário. E, mais importante, desde o início deixamos claro que isso só seria feito se houvesse o apoio da maioria das Associações-Membro da FIFA e sempre sujeito a um processo de consulta com elas, com o Conselho da FIFA, as Confederações e as demais partes interessadas.
Depois de ouvir atentamente todos os pontos de vista, ficou claro que o projeto criou divisões que, independentemente do nível de apoio recebido, já não atendem ao objetivo que motivou sua criação.
Nosso propósito sempre foi — e sempre será — unir e fortalecer. Como resultado, essa proposta não terá continuidade.
Daqui para frente, minha intenção é reunir novamente todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas, em um espírito de interesse comum pelo nosso esporte, com o objetivo de continuar promovendo o crescimento do futebol em todo o mundo, especialmente nos países que mais precisam do nosso apoio."
Após quase dois dias sem se manifestar, a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) quebrou o silêncio sobre a proposta da Fifa (Federação Internacional de Futebol) de criar uma empresa subsidiária destinada a gerenciar os direitos comerciais e operacionais de suas competições – entre elas, as Copas do Mundo Feminina e Masculina. A Conmebol era a última confederação continental a se pronunciar sobre o assunto.
Em nota oficial divulgada na tarde desta terça-feira (31), a entidade afirmou que a prioridade da organização sempre será o futebol, desde os valores até a paixão que o torna o “esporte mais popular do mundo”.
A Conmebol explicou que, após tomar conhecimento da proposta apresentada pela Fifa em relação ao projeto Fifa Forward Enterprise (FFE), seguindo os procedimentos institucionais, iniciou um processo de consulta junto às suas associações-membro e convocou uma reunião de seu Conselho.
Sem divulgar o resultado do encontro, a entidade anunciou que solicitou à Fifa informações e esclarecimentos adicionais sobre diversos aspectos relacionados ao escopo, estrutura, governança e possíveis efeitos do FFE.
Segundo a Conmebol, entende-se que o desenvolvimento do futebol exige decisões comerciais e financeiras. No entanto, essas decisões devem sempre servir ao esporte e nunca se sobrepor à sua essência. “O futebol vem sempre em primeiro lugar”, escreveu.
“A Conmebol continuará a agir com prudência, responsabilidade e espírito de colaboração, contribuindo para o fortalecimento do futebol mundial exclusivamente por meio de canais institucionais e dos princípios da boa governança”, finalizou.
OUTRAS CONFEDERAÇÕES SE PRONUNCIARAM
Até a noite desta quinta-feira (30), a Conmebol era a única entidade continental que ainda não havia se manifestado sobre a pauta.
A Uefa (Europa) promoveu um boicote aos torneios da Fifa enquanto o plano não for abolido. A Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) rejeitou totalmente a proposta. A AFC (Ásia) criticou o processo pela ausência de consulta prévia. Já a CAF (África) e a OFC (Oceania) convocaram reuniões para avaliação, sem ter divulgado os resultados finais até o momento.
CONFIRA A NOTA DA CONMEBOL NA ÍNTEGRA
"A Conmebol reafirma que sua prioridade será sempre o futebol: seus valores, seu pessoal e a paixão que o torna o esporte mais popular do mundo.
Entendemos que o desenvolvimento do futebol exige decisões comerciais e financeiras. No entanto, essas decisões devem sempre servir ao esporte e nunca se sobrepor à sua essência.
O futebol vem sempre em primeiro lugar.
Após tomar conhecimento da proposta apresentada pela Fifa em relação ao projeto FFE, e em conformidade com seus procedimentos institucionais, a Conmebol iniciou um processo de consulta junto às suas associações-membro e convocou uma reunião de seu Conselho com o único propósito de analisar e avaliar a referida proposta com a responsabilidade e o rigor que o assunto exige.
Com esse objetivo, a Conmebol solicitou à Fifa informações e esclarecimentos adicionais sobre diversos aspectos relacionados ao escopo, estrutura, governança e possíveis efeitos do projeto FFE.
A Conmebol continuará a agir com prudência, responsabilidade e espírito de colaboração, contribuindo para o fortalecimento do futebol mundial exclusivamente por meio de canais institucionais e dos princípios da boa governança.
A Conmebol apela à união em toda a família do futebol e a que o futebol seja sempre colocado acima de qualquer outro interesse."
A pressão sobre Gianni Infantino ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (31). Carlos Cordeiro, um dos principais assessores do presidente da Fifa, renunciou ao cargo em protesto contra o plano da entidade de vender uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo e de outras competições organizadas pela federação internacional.
Ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos e ex-vice-presidente do Goldman Sachs, Cordeiro estava na Fifa desde 2021. A saída foi anunciada por meio de um comunicado publicado no LinkedIn, no qual ele afirmou ter deixado a função com efeito imediato.
A proposta em discussão prevê a criação de uma empresa para administrar ativos comerciais de torneios da Fifa, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina e o Mundial de Clubes. A ideia seria abrir parte dessa estrutura a investidores privados, em uma operação que poderia levantar bilhões de dólares.
Cordeiro afirmou que não participou da elaboração do projeto e disse ser contrário à medida. Para ele, a Fifa não deveria abrir mão de uma fatia de seu principal ativo comercial.
"Não posso permanecer de braços cruzados enquanto a Fifa considera vender uma participação na Copa do Mundo", declarou.
No comunicado, o ex-dirigente classificou a proposta como um "mau negócio" para as federações, para o futebol e para o futuro do esporte. Ele também questionou a falta de respostas sobre pontos centrais da operação, como governança, supervisão, beneficiários e impactos de longo prazo.
A crítica ganhou peso por causa do histórico de Cordeiro no mercado financeiro. Além da carreira no futebol, ele trabalhou por mais de três décadas no setor bancário. No texto, o ex-assessor argumentou que a Fifa já tem capacidade financeira suficiente para investir no desenvolvimento do esporte sem vender parte dos direitos comerciais de seus torneios.
Cordeiro também citou as receitas recentes da entidade. Segundo ele, a própria Fifa informou ter gerado US$ 15 bilhões entre 2022 e 2026, o que reforçaria sua avaliação de que não há justificativa para negociar uma participação permanente no ativo mais valioso do futebol mundial.
A renúncia ocorre em meio à reação de confederações e federações nacionais. As 55 associações filiadas à Uefa se posicionaram contra o projeto e ameaçaram boicotar competições organizadas pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo, caso a proposta avance.
A Confederação Asiática de Futebol também manifestou oposição ao modelo em discussão e defendeu uma revisão urgente dos processos de governança e tomada de decisão da Fifa. A Concacaf, que reúne federações da América do Norte, Central e Caribe, também aparece entre as entidades que reagiram ao plano.
O ponto central da controvérsia é a possibilidade de investidores privados passarem a ter participação econômica em competições que, historicamente, são administradas diretamente pela Fifa. Para críticos da proposta, a medida transformaria a Copa do Mundo em um produto financeiro e poderia comprometer o controle do futebol sobre suas próprias receitas.
A Fifa, por outro lado, tem defendido a busca por novas oportunidades comerciais depois da Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. Infantino afirmou recentemente que o sucesso financeiro do torneio abriu novas possibilidades de investimento para o futebol mundial.
A ampliação da Copa do Mundo de 2026, que será realizada em Estados Unidos, México e Canadá, marca uma inflexão importante para seleções da Ásia e da Oceania. Com o aumento de 32 para 48 participantes, as confederações Confederação Asiática de Futebol e Confederação de Futebol da Oceania passam a ter maior representatividade, alterando o peso competitivo de regiões historicamente periféricas no cenário mundial.
A AFC, que tradicionalmente contava com quatro ou cinco vagas, passa a ter oito classificações diretas, além de uma possibilidade adicional via repescagem intercontinental. Já a OFC, que nunca teve vaga direta garantida, assegura pela primeira vez um representante automático, além de também disputar a repescagem. A mudança reduz a dependência de confrontos eliminatórios contra seleções de outros continentes — historicamente um obstáculo para equipes da Oceania — e amplia o leque competitivo asiático.
No contexto das Eliminatórias, a Ásia confirmou um grupo diversificado de seleções para 2026. Entre elas, nomes tradicionais como Japão, Coreia do Sul, Irã e Arábia Saudita mantêm protagonismo, enquanto outras equipes consolidam crescimento recente, como Austrália — integrante da AFC desde 2006 — e Catar, que busca continuidade após sediar o Mundial de 2022.
O Japão chega como uma das seleções mais organizadas do continente, com forte presença de jogadores em ligas europeias e campanhas consistentes nas últimas Copas — disputou todas desde 1998, tendo alcançado as oitavas de final em quatro ocasiões, incluindo 2022. A Coreia do Sul, semifinalista em 2002, segue como potência regional e presença frequente — estará em sua 11ª participação consecutiva. O Irã, dominante nas Eliminatórias asiáticas, tenta superar a barreira histórica da fase de grupos, enquanto a Arábia Saudita busca repetir feitos como a vitória sobre a Argentina em 2022.
A Austrália, por sua vez, mantém regularidade desde que migrou para a AFC, tendo disputado as últimas cinco Copas (a mais recente em 2022, quando chegou às oitavas). Já o Catar vive um momento de reconstrução, após campanha abaixo das expectativas como anfitrião em 2022, sua estreia em Mundiais.
Outras seleções asiáticas aparecem como possíveis estreantes ou retornos relevantes, reflexo direto do aumento de vagas. Países como Uzbequistão e Jordânia, historicamente competitivos em nível continental, entram no ciclo com chances reais de classificação inédita, algo raro no formato anterior.
Na Oceania, a Nova Zelândia desponta como principal beneficiada. Tradicional dominante regional, a equipe disputou apenas duas Copas (1982 e 2010) e, até então, dependia de repescagens contra seleções mais fortes. Com a vaga direta assegurada à OFC, os neozelandeses chegam como favoritos naturais à classificação e podem retornar ao Mundial após 16 anos.

Jogadores da Nova Zelândia comemorando gol | Foto: Reprodução/Instagram (@nzallwhites)
O histórico de Ásia e Oceania em Copas do Mundo ainda é limitado quando comparado a Europa e América do Sul, mas registra avanços pontuais. A melhor campanha asiática segue sendo o quarto lugar da Coreia do Sul em 2002. Além disso, Japão e Coreia do Sul acumularam presenças frequentes em oitavas de final, enquanto seleções como Arábia Saudita (1994) e Austrália (2006 e 2022) também alcançaram essa fase.
Já a Oceania tem participação muito mais restrita: além da Nova Zelândia, apenas a Austrália — antes de migrar para a AFC — representou a região, com destaque para 2006, quando chegou às oitavas. Em termos históricos, nenhuma seleção da OFC venceu uma partida em fase eliminatória de Copa.
No cenário de 2026, algumas marcas podem ser quebradas. A Ásia pode atingir seu maior número de seleções em oitavas de final em uma mesma edição, impulsionada pelo aumento de vagas e pelo novo formato que permite a classificação de terceiros colocados. Há também a possibilidade de estreias inéditas e de ampliação do número de participações consecutivas de seleções como Japão e Coreia do Sul. Pela Oceania, a expectativa é de encerrar o longo jejum sem vitórias em Copas, caso a Nova Zelândia avance de fase.
O novo formato do torneio — com 12 grupos de quatro seleções — altera a dinâmica competitiva. Para equipes asiáticas e da Oceania, a possibilidade de avançar como uma das melhores terceiras colocadas reduz a pressão por campanhas quase perfeitas na fase inicial, algo que historicamente limitava essas seleções.
Na repescagem intercontinental, o ciclo para 2026 também evidenciou evolução. Seleções asiáticas tiveram desempenho competitivo contra adversários de outras confederações, refletindo maior equilíbrio técnico global. A presença ampliada nesses playoffs reforça o crescimento estrutural da AFC. Já a OFC, embora ainda enfrente limitações, ganha relevância ao participar de forma mais consistente do processo classificatório.
Para além do futebol, Ásia e Oceania carregam enorme diversidade cultural, que também se reflete no estilo de jogo. A Ásia reúne tradições milenares, com sociedades que valorizam disciplina, coletividade e organização — características frequentemente observadas em campo. Já a Oceania, composta por nações insulares e forte influência indígena e colonial, apresenta uma identidade esportiva marcada por intensidade física e resiliência.
A leitura do atual ciclo de preparação para a Copa de 2026 reforça que Japão e Coreia do Sul não apenas mantêm protagonismo asiático, mas chegam com gerações tecnicamente mais qualificadas e internacionalizadas — sobretudo pela presença massiva de jogadores em ligas europeias.
No caso japonês, o momento é considerado um dos mais promissores de sua história recente. A base da equipe que vem sendo utilizada ao longo das Eliminatórias e amistosos internacionais é formada por atletas que atuam em alto nível no futebol europeu, o que tem elevado o patamar competitivo da seleção. Nomes como Takefusa Kubo, destaque na Espanha, Kaoru Mitoma (ainda que eventualmente ausente por lesões), Daichi Kamada e Takumi Minamino formam a espinha dorsal ofensiva, combinando velocidade, mobilidade e capacidade de jogo entrelinhas.
No meio-campo, a seleção japonesa se estrutura a partir de Wataru Endo, que atua como elemento de equilíbrio e liderança tática — peça recorrente nas escalações do ciclo — ao lado de jogadores como Ao Tanaka. Já no setor defensivo, nomes como Ko Itakura e Takehiro Tomiyasu (quando disponível) sustentam uma linha defensiva mais sólida e adaptada ao ritmo europeu.
O ataque também apresenta variedade de opções, com Ayase Ueda, Daizen Maeda e Ritsu Doan frequentemente utilizados no ciclo recente. Esse conjunto de jogadores evidencia um Japão mais versátil taticamente, capaz de alternar entre posse de bola e transições rápidas — característica que se refletiu em resultados relevantes em amistosos contra seleções campeãs mundiais ao longo do ciclo, reforçando sua competitividade internacional.
De acordo com convocações recentes, a base da equipe tem sido relativamente estável, com presença recorrente de atletas que atuam em ligas como Premier League (Inglaterra), Bundesliga (Alemanha), La Liga (Espanha) e Ligue 1 (França), algo que diferencia essa geração de ciclos anteriores e amplia a experiência internacional do elenco.

Time titular da seleção japonesa antes de amistoso | Foto: Reprodução/Instagram (@japanfootballassociation)
Já a Coreia do Sul mantém uma estrutura mais consolidada em torno de lideranças técnicas e de um núcleo ofensivo bem definido. O principal nome segue sendo Son Heung-min, capitão e referência histórica da seleção, além de ser o jogador com mais partidas pela equipe nacional e um dos maiores artilheiros de sua história. Mesmo em um momento de questionamentos sobre desempenho, o próprio comando técnico reforça sua centralidade no grupo, tratando-o como “o coração da equipe” no atual ciclo.
Ao redor de Son, a Coreia do Sul construiu uma base ofensiva que aparece com frequência nas convocações, com nomes como Hwang Hee-chan, Lee Kang-in e Cho Gue-sung, além de opções mais jovens que vêm sendo integradas progressivamente ao elenco. Jogadores como Oh Hyeon-gyu e Yang Min-hyeok representam essa renovação ofensiva, aparecendo com regularidade em listas recentes.
No meio-campo, a equipe sul-coreana mantém um perfil dinâmico, com atletas que combinam intensidade física e capacidade de transição, enquanto a defesa ainda busca maior estabilidade — ponto que tem sido trabalhado ao longo dos amistosos preparatórios.
Assim, tanto Japão quanto Coreia do Sul chegam ao ciclo final pré-Copa com estruturas consolidadas, mas com características distintas: os japoneses apoiados em uma geração amplamente inserida no futebol europeu e em evolução coletiva, enquanto os sul-coreanos mantêm uma espinha dorsal mais experiente, liderada por Son, ao mesmo tempo em que promovem renovação gradual. Em comum, ambas refletem o avanço técnico do futebol asiático e chegam a 2026 com potencial real de protagonismo maior do que em edições anteriores.
Assim, a Copa de 2026 se desenha como a mais inclusiva da história para esses continentes. Mais do que ampliar números, o novo formato cria condições para que Ásia e Oceania deixem de ser coadjuvantes ocasionais e passem a ocupar, de forma mais consistente, espaços competitivos no cenário global do futebol.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Bruno Monteiro
"Nossa campanha é uma só".
Disse o secretário de Cultura da Bahia Bruno Monteiro ao comentar a relação das campanha ao governo da Bahia e a disputa presidencial.