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Em nota pública divulgada neste sábado (5) a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) manifestou forte oposição à tentativa da Procuradoria-Geral da República (PGR) de apurar a conduta de policiais federais na elaboração do relatório da Operação Compliance Zero.
A Entidade, que representa mais de 2.300 delegados, defende que os fatos revelados pela operação sejam investigados "em toda a sua extensão, sem seletividade quanto às autoridades envolvidas".
A indignação da ADPF gira em torno do relatório analítico sobre o material apreendido na Operação Compliance Zero, elaborado por ordem direta do Ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
A PGR instaura um Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial para investigar a atuação dos policiais na confecção deste relatório. Em resposta, a ADPF argumenta que os delegados e servidores apenas cumpriram estritamente a decisão judicial do STF, sem margem para juízo próprio de conveniência.
Além de defender a legalidade da atuação policial, a associação apontou que o relatório da operação cita nominalmente o próprio Procurador-Geral da República. Pelo Código de Processo Penal, membros do Ministério Público estão sujeitos às regras de impedimento e suspeição aplicáveis aos juízes, sendo proibidos de tomar decisões em causa própria.
A ADPF ainda argumenta que independentemente das intenções por trás do ato, a abertura da investigação pela procuradoria gera um efeito prático de intimidação sobre os investigadores da Compliance Zero
Assim, a associação exige o arquivamento do procedimento instaurado pela PGR por inadequação de via e cobra que o Procurador-Geral da República declare formalmente seu impedimento e se abstenha de atuar nos procedimentos relacionados aos fatos em que é citado.A associação garantiu ainda assistência jurídica integral aos delegados afetados.
A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (08) a Operação Tredo, voltada a desarticular um grupo de agentes de segurança pública suspeitos de colaborar com o Comando Vermelho no Rio de Janeiro. Segundo as investigações, os servidores repassavam informações sigilosas sobre operações policiais em comunidades dominadas pela organização criminosa.
A ofensiva cumpre 11 mandados de prisão temporária e seis de busca e apreensão, expedidos pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa. Até o início da tarde, dois sargentos da Polícia Militar haviam sido presos. Três veículos e aparelhos celulares foram apreendidos. Um dos alvos já havia sido detido na Operação Contenção, em novembro.
As apurações começaram após o compartilhamento de elementos levantados na Operação Buzz Bomb, deflagrada em setembro de 2024, que investigou um militar da Marinha suspeito de fornecer drones e treinar integrantes do Comando Vermelho. A partir dessas informações, a PF identificou policiais militares que vazavam detalhes de operações planejadas, permitindo que criminosos se antecipassem às ações das forças de segurança.
Entre os envolvidos está um sargento do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) que atuaria na escalação de equipes empregadas nas operações. A PF agora busca aprofundar a investigação para localizar outros integrantes do Comando Vermelho infiltrados na estrutura do Estado.
A Operação Tredo integra a Missão Redentor 2, iniciativa permanente da PF para enfraquecer o Comando Vermelho e outras organizações criminosas no Rio, em consonância com as diretrizes estabelecidas pelo STF na ADPF 635.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Navi Pillay
"Talvez dividiria com Trump".
Disse a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026 nesta sexta-feira (9), a jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay ao brincar com a reação do público e declarou que, se os aplausos continuassem, "talvez dividiria o prêmio com Trump". Em tom descontraído, a premiada questionou se o anúncio era real: "Como advogada e juíza, ainda quero verificar se tudo isso é verdade", brinca.